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VITRUVIUS, Portal. Concurso Bairro Novo. Projetos, São Paulo, ano 04, n. 044.02, Vitruvius, ago. 2004 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.044/2398>.


Projeto Teia

1. Adequação Regional / Local – o conceito referencial macro

Esse projeto urbano se baseia nos campos disciplinares que, de alguma maneira, estudam os processos formativos do espaço, enquanto construção humana.

Dentro dos conhecimentos mais avançados sobre tais processos, entende-se que a principal causa de estruturação do espaço está relacionada às suas dinâmicas de aglomeração, dispersão, e inúmeras formas de relações entre centralidades. Estas relações configuram o potencial de um determinado espaço, em gerar trabalho e vivência.

O potencial de gerar trabalho e vivência, do espaço, é uma relação que ultrapassa os aspectos físicos do local, ou os aspectos meramente formais do projeto. A referência para se determinar o valor de um espaço depende dos significados que a sociedade atribui a este, em relação àquilo que, nele, pode ser produzido, sentido, incorporado, visto – enfim, vivido.

É fundamental, assim, ressaltar que o projeto parte do entendimento da dinâmica dos elementos vivos da área – que acontece em forma de camadas de centralidades – e do mapeamento das concentrações, dispersões e fluxos de veículos, de pessoas, de água, de infra-estrutura, de referências da paisagem, de investimentos, de cargas, de resíduos, para que o projeto de um novo organismo-bairro seja capaz de sustentar a vivacidade do espaço, e proporcionar a melhoria dos espaços públicos e da qualidade ambiental, a partir do espaço que incentiva o exercício da cidadania.

O desenho urbano, a partir das propostas do arquiteto Jonathan Barnett, em sua obra “Urban design as public policy”, editada em 1974, já buscava incorporar o valor dos recursos “comoditizados” (valores aparentemente imensuráveis a partir de referencial bidimensional de propriedade da terra – o lote – como o valor da vista do Vale do Anhangabaú, a partir do vão do MASP, ou o direito à insolação em áreas verticalizadas), a partir de sua hipótese de que desenhar o espaço urbano, não implicava em desenhar os edifícios que o compõem, mas verificar as condições sociais que moldam boas qualidades de espaço, para estes edifícios, e entre os mesmos.

Segundo Pierre Georges (1), o bairro é a unidade de base da vida urbana. O morador refere-se ao seu bairro quando quer situar-se na cidade; tem a impressão de ultrapassar um limite quando vai à um outro bairro. É com base no bairro que se desenvolve a vida pública e que se organiza a representação popular. A vida de bairro, assim, é um misto das relações conjunturais e estruturais que conferem forma ao espaço arquitetônico.

É a noção de centralidade que constrói a cidade e os bairros. A centralidade é a essência da cidade, e o bairro não pode ser pensado desvinculado das centralidades da cidade. De acordo com Seabra (2), “a todos quantos vivam a qualquer distância do centro mas se reconheçam nele”, pertencem ao bairro. Assim, “o único procedimento científico para compreender o bairro, para defini-lo, determinando seus limites e seu grau de realidade, é o que se baseia na cidade como totalidade”.

A Água Branca, local no qual a área de intervenção está inserida, “tem um movimento histórico de suas espacialidades que não se restringe à uma unidade de bairro. O Bairro e sua sociabilidade definidora – a vida de bairro – pode ter existido no local, mas nem tal local surge como bairro, nem persiste como tal no presente momento” (3).

A relação sociedade-espaço da vida em bairro é “mutuamente determinada, conflitiva e em movimento” (4). Com base nesta consideração, este projeto tem três principais objetivos, em escala macro:

