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Com curadoria do estúdio colaborativo Arquitetos Associados e do designer visual Henrique Penha, a mostra é realizada pela Fundação Bienal em parceria com a Secretaria Especial da Cultura

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia o projeto que ocupará o Pavilhão do Brasil na 17. Mostra Internacional de Arquitetura da La Biennale di Venezia [Bienal de Veneza]. Com abertura para o público em 22 de maio de 2021, a exposição tem curadoria do estúdio colaborativo Arquitetos Associados (composto pelos arquitetos e urbanistas Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff) e do designer visual Henrique Penha. Utopias da vida comum parte do mapeamento da presença das utopias em solo brasileiro, desde a cosmovisão Guarani da Terra sem Males até a contemporaneidade, destacando entre eles dois momentos singulares em que ideias transformadoras promoveram ou têm o potencial de promover mudanças significativas no modo como a arquitetura e a cidade podem fomentar novas alternativas para a vida comum.

O projeto curatorial é motivado pela urgência, no mundo contemporâneo, de se pensar em utopias: “A ideia de utopia perpassa vários momentos da história do pensamento e da produção do espaço brasileiro, muito antes da própria criação da palavra por Thomas More em seu conhecido livro. Transportar e ressignificar este conceito como um dispositivo para abordar o contemporâneo é o que procuramos fazer ao construir a narrativa curatorial”, explica Carlos Alberto Maciel. Concebido antes da pandemia de Covid-19, que suspendeu temporariamente a possibilidade de proximidade física em grande parte do mundo, a proposta ganha novos significados no contexto atual: "Repensar formas de convivência entre os humanos e o planeta em termos ecologicamente viáveis e socialmente inclusivos parece ser uma urgência que se amplifica a partir da experiência coletiva imposta pela pandemia, o que reforça a relevância dos temas que a exposição procura discutir", complementam os curadores.

Utopias da vida comum conta com dois núcleos, expostos nas duas salas que constituem o Pavilhão do Brasil. A sala menor abriga o núcleo Futuros do passado, dedicado a dois projetos icônicos da arquitetura moderna e às utopias que os orientaram, realizados entre o fim do Estado Novo e os anos JK (1946 e 1961). A sala grande recebe Futuros do presente, onde são exibidos dois vídeos, comissionados especialmente para a Bienal de Veneza, que refletem utopicamente sobre a ocupação das metrópoles contemporâneas.

Futuros do passado traz o então inovador Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (zona norte do Rio de Janeiro), de 1947, interpretado a partir das lentes da artista visual Luiza Baldan. Mais conhecido como “Pedregulho”, o Conjunto de autoria de Affonso Eduardo Reidy é um dos maiores empreendimentos de habitação social dos anos 1940. O núcleo conta também com o ensaio do fotógrafo Gustavo Minas sobre o cotidiano da Plataforma Rodoviária de Brasília (1957), de Lucio Costa, obra singular construída no encontro dos dois eixos em forma de cruz que constituem o Plano Piloto da capital federal. Completam o conjunto registros arquitetônicos de Leonardo Finotti e Joana França. Busca-se, com essas imagens, não apenas apresentar a arquitetura das obras, mas também a maneira como foram ocupadas. Justapõem-se, assim, as ideias que orientaram os projetos dessas duas construções à realidade de suas ocupações.

A grande sala do Pavilhão do Brasil recebe o núcleo Futuros do presente, no qual são apresentados dois vídeos inéditos e comissionados. Ambos assinalam novas formas de convivência e interação do homem com o espaço. O primeiro deles, dos diretores Aiano Bemfica, Cris Araújo e Edinho Vieira, apresenta as possibilidades de reapropriação de edifícios nos centros de grandes metrópoles. O segundo vídeo, do diretor Amir Admoni, faz uma interpretação poética da ideia de apropriação dos rios e de suas margens concebida pelo projeto Metrópole Fluvial – proposta em 2010 para a cidade de São Paulo pelo grupo de pesquisa de mesmo nome da Universidade de São Paulo –, que questiona o modelo de transporte rodoviário adotado para a metrópole e aponta novas alternativas para a vida cotidiana.

Utopias da vida comum foi concebida a partir do tema How will we live together? [Como viveremos juntos?], proposto pelo arquiteto e acadêmico Hashim Sarkis, curador geral desta edição da Mostra Internacional de Arquitetura. Sarkis desafia a refletir sobre a possibilidade de um novo contrato espacial e imaginar espaços onde as pessoas possam, de fato, viver juntas no atual contexto de polarização política, de crescimento da desigualdade econômica em escala global e, agora, dos desafios impostos por uma pandemia. A curadoria incentiva os arquitetos convidados a envolverem outros participantes em seus projetos, sejam artistas, construtores, jornalistas, políticos, cientistas sociais ou os próprios cidadãos. Sarkis propõe, assim, retomar o papel do arquiteto como organizador e zelador de um contrato espacial comum à sociedade como um todo.

