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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Carlos A. Ferreira Martins comenta a saída de Cuba do programa Mais Médico e o impacto na cidade de São Carlos, interior de São Paulo, que perderá 29 médicos cubanos.

how to quote

MARTINS, Carlos A. Ferreira. Crueldade e hipocrisia. Sobre o impacto da saída de Cuba do programa Mais Médicos. Drops, São Paulo, ano 19, n. 134.06, Vitruvius, nov. 2018 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.134/7174>.


Médico cubano chegando na casa de paciente no interior do país, fotografia da série “Programa Mais Médicos”
Foto Araquém Alcântara


São Carlos perderá em breve 29 médicos. São os profissionais cubanos que, pelo programa Mais Médicos, traziam sua formação generalista e sua experiência em atenção primária e medicina preventiva para os setores mais carentes da nossa população.

Esse é o resultado de mais uma trapalhada do presidente eleito, que retribui assim a votação consagradora que recebeu dos são-carlenses.

Aqui haverá um agravamento da já precária atenção à saúde de quem não tem condições de pagar medicina privada. Para mais de 800 municípios em todo o país isso significará voltar a não ter nenhum médico.

Tão grave quanto o impacto dessa decisão na vida de milhões de brasileiros pobres talvez seja a aceitação irrefletida, por quem não necessita desses profissionais, dos argumentos usados para justificar essa decisão.

Quem diz de que o Programa seria fruto de uma opção ideológica do governo brasileiro em apoio à ditadura cubana, finge ignorar que o convênio é firmado por intermédio da Organização Pan-americana de Saúde. E que, por meio da OPAS, esses profissionais atuam mediante pagamento em 34 países da América do Sul, Oriente Médio e Ásia além de atuar gratuitamente em 27 países, sobretudo na África.

Dizer que a situação dos médicos cubanos seria análoga à escravidão é pura hipocrisia vindo de quem apoia a destruição da legislação trabalhista e recentemente ficou inconformado com o registro profissional das empregadas domésticas.

A diferença entre o valor pago pelo convenio e o recebido pelos médicos é proporcionalmente menor do que aquela entre o que você, leitor, paga à Unimed e o que os nossos médicos recebem por consulta ou procedimento. Reclamar de um e não do outro é, aí sim, pura ideologia.

O presidente eleito ainda caprichou ao dizer que não conhecia nenhuma autoridade atendida pelos médicos cubanos. Esse argumento é verdadeiro. Todos sabemos que eles só usam o Einstein e o Sírio Libanês.

sobre o autor

Carlos A. Ferreira Martins é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos.

 

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