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drops ISSN 2175-6716

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Carlos Martins, professor titular do IAU USP São Carlos, coloca em questão declarações do atual ministro da educação, que defende o ingresso à universidade para segmento mais abastado da população.

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MARTINS, Carlos A. Ferreira. O importante é destruir. Para desministro da educação a universidade é para poucos. Drops, São Paulo, ano 21, n. 167.07, Vitruvius, ago. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/21.167/8205>.


Abandono da educação pública
Fotomontagem Abilio Guerra a partir de foto de Nelson Kon


Terminada a Olimpíada, o que avança no país é a inversão de seu lema e a desfaçatez dos “nossos” agentes políticos. É verdade que, a rigor, deveríamos agradecer por isso, deixando a reclamação apenas para quem gostaria de continuar sendo enganado.

Curioso ver um comentarista da Globo chamar o sr. Milton Ribeiro de “desministro” da educação. O improvável leitor contumaz lembrará que uso com frequência esse neologismo, mas confesso que não esperava ouvi-lo na boca de um daqueles disciplinados porta-vozes da família Marinho.

É verdade que foi merecido. Dando continuidade, apesar de sua postura low profile, ao mesmo empenho destrutivo de seus antecessores falastrões e histriônicos, ele mostra que a mediocridade ressentida contra o saber e a crítica ainda tem vários recordes a serem batidos.

Depois de indicar para a Capes, órgão de avaliação e fomento da pós-graduação, uma senhora cujas credenciais acadêmicas se resumem à propriedade da escola em que o desministro fez seu doutoramento, ele se superou ao indicar como diretora de avaliação do órgão, um ainda mais obscuro personagem, oriundo da mesma escola, que não tem sequer o doutorado.

Mas o sr. Milton Ribeiro parece se inspirar às avessas naqueles heróis olímpicos que não se satisfazem com a medalha e querem quebrar vários recordes na mesma semana.

Em curta fala à TV Brasil, o desministro começou por dizer com todas as letras que “a universidade deve ser para poucos”, confessando candidamente o que sabemos ser o objetivo do desgoverno que nos assola: asfixiar politicamente e financeiramente e diminuir o acesso à universidade pública no país.

Para sustentar seu “argumento” precisou falsificar dados de comparação com a Alemanha, mas os juízes da prova (a nossa grande imprensa livre) não pareceram se incomodar com isso.

Na sequência ainda deixou claro que sua relação com os reitores é política e não acadêmica, ao afirmar que reitor “não pode ser esquerdista, lulista”.

E para garantir o pódio ainda conseguiu afirmar que era justo que os filhinhos de papai ficassem com a metade das vagas da universidade “porque são os pais dos filhinhos de papai que pagam impostos e sustentam a universidade pública”. Nenhum dos juízes achou necessário lembrar que o único consenso sobre o sistema tributário brasileiro é a sua pornográfica regressividade. Quem financia a universidade, assim como todo o investimento do Estado, é quem menos se beneficia dele.

Darci Ribeiro já havia escancarado que a crise da educação brasileira “não é crise, é projeto”. Podemos agregar que isso vem de longa data, mas certamente nunca foi assumida com tão olímpica desfaçatez.

E nada poderia ser mais claro na guerra simbólica do que a disposição de vender o edifício marco da educação moderna no Brasil.

Mas tudo isso é competição de badminton (nas quebradas, peteca) perto do futebolão da Praça dos Três Poderes. E o debate sobre as possibilidades de um golpe se parece com aquelas mesas redondas em que discute se foi pênalti ou não o pênalti já marcado.

Discutir se haverá golpe ou não só interessa a quem quer fingir que ele ainda não foi dado.

sobre o autor

Carlos Ferreira Martins é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos.

 

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167.07 política
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