A participação brasileira na 17. Mostra Internacional de Arquitetura – Bienal de Veneza

A prerrogativa da Fundação Bienal de São Paulo na realização da representação oficial do Brasil na 17ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza é fruto de uma parceria com a Secretaria Especial da Cultura, responsável pelo desenvolvimento da política de intercâmbio cultural do país. “A realização das representações brasileiras neste espaço de prestígio que são as Bienais de Arte e Arquitetura de Veneza é vital para a promoção do patrimônio cultural do Brasil no exterior, uma das preocupações centrais da Secretaria Especial da Cultura”, afirma Mario Frias, Secretário Especial da Cultura. É um reconhecimento à excelência do trabalho da Fundação Bienal de São Paulo, a outorga da realização do projeto.

As participações brasileiras nas Bienais de Arte e Arquitetura de Veneza ocorrem no Pavilhão do Brasil, construído em 1964 a partir de um projeto de Henrique Mindlin e mantido pelo Ministério das Relações Exteriores. Para José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, “as representações nacionais em Veneza são ocasiões privilegiadas para compartilhar, com outros países, a força da produção artística e arquitetônica brasileira contemporânea”.

Currículos

Arquitetos Associados
Estúdio colaborativo dedicado à arquitetura e urbanismo, com sede em Belo Horizonte, MG. Tratando cada projeto como um trabalho específico, apresenta formação de equipes variadas. Esse modus operandi dinâmico amplia a qualidade de resposta aos problemas específicos de cada situação e dilui a questão autoral, permitindo a transformação permanente e a redefinição do grupo a cada trabalho, o que contribui para seu aprimoramento conceitual. Receberam reconhecimento nacional e internacional as obras realizadas no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, MG, com destaque para a Galeria Claudia Andujar, o Centro Educativo Burle Marx e a Galeria Miguel Rio Branco. Seus trabalhos foram premiados na 4ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (1999); na VII BIAL – Bienal Ibero-americana de Medellín (Colômbia, 2012); na X BIAL – Bienal Ibero-americana de São Paulo (2016); no Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – como melhor obra construída no Brasil em 2015. Participaram de exposições e eventos como a Bienal de Arquitetura de Daijeon, na Coreia do Sul (2010); 2ª Bienal Iberoamericana de Pamplona, Espanha (2011); Neun Neue – Nove Novos – Emerging Architects from Brazil, em Frankfurt, Alemanha (2013); e a exposição Infinito Vão – 90 anos da Arquitetura Brasileira, na Casa da Arquitectura em Matosinhos, Portugal (2018-19).

Alexandre Brasil é arquiteto e urbanista [UFMG, 1997] e mestre em construção metálica (UFOP, 2006]. É professor de projeto e técnicas construtivas no curso de Arquitetura e Urbanismo da UNI-BH.

André Luiz Prado é arquiteto e urbanista (UFMG, 1998), mestre em teoria e prática de projeto [EA–UFMG, 2005] e doutor em teoria, produção e experiência do espaço (2014). É professor de projeto na UFMG e no curso de Arquitetura e Urbanismo do Ibmec, onde também é coordenador. É autor do livro Ao fim da cidade (Editora UFMG, 2016).

Bruno Santa Cecília é arquiteto e urbanista, mestre em teoria e prática de projeto e doutor em teoria, produção e experiência do espaço (EA–UFMG, 2000, 2004 e 2016). É professor de projeto nos cursos de Arquitetura e Urbanismo da FUMEC e da EA–UFMG. É autor dos livros Brazil: Architectural Guide (DOM Publishers, 2013) e Éolo Maia: complexidade e contradição na arquitetura brasileira (Editora UFMG, 2016).

Carlos Alberto Maciel é arquiteto e urbanista, mestre em teoria e prática de projeto e doutor em teoria, produção e experiência do espaço (EA–UFMG, 1997, 2000 e 2015). É professor de projeto no curso de Arquitetura e Urbanismo da EA–UFMG. É autor dos livros Territórios da Universidade (Editora UFMG, 2012) e da coleção Arquitetura como Infraestrutura (3 volumes, Editora Miguilim, 2019).

Paula Zasnicoff Cardoso é arquiteta e urbanista (FAU–USP, 2000] e mestre em teoria e prática de projeto (EA–UFMG, 2007). Foi professora de desenho e projeto no curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade, São Paulo, e é professora de projeto no curso de Arquitetura e Urbanismo da UNI-BH.

Henrique Penha
É formado em Comunicação Social (UFMG, 1995) e mestre em Comunicação pela Boston University (1998). Líder na disciplina de Design na Indústria de Tecnologia há duas décadas, foi diretor de design na Apple, Califórnia, onde trabalhou diretamente na equipe de Jony Ive e liderou a criação de múltiplos produtos. Serviu em cargos de liderança de design no Oculus VR (Facebook), Lyft, Android (Google) e Skype, e passagens por Boston, Londres e São Francisco. Também é fotógrafo.

Pavilhão do Brasil na 17. Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Arquitetos Associados (Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff) e Henrique Penha <brTítulo da exposição: utopias da vida comum
Local: Pavilhão do Brasil
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122 Veneza, Itália
Data: 22 de maio a 21 de novembro de 2021
Preview para imprensa e profissionais: 19 a 21 de maio de 2021.

<br />Foto divulgação  [Fundação Bienal]


Foto divulgação [Fundação Bienal]

Utopias da vida comum

source
Fundação Bienal
São Paulo

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