Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

my city ISSN 1982-9922

abstracts

português
A adaptação das cidades às mudanças climáticas, para que se tornem resilientes aos impactos que já estão ocorrendo em todo o planeta, como: inundações, deslizamentos, desertificação, falta d’água, corte de suprimentos de energia e matéria etc.

how to quote

HERZOG, Cecilia P.. Infraestrutura verde. Chegou a hora de priorizar! Minha Cidade, São Paulo, ano 11, n. 130.06, Vitruvius, maio 2011 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.130/3900>.



A adaptação das cidades às mudanças climáticas, para que se tornem resilientes aos impactos que já estão ocorrendo em todo o planeta, como: inundações, deslizamentos, desertificação, falta d’água, corte de suprimentos de energia e matéria etc., tem sido tema de vários congressos e seminários dos últimos dois anos. As previsões mais sombrias têm se mostrado pequenas perto da velocidade do que vem ocorrendo. O papel da biodiversidade urbana, da desimpermeabilização do solo, dos transportes alternativos de baixo impacto e de massa com combustíveis limpos, da geração de energia local e renovável, e da economia de energia são considerados pontos primordiais na construção de cidades sustentáveis e resilientes. Todos devem ser reunidos em um plano integrado de infraestrutura verde, que consiste numa rede de espaços permeáveis e de preferência arborizados (compreendidos os fragmentos de ecossistemas naturais) que se conectam através de ruas e rios renaturalizados, e outros potenciais corredores verdes.

Uma enxurrada de projetos, propostas e notícias sobre as transformações dos espaços urbanos do Rio de Janeiro, inunda a mídia. Porém, ainda não vi nenhuma manifestação em como a administração está planejando enfrentar os desafios atuais e futuros de forma sustentável. A cada chuva que para a cidade, surgem notícias sobre projetos milionários de drenagem de áreas historicamente problemáticas. O nível do mar está subindo e as imagens divulgadas de muitos projetos estão à beira d’água, como se nada fosse acontecer.  A ocupação de áreas alagáveis, encostas e ecossistemas costeiros está cobrando um alto preço da população. Áreas de produção de alimentos, fundamentais para segurança alimentar, estão sendo erradicadas. Estão sendo cometidos os mesmos erros históricos tão conhecidos de todos. Com o passar do tempo, a tendência é que as coisas fiquem mais e mais graves.

Inúmeras cidades, regiões e países estão trilhando caminhos inovadores, ao planejar e implantar projetos que consideram fatores abióticos, bióticos e antrópicos, em diversas escalas.  A infraestrutura verde já é uma realidade em muitos lugares. Investir em pesquisas e projetos que mimetizam a natureza tem dado excelentes resultados. Para isso, é preciso conhecer como os processos naturais e os fluxos que acontecem na paisagem urbana, e transformar os espaços urbanos monofuncionais em multifuncionais. Ruas, estacionamentos, telhados, canais e jardins podem oferecer inúmeros serviços ecológicos, como: coletar e drenar águas das chuvas, diminuir as ilhas de calor, reduzir temperaturas internas e o consumo de energia, limpar o ar, filtrar as águas de escoamento superficial, melhorar a saúde e a qualidade de vida da população, além de reduzir enchentes e conter deslizamentos. É uma tarefa transdisciplinar que requer a participação da comunidade com transparência.

O Rio de Janeiro tem uma oportunidade única de reverter esse processo. A incorporação dos projetos pontuais em andamento em um plano holístico de infraestrutura verde pode trazer benefícios concretos e sustentáveis para os moradores de hoje e do futuro. Não basta reduzir emissões de gases estufa. Atrair empresas de ponta requer qualidade de vida para seus funcionários. Segurança é primordial, mas qualidade de vida urbana vai além, demanda que ruas e espaços públicos sejam devolvidos à população, com múltiplas funções essenciais. Isso é possível e necessário em toda a cidade, como pode ser conferido em propostas vencedoras do Concurso Morar Carioca de urbanização de favelas promovido pelo IAB-RJ e a Prefeitura do Rio de Janeiro.  Preparar a Defesa Civil para agir em casos de calamidades é fundamental, mas não é solução sustentável no longo prazo. Não irá evitar nem mitigar os efeitos da urbanização desordenada, ou mal planejada. É hora de agir em benefício da coletividade, de planejar uma infraestrutura verde para o Rio de Janeiro.

comentários sobre as imagens

Biblioteca da Universidade de Varsóvia – edificação que se integra na paisagem: os jardins recobrem parcialmente a fachada que se prolonga por um pequeno parque. A drenagem é naturalizada, desce com tratamento por vegetação filtrante e termina numa pequena lagoa de detenção.

Biovaleta em níveis – nova área residencial da cidade de Freiburg na Alemanha integra drenagem naturalizada, com vegetação nativa e aproveita o potencial ambiental local.

Parque Ecológico Costanera Sur em Buenos Aires – localizado na margem do Rio de la Plata, abriga uma rica biodiversidade, e oferece inúmeros serviços ecossistêmicos além de ter valorizado o entorno. Freqüentado por moradores e turistas.

Fenway em Boston – parque linear pioneiro, que compõe um sistema projetado por Frederick Law Olmsted no século 19 para resolver questões ambientais e de saúde da população. Até hoje é um modelo de renaturalização que inspira planos e projetos de infraestrutura verde.

Hortas urbanas em Kioto – a cidade japonesa tem uma política de várias dimensões, para que seus moradores tenham contato com a produção de alimentos e também para que tenham segurança alimentar.

Parque linear em Kioto – o local onde anteriormente havia um riacho canalizado poluído, atualmente é muito usado para circulação e como área de estar e relaxamento no centro histórico da cidade.

Satoyma em Nagoya – trata-se de um conceito japonês de integração das áreas urbanas e naturais, uma espécie de zona tampão. Atualmente estão sendo inseridos em parques em centros densamente habitados, como em Nagoya. Além de lazer oferecerem serviços ecossistêmicos, contribuem com drenagem naturalizada evitando enchentes a jusante, colaboram para a despoluição das águas, são fontes de produção de alimentos e insumos florestais, e atuam como centros de educação e conscientização ambiental.

Jardin d’Éole em Paris – trata-se de um novo parque de pequenas dimensões onde era área de linha férrea. Revitalizou uma área antes desvalorizada, muito usada pela população para inúmeras atividades.

Parque Chemin de l’Ile em Nanterre – construído ao longo do Senna, com alagados para tratar as águas do rio. Ao longo de sua margem se estende um corredor verde com hortas urbanas sob a rede elétrica.

Rieselfeld em Frieburg – um bairro planejado para ser ecologicamente sustentável. Além do foco em transporte de massa, nos pedestres, em ciclovias que integram a cidade, e energia renovável, também tem uma infraestrutura verde integrada que possibilita que a drenagem seja toda naturalizada, com segurança para crianças circularem e terem contato com os processos naturais.

sobre a autora

Cecilia Polacow Herzog é paisagista urbana, mestre em urbanismo, presidente da ONG Inverde, consultora da AMAJB.

comments

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided