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O autor apresenta análise sobre a publicação da Editora Cosac Naify que engloba debate entre Eisenman e Koolhaas, bem como apresentação de outros críticos e dos dois arquitetos separadamente

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FERNANDES, Luiz Gustavo Sobral. Entre Eisenman e Koolhaas. Diálogos acerca de projeto e crítica. Resenhas Online, São Paulo, ano 13, n. 153.02, Vitruvius, set. 2014 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/13.153/5292>.


No começo de 2006 Koolhaas e Eisenman se encontram no auditório da Architectural Association de Londres para um debate mediado por Brett Steele. O resultado desse diálogo é parte do material publicado no Brasil pela Cosac Naify.

Peter Eisenman e Rem Koolhaas, sala do diretor da AA, 30 de janeiro de 2006 [Supercrítico. São Paulo SP, Cosac Naify. p. 214-215]

A conversa entre os dois convidados transita entre diversos temas que permeiam a disciplina, em um clima de informalidade característico de entrevistas. Posteriormente acrescentou-se, além da transcrição do referido evento outras fontes complementares como as apresentações de Jeffrey Kipnis e Robert Somol e duas apresentações de Eisenman (mediado por Alvin Boyarsky) e Koolhaas (apresentado por Peter Cook) de 1975 e 1976 respectivamente. Concluindo a edição, Brett Steele redige um pósfácio com traços de originalidade, que contempla cem pontos sobre os entrevistados tema do livro em questão.

Primeiro, uma questão: Porque uma escola de arquitetura promove um debate especificamente entre Eisenman e Koolhaas? Possivelmente porque dentre tantos os arquitetos que se revelaram importantes na segunda metade do século XX, ambos tem em alguns aspectos perfis profissionais que se confundem. O contato entre os dois começa quando Eisenman, procurando um local alternativo à universidades limitadas a um local para o ensino funda em 1967 o Institute for Architectural and Urban Studies (IAUS) onde Koolhaas teria estabelecido relações ainda em começo de carreira. Ambos possuem uma característica peculiar entre arquitetos, pois construíram uma base científica prévia antes de se iniciarem em escritório. O resultado é que possuem trabalhos teóricos escritos relevantes, o que não é comum entre os grandes arquitetos de prancheta.

Por outro lado, os arquitetos são distintos em termos geracionais, geográficos e institucionais (o que contribui para a formulação de diferentes perspectivas profissionais). Robert Somol sugere em sua apresentação, como uma forma de clarear as divergências entre os dois arquitetos seria supor uma leitura da Casa del Fascio de Giuseppe Terragni . Eisenman a "lê como um tipo de projeto geométrico ideal que é lido através de axometrias de tirar o fôlego". Koolhaas estaria supostamente interessado na multidão de pessoas aglomeradas em frente à construção. Traça-se ai um paralelo entre os dois entrevistados: um observa a disciplina em perspectiva, e a partir do mundo formula novas hipóteses em posição de jornalista observador, como ele mesmo se refere. E Eisenman parte de uma leitura acerca de questões da própria disciplina, uma formulação eloqüente mesmo que restrita à ela em si. A leitura da Casa Dominó de Corbusier como índice e que posteriormente germinará a seqüência de casas que Eisenman constrói no início da carreira até meados dos anos 80 esquematiza com lucidez essa posição.

Peter Eisenman, Brett Steele e Rem Koolhaas, AA Lecture Hall, 30 de janeiro de 2006 [Supercrítico. São Paulo SP, Cosac Naify. p. 213]

Existe para ambos os arquitetos uma frente em crise ao moderno, que se desenvolve posteriormente a partir de trajetos divergentes: para Eisenmam a ruptura é a percepção de que a arquitetura nunca havia concluído o projeto moderno, porque nem mesmo os ditos arquitetos modernos eram de fato modernos.  Para Koolhaas porém, a questão é que a arquitetura morreu depois da metrópole, ou depois da urbanização moderna, e portanto se justifica a existência de uma nova forma de arquitetura. Para ambos a prática se justifica a partir de uma ruptura à algo, e a partir de uma direção crítica. Eisenman seria uma crítica a partir de uma modernidade inconclusa, e Koolhaas a partir de uma modernidade a ser superada.

No Brasil, parte dos arquitetos afirma que o trabalho de ambos apenas reflete as lógicas perversas de um mundo globalizado e do grande capital. Certamente os projetos da casa da música do Porto ou a Cidade da cultura da Galícia não se posicionam frente ao mundo de forma diferente ao projeto do Guggenheim de Bilbao. Tratam de projetos de empreendedores do mercado, interessados em uma revitalização simbólica do espaço a partir de grandes ícones culturais  (desvinculados de perspectiva social). O público presente em Londres não deixa passar a questão em branco, perguntando em determinado momento: "Por que vocês dois tentam tão arduamente negar o espetáculo que vocês mesmos inadvertidamente foram atrás de criar?" Mesmo com contribuições relevantes relacionados à reflexão crítica da disciplina, os dois arquitetos parecem contribuir como objeto físico (raros projetos construídos são contrários a isso) como outros arquitetos pares que não possuem a mesma formação intelectual (e o público londrino parece estar bem convencido disso).

Os diálogos transcritos reunidos no volume se apresentam estimulantes aos interessados não somente no trabalho dos dois arquitetos que gerenciam grande parte da discussão, mas a todos que estão procurando, através de uma perspectiva crítica outras direções possíveis para a disciplina.

referência bibliográfica

NESBITT, Kate (org.). Uma nova agenda para a arquitetura antologia teórica 1965-1995. São Paulo: Cosac Naify, 2006

ARANTES, Pedro Fiori. Arquitetura na era digital-financeira. São Paulo: editora 34, 2012

MONEO, Rafael. Inquietação teórica e estratégia projetual. São Paulo: Cosac Naify, 2008

sobre o autor

Luiz Gustavo Sobral Fernandes concluirá graduação em arquitetura no Mackenzie em 2014. Colaborou no Triptyque, tendo realizado pesquisa de iniciação científica e sido premiado em concursos de arquitetura durante a graduação.

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Peter Eisenman and Rem Koolhaas

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