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research

magazines

architectourism ISSN 1982-9930

Vista de Madri a partir do Faro de Moncloa. Foto Victor Hugo Mori

abstracts

português
Exercício realizado pela organização "La Aventura de Aprender" em Madrid, Espanha desde 2010, em homenagem à ativista e urbanista norteamericana Jane Jacobs, realizando ações e passeios em cidades ao redor do mundo.

english
An exercise planned by the organization "La Aventura de Aprender" in Madrid, Spain since 2010, in honor of the American activist and urban planner Jane Jacobs, carrying out actions and walks in cities around the world.

español
Ejercicio realizado por la organización "La Aventura de Aprender" en Madrid, España desde 2010, en homenaje a la activista y urbanista norteamericana Jane Jacobs, realizando acciones y paseos en ciudades alrededor del mundo.


how to quote

JIMÉNEZ, Susana. Como fazer um passeio de Jane? Arquiteturismo, São Paulo, ano 14, n. 166.01, Vitruvius, jan. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/14.166/8058>.


[tradução de Oscar Eduardo Preciado e Clara Luiza Miranda]

Quem faz este guia (1)

O passeio de Jane faz parte da iniciativa de Jane's Walk (2), que visa homenagear a ativista e urbanista Jane Jacobs realizando ações e passeios de cidades ao redor do mundo, para recuperar as ruas como um espaço público de coexistência e encontro entre os cidadãos.

Susana Jiménez, música, filósofa e doutora em história da arte, promove e coordena esta experiência em Madri (3) desde 2010. Cada primeiro fim de semana de maio, grupos de vizinhos e pessoas interessadas em planejamento urbano e redes de vizinhança se organizam em assembleias abertas para celebrar esta atividade, que consiste em caminhar pelas ruas dos diferentes bairros propostos, e relatar o que neles está acontecendo, seja em relação às questões de planejamento urbano, habitação, eventos, recuperação da memória coletiva etc.

Introdução

O passeio urbano coletivo constitui-se uma oportunidade para transformar a cidade em algo que pode ser amado e ressignificado:

“Observe atentamente as cidades reais. Ao fazer isso, escute, concentre-se e reflita sobre o que está vendo” (4).

Uma vez tivemos nosso primeiro encontro em uma Gran Vía (5) que comemorou seu centenário em 2010, descobrimos muitas experiências ao longo do Passeio de Jane: nós vimos, ouvimos, assistimos, narramos e sentimos diferentes bairros e distritos de Madri (Lavapiés, Carabanchel, Latina, Tetouan, Cañada Real Galiana, Arganzuela, Vallecas, Chamberí, Malasaña) aprendendo e discutindo sobre o planejamento urbano, habitação, herança, mercados de alimentos, hortas urbanas, a memória histórica, centros sociais, entre muitos outros temas, sempre a partir da convicção de que a rua é um espaço de reunião pública para ser reivindicado e que as cidades podem ser feitas e habitadas de diversas formas.

O Passeio de Jane em Madri começa sua jornada inspirada no Jane’s Walk, que surgiu em Toronto como uma homenagem à urbanista e ativista Jane Jacobs (1916-2006). Esta iniciativa visa implementar o planejamento urbano no nível da rua, defendido por Jane Jacobs através de caminhadas cujo principal objetivo é o encontro de vizinhos e vizinhas.

Nestes passeios não só atravessamos bairros e ruas, mas propiciamos e provocamos o diálogo entre os que caminham valorizando a própria experiência daqueles que habitam as cidades:

“Os processos que ocorrem nas cidades não são misteriosos, passíveis da compreensão somente por especialistas. Podem ser compreendidos por quase todo o mundo. Várias pessoas comuns já os compreendem; acontece que elas não lhes deram nomes ou levaram em conta que, ao compreender esses esquemas triviais de causa e efeito, podemos também dar-lhes direção, se quisermos” (6).

Essa ideia de que qualquer um sabe muito mais planejamento do que acreditamos surge em Madri: o Jane's Walk se rege por código aberto e está pronto a ser realizado e replicado. Só precisa de um grupo de pessoas abertos à participação e dispostos a organizar passeios pela rua, e que a data coincida com o aniversário da homenageada, Jane Jacobs, em 5 de maio.

Cada vez somos mais os que pensamos que as decisões sobre como são ou deveriam ser nossas cidades não envolvem apenas aqueles que exercem um grau ou um cargo que avalize um conhecimento especializado, mas entendemos que isso é algo que abrange a todos nós, não só em suas consequências, mas também em suas gestações e suas decisões. Aqueles de nós que moramos nas cidades não somos indivíduos isolados uns dos outros, indiferentes ao que acontece em nossas ruas e bairros. Nem assumimos como inevitável que as cidades sejam hostis, inabitáveis. Nem somos impotentes diante do que acontece nas cidades. Passear com os outros pode ser uma maneira direta de saber o que acontece conosco nessas ruas em que andamos e que outras possibilidades foram dadas ou podem ser dadas, como uma ferramenta para mapear coletivamente, e de maneira compartilhada, nossos bairros e nossas cidades. Sendo passeios coletivos, eles compartilham e constroem memórias e desejos, planejando histórias ávidas de poder de ação coletiva e, portanto, capazes de ressignificar e transformar-nos.

Cada vez somos mais aqueles que nos sentimos parte de 'The Jane's Walk', uma rede de caminhantes que tem se tornado cada vez mais extensa, formada tanto pelos envolvidos nos passeios como aqueles que se atrevem a se organizar em seus bairros, algo que em Madri é feito em uma assembleia de forma aberta. Esta é precisamente a característica que nos diferencia.