  • primeiro, organizar os principais elementos que demonstram como a informação transformou a base produtiva, a forma de pensar a organização, a finalidade, a mudança de interesses, e a estruturação do espaço de intervenção;
  • o segundo objetivo é identificar os elementos que demonstram, ao longo do tempo, como as dinâmicas sociais e econômicas alteraram o potencial produtivo do local, e como estas dinâmicas interferiram na maneira de se re-pensar os interesses sobre o a área, que justificam a sua sub-utilização. Os mapas de redução histórica demonstram como esta alteração no potencial produtivo (da localidade rural dos arredores paulistanos à estrutura industrial, e, atualmente, o contexto da Operação Urbana e o interesse pelo aumento do coeficiente) provocou mudanças na concepção de apropriação do solo;
  • o terceiro objetivo é demonstrar como os interesses atuais, que tentam acomodar o potencial produtivo virtual, com a capacidade real de flexibilidade, interferem nas relações de centralidade, valorização e apropriação do espaço, e, a partir disto, detectar vocações e propor um modelo, de ocupação condizente com o respeito à várzea urbana do Rio Tietê, às dinâmicas do mercado imobiliário e à melhora da qualidade de vida dos habitantes da Cidade de São Paulo.

De acordo com Lefebvre, as bases que constituem, muitas vezes, um centro, não desaparecem com o tempo, e sim, tornam-se residuais.

No caso da Água Branca, segundo o geógrafo Aluísio Wellichan, em sua tese sobre a área, não se pode afirmar que a grande quantidade de espaços residuais é resultado da desconcentração industrial na área, e sim que a área em estudo se encontra sem elementos estruturais e conjunturais que a identifique como um bairro, principalmente em decorrência das transformações na base produtiva das regiões da Pompéia, Perdizes e Lapa. A região se tornou uma área residual da dinâmica imobiliária dos bairros lindeiros.

Esta dinâmica, fez com que equipamentos de lazer, comércio e cultura fossem implantados em grande parte da área, servindo de áreas anexas aos bairros lindeiros, e, coincidentemente, configurando regiões com usos predominantes. Estes usos, entretanto, não foram aglutinados intencionalmente, tomando-se como referencial a possível centralidade da região da Água Branca.

Este projeto apresenta, como partido para a área referencial, a revisão da base estrutural destes equipamentos existentes, reconfigurando-os de maneira a assumir a dinâmica existente dos usos, e “costurando” os eixos esportivo, cultural e comercial que se encontram desconexos entre si, e desconexos das relações conjunturais da área: o tecido urbano, a paisagem, o transporte público, entre outros.

A área se situa na confluência de três eixos funcionais de transição inter-bairros. O núcleo de encontro destes eixos acontece, como mostrado no mapa ao lado, em áreas de grande especulação imobiliária. Ao mesmo tempo em que esta conexão funcional atribui valores aos lotes, ela prejudica o desenvolvimento da própria Operação Urbana, uma vez que limita a vocação de transição das glebas que estão localizadas nestes eixos, quando se considera que cada gleba tenha um proprietário diferente, e seja comercializada separadamente. Como resultado, em glebas funcionalmente estruturadoras da Operação Urbana, que, pela lógica, deveriam ser ocupadas por programas que estruturassem a dinâmica da área, acabam se instalando propriedades fechadas, escritórios, por onde o pedestre sequer tem o direito de passar.

A proposta da área de referência, é responsável pela configuração estrutural do novo bairro, que permitirá trabalhar as vocações do espaço, reconfigurando os eixos estruturadores, e re-conectando-os à oeste, ao mercado da Lapa (Estação Ciência e Tendal), e, à Leste, ao Memorial da América Latina. Com esta proposta, busca-se a retomada do sentido de uso e permanência na área.

2. Projeto Teia

Conceito / Partido

As intervenções propostas para a área-foco foram formuladas a partir da relação entre a proposta conjuntural para a área referência e o potencial de centralidade da área.

É apenas através da relação locacional estratégica entre a diferenciação de atividades e o potencial das centralidades, que o consórcio entre agentes públicos e privados pode proporcionar uma composição de atividades que viabilize a proposição de um modelo de ocupação capaz de solucionar os problemas do zoneamento restritivo, de drenagem, a barreira da estrada de ferro, e a as descontinuidades do sistema viário na área foco.

A metodologia utilizada para propor a ocupação das glebas da área-foco utiliza a análise dos diversos tipos de aglomeração, dispersão e fluxos, demonstrando as centralidades da área, de maneira sobreposta – em camadas. A sobreposição das centralidades possibilita a elaboração dos critérios de conexão entre os diversos tipos de centralidades. O adequado desenho das conexões, entre as diferentes lógicas de aglomeração, é responsável, em grande parte, pelo sucesso ou insucesso da diferenciação de atividades.

