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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Conversa entre Marc Simmons e Gabriela Celani sobre detalhamento de fachadas em obras de arquitetura contemporânea. A entrevista ocorreu no mês de março de 2018 no Massachusetts Institute of Technology – MIT, em Cambridge.

english
Conversation between Marc Simmons and Gabriela Celani on detailing façades in works of contemporary architecture. The interview took place in March 2018 at the Massachusetts Institute of Technology – MIT in Cambridge.

español
Conversación entre Marc Simmons y Gabriela Celani sobre detalle de fachadas en obras de arquitectura contemporánea. La entrevista ocurrió en el mes de marzo de 2018 en el Massachusetts Institute of Technology – MIT, en Cambridge.

how to quote

CELANI, Gabriela. Fachadas | Detalhamento construtivo na arquitetura contemporânea (parte 1). Entrevista com Marc Simmons. Entrevista, São Paulo, ano 18, n. 076.01, Vitruvius, nov. 2018 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/18.076/7159>.


Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
Foto Gabriela Celani

Gabriela Celani: Você pode me falar um pouco sobre a disciplina que está dando no MIT? Quais são seus objetivos e quais são os resultados esperados? Como esta disciplina se relaciona com o atelier de projeto que você também está oferecendo?

Mark Simmons: Esta disciplina já existia havia muito tempo, mas apenas no ano passado a (professora) Meejin (Yoon, Chefe do Departamento de Arquitetura) e Andrew Scott (ex-Diretor do Programa de Mestrado em Arquitetura) mudaram seu nome para Architectural Assemblies. Sempre foi obrigatório, como o último curso na sequência de tecnologia, como parte do Currículo do mestrado profissionalizante acreditado pelo Naab (23). John (Klein) havia dado essa disciplina sozinho no ano passado, mas parte do motivo pelo qual fui convidado para o MIT foi justamente ministrar esse curso.

GC: Quando e onde você começou a dar aulas?

MS: Quando eu estava em Hong Kong, estive (algumas vezes) na HKU, a Universidade de Hong Kong, participando de avaliações de projeto, e me interessei por ensinar enquanto eu ainda estava estudando. Quando voltei para Waterloo para terminar (minha graduação), me envolvi em algumas palestras sobre engenharia de fachadas e assim por diante, mas não foi até (eu me mudar para) Nova York, talvez em 2003, quando me pediram para ser (professor) adjunto na (Universidade de) Columbia, ajudando em um atelier integrado sob a coordenação de Bernard Tschumi. Um ano depois, fui chamado para lecionar como professor em Princeton, sob a coordenação de Stan Allen (ex-reitor da Escola de Arquitetura), mas a ideia havia sido de Guy Norderson, professor de engenharia estrutural, e eu lecionei lá por 6 anos. Meu trabalho principal era ensinar uma matéria eletiva sobre projeto de fachadas contemporâneas e especificação de materiais. Foi ótimo, sempre com uns 20 alunos, muito inteligentes...

Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
Foto Gabriela Celani

GC: Foi semelhante ao curso que você está dando aqui no MIT?

MS: Foi um pouco parecido... tinha um componente de projeto, mas não tinha nenhum componente de construção, havia um pouco de modelagem em pequena escala, às vezes redação de ensaios e uma combinação de estudos de caso e projeto. Mas foi muito mais ad-hoc e não foi um curso básico. E então, durante quatro semestres, fui como um co-instrutor local para professores visitantes, um com Iñaki Ábalos (24), outro com seu ex-parceiro Juan Herreros (25), um terceiro com Hani Rashid (26) e um quarto com Alejandro Zaera Polo (27). Então eu fui convidado a me candidatar para a cadeira (de professor visitante) Ventulett da Georgia Tech (28), algo que eu não estava procurando, porque meu segundo filho estava prestes a nascer, mas Chuck Eastman me ligou e disse: “Mark, como podemos fazer você passar mais tempo em Atlanta?”. E eu acho que eles fizeram uma chamada aberta, e o (professor) Tom Ventulett ainda estava vivo, e ele não estava feliz com a lista de candidatos, então eles convocaram um comitê de seleção e fizeram uma lista de potenciais candidatos de todo o mundo, e telefonaram para eles para ver quem estava em uma circunstância de vida para se interessar pelo convite. E minha esposa me incentivou a me candidatar. Então eles ficaram com uma pequena lista de três candidatos. Nós três tivemos que apresentar uma proposta para a cadeira Ventulett, e eu fui selecionado e, no outono de 2012, comecei a lecionar em período integral. Era outono e primavera, fazendo um atelier de projeto e uma disciplina teórica a cada semestre, indo e voltando de Nova York. Foi muito intenso, mas foi muito gratificante, incrível!

