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my city ISSN 1982-9922

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Nos anos 1940 e 1950, arquitetos e artistas – Carlos Leão, Aldary Toledo, Irmãos Roberto, Francisco Bolonha, Portinari, Djanira, Emeric Marcier, Anísio Medeiros, Bruno Giorgi, Jan Zach, Burle Marx e Tenreiro – deixaram um legado moderno em Cataguases.

how to quote

KROPF, Elisabete. Arquitetura, turismo, sustentabilidade. Minha Cidade, São Paulo, ano 15, n. 172.01, Vitruvius, nov. 2014 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/15.172/5336>.


Edifício A Nacional, Cataguases. Irmãos Roberto, 1957
Foto Ruth Verde Zein


Cataguases obteve destaque nacional por suas manifestações culturais no século 20. A literatura do grupo modernista Verde, o ciclo de cinema de Humberto Mauro, Pedro Comello e Eva Nil, ambos na década de 1920; e a fase da arquitetura modernista, a partir da década de 1940, realizada em sua maioria pela primeira geração de modernistas do Rio de Janeiro.

Colégio Cataguases, Cataguases. Arquiteto Oscar Niemeyer, 1944
Foto Ruth Verde Zein

Pode-se dizer que o marco inicial da arquitetura moderna em Cataguases é a encomenda, por Francisco Inácio Peixoto – um dos integrantes do grupo literário Verde e idealizador da Cataguases moderna – de sua residência, seguida pela construção do Colégio Cataguases, ambos projetos de Oscar Niemeyer.

A partir de então se desenvolvem inúmeros outros projetos que a elite e a classe média cataguasense encomenda aos renomados arquitetos que atuavam no Rio de Janeiro e representavam a vanguarda da arquitetura brasileira naquele momento. São nomes como Carlos Leão, Aldary Toledo, Irmãos Roberto, Francisco Bolonha, entre outros.

Colégio Cataguases, Cataguases. Arquiteto Oscar Niemeyer, 1944
Foto Ruth Verde Zein

Junto aos arquitetos agregaram-se os artistas plásticos, paisagistas e designers de móveis do período: Cândido Portinari, Djanira, Emeric Marcier, Anísio Medeiros, Bruno Giorgi, Jan Zach, Burle Marx, Joaquim Tenreiro. Além do acervo de obras de artes integradas como: painéis, esculturas e imóveis adornados com um considerável acervo artístico. A partir da década de 1960 destaca-se o arquiteto, morador da cidade, Luzimar Goés Telles com a maior produção de obras modernas de Cataguases.

Um dos motivos destas manifestações chamarem atenção no cenário nacional é o fato de elas terem se desenvolvido numa cidade do interior de Minas Gerais, longe dos grandes centros urbanos do país. Além disso, nessa época a cidade contava com aproximadamente 20 mil habitantes e as condições de transporte e comunicação não eram tão fáceis como nos dias atuais. Ainda assim, essas manifestações se deram quase que simultaneamente às vanguardas dos grandes centros brasileiros, como a Pampulha, em Belo Horizonte.

Praça José Inácio Peixoto, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, anos 1950
Foto Ruth Verde Zein

Em 1994, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, reconhecendo o valor cultural dessas manifestações, efetua o tombamento da cidade com o estabelecimento de uma poligonal de proteção no centro histórico e inclusão de dezesseis bens imóveis tombados individualmente.

Para que a preservação do patrimônio histórico seja uma ação eficiente é necessária a participação cidadã. Mais que a divulgação eficiente dos programas e mecanismos de proteção, é necessário acercar a população do meio em que ela vive, fazer com que as pessoas conheçam a história de sua cidade e socializar a necessidade das ações concernentes ao patrimônio e os benefícios sociais e econômicos que essas podem trazer.

Praça José Inácio Peixoto, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, anos 1950
Foto Ruth Verde Zein

Um tombamento nas características do conjunto em questão, não pode ser fator de “engessamento”, mas deve criar instrumentos que agreguem valores e possibilidades. Estes devem facilitar um desenvolvimento sustentável e planejado, tendo em consideração todas as vocações da cidade, e sua relevante importância no contexto cultural, urbano, histórico, social, antropológico, paisagístico, ambiental, econômico e cívico, e as perspectivas turísticas que o tombamento possibilita.

O 1º CATS, realizado em 2012, teve como objetivo estabelecer em Cataguases um polo de encontro e de discussão sobre a preservação do patrimônio edificado, conscientizando moradores e participantes da importância da arquitetura construída na cidade entre as décadas de 1940 e 60. Ao final do evento, um manifesto foi produzido pelos professores participantes e entregue às autoridades competentes. O manifesto delineava ações com a intenção de que fossem criados programas e projetos voltados para a preservação e conservação de Cataguases. Há várias sugestões dos professores para o aprimoramento do potencial turístico da cidade. Infelizmente podemos constatar, apenas caminhando pelas ruas da cidade, que, nada foi feito desde então e o tombamento, por si só, ou o protocolo estabelecido para a preservação, não tem garantido, na prática, sua função esperada.