Não possuímos uma organização fixa, não existe um coletivo definido responsável pela organização dos passeios, mas apostamos que seja um processo e uma ferramenta na qual qualquer pessoa pode participar. Esta é a razão pela qual queremos participar nestes guias que são "A Aventura da Aprendizagem". Entendemos que estes passeios coletivos e esta organização aberta e compartilhada já denotam uma implementação de outras maneiras de fazer cidade, quando nos vinculamos a participar dessas experiências como habitantes da cidade, atravessando-a com aqueles que moram nela. Ao caminhar com os outros, as ruas que costumamos percorrer indiferentes, como se fossem um mero transitar e locais de passagem forçada para ir de um lugar a outro, recuperam sua significância. Os rostos que encontramos diariamente ganham em profundidade. Ao andar com os outros, a cidade é mais nossa.

Materiais

Pessoas

Precisamos de pessoas: diversas pessoas para tecer redes no bairro durante a preparação e realização da rota.

Localização

Espaço físico: qualquer espaço onde possamos planejar o caminho que vamos percorrer. Um bairro para fazer a caminhada: decidir coletivamente onde queremos fazer a rota.

Material técnico

Planos e mapas: contendo o desenho do percurso planejado, o cronograma e informações sobre os pontos relevantes que queremos destacar.

Caderno de notas: para escrever tudo o que tem de interessante e que se comentará no percurso.

Calçados e roupas confortáveis: caminharemos algumas horas, por isso é conveniente estarmos confortáveis; e, dependendo do clima, teremos que pegar o que for preciso para nos proteger do sol ou da chuva.

Megafone: (opcional) para casos de reuniões de muitas pessoas uma vez que é difícil ouvir bem.

Câmera de fotos: (opcional) pode ser a câmera do celular, para documentar tudo o que observarmos durante a caminhada.

Comunicação digital

Blog ou web: (opcional) para documentar as rotas que tomarmos e para abrirmos um espaço de contato digital para os interessados em fazer suas próprias caminhadas a partir da experiência de Jane.

Redes sociais: (opcional) para difundir as experiências de cada rota, no caso de que mais pessoas queiram se adicionar durante a caminhada, e assim compartilhar o que estamos vivendo.

Passos

Ao longo deste guia, detalhamos como podemos traçar e realizar o passeio de Jane em Madri. Não é a única maneira de fazer isso. Os passeios de Jane são muitos, em lugares diferentes e de maneiras muito diferentes. Nossa aposta é tentar que o passeio seja o mais participativo e aberto possível, procurando que no próprio tecido de cada viagem seja evidente e praticado o que está interligado com os bairros e cidades nas quais habitamos, bem como com aqueles que os compartilham.

Para começar: procurar parcerias

Embora a tradição e a história do andarilho solitário (como o flâneur de Baudelaire) sejam longas, um passeio de Jane é sempre uma ação coletiva. Portanto, o primeiro passo a ser dado, se quisermos fazer uma caminhada de Jane, é procurar parceiros. Uma maneira eficaz de fazer isso é convocar uma primeira reunião de pessoas que possam estar interessadas.

Essa primeira chamada deve ser feita com o tempo, podemos envolver diversas pessoas e tecer redes na vizinhança ou no distrito durante a preparação e a conclusão real da caminhada. Se nos propusermos a fazer a caminhada de Jane nas datas habituais (primeiro fim de semana de maio), esta primeira reunião será conveniente no final de janeiro ou no início de fevereiro.

Como convocar este primeiro encontro? Recorrendo às diferentes redes disponíveis: informando amigos ou pessoas conhecidas que sabemos que compartilham o interesse pelo que acontece em um determinado bairro ou na cidade em que vivemos; e difundindo as ações pelas redes sociais, permitindo assim que o inesperado surja no encontro com pessoas desconhecidas, que compartilham nossas curiosidades e até mesmo nossos interesses.

Este primeiro encontro é uma oportunidade para conhecer aqueles que querem se envolver na organização do passeio e propor quais áreas de um determinado bairro ou distrito cada um considera interessante para caminhar, bem como quais tópicos são considerados importantes para começar a decidir coletivamente onde ou sobre o que importa prestar atenção. Embora seja importante medir bem as forças, não tenha medo se a afluência de pessoas não for grande na primeira reunião.

A convocação com antecedência permite que com o passar das semanas mais vizinhas e vizinhos, mais coletivos, associações e espaços se interessem em participar das reuniões preparatórias, pois a proposta é conhecida de boca em boca. Esse "boca a boca" é uma das tarefas mais importantes, bem como um recurso muito valioso para a caminhada de Jane. As reuniões que se seguem a esta primeira são preferíveis a serem estabelecidas com uma periodicidade e um cronograma tão estáveis quanto possível, a fim de facilitar tanto a chamada quanto a sua disseminação.

Onde: no bairro

Você pode decidir coletivamente na primeira reunião, em quais bairros fazer a caminhada, ou desde a primeira convocação: se queremos fazer um passeio em torno do nosso bairro, podemos convocar desde o início aqueles interessados ​​apenas na organização e na realização da caminhada nessa área. Não é necessário residir exatamente no bairro pelo qual queremos caminhar.