Como tínhamos recursos, podíamos levar (os alunos) para viajar e também podíamos construir mockups nos ateliers colaborativos de projeto. E assim eu fui professor visitante por cinco anos. Foi quando no ano passado, um pouco antes do fim (do contrato), eu ainda não estava procurando nada, e então a Meejin entrou em contato comigo para ver se eu estaria interessado em alguma coisa por aqui. E 18 meses depois nós fizemos acontecer. O MIT combina comigo.

GC: E o que torna o ensino interessante para você, Mark? Porque você está muito ocupado em seu escritório, está ganhando bastante dinheiro e tem muito trabalho. Você tem que pegar o avião toda semana para vir aqui... Vale a pena? Por que é tão interessante para você?

MS: Em primeiro lugar, ao longo dos anos, quando adulto, o meu interesse geral tem sido trabalhar e viajar e, infelizmente, viajar a serviço do trabalho. Eu desisti da maioria dos meus outros hobbies, passatempos que eu tinha quando era mais jovem. Embora o ensino também seja um trabalho, é na verdade algo completamente diferente do trabalho. Ele está relacionado – o conteúdo é muito semelhante em muitos aspectos – mas na verdade o processo pelo qual você passa e o nível de envolvimento que você tem com os alunos e com o corpo docente é realmente um mundo totalmente diferente e me conecta de maneira diferente. Eu sei que ajo de forma diferente, falo de uma maneira diferente, minhas preocupações são diferentes e, de certa forma, para mim, é uma ruptura mental muito importante. Caso contrário, eu me conheço e tudo o que eu faria seria trabalhar. Em vez de trabalhar 40 a 50 horas por semana, eu trabalharia 80 horas por semana, algo que eu fazia antes. Porque agora temos um escritório grande, com tantos projetos, há quase um menu infinito de coisas em que eu poderia me envolver se quisesse. Eu posso ir e trabalhar em qualquer projeto, com qualquer pessoa da minha equipe, e é muito divertido. E isso é provavelmente o que eu faria. Mas agora eu tenho dois filhos e também estou tentando priorizar o tempo deles. O MIT agora está na metade do tempo, porque é apenas na primavera, e haverá um melhor equilíbrio com o trabalho do que havia na Georgia Tech. Na Georgia Tech houve um pico de intensidade, mas talvez porque as crianças fossem bebês, eles não sentiam tanto a falta do pai nessa idade, (mas) agora eles iriam sentir, com 6 e 8 anos de idade, eles percebem quando eu não estou lá.

Para mim, dar aulas em um lugar como o MIT e me envolver com alunos que realmente se importam, particularmente agora, com questões humanitárias... Estou em um momento em minha carreira em que tenho aumentado minha atenção e foco no bem-estar dos outros e você viu que os projetos que eu mais apreciei em nosso trabalho da Front são justamente projetos públicos. Eu posso gostar de fazer as fachadas caríssimas para a Louis Vuitton, mas isso realmente não me traz um prazer existencial. Não há satisfação real nisso, além da pura materialidade desse tipo de coisa. Sim, família e filhos! E, a propósito, estou atualmente concorrendo à presidência da Associação de Pais e Mestres de meus filhos.

GC: Desejo-lhe boa sorte!

MS: Obrigado!

GC: E em resumo, qual é a importância da colaboração entre academia e prática?