Praça José Inácio Peixoto, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, anos 1950
Foto Ruth Verde Zein

Segundo o manifesto é clara a falta de um projeto que respeite a “importância mundial” do Conjunto Modernista de Cataguases e sua realidade única, de representatividade como um verdadeiro monumento à personalidade criativa e empreendedora da cidade. Também se percebe a falta de uma política de planejamento urbano para valorizar e qualificar os entornos, o que acaba por transformar cada bem tombado em uma ilha, sem um projeto urbanístico que interligue os diversos componentes, isolando-os e diminuindo a importância histórica do Conjunto.

Percebe-se a dificuldade de preservação e/ou restauração das residências modernistas tombadas, tanto pela falta de comprometimento do Iphan, quanto de uma política que atenda com eficácia essas “residências particulares”, sem interferir no direito de inviolabilidade domiciliar e do indivíduo nela residente.

Edifício A Nacional, Cataguases. Irmãos Roberto, 1957
Foto Ruth Verde Zein

Apesar do PAC Cidades Históricas – programa voltado aos municípios com conjuntos ou sítios protegidos no âmbito federal – ter uma previsão de investimentos para Cataguases de R$ 29,9 milhões entre 2010 e 2013, com ações de restauro, recuperação e requalificação urbanísticas de praças e outras benfeitorias, nada foi feito até o momento pois não há equipe de projeto na prefeitura que elabore tais projetos para poder ter direito às verbas.

Edifício A Nacional, Cataguases. Irmãos Roberto, 1957
Foto Ruth Verde Zein

Essa 2ª edição do CATS tem como intenção alertar a sociedade cataguasense, as autoridades locais, o Governo de Minas Gerais, o Ministério da Cultura, os órgãos de defesa, preservação e proteção do Patrimônio Cultural Edificado Brasileiro, para que sejam criados programas e projetos destinados à preservação e conservação deste Patrimônio. Também para o aproveitamento das possibilidades turísticas e de desenvolvimento sustentável, com envolvimento das três esferas de governo, Iphan e entidades representativas, com ações que possibilitem a perenidade do projeto. Devem-se estender as iniciativas não só aos bens tombados e seu entorno, mas entendendo que a proteção do patrimônio ambiental urbano está diferentemente vinculada à melhoria da qualidade de vida da população, pois a preservação da memória e dos referenciais culturais é uma demanda social tão importante quanto qualquer outra a ser atendida pelo serviço público.

Residência Nanzita Salgado, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, 1958
Foto Ruth Verde Zein

Torna-se premente o entendimento da realidade atual da Cidade de Cataguases, da sua população, das características e especificidades inerentes às questões sociais, ambientais e vocacionais e a sua relação com o seu conjunto histórico, arquitetônico e paisagístico. É notório que há muitos anos, o município vem “virando as costas” para os fatores de influência, possibilidades e importância de seus bens tombados para o desenvolvimento sustentável da cidade.

O patrimônio, a cultura e a memória de uma cidade são traduzidos em inúmeras formas, desenhos e elementos urbanos. Viver em contato com estes elementos permite construir o legado cultural e a sensação de continuidade, sem deixar de vivenciar o presente.

Residência Nanzita Salgado, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, 1958
Foto Ruth Verde Zein

São elementos que refletem a identidade nacional e geram aproximação e reconhecimento tanto da sociedade interna como de outros povos e países. Apesar de muitas vezes serem deixados em segundo plano, os componentes culturais são os únicos que influenciam em todas as áreas da sociedade, desde o aspecto político ao econômico, tendo o potencial de gerar retornos dos mais diversos tipos. O mais importante é que a difusão cultural atrai a atenção de pessoas, grupos, instituições e empresas interessadas.

Residência Nanzita Salgado, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, 1958
Foto Ruth Verde Zein

A arquitetura pode ser considerada um reflexo de nossa sociedade. Construções de diferentes estilos, modelos e épocas convivem lado a lado, representando nossa evolução e relembrando-nos de nosso passado. Devemos abraçar o potencial artístico, arquitetônico e natural, que nossa cidade possui e aprender a trabalhar em prol da difusão daquilo que temos para fazer com que Cataguases se torne mais uma vez uma referência nacional.

Educandário Don Silvério, Cataguases. Arquiteto Francisco Bolonha, 1954. Painel artístico de Anísio Medeiros
Foto Ruth Verde Zein

nota

NE – Palestra proferida no painel: O urbanismo e a dimensão do crescimento na contemporaneidade em que estavam presentes os professores Ephim Shluger – arquiteto e Edwaldo Sergio – turismólogo, 17 de outubro de 2014, dentro das atividades do 2º CATS – Congresso de Arquitetura, Turismo e Sustentabilidade, ocorrido em Cataguases MG.

sobre a autora

Elisabete Kropf é arquiteta e urbanista, especialista em conforto e edificações sustentáveis, coordenadora geral do CATS Cataguases. Possui escritório em Cataguases, desenvolvendo projetos de arquitetura, decoração de interiores, design de mobiliário e reformas em edifícios residenciais e comerciais.

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