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VITRUVIUS, Portal. Concurso Bairro Novo. Projetos, São Paulo, ano 04, n. 044.02, Vitruvius, ago. 2004 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.044/2398>.


Desígnio paulistano

A implantação do complexo urbano na região Água Branca / Barra Funda implica certamente uma visão global da cidade de São Paulo no contexto de sua evolução.

O cuidado com a preservação da paisagem das calhas dos rios Tietê e Pinheiros passa a ser  uma das principais tarefas do urbanismo paulistano visando o planejamento do desenvolvimento e ocupação futura.

Se observarmos o mapa de São Paulo verificaremos que um contínuo eixo importante é já traçado desde a zona sul até as zonas norte e leste, contornando o maciço do espigão central em cota protegida da área inundável dos rios.

Na banda sul constitui o eixo das avenidas Berrini – Faria Lima – Pedroso de Morais – Fonseca Rodrigues, na região oeste a avenida Dona Leopoldina e avenida Gastão Vidigal onde contornam o maciço e se dirige para o lado norte através das Avenidas Ermano Marchetti e Marques de São Vicente, daí ganhando o bairro do Pari e Parque D. Pedro de onde se dirige ao ABC. Na bifurcação do Tamanduateí, outro braço toma a direção da zona leste até o Tatuapé e Penha.

Uma generosa faixa de terra entre esse eixo e os rios apresenta-se, em toda sua extensão mais ou menos definida em termos de ocupação. Em sua maioria é ocupada por usos em plena transformação urbana dada sua obsolescência.

A importância dessa área nos indica a necessidade de preservação e recuperação da paisagem das calhas dos rios Tietê e Pinheiros revertendo sua ocupação e resgatando a paisagem das calhas desses rios para o território do lazer metropolitano.

Áreas livres, equipadas para o entretenimento, o esporte e a convivência urbana e dotadas em alguns pontos, suficientemente espaçados, de alguns equipamentos culturais de influência metropolitana como museus, espaços multiuso, teatros, espaços para concertos significarão a nova realidade dos nossos rios.

Espaços como Parque Villa –Lobos, Parque do Povo, Piqueri, o campus da USP, a área do Joquey Club, Vila Guilherme, Campo de Marte, Parque Anhembi, já constituem exemplos desse saudável caminho para a ocupação física dessas belas áreas dos vales dos rios que apontam para o pico do Jaraguá onde o pôr do sol constitui o espetáculo culminante das jornadas paulistanas.

O moderno dispositivo jurídico do "solo criado" possibilitará o adensamento desse importante eixo linear e a rarefação progressiva da faixa entre as avenidas e o leito dos rios, numa troca de coeficientes, possibilitando assim a definição do espaço importante de convívio nas áreas livres de beira-rios.

Diretrizes

A visão macro indica as diretrizes de implantação do complexo urbano na área do projeto:

1. Preservação e Recuperação da área entre a Avenida Marques de São Vicente e o rio Tietê destinando-a a área livre, verde, como parque urbano equipado para o lazer da população.

2. O novo complexo urbano constitui elemento de integração entre Pompéia e Casa Verde superando os obstáculos da ferrovia e do rio Tietê.

3. O desenho do bairro contém caráter modular como organização de ocupação planejada do espaço urbano denotando claramente uma harmônica hierarquia urbanística desde a escala coloquial até a escala gregária. Os "módulos urbanos" conferem o grau de identidade, demarca o território da vizinhança, evitando assim uma solução massificante ao conglomerado de alta densidade.

4. O projeto prevê a necessária superposição de funções urbanas, como habitação , serviços, comércio e institucionais, que imprime aos equipamentos uso permanente evitando áreas ociosas de anti-urbanismo.

5. As glebas Telefônica e Pompéia são integradas por eixo linear que contém , em si, o desenvolvimento dos equipamentos de comércio e serviços que definem o Centro de Bairro.