MS: Isso é difícil. Bem, para dizer a verdade, todos na indústria vieram da academia. Quase todo mundo tem um diploma universitário de algum tipo, todos nós somos treinados. Um é muito mais um tipo de produto residual do outro, quase por definição. Um grande número de pessoas na prática ensina, então é algo circular. Mas se a questão era menos sobre o ensino e mais sobre pesquisa institucional, esse é um tipo de pergunta que eu posso responder com base em minha experiência próopria. Certamente, na indústria de fachadas, temos quase um conjunto infinito de possíveis áreas de desenvolvimento ou abordagens. Você sabe, tudo, desde o BIM e a tecnologia de automação no lado do software, até o conhecimento do domínio em termos de taxonomias e tipologias de fachadas e sistemas e reconfigurações e assim por diante, até a produção industrial, em termos das tecnologias de fabricação e montagem que são usadas, as quais, a meu ver, são muito diferentes do primeiro conhecimento de fabricação de produtos químicos e materiais, e o processamento dessas coisas. E as indústrias associadas à madeira são muitas, assim como ao concreto, ao vidro, ao alumínio, ao aço, aos compósitos... isso significa que é uma grande parte da indústria global. Então, como você pode ter alguma influência sobre isso?

Mas a realidade é que, como sabemos do MIT, da Georgia Tech e de outros lugares, a academia deve muito à indústria pelas parcerias institucionais, e muitas pesquisas em ciência básica e em física dos materiais e inovação vêm de laboratórios corporativos financiados em grande escala, ou de laboratórios institucionais financiados em grande escala, e muito frequentemente (de) uma colaboração entre os dois. Eu vou te dar um exemplo bem simples – você sabe o projeto Jane's Carousel (29), você se lembra, eu contei sobre o desenvolvimento da junta que exigiu uma colaboração entre a Dow Corning, a 3M, a DuPont... só para fazer uma simples junta. Por causa dos materiais da fita VHB, em silicone estrutural, das características de ligação do acrílico fundido da Reynolds. O silicone estrutural é feito pela Dow Corning e a fita VHB é da 3M, e há os produtos da Velcro. Nós conhecemos as ligações de velcro, mas e os dois lados opostos do velcro, como eles se ligam, e também incluímos aço inoxidável nesse detalhe. Então, esse é um número absurdo de compatibilidades – compatibilidades químicas – e, como consultores, sabemos apenas 25% disso.

Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
Foto Gabriela Celani

GC: Então você está realmente fazendo pesquisa em seu escritório. E você pode descrever o método que você usa em sua disciplina Architectural Assemblies no MIT?

MS: É mais uma evolução do que fiz antes. O que eu faço melhor – porque eu não sou organizado, mas eu compenso por ter uma boa memória – é que eu uso os ativos da nossa empresa, que é um material visual fantástico, em seqüências de imagens, sem uma narrativa pré-estabelecida. Eu uso imagens como uma estrutura para contar histórias. Portanto, o conteúdo principal é essencialmente uma série de estudos de casos com curadoria que tentam transmitir questões importantes e também uma diversidade de questões. Sempre foi fluido e talvez um pouco fluido demais. Eu provavelmente preciso gastar um pouco mais de tempo estruturando isso. Mas a maneira como sempre fiz isso é: vou apresentá-lo nesse nível, nesse nível alto, e falar nesse nível, e não vou gastar muito tempo explicando. Quer dizer, a explicação são as imagens mais o que eu disser, e se as pessoas recebem 5, 10, 20, 25% do que estou dizendo, isso é ótimo. Eu não estou aqui para dizer o que você já sabe, e eu não estou aqui para dar comida na boca dos alunos, como na escola, mas eu acho que as primeiras críticas a esse curso do jeito que eu fiz é que o material não é apresentado de uma maneira que otimiza a aquisição de conhecimento. E para mim isso não é algo que estou acostumado a fazer, porque não trabalho dessa maneira, e levaria muito tempo para organizar o conteúdo de modo que ele tenha uma sequência lógica que otimize a aquisição de conhecimento, então não é provável que faça isso.

GC: Mas eu acho que o curso foi muito bem, porque os alunos também aprendem fazendo as maquetes dos casos estudados, certo? Mas você acha que, estudando e representando detalhes existentes, os alunos aprendem mais do que se eles estivessem desenvolvendo seus próprios detalhes?