Quanto à iniciativa, pode surgir do próprio local, a fim de divulgar o que acontece no bairro, para estabelecer ligações entre as pessoas, associações e grupos que nele habitam, ou para dar visibilidade a qualquer situação relacionada ao urbanismo.

É possível também escolher uma outra área da cidade, mesmo não sendo morador dela, porque existem situações consideradas significativas. Neste segundo caso, se não quisermos agir como meros turistas, a primeira tarefa a fazer é procurar por parceiros dentro do bairro, com interesse de dar um passeio.

Outra maneira de decidir sobre um bairro, um distrito ou uma área específica pode ser dada pelo interesse de investigar e compartilhar sobre um assunto específico:

  • políticas urbanas;
  • memória histórica;
  • mobilizações de bairro;
  • mobilidade e acessibilidade;
  • espaços públicos;
  • infância e cidade;
  • questões de gênero;
  • segurança e vigilância;
  • herança;
  • gentrificação;
  • mercados de suprimentos;
  • centros sociais etc.

Se o grupo começar a organizar a caminhada com bastante antecedência será capaz de ajustar a localização, e poderá ir à procura de informações e colaboradores que habitem nesses lugares, bem como ir em busca de especialistas sobre as questões sobre as quais pretendemos tratar, dando-lhes tempo para deixá-los ir se envolvendo na triagem do passeio.

A escolha do ponto de partida para preparar a viagem é importante. Idealmente, deve estar na mesma área em que você quer fazer a caminhada, além de ser confortável e acessível. Pode ser um espaço de alguma associação ou coletivo (associações de moradores, locais de vizinhança, centros sociais, mercados de abastecimento ou centros culturais), ou qualquer lugar que, frequentado pelos vizinhos da área, facilitará a divulgação da organização da caminhada (a chamada boca a boca).

Desta forma, aqueles que gerenciam ou frequentam esses locais também estarão envolvidos no projeto, visando as paradas obrigatórias durante o percurso das caminhadas. É uma forma de agradecer nossa passagem por lá, além de tornar visível a significância desses espaços no local.

Quem: qualquer um

Em uma caminhada de Jane qualquer um pode participar, quem mora em uma cidade pode compartilhar suas experiências. Aqueles de nós que moramos na cidade conhecemos o urbanismo, a história, a evolução das ruas e lojas, parques e espaços públicos, mesmo que não tenhamos consciência disso. Isso favorece enormemente a diversidade entre os que participam.

No entanto, essa diversidade não precisa ocorrer por si só, muito pelo contrário. Por inércia, tendemos a nos reunir com aqueles que compartilham afinidades e amizade. Isso oferece uma perspectiva muito limitada de tudo o que acontece em uma cidade, em um bairro. A cidade está cheia de pessoas muito diferentes, com experiências, conhecimentos, situações e opiniões muito diferentes. E toda essa diversidade pode ser conveniente durante um passeio.

A ideia é que, durante a caminhada e durante a organização da mesma cada um contribua com suas próprias experiências e seus conhecimentos; experiências e conhecimentos que não precisam ser unânimes, embora possam ser afetados, enriquecidos, contrastados ou mesmo modificados ao serem compartilhados com os outros.

Uma experiência pessoal que um vizinho ou uma vizinha tem da sua situação, por exemplo, em relação à própria casa ou às praças de seu bairro, ganha nuances e complexidade quando compartilhada com planejadores urbanos (e vice-versa), com grupos focados no problema de habitação, como o PAH (7), com pessoas dedicadas à Sociologia ou à História, e com outros vizinhos que enfrentaram o mesmo problema e que o resolveram (ou não) de maneiras diferentes. Mesmo alguém que não vive o problema do despejo na sua própria pele, nem seja um especialista no campo, pode fornecer uma abordagem inesperada para ajudar a ver ou entender o que está acontecendo.

Uma das tarefas mais importantes ao fazer um passeio de Jane é ir à procura de pessoas que podem contar ou contribuir para com a caminhada, desde o vizinho de 80 anos que morou toda a sua vida no bairro, até o comerciante que acabou de abrir um novo comércio, o arquiteto que conhece todas as regras e todos os excessos e o grupo que está tentando abrir ou consolidar um espaço de reunião no bairro.

Aliás, se existirem também experiências ou opiniões diferentes no mesmo lugar, conflito ou situação, muito melhor. Não é preciso concordar em tudo, a mesma situação pode ser vivida de maneiras muito diferentes e com opiniões muito diferentes. Os processos e relacionamentos são sempre complexos.

Tornar esta complexidade que atinge nossas cidades e fazê-la explícita dentro de um quadro que facilite o diálogo e a diferença, sem forçar o consenso não é fácil, embora seja inestimável se queremos fugir de leituras simplistas e maniqueístas sobre o que acontece nas ruas e nos bairros que habitamos.

Trabalho de campo: passear (8), perguntar, ouvir

Esse rastreamento de pessoas interessadas ou que podem achar interessante participar do passeio é uma das várias tarefas do trabalho de campo que a organização de uma caminhada requer. Se você estiver curioso sobre a cidade em que mora, pode ser realmente emocionante.