6. O desenho prevê a separação adequada de pedestres e veículos, privilegiando os pedestres nas quadras e pátios sem retirar os veículos particulares e coletivos do Centro do Bairro.

7. O projeto cria um micro sistema de circulação, independente das Avenidas Marquês de São Vicente, Willi Borghoff e Pompéia.

8. O carregamento de tráfego (pólo gerador) na área de referência influirá algumas alterações tais como: locação da estação CPTM na Esplanada de Acesso, transposição da linha férrea na Av. Santa Marina e a oeste ligação da Av. Marquês de São Vicente com a Av. Dr. Gastão Vidigal.

9. A ligação de Pompéia à Casa Verde através do novo bairro, está prevista para pedestres, ciclovia e transporte coletivo por monotrilho aéreo completando o trânsito por veículos existente através das pontes e viadutos.

10. A alta densidade e a conseqüente verticalização gera pequena ocupação da área propiciando grande área de solo permeável. (60% da área total)

11. Essa ocupação mínima implanta os "módulos urbanos" no interior de uma área verde bosqueada e equipada de aproximadamente 833.000,00 m². (77% da área total)

12. O acesso às habitações se faz por um sistema seletivo de elevadores de alta velocidade através das torres de circulação vertical (nós do sistema espacial proposto).

13. Na área do Parque Urbano entre a Marquês de São Vicente e o rio Tietê, além dos equipamentos esportivos sugerimos um Espaço Multiuso acoplado a um  complexo de ensino profissionalizante e superior.

14. Os módulos urbanos constituem verdadeiras "quadras paulistas" (120x120) com espaço intersticial arborizado contendo pequenos estares, playgrounds e creche circundado pelas unidades residenciais bem como pelo bloco de escritórios.

Acessibilidade

Macro Acessibilidade

A região da Água Branca encravada entre o Rio Tietê e a Linha de Ferro da CPTM no sentido Norte-Sul tem seu elo de ligação nas transposições do Rio Tietê pelas Pontes Julio de Mesquita Neto, Freguesia do Ó e Piqueri.

O bairro espalha-se no sentido Leste-Oeste tendo a Marginal esquerda do Rio Tietê e as Av. Marquês de São Vicente/ Hermano Marchetti como vias de acesso principais.

Estas avenidas são a continuidade da ligação desde o ABC na Região Sudeste da RMSP e que poderiam interligar também, a Região Sul, até Santo Amaro, bastando dar prosseguimento a este eixo entre a Ponte do Piqueri e a Av. Gastão Vidigal com a construção de uma avenida unindo estes extremos. Essa medida é de fundamental importância para servir como alternativa de circulação diametral do sistema viário da Capital e proporcionar melhores condições de acessibilidade à região da Água Branca, considerando o enorme potencial de desenvolvimento de moradias e serviços já existentes e propostos, minimizando também, o impacto do tráfego a ser gerado nos eixos radiais do tecido urbano da cidade.

Micro acessibilidade

O empreendimento proposto composto por 8 módulos urbanos deverá abrigar em torno de 12 mil pessoas por módulo, totalizando cerca de 100 mil habitantes; complexos comerciais atraindo 25 mil pessoas e um complexo multiuso para 40 mil pessoas.

Para que seja garantido condições de conforto e acessibilidade aos usuários é preciso reestruturar a circulação do sistema alimentador propondo nova travessia em desnível dos trilhos da CPTM interligando a Av. Santa Marina com a Av. Carlos Vicari formando o eixo Pompéia – Zona Norte pela Ponte da Freguesia do Ó.

Todo sistema viário local será composto por vias com largura não inferior a 10,5m e será adequado ao sistema viário existente.

A circulação dos veículos será em forma de binário no sentido horário e todos os estacionamentos serão subterrâneos, sendo que o acesso dos moradores aos mesmos são independentes, perimetrais sem carregar a avenida central do bairro. Os estacionamentos dos veículos que demandam a área comercial estão previstos junto a avenida do centro de bairro.