Muitas vezes, em sistemas urbanos, as conexões correspondem aos objetos tangíveis: uma passarela entre edifícios, uma estrada, uma tubulação de distribuição de água ou o cabeamento em uma rede de telefonia. Entretanto, freqüentemente, as ligações podem ser funcionais.

Quando as centralidades são funcionais, estas representam interações. O mundo ao nosso redor, e em nosso interior, é composto por redes. A Teia é uma espécie de rede – é a proposta de um conceito para uma forma de acomodação da malha urbana entre as diferentes camadas de centralidades.

A imagem de centralidade sempre foi, ao longo da história do espaço como unidade de produção, uma referência física concreta para se calcular esta capacidade de produção do espaço. Os teóricos do valor do espaço acreditavam que as trocas e as teorias de valor do espaço se davam em função daquilo que eles viam, mediam e conseguiam apreender concretamente.

A revolução na informação trouxe, entretanto, a noção de virtualidade. Trouxe, também a noção de valor para o que é virtual e dinâmico. Desde o processo que se iniciou com a invenção da moeda (para representar produtos, sem que precisassem ser carregados), é interessante observar, como todos os teóricos (matemáticos, economistas, sociólogos, urbanistas, entre muitos outros), que pensaram o espaço a partir de sua capacidade de produção, colaboraram com o entendimento de como, atualmente, é pensado o espaço urbano, em uma realidade complexa capitalista. Realidade que se caracteriza pelo espaço fluido – como chama Manuel Castells – pela nova geografia de conexões globais – que altera as relações mundiais de centralidade, segundo uma lógica virtual – e pelo espaço gerado por negócios, e por commodities – em que o empreendedor é definido como o criativo vislumbrador de produtos – estes se tornam elementos concretos; e o especulador é até entendido como um ser benéfico, por colaborar com a sua liquidez e renovação do sistema.

A organização lógica que produz o espaço urbano, hoje, acontece em rede: em constante metamorfose, com núcleos de centralidade ad-hoc, em constantes negociações e construções. Esta organização, influenciada pela globalização, apresenta multiplicidades espaciais de funções, com centralidades maleáveis, elementos arquitetônicos e urbanísticos vocacionados por fluxos e escalas transpostas (espaço multidimensional) reguladas pela lógica informacional.

Projetar em uma realidade assim, significa, para esta equipe, entender a necessidade de compreensão do espaço urbano como uma rede complexa, produto de vários agentes, e de várias áreas do conhecimento. Significa compreender a vocação, a velocidade e a força dos elementos dinâmicos, que produzem o espaço virtual (que tem um valor que condiciona qualitativamente), e defender a possibilidade de responder com um espaço concreto, mas que tenha a integridade, a flexibilidade e suficiente força para interagir com as mudanças de valor do espaço virtual de uma maneira benéfica e de clara negociação: é a capacidade de gerar o Lugar Urbano.

A área que compreende a proposta de intervenção, é caracterizada por apresentar fácil acesso de automóveis, transporte de alta qualidade, e uma estrutura fundiária da área foco caracterizada por grandes áreas de um mesmo proprietário. Todas estas qualidades, entretanto, ainda não são suficientes para caracterizar as relações de vivência, que configuram a identidade desta área como um bairro – a força dos fluxos viário e ferroviário é tão grande na região, que enfraquece qualquer rede não física – rede de interações – e centralidades que exista na área. Como resultado, a área permanece um “lugar fluido”, residual das dinâmicas dos bairros lindeiros, e sem uma identidade que o confira a força de centralidade.

A Teia é uma espécie de rede, porque possui as mesmas qualidades de adaptabilidade e constante re-negociação dos nós. Entretanto, o que confere a singularidade da teia, se comparada à todas as outras redes, é que esta mantém ou recria a hierarquia das centralidades. A teia é o resultado físico da sobreposição de várias tensões, vários núcleos, diversos interesses, que se interpolam em diversas camadas, no espaço, produzindo infinitas relações de localização e valorização. A teia é, possivelmente, o sentido conceitual mais lógico e simples, de reconfiguração da centralidade da área de intervenção.

