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resenhas online ISSN 2175-6694


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Renato Anelli comenta conceitos e critérios adotados para a mostra com quatro casas de vidro do movimento moderno: Casa Eames, de Charles e Ray Eames; Glass House, de Philip Johnson; Casa Farnsworth, de Mies Van Der Rohe; Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi.

como citar

ANELLI, Renato. Casas de vidro. Transparência e paisagem nas obras de Philip Johnson, Mies Van Der Rohe, Lina Bo Bardi e Charles & Ray Eames. Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 193.03, Vitruvius, jan. 2018 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.193/6831>.


“Nós vivemos a maior parte do tempo em espaços fechados. Eles formam o ambiente de onde nossa cultura cresce. Nossa cultura é, em certo sentido, produto da nossa arquitetura. Se nós quisermos elevar nossa cultura para níveis mais altos, nós teremos de mudar nossa arquitetura, para o bem ou para o mal. E isso só será possível se nós removermos o caráter de enclausuramento dos espaços dentro dos quais vivemos. Isso só pode ser feito através da introdução da arquitetura de vidro, que permite a luz do sol e a luz da lua e das estrelas dentro das salas, não meramente através de poucas janelas, mas simultaneamente, através do maior número possível de paredes feitas inteiramente de vidro – vidro colorido. O novo ambiente criado trará com ele uma nova cultura”
Paul Scheerbart – Arquitetura de Vidro, 1914.

A arquitetura de vidro reúne técnica e cultura em uma mesma proposição. As quatro casas apresentadas nesta exposição constituem exemplos relevantes do desenvolvimento da arquitetura de vidro na metade do século 20.

A transparência nessas casas busca a integração visual com os jardins e paisagens nas quais estão inseridas. Seus volumes com ao menos três faces plenas de vidro, invertem a relação das estufas construídas desde o século 18 na Europa, onde as coberturas transparentes retinham o calor do sol e permitiam o cultivo de plantas exóticas no clima frio. Do jardim dentro para o jardim ao redor, foi necessário mais de um século de história da arquitetura.

Construídas entre 1945 e 1951, estas quatro casas coincidiram com o centenário das primeiras grandes obras de arquitetura projetadas com delgados perfis de ferro e placas de vidro. Foi no meio do século 19 que as técnicas construtivas das estufas foram aplicadas em estações, mercados e em pavilhões de exposições, permitindo que esse novo espaço criado pela transparência e imaterialidade dos fechamentos fosse experimentado pelo grande público.

A exposição Casas de vidro apresenta a arquitetura em sua relação com os sítios onde foram implantados, oferece uma interpretação dos esboços de desenvolvimento do projeto e aponta as especificidades de suas características técnicas construtivas.

São ainda anotadas cenas do seu uso cotidiano, relacionando cliente e arquitetos. Em três delas, Eames, Johnson e Bardi, esses papéis coincidem. Na quarta, a Farnsworth é marcada pelo desapontamento da cliente e seu conflito judicial com o arquiteto alemão Mies Van Der Rohe, justamente o mais experiente dos quatro na construção de uma arquitetura de vidro a partir das premissas de Scheerbart apresentadas na epígrafe.

Ao realizar a exposição na Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, a única em ambiente tropical e em meio a um jardim inteiramente projetado pela arquiteta, o Instituto Bardi propõe ampliar os horizontes do contexto histórico e cultural no qual a obra foi concebida.

Casa Eames – Case Study House #8
Pacific Palisades, Califórnia, 1945-1949

Casa Eames, Case Study House #8, Pacific Palisades, Califórnia, Estados Unidos, 1945-1949, arquitetos Charles Eames e Ray Eames Foto Timothy Street-Porter
Foto divulgação [Cortesia Eames Foundation]

Casa projetada no programa Case Study Houses promovido pela revista Arts & Architecture a partir de Janeiro de 1945, com o objetivo de desenvolver novos modelos de casas unifamiliares de baixo custo para os combatentes após seu retorno. Em um terreno ao lado da propriedade de John Etenza, editor da revista, Charles Eames (1907-1978) e Eero Saarinen projetam uma primeira versão usando tecnologias do tempo da guerra. Ao visitar a área, Ray Eames (1917-1988) critica a decisão de cruzar a vista da paisagem com o volume elevado da casa e sugere uma segunda versão, encostada nos limites do terreno. A estrutura leve suporta uma malha de caixilhos pré-fabricados, com vidros fixos e basculantes. Alguns planos opacos em cores primárias complementam a malha estrutural da fachada principal. Ao contrário das tradicionais janelas que furam as paredes maciças, aqui são os planos opacos e leves que interrompem a transparência da superfície de vidro.

Após a morte de Charles, Ray prepara o legado futuro da. Transfere parte do acervo para a Biblioteca do Congresso e doa a casa para Lucia Eames, filha do primeiro casamento de Charles, que decide criar a Eames Fundation.

Philip Johnson Glass House
New Canaan, Connecticut, 1946-1949

Glass House, New Canaan, Connecticut, 1946-1949, Estados Unidos, arquiteto Philip Johnson
Foto divulgação [Cortesia Glass House]

A Glass House foi concebida e construída por Philip Johnson (1906-2005) junto com seu par, a Guest House, formando dois blocos complementares e opostos. A primeira em planos de vidro e estrutura de aço, e a segunda com a estrutura de aço vedada por planos de tijolos. Johnson baseou-se no projeto de Mies Van Der Rohe para Farnsworth House, e depois de explorar muitas alternativas encontrou uma nova configuração para a estrutura, alinhada com a caixilharia, e o módulo hidráulico, a “ilha”, aqui resumida a um cilindro de tijolos com banheiro e lareira. Ao longo de sua vida junto com seu cônjuge David Withney (1939-2005), Johnson projetou e construiu mais 14 pavilhões na propriedade, onde distribuiu sua coleção de obras de arte, biblioteca e amenidades de lazer. A diferença de concepções de arquitetura que orienta cada projeto anota as transformações do próprio arquiteto.