Durante os meses que antecedem o passeio, deve ser delineada entre aqueles que estão envolvidos na organização, a rota a ser percorrida, o que vai ser falado e quem falará (sempre deixando tempo para o imprevisto e para quem participa do passeio, embora não esteja envolvido na organização do mesmo, pode se juntar à narração). Para isso é necessário andar por aí, investigar e fazer muitas perguntas para aqueles que conhecemos e também para estranhos:

  • o que havia antes neste sítio ou neste lugar?
  • este edifício antigo é de quando? tem algum tipo de valor patrimonial?
  • qual é a situação do mercado mais próximo?
  • quais associações ou grupos estão ativos ou estão na vizinhança?
  • quais centros sociais ou culturais existem na área?
  • que demandas estão sendo feitas agora?
  • o que gostamos ou não gostamos de ver quando caminhamos pelas ruas do nosso bairro ou da nossa cidade?
  • que lugares frequentamos ou evitamos?
  • o que gostaríamos de mudar e o que gostaríamos de manter?
  • o que sabemos sobre a história do nosso bairro?
  • quando e como eles têm traçado as ruas?
  • onde e quantas áreas verdes existem?
  • o que está acontecendo aqui acontece em algum outro lugar da cidade?
  • e em outras cidades?

E muitos outros que, sem dúvida, surgirão durante as semanas preparatórias ou que estiveram conosco por algum tempo enquanto viajávamos por certos lugares.

JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane?, p. 9
Imagem divulgação

Conhecimento e experiências: pesquisa e compartilhamento

Todas essas questões que podemos nos perguntar, tudo o que estamos investigando ou estamos descobrindo, junto com o que cada um já sabe de antemão, está formando uma enorme quantidade de informações de grande valor. O que é narrado e como a cidade é narrada, faz a cidade. Como nomeamos, como nos parecemos e como tecemos histórias e interagimos com a cidade.

A construção da subjetividade coletiva traça ruas tanto quanto, ou mais do que os planos e objetivos projetados nos escritórios. Tudo quanto vemos, sentimos e pensamos ao transitar pela cidade, faz-nos estabelecer um certo vínculo com ela e com aqueles que a habitam. É por isso que é tão importante compartilhar o que está sendo pesquisado, rastreado, descoberto e desenvolvido durante a organização de uma caminhada, experiências, afetos e conhecimentos, para traçar coletivamente a cidade que temos e as cidades que queremos.

Além das assembleias que são convocadas para preparar o passeio, outras formas de compartilhar tudo isso podem ser: redes sociais, um site ou um blog (no nosso caso, usamos o blog elpaseodejane.wordpress.com). Neles, é possível fazer upload de ambas as convocatórias (próprias e outras), as informações dos espaços e bairros que estão planejados para visitar e que estão sendo investigados, artigos de alguns dos participantes na organização do passeio ou estudiosos sobre os tópicos que estávamos interessados em lidar, bem como reflexões, entrevistas, propostas, etc.

Como o tempo para fazer o passeio em si é limitado, o que significa que durante o mesmo tempo apenas pinceladas podem ser fornecidas nas questões mais complexas (e quase todas são), vale muito a pena usar esses recursos que permitem não perder todas essas informações que estão sendo coletadas.

Redes dentro e fora do bairro

Um aspecto importante a ter em consideração ao organizar e dar um passeio dentro de um bairro é que o que acontece ou aconteceu, por mais particular, singular ou pessoal que possa ser, nunca é isolado do resto da cidade e mesmo do mundo, nosso mundo globalizado.

Ter a consciência disso no momento de investigar e analisar, cria perspectiva e riqueza no que se refere à compreensão de fatos e experiências, ao mesmo tempo em que fornece conhecimento que possibilita encontrar causas, escapar das impotências e inclusive, propor opções ou alternativas para o que está acontecendo.

Essa perspectiva mais ampla ajuda a levar, além das fronteiras do bairro ou da área escolhida, a rede de vizinhos, grupos, associações, espaços, pessoas especializadas, ativistas ou curiosos, que vai se formando enquanto a caminhada é organizada. Uma ferramenta muito interessante e poderosa para usar é fazer reuniões entre as diferentes assembleias, no caso em que vários passeios estejam sendo preparados simultaneamente em diferentes bairros ou áreas da mesma cidade.

Esse intercâmbio entre assembleias permite-nos olhar quais entre os tópicos, que nos interessam, se repetem nos diferentes bairros, bem como partilhar informação recolhida e diferentes formas de agir em determinadas situações. Talvez um problema que está ocorrendo em um bairro tenha surgido anteriormente em outro e possa ser aprendido com a experiência adquirida (os mercados de fornecimento, para dar um exemplo, estão em processo de mudança e as soluções que estão sendo propostas por cada um deles é diferente conforme os resultados que estão sendo alcançados).

É possível também convidar para reuniões prévias, pessoas fora do bairro envolvidas em questões que estão sendo tratadas ou investigadas. Não se esqueça que esses encontros ocorrerão espontaneamente durante o passeio em si, quando pessoas que não participaram da própria organização aparecerem e, mesmo que venham a escutar, sempre terão muito a contribuir (qualquer um de nós sabe sobre sua cidade mais do que pensamos).

Daí a importância de deixar espaço para o diálogo no cálculo dos tempos e horários. Mas se quisermos lidar com alguns tópicos mais profundamente, é melhor promover ver e falar antes do dia da viagem.

Divulgação

A divulgação desempenha um papel importante, a fim de que quem quiser participar descubra o passeio, que estamos preparando para gerar uma difusa e ampla rede de pessoas e grupos interessados ​​e envolvidos no que acontece em seu bairro e sua cidade. Difundindo nas redes sociais e blogs ou site as datas das reuniões e caminhadas preparatórias, os tópicos que estão sendo pesquisados ​​ou desenvolvidos, os lugares que estão se descobrindo e planejamento para visitar, fomenta o interesse no que está sendo organizado.