O Projeto Teia é o desenho do espaço urbano, que tem como principal foco, a reconstrução dos fluxos existentes na área – as passagens de pedestres, o sistema viário, a água, o trem, o mercado imobiliário, entre outros – para permitir a reconfiguração dos espaços de permanência, dos espaços públicos, e da vivência.

Os critérios de composição de atividades da Teia, constituem os elementos responsáveis por facilitar a gestão do espaço e dos equipamentos públicos que dela participam.

A Teia também possui tal força de desenho, ligada ao imaginário, que a normalmente a remete às centralidades, mesmo sem que esta centralidade exista como elemento físico. Esta é a capacidade fractal da rede, que permite a compatibilização entre as propostas conjunturais (para a área – referência, no contexto da Operação Urbana e do sentido de ligação entre bairros) e as estruturais (propostas da área).

As propostas conjunturais, descritas anteriormente, permitem que a vocação das áreas lindeiras ao projeto, sejam detectadas e, em maioria, restabelecidas de acordo com os critérios da Operação Urbana.

A equipe optou por investir boa parte do tempo trabalhando com modelos volumétricos e a legislação, discutindo diferentes maneiras de exploração do potencial que a situação fundiária inusitada – de poucos proprietários, em São Paulo- poderia oferecer. Esta combinação de situações permite uma nova oportunidade, em São Paulo, de se criar um uso do solo não apenas misto, mas com critérios tridimensionais de apropriação volumétrica do espaço. Os critérios de aproveitamento da terra, passam a ser regulamentados por critérios de envelope, apresentando uma lógica prática – esquemática de cálculo dos envelopes, e de fácil revisão da lei 11.774/95.

A discussão dos critérios para o envelope, permitiu à equipe, trabalhar a legislação de maneira a fortalecer o modelo de ocupação com critérios que aportam qualidade de vida, melhoria na gestão dos espaços públicos, pela iniciativa privada; uso racional e reciclagem / re-utilização dos recursos naturais, e, em especial, da apropriação com aumento de coeficiente, da área da várzea do Rio Tietê. O modelo proposto de apropriação do envelope, ainda permiti aos proprietários atuais, desde que consorciados, continuarem proprietários da área, de acordo com o Estatuto da Cidade.

3. Projeto Teia – interações conceituais dinâmicas

A teia de fluxos

A Malha Urbana Projeto Teia é estruturada a partir da sobreposição de cinco referências de deslocamento na área:

  • o deslocamento que ocorre pelo do sistema viário (camadas para automóveis e transportes coletivos – existentes e proposto);
  • o deslocamento fluvial (aliado à proposta e uso misto e a necessidade de traçar critérios para a contenção e re-uso e correta fluidez das águas pluviais, formando uma outra camada de ruas navegáveis, que centralizam na área esportiva, próxima ao Rio Tietê);
  • o deslocamento a pé (aliado às áreas verdes, geridas pela iniciativa privada, como contrapartida das próprias incorporações com continuidade para os eixos de intervenção conjuntural – eixos cultural / esportivo / comercial);
  • o deslocamento ferroviário (que participa da reestruturação da centralidade, constituindo o núcleo da centralidade de deslocamentos).

 

A Teia não é o resultado formal dos cinco fluxos, mas sim, uma trama que constitui um elemento de conexão e conformação entre todos estes.

Os espaços de vivência a partir da teia

O desenho da Teia tem a função de acomodar a malha urbana entre as diferentes camadas de centralidades – utilizado com as experimentações conceituais de adensamento, e aplicando os condicionantes da legislação vigente sobre a área foco, permitiram a criação de um modelo de adensamento que tem como objetivo privilegiar as relações do homem com a terra e a vida.

Os espaços de vivência de bairro são verticais, porém, priorizando a ocupação de partes da quadra, que faceiam um parque.

Áreas de comércio são previstas na base do edifício residencial, para que as pessoas possam estar em contato com o parque, e o comércio assegure movimento para a área.

