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my city ISSN 1982-9922

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BRODESCHI, Michelle. Cidade da Cultura de Galícia. Minha Cidade, São Paulo, ano 08, n. 095.03, Vitruvius, jun. 2008 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/08.095/1888>.


Vista aérea da obra em 2006


Torres de John Hejduk

Vista do interior do edifício

Interior em fase de acabamento

Lateral do edifício

Vista da chegada ao complexo

Maquete apresentada no concurso para a Cidade da Cultura da Galícia

Exterior da obra. À direita, o edifício da biblioteca

Túnel subterrâneo de acesso entre os edifícios

Amostra da pedra utilizada no revestimento do exterior dos edifícios

Sala do acervo da hemeroteca

Detalhe da cobertura antes da colocação das placas de pedra

Detalhe da execução da cobertura. Colocação das pedras de ardósia, pedra típica da região

 

A cidade de Santiago de Compostela, capital da Galícia, região norte da Espanha, conhecida pela catedral do apóstolo Santiago e seu caminho de peregrinação, contará com uma nova “cidade-edificio” destinada à cultura. Desde o concurso em 1999 a obra tem tido um avanço em um ritmo bastante desigual. Portanto, se prevê sua finalização até o final de 2012.

O concurso

Um concurso internacional convocado em 1999 elegeu o projeto de Eisenman Architects para realizar a obra da Cidade da Cultura de Galícia no Monte Gaiás em Santiago de Compostela.

Inicialmente se apresentaram doze propostas de destacados nomes da arquitetura espanhola e internacional, entre eles Jean Nouvel, Dominique Perrault, Steve Holl, Annette Gigon, Daniel Libeskind, Rem Koolhass, Juan Navarro Baldeweg e Santiago Calatrava, que logo se retirou do concurso.

Dentre todos os projetos, o de Eisenman foi o que melhor respondeu aos quesitos do programa, devido à sua singularidade tanto conceitual como plástica, assim como a sintonia com o lugar.

O projeto 

A inspiração para o projeto nasce na cidade histórica de Santiago de Compostela.  A cidade declarada pela Unesco patrimônio da humanidade, conserva um tesouro arquitetônico que é a Catedral de Santiago, motivo de peregrinações desde o século XII. As cinco rotas que conduzem à catedral servem de partido para o projeto. Sobre essa base, é sobreposta uma reticula e o resultado desse desenho é transportado ao terreno.

A topografia irregular do Monte Gaiás deforma o plano reticulado e as linhas das rotas se misturam formando um traçado que lembra as linhas da concha da Vieira, símbolo tradicional de Santiago.  

A proposta de Eisenman gera uma carapaça pétrea cortada pelas vias de acesso, dividindo assim os edifícios. Desta forma os edifícios se mimetizam à morfologia da montanha.

A Cidade da Cultura contará com seis edifícios: edifício de serviços centrais, biblioteca, hemeroteca, museu da história da Galícia, casa mundo (inicialmente teatro da música) e espaço Obradoiro (inicialmente espaço das novas tecnologias).

As torres de John Hejduk, desenhadas em 1992 pelo arquiteto John Hejduk (Nova York, 1929-2000), foram propostas por Eisenman para completar o grupo de edifícios principais. Esta homenagem foi dedicada ao arquiteto que foi seu companheiro no grupo Five Architects. Todo o complexo de edifícios estarão rodeados por um bosque de cerca de 25.000 metros quadrados.

A polêmica

O tema mais discutido pela população local é a questão do orçamento desta obra, que já supera o triplo do previsto. A estas alturas o gasto estimado está em 388,2 milhões de euros, praticamente quatro vezes mais que os 108 milhões orçados no inicio. 

Esta obra aspira ser um dos dez museus mais importantes do mundo. Pretende estar ao nível do Museu Guggenhein de Bilbao, da Biblioteca de Alexandria, da Tate Modern Gallery e do Museu Pompidou. A previsão é de 800 mil visitantes/ano. A questão é que no caso da Galícia existem outras necessidades que tem prioridade à construção uma obra deste porte, sem falar nos gastos com a manutenção do edifício depois de concluído.

Outro aspecto da problemática do complexo do Monte Gaiás é a do impacto ambiental. Para executar esta obra, foi necessário praticamente remover toda uma montanha, para depois reconstruí-la. Isso vai contra os conceitos atuais de sustentabilidade e todas as normas de proteção ao meio ambiente que agora estão sendo tão comentadas na união européia e em todo o mundo.

O fato de ser outra cidade, de superfície análoga à cidade histórica, também é algo que é difícil de justificar. Há quem diga que é um monumento para revitalizar o turismo na região, como foi o caso de Bilbao, mas Santiago com todo o patrimônio cultural, histórico e arquitetônico não necessita de outro chamariz. O turismo local já é bastante satisfatório. Uma das explicações é gerar uma dispersão do fluxo dos visitantes, fazer com que eles percorram outras rotas turísticas aliviando as aglomerações e a degradação do centro histórico nos meses de julho e agosto.

As vias de acesso à Cidade da Cultura serão feitas por meio de rodovias, pois devido à distância seria impossível o acesso dos pedestres a ela. Seria ideal se encontrassem uma solução ecologicamente correta que evitasse o uso do automóvel para o acesso ao edifício.

Conclusão

Santiago foi eleita a sede da Cidade da Cultura por ser o centro cultural de transcendência européia e universal, meta do velho continente, cidade universitária, capital política e administrativa da Galícia e eixo de comunicações. A obra busca cumprir os objetivos sociais e culturais não só dos galegos como dos peregrinos e visitantes de todo o mundo, reforçar o significado do caminho de Santiago e também promover a cidade de Santiago de Compostela. 

É natural o descontentamento das pessoas que vivem na região por todos os motivos citados, mas se as metas impostas forem atingidas nem que seja em parte, já vale a pena o esforço.

Certamente a implantação de um equipamento desde porte ajudará muito na afirmação da identidade cultural galega, e ao mesmo tempo, como instrumento de apoio às capacidades criativas da sociedade e um meio para a visualização e projeção mundial da sua arte e cultura, além do intercâmbio cultural.

A arquitetura espetáculo às vezes tem que pagar um preço demasiado caro para ser realizada. Em um momento como o que estamos vivendo, de políticas de impacto ambiental, busca pela redução do uso do automóvel e uso de energias renováveis é papel do arquiteto também agir de forma responsável na hora de propor um projeto.

[para mais informações sobre o projeto e a Fundación Cidade da Cultura de Galícia: www.cidadedacultura.es/. A página está disponível em espanhol, inglês e galego]

sobre o autor

Michelle Brodeschi, arquiteta pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, mestre pela Universidade de Santiago de Compostela e doutoranda pela Universidade de Vigo, Espanha

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