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Na autobiografia ilustrada com lançamento no Museu da Imagem e do Som de São Paulo dia 8/12, o diretor do clássico “O Saci” 1953-54, vale-se de sua extraordinária memória para valorizar fatos vividos junto às mais importantes figuras dos últimos 80 anos.

Prodigamente ilustrado com imagens em grande parte inéditas, Quase Um Século - Imagens da Memória alinhava 68 breves capítulos em torno de artes plásticas, cinema e literatura brasileiras. O livro também conta com textos críticos da historiadora de arte Maria Alice Milliet, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, do curador Antônio Carlos Suster Abdalla e da jornalista e escritora Neusa Barbosa.

Prodigamente ilustrado com imagens em grande parte inéditas, Quase Um Século - Imagens da Memória alinhava 68 breves capítulos em torno de artes plásticas, cinema e literatura brasileiras. O livro também conta com textos críticos da historiadora de arte Maria Alice Milliet, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, do curador Antônio Carlos Suster Abdalla e da jornalista e escritora Neusa Barbosa.

Foi o primo mais velho de Nanni, o escultor modernista Victor Brecheret (1894-1955), quem definiu seu destino artístico, ao solicitá-lo para posar como um dos desbravadores do “Monumento às Bandeiras” (Parque Ibirapuera). Sob a influência de Brecheret e do grupo modernista, frequentador do ateliê que o escultor mantinha nos fundos da casa da família Nanni, Rodolfo foi ter aulas de desenho com Anita Malfatti, conheceu no Rio de Janeiro Cândido Portinari às vésperas de este ser exilado do país, e, a conselho desse artista, estudou com o gravador e pintor austríaco Axl Leskoschek.

Na segunda metade da década de 1940, enamorou-se da pintora Tereza Nicolau, mas para consumar o romance teve de vencer a resistência da família dela, que apelou à polícia de Getúlio Vargas para embarcar o pretendente à força de volta para São Paulo. No entanto, o casal celebrou matrimônio em Paris, desafiando a família Nicolau e a ditadura da época.

Em 1949, Nanni e Tereza tomaram aulas de pintura no ateliê parisiense de outro casal artístico, Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Zsenes, e Nanni teria sido pintor caso não se matriculasse no curso de cinema do famoso IDHEC, também na capital francesa.

Com o curso de cinema iniciado em 1949, estava selado o futuro de cineasta de Rodolfo Nanni, que acreditava também poder manifestar nessa arte sua recém-adquirida consciência política e influir nos destinos da educação no Brasil. De volta a São Paulo, o já diretor realiza o primeiro filme brasileiro dirigido a públicos infantil e juvenil, O Saci (1953-54), baseado nas histórias de Monteiro Lobato. Entre os colaboradores de Rodolfo nesse filme, estiveram o cineasta Nelson Pereira dos Santos (então recém-formado em Direito), o fotógrafo Ruy Santos, o jornalista, roteirista e cineasta Alex Viany, e os pintores Otávio Araújo e Tereza Nicolau (ele no elenco, como tio Barnabé; ela como cenógrafa e figurinista). A obra recebeu os maiores prêmios nacionais do setor e continua sendo muito apreciada em várias partes do mundo.

De sua temporada em Roma, também nos anos 1950, Nanni lembra histórias ao lado do escritor Sérgio Buarque de Hollanda e da bela atriz Lucia Bosè. De volta ao Brasil, recebeu o diretor Roberto Rossellini para as filmagens do livro “Geografia da Fome”, de Josué de Castro Em 1958, Nanni colaborou com a transposição cinematográfica de outra obra de Josué sobre a fome no campo, mas para um filme em episódios: dirige, assim, “O Drama das Secas”, registrando pungentes cenas de retirantes em Pernambuco e Bahia. Com o curta, Nanni recebe mais uma vez os prêmios Saci (do jornal O Estado de São Paulo) e Governador do Estado.