A Teia e os envelopes: a nova configuração urbana

A proposta para o envelope tem como principal objetivo, liberar a superfície do solo, e o horizonte abaixo da área verticalizada.

Os envelopes permitem uma nova configuração da estrutura fundiária, que tem como principal foco, a atenção aos casos de locais públicos. O poder privado incorpora edifícios, e o limite do edifício passa a ser a água (tudo o que se encontra nos limites da água, é de gestão privada, e circulação pública)

  • No “Pavimento Terra” local onde se cultiva a vida: área predominantemente aberta, para a fluidez urbana e parque – vida;
  • No “Pavimento Bairro”, comercial, área predominantemente elevada do nível do parque – quem vive;
  • No “Pavimento Residencial” – quem mora;
  • No “Pavimento Edifícios” – quem transita.

A Teia e as referências espaciais – as centralidades e as referências da paisagem

A Teia constitui a estrutura um de novo modelo para usos mistos e áreas verdes.

São referenciais visuais, de projeto, para a área, o Pico do Jaraguá, as chaminés, o Espigão da Av. Heitor Penteado.

A Teia foi inicialmente orienda para a centralidade natural dos fluxos viários, em direção ao Teminal Barra Funda. Descobriu-se, mais tarde, que a teia abre seus horizontes exatamente na direção do Pico do Jaraguá – uma outra importante

A Teia e as trocas energéticas e residuais

A Teia constitui um organismo vivo, desenhada para realizar trocas com o meio.

O envelope dos edifícios dimensionado e locado também sob o aspecto técnico da insolação e da ventilação.

Procurou-se adensar assegurando uma insolação contínua e eficiente, em todos os edifícios, através de ensaios da maquete com solarscópio. A partir deste ensaio, foi possível estabelecer os critérios técnicos do envelope (ensolação e ventilação), que limitariam o potencial de verticalização da área.

As trocas residuais se dão por meio de reciclagem, que é movida na parte interna da teia, através das esteiras localizadas no shaft técnico. Na região, existem duas grandes empresas que reciclam matéria – a Latasa, que recicla alumínio; e a Santa Marina, que recicla vidros.

A troca de energia se dá por captadores eólicos, situados na canalização de vento do Rio Tietê. “Cada um desses captadores produz 1MW de energia por ano”. (MVRDV- Metacity, 010 Publishers, 2001.)

4. Características projetuais

As áreas de intervenção estruturadora

O projeto da área de intervenção estruturadora se apresenta cinco em camadas: três camadas são de intervenção direta do urbanista, porém, as outras duas, dependem do projeto de cada setor.

  • Camada Água – a água, neste projeto, tem várias funções: como reservatório de água e como renovador (reutilizador de águas pluviais). A água permite a navegação interna, por barquinhos infláveis. Um pequeno pontão pode ser anexado ao local para guardar os serviços e facilitar o acesso à água –> ÁGUA (VIDA)
  • Camada Terra – A Terra é uma camada que precisa respirar. Nesse projeto, é pela camada terra que as pessoas se locomovem, mantendo a amplitude de um espaço urbano com características de um grande parque. A Camada Terra está no nivel do solo atual da região –> TERRA (VIDA)
  • Camada Comércio (shopping aberto/coberto) – É a camada funcional do projeto. Uma estrutura orgânica, leve, que se eleva e desce, acomodando-se aos meios das quadras (entrada de pedestres), e organizando os fluxos. Esta estrutura eleva o sistema viário de automóveis, e libera a lâmina do térreo para as pessoas caminharem –> QUEM VIVE
  • Camada Residências – as residências são baixas, de acordo com nosso envelope, no máximo 4 pavimentos de apartamentos. Essa escala apresenta a possibilidade de vivência maior do bairro por estarem situadas em volumes mais próximos da camada TERRA e logo acima da camada COMÉRCIO –> QUEM VIVE
  • Camada Transitória (escritórios, consultórios, etc) – Usos incorporados, até 50 pavimentos (vide análise do tráfego aéreo da região). Atualmente, com coeficiente 3, podendo chegar à 4 de acordo com o envelope proposto –> QUEM TRANSITA