Também é aconselhável divulgar antecipadamente os dados exatos da viagem em si, conforme forem definidos:

  • as datas;
  • quais bairros ou áreas;
  • quais rotas;
  • quais os horários (tanto de início como de fim, bem como estimativas de cronogramas intermediários).

Quando a chamada estiver bem definida é hora de recorrer a e-mails e listas de contatos. Cartazes também podem ser colocados no bairro onde o passeio será realizado. É muito útil que os próprios cartazes sejam mapas da rota com as informações essenciais da chamada (horários, paradas) e que esses mesmos mapas sejam acessíveis através do blog ou das redes sociais, para que qualquer um possa, além de saber o objeto da atividade, juntar-se a qualquer momento.

Durante o desenvolvimento do passeio em si, poderão ser usadas as redes sociais para narrar e capturar o que acontece com as imagens, frases curtas e informações sobre onde você está a cada momento. Isso será útil mais tarde para documentar o desenvolvimento da atividade.

A imprensa pode ser outro meio de divulgar o passeio, especialmente a imprensa local, sejam jornais em papel ou digitais, ou estações de rádio. Rádios comunitárias ou jornais de bairro são um recurso valioso e próprio para alcançar vizinhas e vizinhos que não aprenderam por outros meios, sobre a viagem programada. No entanto, a imprensa estará mais interessada em assistir quando a rota já estiver definida, bem como os horários, o que será dito e mostrado através de alguma imagem que represente a atividade (de preferência um mapa com as informações essenciais), para não causar confusão e dar informações claras e precisas sobre a viagem.

Sempre que se for divulgar a informação é muito importante cuidar de alguns espaços ou grupos que estão em situação de perigo ou conflito. É possível que nem todos os lugares que serão visitados sejam divulgados com antecedência, pois poderão ser colocados em risco espaços ou pessoas frágeis antes de visitas e encontros indesejáveis. A melhor coisa nesses casos é concordar em como lidar com esses espaços e pessoas.

Financiamento

Nosso blog do Passeio de Jane é gratuito. Isso porque decidimos não depender do dinheiro para fazer nossos passeios. Não pedimos subsídios ou contribuições, não iniciamos microfinanciamento nem somos cobrados a comparecer. Não precisa ser sempre assim, nem precisa ser a melhor opção.

No nosso caso apostamos até agora porque cada um contribui com o que pode saber ou fazer, com seu tempo e paciência, suas habilidades e sua generosidade: quem quer escrever, escreve, quem quer falar, fala, se há quem queira assumir para publicar no blog ou para se espalhar pelas redes sociais, que o façam. Algumas pessoas preferem e gostam de conversar com vizinhos e desconhecidos ou até fazer uma pesquisa do local. Os mapas serão desenhados por aqueles que se oferecerem. Quem puder e quiser fará a digitalização e a impressão dos folhetos que serão distribuídos.

Se o grupo não dispuser de um sistema de endereço público para o dia da viagem, é possível acudir a qualquer grupo que disponha e possa compartilhá-lo. Esse tipo de gesto também ajuda a continuar tecendo a rede com outros e outras. E se há pessoas que não puderem contribuir, ou não quiserem, elas não serão obrigadas. Faz-se o que puder com os recursos disponíveis.

A experiência trata de realizar um passeio de caminhar como uma atividade lúdica, sem importar quão reivindicativa possa ser. Não trabalhar com dinheiro significa que ninguém receberá pagamento ou recompensa. Por um lado, a ideia é poder começar um passeio sem ter que recorrer ao dinheiro, sem essa exigência. Mas, por outro lado, isso denota que aqueles que não têm recursos e tempo suficientes para sua subsistência, podem não conseguir se dedicar tanto quanto gostariam aos fins de organizar o passeio.

Como a precariedade se tornou uma situação generalizada, é preciso entender essas situações e não demandar daqueles que não podem, ou não querem, dar mais do seu tempo. Uma solução poderia ser procurar fundos para pagar o responsável pela organização da caminhada, embora no nosso caso, entendemos que isso poderia causar mais inconvenientes do que benefícios, criando barreiras e impedindo a abertura completa que possuiria o Passeio de Jane. Por que:

  • quem receberia e quem não?
  • haveria um número de assembleias para atender a coleta?
  • como valorizar empregos, conhecimentos e experiências tão diferentes de uma maneira justa?
  • como colocar um preço em algo que delineamos entre e por todos nós que habitamos uma cidade?

Certamente existem maneiras de fazer isso, no entanto, como foi mencionado, nossa aposta tem sido não usar o dinheiro. E, até agora, estamos contentes por termos tomado essa decisão.

JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane?, p. 15
Imagem divulgação

Mapas no nível da rua

Para traçar a rota, à medida que os problemas são delineados e os locais a se visitar são definidos, é essencial trabalhar com mapas no nível da rua. Os mapas são de grande ajuda para escolher trajetos. Esses instrumentos podem até nos fazer ver lugares não mencionados a princípio, assim como pode se descobrir que neles não aparecem alguns dados, aspectos ou espaços que podem ser invisíveis (os mapas não são neutros). Sem dúvida, os mapas são uma ótima ferramenta para otimizar tempos e passeios que podemos encontrar em diferentes formatos.