O transporte público de passageiros deverá ser compatibilizado com o previsto no PITU 2020 e nos planos da SP-Trans, necessitando de readequar as atuais paradas nas Av. Hermano Marchetti e Marquês de São Vicente. A Nova Estação Água Branca, nos planos da CPTM, deverá assumir uma posição estratégica próximo ao Viaduto Pompéia para atender à demanda de pessoas tanto dos empreendimentos já existentes como aos novos a serem implantados.

Para acesso às moradias aos escritórios e ao complexo desportivo, prevê-se um investimento de baixo custo que atenda à demanda de passageiros por meio de um sistema suspenso de trens em monovigas, ligando os sistemas troncais da CPTM e da SP-Trans.

Os pedestres terão vias exclusivas entre o complexos residenciais, comerciais e escritórios e todo sistema viário será atendido por ciclovias.

O projeto

Um espaço concebido segundo eixo linear leste-oeste que integra as glebas Pompéia e Telefonica constitui o território de implantação do complexo de edificações do novo bairro da cidade na faixa de terra entre a Av. Marquês de São Vicente e a ferrovia (CPTM).

Com a intenção de evitar uma solução de escala massificante propusemos o desenho de 8 "módulos urbanos" caracterizados como uma quadra de 120 por 120 metros conferindo a cada módulo a desejada agregação comunitária de vizinhança.

Assim a população de cada módulo construirá, através da prática urbana, sua identidade no contexto global do novo bairro.

O espaço intersticial de cada módulo dotado de tratamento paisagístico adequado e equipado com creche e estares coletivos constitui, na escala coloquial, o espaço propício ao encontro e convívio dos moradores.

O estacionamento de veículos de moradores de cada módulo localiza-se em sua exata projeção em quatro níveis de subsolo e seu acesso é lateral de modo a não carregar a avenida do Centro de Bairro nas horas de pico.

Os oito módulos se organizam em ambos os lados da avenida, em toda a extensão do eixo central, cujo desenho, propõe a animação e vitalidade urbanística de um Centro de Bairro, pois abriga toda a diversidade programática do comércio e dos serviços locais.

Seu desenho abrigará galerias com lojas em dois andares: um no nível das quadras residenciais (nível +6,00) e outro no nível da avenida servida por veículos e bolsões de estacionamentos (nível 0,00). O acesso dos pedestres se faz naturalmente através dos pilotis dos edifícios residenciais.

As lojas deverão ser organizadas em "ilhas" o que além de aumentar a superfície expositiva, confere a necessária fluidez espacial ao comércio.

A continuidade desse eixo comercial e de serviços entre as glebas Telefônica e Pompéia é definida por passagem de nível sob a Av. Nicolas Boer por onde pedestres, ciclistas e veículos percorrerão a total extensão do Centro de Bairro.

Além disso, o veículo aéreo (monotrilho) prevê estações de embarque e desembarque ao longo do eixo do Centro de Bairro.

Assim, esse eixo diagonal que estrutura o desenho do bairro constituirá um fato urbanístico novo na região.

A comercialização inicial das áreas comerciais alavancará o processo de implantação da infra-estrutura necessária. Ao mesmo tempo que os módulos urbanos iniciarão seu processo de configuração.

A cidade, então, verá surgir um novo bairro, que, através da imagem multicolorida das unidades residenciais conferirá presença singular na paisagem paulistana.

ficha técnica

Autor
Arquiteto Decio Tozzi

Colaboradores
Arquitetos Jéssica Genaro Faro, Felipa Shahin, Marino Barros Filho, Rodrigo Leopoldi, Rodrigo Affonso Scaletsky e Rodolfo Affonso Scaletsky

Sistema viário
Engenheiro Humberto Pullin, Arquiteta Juliana Rosa Colombo

Paisagismo
Paisagista Caio Guimarães Machado

fonte
Equipe premiada
São Paulo SP Brasil

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