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A mostra apresenta uma seleção de fotografias, recortes de jornal, protótipos de obras em gesso e estudos que mostra o artista em seus ateliers, seja no contato com a matéria-prima de suas esculturas, seja em processo de reflexão sobre sua produção
O Instituto de Arte Contemporânea traz ao público, em sua sede, um desdobramento da exposição realizada virtualmente “mis piedras — Sergio Camargo” (ainda em cartaz na plataforma Art Curator Grid). Concebida também a partir do livro homônimo do artista publicado pelo IAC em 2020, a mostra reúne o material do arquivo pessoal de Sergio Camargo depositado no acervo da instituição.
Com curadoria de Carlos Nunes e Marilucia Bottallo, “mis piedras — Sergio Camargo” apresenta uma seleção de imagens fotográficas, recortes de jornal, protótipos de obras em gesso e estudos que mostra o artista em seus ateliers, seja no contato com a matéria-prima de suas esculturas, seja em processo de reflexão sobre sua produção.
São peças que revelam suas pesquisas e inquietações, conceituais e pragmáticas, e o aspecto profundamente humano do artista na sua relação com a arte centrada na prática do ateliê (Rio de Janeiro, Paris, Massa). Segundo os curadores, Mis piedras – Sergio Camargo é um convite à intimidade do artista no seu vínculo com as obras em processo de criação, mas, também, com o espaço no qual o artista se dava a conhecer a si e àqueles que tiveram a oportunidade de com ele conviver.
“Sergio Camargo tinha uma relação muito próxima com a matéria-prima de seus trabalhos. Amava as ‘pedras’. Utilizou, também, outros suportes para sua produção, como a madeira e a argila. Em todos esses meios, em especial, no mármore de Carrara no negro belga encontrou uma síntese possível entre conceito e expressão. O espaço do ateliê, local onde passava muitas horas em estado meditativo, segundo o relato de quem com ele conviveu, era onde suas obras eram gestadas e dadas ao mundo”, afirmam os curadores.
Sobre o artista
Sergio Camargo Estuda na Academia Altamira em Buenos Aires, em 1946, com Emilio Pettoruti e Lucio Fontana. Na Europa, para onde viaja em 1948, faz curso livre de filosofia na Sorbonne, em Paris, período em que sofre o impacto da obra de Constantin Brancusi, cujo ateliê visita com frequência. O contato com as obras de Georges Vantongerloo, Hans Arp e Henri Laurens também estimularão sua produção futura. De volta ao Brasil em meados dos anos 1950, aproxima-se do pintor Milton Dacosta, que nesse momento produz suas principais obras construtivistas.
Entre 1961 e 1973 volta a residir em Paris, frequentando aulas de sociologia da arte com Pierre Francastel, na École Pratique des Hautes Études. Nesse período, trabalha em seu ateliê de Malakoff, ao sul de Paris, e se aproxima do ateliê Soldani em Massa-Carrara, na Itália, para realizar as primeiras obras em mármore. A convite do crítico de arte inglês Guy Brett, realiza em 1964 individual na galeria Signals, em Londres, onde posteriormente introduz Lygia Clark, Hélio Oiticica e Mira Schendel, propiciando o lançamento na Europa desses artistas. No final de 1973 retorna definitivamente ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro, e inicia a construção de seu ateliê – projeto de José Zanine Caldas – no bairro de Jacarepaguá. A partir desse período começa a frequentá-lo um grupo de artistas, tais como Waltercio Caldas, Iole de Freitas, Tunga, José Resende, Eduardo Sued e outros; e os críticos, Ronaldo Brito, Paulo Sergio Duarte e Paulo Venancio Filho, onde encontra um ambiente propício para discussão e reflexão, que perdurará até o fim de sua vida.
Além do Brasil, Sergio Camargo conquistou grande respeito no circuito internacional. Tem obras em museus nacionais e estrangeiros e integra conceituadas coleções privadas. Após sua morte, em dezembro de 1990, foi realizada uma exposição itinerante internacional em vários museus no exterior, de 1994 a 1996. Em 2000, comemorando os dez anos de seu falecimento, Sergio Camargo ganha um local de visitação permanente no Paço Imperial do Rio de Janeiro. O acervo documental do artista encontra-se sob a guarda do Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo.