Muito confortáveis são os mapas que vêm dentro dos guias telefônicos obsoletos. As páginas desses guias que aparecem nos planos e no arruamento (9) da cidade não custam nada, são simples de se transportar (podemos recortar as páginas que nos interessam) e nos permitem, além de anotá-las, consultar coletivamente um mapa na hora de não dispor de conexão com a internet, projetor ou computador em mãos.

Com um mapa em mãos, com certeza os pontos de interesse vão se multiplicar. Quanto mais se conhecer um bairro ou uma cidade, mais lugares e pessoas nos interessam. É por isso que é tão importante sair, passear e calcular quanto tempo é preciso investir para os diferentes caminhos que estão sendo planejados. Embora ao rés do chão, é provável que chamem a nossa atenção outros pontos que forem negligenciados, sair para pesquisar as rotas nos ajudaria a ser realistas com os tempos e as distâncias.

Outro fato a ter em mente é que as paradas, que serão feitas, sejam viáveis: que os caminhantes se encaixem sem invadir a estrada e que a duração das paradas não seja excessiva (estar de pé fatiga, tanto quanto ou mais do que andar) e se acharmos onde podemos nos sentar, muito melhor. Esses aspectos são importantes para levar em consideração, já que podem nos ajudar, quando planejarmos, a escolher entre diferentes paradas, além de algumas distancias aceitáveis.

É conveniente parar no local mais confortável e de lá mencionar outros pontos ou situações relacionadas que, por questões de tempo, não permitem a visita. Se o conforto não é o critério primordial que pode nos ajudar a decidir, pode se escolher o lugar mais emblemático ou que melhor mostra o que se quer contar na rua.

Estas saídas com o mapa na mão, são muito mais produtivas e interessantes fazê-las em grupos para decidir coletivamente, embora também podem ser feitas individualmente, para quem não conheça o bairro e tenha o interesse de entender o que está se propondo para o passeio.

Calcular horários

Uma tarefa a ser executada antes da viagem consiste no cálculo dos tempos e horários. Estas saídas anteriores com mapa em mãos servem para nos dar uma ideia das distâncias e dos tempos. Mas uma vez que a rota esteja decidida, é o tempo de cronometrar, uma tarefa que pode ser feita individualmente.

Na hora de calcular os tempos, é importante não esquecer que não se caminha na mesma velocidade de forma isolada, num pequeno grupo ou num grande grupo. Além disso, a possibilidade de caminhar sem pressa facilita o diálogo entre os que andam. Devemos levar em conta dois aspectos fundamentais:

  • como e onde atravessar estradas,
  • onde estão as faixas de pedestres e os semáforos, sempre procurando os caminhos mais acessíveis para que as pessoas de diferentes idades e mobilidades possam desfrutar da caminhada.

A generosidade com os tempos e a segurança das viagens nos ajudará a fazer o passeio sem aborrecimentos nem pressa: quando o grupo que caminha é numeroso, os incidentes acontecem (falta de espontaneidade, paradas inesperadas, algum contratempo, algum encontro inesperado).

Durante o desenvolvimento do passeio, o cumprimento dos horários é geralmente uma das razões de maior estresse. Devemos também calcular previamente o tempo de duração de cada parada, considerando que ficar em pé geralmente é cansativo. É aconselhável não abusar da paciência e das pernas daqueles que ouvem.

E se colocarmos algumas paradas em lugares onde seja possível, mais ou menos, sentar-se ou acomodar-se, agradaremos a todos os participantes.

Quando temos os tempos e horários calculados, podemos anunciar quanto tempo dura toda a caminhada e indicar pontos intermediários para quem não poder ou não quiser fazer a viagem toda. Estes cálculos também permitem que aqueles que vão falar nas diferentes paradas não tenham que fazer todo o percurso. Por vezes os percursos são muito exigentes, por vezes os que vão guiar o passeio estão no seu local de trabalho, ou são mais velhos, ou qualquer outra circunstância que poderia ser dada e que deve ser sempre considerada.

Quanto? Distância, tempo, dificuldade

A duração, a distância, o número de paradas são decisões que precisam ser tomadas quando o passeio é elaborado coletivamente. Durar algumas horas, ocupar uma manhã ou se desenvolver ao longo do dia, é um fato que depende de quanto e como queremos relatar o passeio. É melhor evitar que a razão pela qual uma caminhada seja prolongada se deva ao desejo de mostrar muito do mesmo.

Saber como concretizar e sintetizar evitará que nossa caminhada se torne entediante. No caso do Passeio de Jane em Madri, é certo que realizamos passeios que atravessaram grandes distâncias durante todo o dia. A razão para isso foi mostrar como o urbanismo muda em todo o território e conhecer a evolução da cidade: por exemplo, em 2012, percorremos a Cañada Real Galiana, uma rua única de 16 quilômetros, em 2014 fomos de Vallecas a Cañada, passando por El Ensanche e Los Berrocales, ou em 2015, quando passamos pelo distrito de Arganzuela.

JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane?, p. 16
Imagem divulgação

Estes passeios são exigentes, têm um enorme interesse e nos fazem sentir diretamente, em nossos corpos e em nossa caminhada, as dimensões e as diferentes conformações da cidade em que vivemos. O problema é que nem todo mundo pode cobri-los em sua totalidade. No entanto, se os tempos são atendidos, bem como os horários aproximados, os dados e informações a cada momento (indicando, se houver, os pontos de metrô e ônibus mais próximos), será possível ser incorporado ou deixar a caminhada a qualquer momento, facilitando a participação de mais pessoas. É importante não esquecer de informar a data da viagem, a dificuldade do passeio, as distâncias, os lugares e tempos.