MS: Desde o início, decidimos que haveria um componente colaborativo do trabalho em grupo neste curso. Mas eu e Meejin decidimos que não haveria um componente de projeto, porque isso resultaria em uma competição com os ateliers de projeto. E também, como eu disse antes, projetar detalhes de fachada sem um contexto urbano e arquitetônico completo para mim é como fazer escalas técnicas no piano – não é um projeto real. Então, eu prefiro fazê-lo no contexto de um atelier, e é por isso que eu também dou aula de atelier, além desta disciplina técnica. Se você não for oferecer um atelier acompanhando uma disciplina técnica para fazer a parte do projeto, então o melhor é fazer os estudos de caso. E depois há uma variedade de estudos de caso que foram estudos de caso de outras pessoas e estudos de caso com os quais eu tenho envolvimento. E é a primeira vez que faço isso com projetos em que estou envolvido. Eu sempre fiz isso com os projetos dos outros. Isso é interessante para mim agora, porque percebo que tenho um conhecimento tão profundo e posso transmitir também desenhos e detalhes, que posso acelerar e também aprofundar sua verdadeira compreensão. E não acho que haja nada de errado em analisar o trabalho existente e tentar modelá-lo digitalmente e, em seguida, fazer algum tipo de "fac-símile" de um componente dele. Todo esse processo não está completo, mas ainda assim é valioso. Então, o que aprendemos neste curso é que esse processo ainda requer muito controle, e é por isso que acabamos mudando toda a estrutura da turma, para dar a eles uma hora a uma hora e meia de tempo de assessoria (após) cada palestra (semanal), dedicada ao estudo de caso de cada equipe. Originalmente não íamos fazer isso. Seriam três horas de palestras com estudos de caso e então eles apenas trabalhariam em segundo plano, mas parece que eles precisavam de muita ajuda. E foram nossos assistentes de ensino (TAs) que sugeriram isso, porque eu acho que as pessoas estavam começando a sentir uma falta de conexão entre o conteúdo da sala de aula e o que se esperava que eles fizessem nos bastidores. E isso foi bom, porque de certa forma era uma expectativa irreal e eles não sabiam o que fazer.

GC: Eu tenho assistido a essas discussões e acredito que elas são extremamente valiosas para os alunos.

MS: É por isso que que o curso agora está ficando assim. Acho que vai ser, desde o primeiro dia até o final, provavelmente 35% de estudos de caso, revisões e discussões e 65% de conteúdo de palestras.

GC: Eles estão aprendendo o vocabulário que você usa quando fala com consultores, eles estão vendo o tipo de conhecimento que você tem, por que as coisas são assim, como funciona, e assim por diante. Eu acho isso inestimável.

MS: E agradeço ao John por ter tido a ideia de montarmos uma exposição. O trabalho é bom, e em termos de valor da comunidade na escola, não há nada de errado em se exibir grandes maquetes de arquitetônicas. Sempre há um benefício. Há um sentimento de realização, de construção de comunidade, há orgulho, e também é um incentivo para os alunos da turma se saírem bem. Isso coloca muita pressão sobre eles, mas acho que todos se sentem muito bem tendo a oportunidade de mostrar seu trabalho.

notas

23
Website National Architectural Accrediting Board <https://bit.ly/2pJaC9Z>.

24
Website Abalos + Sentkiewicz <https://bit.ly/2C6B1pE>.

25
Website Estudio Herreros <http://estudioherreros.com/es/>.

26
Website Studio Hani Rashid <http://www.studio-hani-rashid.at/>.

27
Website AZPML <http://azpml.com/>.

28
Thomas W. Ventulett III Distinguished Chair in Architectural Design. Georgia Institute of Tecnology <https://b.gatech.edu/2C4nwGT>.

29
Website Jane's Carousel – Brooklyn Bridge Park <http://www.janescarousel.com>.

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Relatos em arquitetura paisagística

Luis Guilherme Aita Pippi, Letícia de Castro Gabriel and Ana Paula Nogueira

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