Sobre os curadores
Carlos Nunes, artista visual nascido em São Paulo em 1969. Vive e trabalha em São Paulo. É graduado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). De suas individuais destacam-se: “oncotô, quencosô, proncovô” no Aomori Contemporary Art Centre (ACAC) no Japão em 2019, “Fototaxia” na Galeria Raquel Arnaud em 2017, “y si las cosas nos mienten?” na Galeria Ponce+Robles em Madrid em 2016, “Modus operandi” na Galeria Raquel Arnaud em 2013 e “Triunfo das cores, amor e música sobre os maldosos azuis” no Centro de Cultura Britânica em 2010. De suas coletivas destacam-se: “Ação e Reação” na Casa do Brasil em Madrid 2018, “Si no todas as armas, por lo menos los cañones” em Matadero Madrid em 2014, “Afinidades. Raquel Arnaud 40 anos” no Instituto Tomie Ohtake em 2014 e “Imagine Brazil. Artist’s Books” no Astrup Fearnley Museet em Oslo na Noruega em 2014. Realizou residência no Aomori Contemporary Art Centre (ACAC) em Aomori no Japão e em 2019em Matadero Madrid em 2014.
Marilucia Bottallo, doutora em Ciências da Informação, Mestre em Artes ambos pela ECA/ USP, Bacharel em História pela FFLCH/USP. Diretora Técnica do Instituto de Arte Contemporânea. Coordenadora da Pós-Graduação em Museologia, Colecionismo e Curadoria do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Foi Museóloga do MAM/SP, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do National Musem of American Art/Smithsonian Institute, do MAE/USP e Coordenou o Centro de Memória da Fundação Bunge. Membro do Comitê Internacional de Museus (ICOM) onde foi Diretora e, atualmente, é membro do Conselho Consultivo. Criou o Grupo Experimental de Curadoria do Instituto de Arte Contemporânea. Curadora, entre outras, das seguintes exposições: “Deformações Dinâmicas – Willys de Castro” (IAC e itinerância no Paço Imperial); “Opostos Determinantes – Hércules Barsotti” (Galeria Frente); “Acolhida” (Programa de Residência Artística do Museu da Imigração); “Luzes da Memória” em parceria com Ricardo Resende (Instituto de Arte Contemporânea); “Épica do Espaço – Osmar Dalio” (Galeria Leme).
Sobre o Instituto de arte Contemporânea
Única instituição no país voltada exclusivamente à preservação de arquivos pessoais de artistas visuais brasileiros, o IAC – Instituto de Arte Contemporânea surgiu em 1997 para a preservação inicial de dois acervos confiados a Raquel Arnaud: Willys de Castro e Sergio Camargo. São 23 anos de credibilidade, incluindo dois Prêmios APCA, em 2006, como melhor iniciativa cultural do ano e em 2021, como melhor atividade cultural na área das artes visuais em 2020. Com sede própria desde 2020, o IAC operou, até então, por meio de parcerias institucionais com a Universidade de São Paulo (2006-2011) e com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2011-2019).
Se de um lado, com seu potente Núcleo de Documentação e Pesquisa, atende a estudiosos, de outro, o IAC oferece ao público exposições que revelam o processo de trabalho de grandes nomes da arte brasileira, além de cursos, palestras e workshops. Pela interface on-line ainda, pesquisadores de qualquer parte do mundo podem ter acesso ao acervo por meio de seu banco de dados.
Atualmente, o acervo conta com mais de 60 mil documentos, dos artistas: Amilcar de Castro, Hermelindo Fiaminghi, Iole de Freitas, Ivan Serpa, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Sergio Camargo, Sérvulo Esmeraldo e Willys de Castro e do arquiteto Jorge Wilheim. O IAC se prepara para receber os acervos de Antonio Dias e de Rubem Ludolf, e em 2022, o acervo de Carmela Gross.
Sergio Camargo, "Fruto/ Germinal". Escultura em gesso, 38x19x18 cm
Foto divulgação [Fundo Sergio Camargo –Instituto de Arte Contemporânea]