  • • se optamos por uma caminhada de várias horas, na hora dos cálculos dos tempos é importante considerar os momentos para comer, descansar ou ir ao banheiro;
  • • devemos pensar a possível participação de crianças, de pais com carrinhos, de pessoas com diversidade funcional, alertando para a dificuldade da viagem de cada caso específico.

Além disso, é importante se lembrar de usar sapatos e roupas confortáveis ​​e, se for necessário, se proteger do sol ou da chuva, dependendo da previsão do tempo. Se morarmos em uma cidade onde as fontes de hidratação são escassas, teremos que levar água (quem organiza a viagem pode trazer água para compartilhá-la).

Além disso, é sempre bom ter localizados os banheiros que estão no caminho ou perto dele. Dependendo da duração da viagem e da hora desta, as refeições são outro fator a se considerar no período da organização: na hora do almoço, é aconselhável informar antecipadamente para que todos possam comer alguma coisa. Também pode se aproveitar para organizar uma refeição comunitária em algum lugar da rota, bem como prestar atenção em onde comprar comida ou bebida durante o passeio, se for necessário.

Durante o passeio

Para o bom desenvolvimento do passeio, durante o mesmo e em seus momentos anteriores, é preciso a execução de algumas tarefas para o compartilhamento com aqueles que participaram da organização. Aqui listamos algumas delas:

distribuir os folhetos-mapas com a rota e a informação do roteiro, que serve também para acolher quem chegar;

• transportar o sistema de endereço público;

• trazer as imagens que estiverem programadas para mostrar na caminhada (por exemplo, de lugares ou edifícios que já não existem ou foram modificados), impressos ou em algum dispositivo (em algumas ocasiões fizemos projeções aproveitando a visita a algum espaço fechado para se ter o equipamento necessário);

• trazer água para compartilhar;

• anotar os números de telefone de todos quem estão organizando a viagem, para que possamos nos localizar rapidamente em caso de eventualidade;

• anotar os números de telefone de quem vai falar nas diferentes paradas, especialmente se eles não farão toda a caminhada e em algum momento esperá-los para avisá-los de possíveis atrasos ou avanços (e vice-versa);

• tome cuidado para que ninguém no grupo de transeuntes se distraia (10) ou que o grupo se fragmente. não é tão estranho, porque na cidade depende dos semáforos e dos diferentes obstáculos para atravessar os logradouros. cuide dos horários e das velocidades na hora de andar;

• apresentar a atividade e quando ela começará;

• moderar e incentivar o diálogo;

• tome cuidado para que as programações estimadas sejam atendidas;

• contar como a atividade está sendo desenvolvida através das redes sociais;

• dar algum contato para coletar fotos, desenhos ou outros materiais que possam ocorrer;

• fotografia;

• fazer anotações.

Depois do passeio: histórias diferentes, visuais diferentes. Autoavaliação.

Depois da caminhada, uma boa tarefa que aqueles que participaram e aqueles que não puderam comparecer apreciam, é coletar o dia vivido através de histórias e imagens. Normalmente, haverá várias pessoas que terão fotografado a caminhada, além das que fizeram upload de fotos nas redes sociais.

É menos frequente, embora também possa ocorrer, relatos daqueles que escrevem uma crônica ou uma história sobre o passeio. Reunir textos e imagens seguindo o traçado da caminhada em si é uma ótima forma de compartilhar o que foi vivido, respeitando a pluralidade das aparências e sentimentos presentes. O blog ou a web são um meio apropriado para isso. Também é interessante que alguns dias após o passeio, aqueles que participaram da organização se juntassem para compartilhar e contrastar impressões: o que pensamos que funcionou e o que não funcionou, o que mudaríamos, o que repetiríamos, etc. Esse tipo de autoavaliação pode ser enriquecedor, aprimorando o conhecimento experiencial compartilhado e ajudando a enfrentar futuras caminhadas ou outros tipos de atividades coletivas.

Resumo

JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane?, p. 21
Imagem divulgação

1. Primeiros passos: fazer parcerias, Onde: no bairro, Quem: qualquer um

2. Sobre o bairro: Trabalho de campo, conhecimento e experiência, criar redes.

3. Divulgação

4. Dinheiro?

5. Preparação: mapas no nível da rua, calcular horários, distância, tempos, dificuldade.

6. Passear...

Dicas

  • dialogar de tudo com todos: conversar e ouvir pessoas muito diferentes tentando não prejulgar;
  • anotar: aproveitando o que aprenderemos durante a jornada;
  • percorrer as ruas com os olhos e ouvidos bem abertos: para que a experiência seja tão enriquecedora quanto possível, devemos ir sem prejulgamentos, como se fosse a primeira vez que passássemos pelo nosso bairro;
  • respeitar as diferenças: precisamos ser pacientes quando surgirem discrepâncias e tomar cuidado com a diversidade de opiniões;
  • medir bem os tempos e distâncias: para que todos se sintam à vontade durante a viagem e tenhamos energia para toda a jornada;
  • propiciar a qualquer um participar e falar: convidando diversas pessoas com diferentes conhecimentos e experiências, alcançaremos um grupo mais enriquecedor;
  • divulgar a atividade no bairro: comunicando a atividade com bastante antecedência, conseguiremos envolver mais pessoas da vizinhança onde vamos fazer a viagem;
  • compartilhar o conhecimento: grupos de contato e pessoas interessadas ou envolvidas nos assuntos ou lugares com os quais queremos lidar;
  • não assumir mais tarefas das que podem ser feitas: as energias são limitadas e não devemos nos ultrapassar, porque o importante é aproveitar a experiência que teremos.