Nos anos 1960, com a eclosão do Cinema Novo, “O Drama das Secas” é considerado fonte de inspiração para a brilhante nova geração de cineastas. Sobre eles e os prêmios internacionais que vinham recebendo, Nanni realizou o documentário “Os Vencedores” (1968).  Em 1968, a convite do publisher Octávio Frias, passou a exercer a crítica cinematográfica para a Folha de S. Paulo. Por essa época conhece a cantora, musicóloga e compositora Anna Maria Kieffer, que se torna sua segunda mulher, além de sócia e parceira em álbuns musicais e filmes.

Com inspiração na peça teatral “Cordélia Brasil”, de Antônio Bivar, Nanni convoca a musa Lilian Lemmertz para protagonizar o drama “Cordélia, Cordélia...” (1971). Realiza o documentário “Finlândia, País Quente” (1974) e logo após consolida os cursos livres de cinema e teatro por ele idealizados para a Fundação Armando Álvares Penteado. Mais tarde, o curso de cinema passa a integrar a Faculdade de Comunicações da FAAP, na qual Nanni atuou por 32 anos, como coordenador geral e professor de roteiro e direção, entre outras funções. Entre os alunos cujos primeiros trabalhos testemunhou, estiveram Beto Brant, Laís Bodanzky, Mara Mourão e Silvia Prado. Na mesma década, realizou documentários para a Prefeitura de São Paulo, pelos quais recebeu o prêmio Humberto Mauro (Embrafilme), além de participar de simpósio de cinema na Universidade de Stanford (EUA).

Para o Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, no qual trabalhou ao longo dos anos 1980, Rodolfo rodou o documentário “Do Palácio ao Museu, uma Rota de Descobertas”, entre quatro outros, além de organizar dezenas de exposições. Em 2008, Nanni realiza o documentário “O Retorno”, novamente sobre o tema do semi-árido nordestino, pelo qual recebe, entre outros, prêmios de fotografia, direção e filme do Festival CinePE.  Na atualidade, Nanni desenvolve projetos de longas-metragens em torno da pintora Tarsila do Amaral e da cidade de São Paulo (para obra de ficção intitulada “Cidade Ilimitada”).

Informações

lançamento do livro "Quase um século - Imagens da Memória", de Rodolfo Nanni

Museu da Imagem e do Som (MIS)
8 de dezembro, as 19h

240 p, ilustrado R$ 50,00

Realização AKRON, produção executiva CULT, Patrocínio Fundo Nacional de Cultura, Lei de Incentivo a Cultura. apoio CESP

Rodolfo Nanni, aos dois anos, em foto de Antonio Nanni, 1926.

Rodolfo Nanni, aos dois anos, em foto de Antonio Nanni, 1926.

Em aula de direção no IDHEC, Institut des Hautes Études Cinématographiques, em Paris, ao lado de Moisés Gurovitz (dir.), 1950.

Em aula de direção no IDHEC, Institut des Hautes Études Cinématographiques, em Paris, ao lado de Moisés Gurovitz (dir.), 1950.

Paulo Matozinho, protagonista de “O Saci” (1953-54), primeiro longa brasileiro para público infantil.

Paulo Matozinho, protagonista de “O Saci” (1953-54), primeiro longa brasileiro para público infantil.

Rodolfo Nanni retratado por Gregori Warchavchik, 1948 / Casario parisiense, em tela de Rodolfo Nanni, 1949.

Rodolfo Nanni retratado por Gregori Warchavchik, 1948 / Casario parisiense, em tela de Rodolfo Nanni, 1949.

Ao completar 90 anos, o cineasta Rodolfo Nanni oferece no livro quase um século

happens
in 08/12/2014

opening
segunda feira, 19h

where
MIS
Museu da Imagem e do Som
Avenida Europa 158, Jardim Europa
São Paulo SP Brasil
Terças a sextas, 12h-22h
Sábados, domingos e feriados, 11h-21h
+55 11 21174777

source
Miriam Bemelmans
São Paulo SP

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