Em 1986 Johnson doou a propriedade para a National Trust for Historic Preservation, mantendo o direito de uso até sua morte e de David Whitney.

Casa Farnsworth
Plano, Illinois, 1945-1951

Casa Farnsworth, Plano, Illinois, 1945-1951, Estados Unidos, arquiteto Mies Van Der Rohe
Foto divulgação [Cortesia Farnsworth House]

Projeto de Mies Van Der Rohe (1886-1969) para a médica Edith Farnsworth em um área rural próxima a Chicago e às margens do rio Fox. Obra de maturidade, radicaliza a transparência das casas anteriores, reunindo a opacidade em uma “ilha” de serviços (banheiros, cozinha, armários, lareira e instalações) para liberar todo os planos do perímetro do volume para o vidro. A casa é levemente elevada do solo para se proteger das inundações do rio na várzea. Mesmo antes da conclusão da obra, as fotos da obra correram o mundo em um catálogo da exposição da obra do arquiteto no MoMA em Nova York, em 1947.

Após uma admiração inicial pelo arquiteto renomado, a cliente reagiu ao progressivo aumento das despesas com a obra, chegando a processar Van Der Rohe, sem sucesso, pelos custos elevado. Ocupou a casa com móveis comuns e não os projetados pelo arquiteto. Em 1972 a casa foi adquirida pelo colecionador Peter Palumbo, que contratou Dirk Lohan, neto de Mies Van Der Rohe, para que completasse os interiores e mobiliários previstos pelo arquiteto, retirando todas as intervenções da primeira proprietária.

As inundações frequentes e mais intensas do que as previstas nos cálculos originais, vem afetando o interior da casa, exigindo o estudo de alternativas para a sua preservação. Desde 2003, a Farnsworth House é mantida pela National Trust for Historic Preservation, que adquiriu o imóvel por cerca de US$7,5 milhões.

Casa de Vidro
São Paulo, 1949-1952

Casa de Vidro, São Paulo, Brasil, 1949-1952, arquiteta Lina Bo Bardi
Foto Nelson Kon

A casa foi projetada por Lina Bo Bardi (1914-1992) para residência sua e de seu marido Pietro Maria Bardi (1900-1999) a partir da aquisição do terreno no novo loteamento no Morumbi, empreendimento que pretendia repetir no Brasil a experiência dos subúrbios norte-americanos. Parcelamento de uma antiga fazenda de chá, o terreno possuía algumas árvores de baixo porte no setor posterior. A arquiteta projetou uma casa apoiada na parte mais alta do terreno, que se projeto sobre o declive graças a estrutura de aço, apoiada em delgados pilares tubulares, projeto do engenheiro italiano Pier Luigi Nervi, adaptado para as condições brasileiras de construção pelo engenheiro ítalo-brasileiro Tulio Stucchi. A casa abrigou a coleção de artes do casal e sua sala, vedada por painéis de vidro em três das quatro faces, serviu de experimentação museográfica, onde as obras eram dispostas frente à paisagem natural que a cercava. Ao longo da sua vida, foram construídos anexos que anotam as novas orientações da arquiteta. Já em 1958 o jardim com caminhos e arrimos sinuosos e o volume da garagem receberam revestimento inspirado nas obras de Antonio Gaudi em Barcelona. O estúdio construído em 1986 com estrutura de madeira e telhado cerâmico anotaram a orientação moderno-popular da arquiteta.

Em 1990, o casal fundou o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que receberia a casa e acervo de acordo com a vontade expressa no testamento. O conjunto é protegido e tombado pelos órgãos de preservação brasileiros nas três instâncias federativas, Iphan, Condephaat e Conpresp, a partir de 1986.

nota

NE – Texto curatorial da exposição Casas de vidro, Renato Anelli (curador), Ana Lucia Cerávolo e Sol Camacho (co-curadoras). Casa de Vidro, São Paulo, de 12 outubro de 2017 a 04 de março de 2018. Visitação de quinta a domingo, nos seguintes horários: 10h15; 11h15; 12h30; 13h30; 14h30; 15h30. Recesso: 22 de dezembro de 2017 a 07 de janeiro de 2018. Realização: Instituto Bardi – Casa De Vidro / Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo / Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Patrocínio: AGC. Apoio: Abividro, The Glass House, Eames Foundation, Farnsworth House, Museu de Arte de São Paulo – Masp e The Getty Foundation. Coordenação: Eloisa Mara e Giovanni Pirelli. Equipe Acervo: Marcella Carvalho e Carolina Tatani. Assistência curatorial: Larissa Guimaraes e Roberto Leggeri. Design gráfico: Tresdesign. Maquetes: José Renato Dibo (coordenação), Isadora Romano Leoncio e Gabriel Bráulio Botasso. Fotos: Marina D'Imperio. Copyrights: Avery Library – Columbia University / Centro Studi e Archivio della Comunicazione de Università degli Studi di Parma / Eames Foundation / Instituto Lina Bo e P.M. Bardi / Acervo Library of Congress / Museu de Arte de São Paulo / The Getty Research Institute / The Glass House and National Trust for Historic Preservation.

sobre o autor

Renato Luiz Sobral Anelli, arquiteto e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, curador da exposição “Casas de vidro”.

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