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my city ISSN 1982-9922

abstracts

português
Hoje nossa preocupação se volta à ação da Covid-19, causadora de infecções respiratórias. No que tange o planejamento urbano, bem como o descarte de materiais de proteção, devemos tomar os cuidados necessários para barrar a dispersão do vírus.

english
Today our concern turns to the action of Covid-19, which causes respiratory infections. With regard to urban planning, as well as the disposal of protective materials, we must take the necessary precautions to stop the spread of the virus.

español
Hoy nuestra preocupación se centra en la acción de Covid-19. Con respecto a la planificación urbana, así como a la eliminación de materiales de protección, se debe tomar atención médica para detener la propagación del virus.

how to quote

PAMIO, Lucas. Prevenção ao Covid-19 e o descarte de itens de higiene. Minha Cidade, São Paulo, ano 21, n. 243.03, Vitruvius, out. 2020 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/21.243/7930>.


Máscara descartável de proteção individual descartada em calçada pública
Foto AG


Um fato que posteriormente iremos nos lembrar e com ele aprender – caso desejado – é que a Covid-19 está transformando e despertando em nós o senso de mudança e questionamento acerca de questões que, apesar de serem de nosso conhecimento, não creditamos a elas a devida importância.

Desde que o surto viral causado pelo novo Coronavírus repercutiu na mídia, após ter infectado milhares em Wuhan, e posteriormente se espalhado pelo continente asiático, e dia após dia espalhar-se por outros países do globo até chegar ao Brasil, uma série de questionamentos vieram à tona a respeito do modo como nos articulamos em sociedade e também em relação ao modo como utilizamos o espaço.

Imediatamente ficou claro quão segregada é a nossa política sanitária e quão hierárquico é o modus operandis para conter o aumento do surto viral. Apesar de especialistas alertarem quanto ao pico de infecção do novo Coronavírus para os meses de abril e maio de 2020 – meses em que em termos de temperatura tende-se a uma queda nos termômetros, ocasionando em maior debilitação corpórea –, muitos ajustes no que diz respeito a cuidados pessoais e o acesso a serviços, bem como a ajuda financeira por parte do governo federal demoraram a se concretizar, não garantindo que a vulnerabilidade social sofresse o menor impacto possível.

Constatar qual classe social mais sentirá e consequentemente sofrerá com os possíveis efeitos desse pico de disseminação do vírus é certeiro, uma vez que conhecemos nossa realidade sociocultural, tendo em vista que em muitos lares brasileiros falta saneamento – “se você possui salubridade, você é privilegiado sim” –, falta também poder de compra e acesso à informação no que diz respeito a higiene das mãos e à proteção com mascaras descartáveis e/ou reutilizáveis, evitando assim que o vírus se espalhe.

Numa dessas reflexões pode-se constatar que um outro grave problema (se não questionado e advertido) diz respeito ao modo como o descarte de materiais de prevenção e higienização – máscaras, luvas descartáveis e frascos de álcool em gel – deve ser feito para impedir a propagação do vírus, além do destino correto desses itens.

Somos um dos países com mais problemas quanto ao descarte de lixo, sendo este um dos nossos principais problemas ambientais. Mesmo com a existência de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, nosso lixo muitas vezes acaba tendo um destino incerto, a começar por nossas ações, quando o descartamos ou não no local correto.

Baseado em nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos o que ela adverte no que diz respeito a evitar a disseminação da Covid-19? Flavio Fonseca, virologista do centro de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, afirma que apesar de não haver ainda um estudo exclusivo para o novo Coronavírus, é possível estimar, baseando-se na carga viral de outros patógenos, que o vírus pode sobreviver de 72 a 96 horas em tecidos, logo, uma máscara utilizada por um possível individuo infectado, e não descartada corretamente, pode transferir o vírus para o meio ou para quem nela tocar (1).

A mesma recomendação serve para outros aparatos de proteção, como aventais e luvas – neste caso o tempo de sobrevida do vírus muda, devido o tipo de material, porém ele tende a permanecer ali por um tempo.

Quanto aos frascos de álcool em gel, estes se não lavados após o uso, por ação físico-química, pode conter em seu interior restos da substância, bem como sua volatilidade, ou seja, caso este frasco venha a sofrer um aumento de temperatura, pode sim inflamar, causando danos a outras pessoas, como catadores e trabalhadores de cooperativas de reciclagem.

Se por um lado tal discussão parece ter um impacto não relevante – para isso basta olhar as notícias e as ações executadas por nós e por agentes de saúde para conter a contaminação e para suprir as necessidades individuais –, por outro, o descarte e o destino desse material parecem tão incertos quanto o cálculo de quando esta pandemia vai se atenuar.

Outro ponto que deve ser mencionado é o da suspensão dos serviços prestados por catadores de reciclável. Se por um lado, poupar esses trabalhadores do trabalho lhes garante maior proteção diante de possíveis contágios, além de também evitar a disseminação involuntária do vírus, do outro temos a questão relacionada à forma como descuidadamente descartamos nosso lixo, contribuindo para um maior volume de material recolhido por coletores de lixo. Em caso de suspensão desse serviço, o descarte desse material certamente se tornará problema e merecerá atenção.

Iremos aprender muito com o atual momento em que estamos vivendo, seja no que diz respeito a compreender que não estamos sozinhos e que a proteção do outro é necessário para nossa própria proteção. No que tange às soluções para o descarte correto dos materiais utilizados por nós para a proteção ao Covid-19, deve prevalecer o bom senso, lavar o material utilizado com água e sabão antes de descarta-lo no lixo doméstico, além de, em hipótese alguma descarta-lo em via pública.

sobre o autor

Lucas Silva Pamio é arquiteto e urbanista, com especialização em andamento em Planejamento Urbano e Políticas Públicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).

nota

1
Flávio Guimarães da Fonseca, Doutor em Ciências Biológicas – Microbiologia, Virologista e integrante do centro de pesquisa em vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ver: VALADARES, Marcelo. Quanto tempo o coronavírus sobrevive nas superfícies? G1, Rio de Janeiro, 19 mar. 2020 <https://glo.bo/2TI3rhh>.

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