Recursos

El paseo de Jane por Lavapiés, 2011 <https://www.youtube.com/watch?v=EqnyDa4o3BI>.

El paseo de Jane por L a Cañada Real Galiana, 2012 <https://vimeo.com/57052136>.

El paseo de Jane por Arganzuela, 2015 <https://www.youtube.com/watch?v=rgKzzC6yRTg>.

El paseo de Jane por Chamberí, 2016 <https://www.youtube.com/watch?v=FblVQ1VpKlI>.

Mujeres trabajando. Guía de reconocimiento urbano con perspectiva de género. Col·lectiu punt 6, Comanegra, 2015.

GONZÁLEZ, Miquel Fernández. Matar al Chino. Entre la revolución urbannística y el asedio urbano en el barrio del Raval de Barcelona. Barcelona, Virus, 2014.

ICONOCLASISTAS (RISLER, Julia; ARES, Pablo). Manual de mapeo colectivo. Madri, Tinta Limón, 2013.

SOLNIT, Rebecca. Una historia del caminar. Madri, Capitán Swing, 2015.

SORANDO, Daniel; ARDURA, Álvaro. First We Take Manhattan. Gentrificación de centros urbanos. Madri, Catarata, 2016.

JIMÉNEZ CARMONA, Susana; USEROS, Ana (Org.). El paseo de Jane. Tejiendo redes a pie de calle. Madri, Modernito Books, 2016.

Capa de JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane?
Imagem divulgação

notas

NA – Este escrito constitui uma versão em português autorizada por de Susana Jiménez, autora original da guia, exercício realizado pela organização La Aventura de Aprender, Espanha desde 2010. Original em espanhol: JIMÉNEZ, Susana. ¿Cómo hacer um paseo de Jane? Madrid, La Aventura de Aprender, 20 <https://bit.ly/3wiXGZo>.

NE – Artigos sobre o projeto Jane’s Walk publicados no portal Vitruvius: LACOMBE, Octavio. Jane's Walk. Passeando com Jane Jacobs. Arquiteturismo, São Paulo, ano 05, n. 049.01, Vitruvius, mar. 2011 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/05.049/3809>; GUERRA, Abilio; JORGE, Luís Antônio; BELIK, Laura. Passeio pelo centro de São Paulo. Visita guiada a pé e de metrô. Minha Cidade, São Paulo, ano 12, n. 133.02, Vitruvius, ago. 2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/12.133/3998>; GERIBELLO, Denise Fernandes. Em Toronto com Jane Jacobs. Arquiteturismo, São Paulo, ano 07, n. 076.03, Vitruvius, jun. 2013 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/07.076/4784>; BELIK, Laura. Jane’s Walk em casa. Morte e vida de grandes cidades na pandemia. Arquiteturismo, São Paulo, ano 14, n. 157.05, Vitruvius, abr. 2020 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/14.157/7726>.

1
Esse texto sobre O Passeio de Jane Jacobs compõe um grupo de guias, disponibilizados pelo projeto "La Aventura de Aprender", projeto concebido e coordenado por Antonio Lafuente e Patricia Horrillo. Conforme informa o site do projeto. Tais materiais são frutos “de colaboração entre órgãos públicos e diferentes grupos para conectar a atividade das salas de aula com o que acontece fora do site da escola. A aprendizagem cidadã inspira essas propostas concretas convenientemente estruturadas para o seu desenvolvimento em ambientes educacionais. Passo a passo permitir implementar ‘aventuras de aprendizagem’ que precisam de colaboração e cooperação para chegar a uma conclusão bem-sucedida”. <http://laaventuradeaprender.intef.es/proyecto>.

2
“Jane's Walk é um festival anual de conversas realizadas livremente, lideradas por cidadãos, inspiradas por Jane Jacobs Conferir em https://janeswalk.org. Quem pretende organizar um Passeio de Jane na sua cidade é recomendável que se inscreva no site.

3
Twitter: @elpaseodejane https://elpaseodejane.wordpress.com/

4
JACOBS, Jane. Morte e vida das grandes cidades. Tradução Carlos S. Mendes Rosa. Versão Kindle. São Paulo, Editora WMF Martins Fontes, 2015.

5
Rua Gran Vía tem início na rua de Alcalá e Termina na Plaza de España, situadas no distrito Centro, conforme o “Callejero Oficial del Ayuntamiento de Madrid” 2015.

6
JACOBS, Jane. Op. cit.

7
Plataforma de Afectados por la Hipoteca. Associação e movimento social pelo direito à moradia digna criado em fevereiro de 2009 na Espanha, no contexto da crise imobiliária de 2008, desencadeada pela bolha imobiliária espanhola.

8
A palavra original do texto em espanhol é “callejear”: significado literal de percorrer a rua, andar pela cidade.

9
A palavra original do texto em espanhol é “callejero”: significado do mapa das ruas da cidade. Projeção cartográfica da cidade.

10
A palavra original do texto em espanhol é “se despiste”: significado de distrair-se, confundir-se.

sobre a autora

Susana Jiménez música, filósofa e doutora em história da arte, coordena a partir de Madrid, desde 2010, as iniciativas de passeios e atividades sob a chancela do Jane’s Walk.

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