As áreas de intervenção conjuntural

Na área da centralidade, edifícios altos e distanciados determinam a melhor possibilidade de localização. Para esta área, traçamos um programa com a finalidade de apontar uma coerência de desenho urbano privilegiando assim a insolação e ventilação. O intuito desse projeto urbano é organizar uma forma coerente e humana de verticalização, mantendo-se uma alta qualidade de vida com enfoque nas inter-relações pessoais entre os moradores e trabalhadores que vivenciarão esse novo espaço: um novo estilo de vida. Os edifícios serão incorporados por setores, não existe lote. Os setores serão incorporados por empresas privadas diversas, que contratarão arquitetos através de concursos ou concorrências pagas organizados pelo IAB, retomando assim a responsabilidade da formação da cidade contemporânea, na sua forma e organização, para o profissional arquiteto. Com isso o “bairro novo” terá uma diversidade de soluções arquitetônicas, buscadas pelo anseio dos profissionais em encontrar soluções inovadoras para as necessidades dos clientes e incorporadores e, conseqüentemente a cidade e os cidadãos ganham com isso.

5. Fases de implantação

Para a implantação do organismo vivo, os setores serão incorporados em grupo. Iniciativa Privada e Poder Público trabalhando juntos e ao mesmo tempo na mesma fase. As fases apresentadas nessa prancha não tem ordem para acontecer, são independentes uma das outras e o poder da centralidade do Projeto Teia formará um conjunto assim que cada fase é finalizada. O que sustenta a divisão em fases são acessos independentes de cada uma delas e sua acomodação e ligação com o sistema viário existente.

6. Comunicação visual

A Comunicação visual é inspirada nas imagens da teia / vento / construído. Todos os equipamentos são desenhados em camadas, em vidro jateado, o que permite que a pessoa se referencie no grid em que se encontra.

Coberturas modulares

Inspiradas na teia, foram desenhadas para os equipamentos urbanos: pontos de ônibus, bancas de jornal, bicicletário, cabines telefônicas, cabines de acesso à internet, espaço com cobertura modular para usos diversos, etc... A grande flexibilidade desse sistema modular, que remete ao conceito da Teia, é que permite várias possibilidades de aberturas, conseqüentemente, composições diversas dinamizando os espaços públicos.

Escultura

Escultura cirurgicamente implantada no nó da Av. Marquês de São Vicente, espaço público de imensa dimensão, cercado agora com o Projeto Teia por edifícios altos visualmente horizontais, que configuram a sensação de aconchego a uma cidade dinamica e de rapido movimento. Movimento esse que é traduzido a uma estrutura leve que se move com o vento transmitindo um momento de paz e reflexão ao cidadão quando vivencia esse novo espaço. Um conceito atrelado às idéias apresentadas até então, que seria transmitido a um artista plástico para que este fizesse a sua criação.

Notas

GEORGE, Pierre. Geografia urbana, trad. Pelo Grupo de Estudos Franceses de Interpretação e Tradução. São Paulo, DIFEL, 1983, p. 76.

SEABRA, Odete Carvalho de Lima. Memória, cidade e paisagem. São Paulo, s/d. 5p (mimeógrafo), p. 2.

RAMOS, Aluísio Wellichan. Fragmentação do espaço da/na cidade de São Paulo – espacialidades diversas do bairro da Água Branca em questão. São Paulo, 2001.

LEFEBVRE, Henri, Writing of cities. Oxford / Cambridge. Blackwell publishers, 1996, p. 9-10.

Ficha técnica

Autores
Arquitetos Fábio Zeppelini, Adriana Rebello Cocchiarali, Isabela Jock Piva, Patrícia Bertacchini

Comunicação visual
Lars Diederichsen

Consultoria / aeronáutica
Piloto Gustavo Avelino Corrêa

Colaboração
Eduardo Zeppelini Iannicelli e Maria Carolina Duva

Estagiários
Débora Zeppelini e Rafael Serradura

Apoio
Eliana M. S. Bertacchini, Mauro Bertachinni, Spy, Marc e Yuri

source
Equipe premiada
São Paulo SP Brasil

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