Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

projects ISSN 2595-4245


abstracts

português
Abilio Guerra e Aline Alcântara entrevistam um dos sócios da KV sobre o complexo Brascan Century Plaza e o autor principal faz considerações, no texto de abertura, sobre a quadra aberta, conceito de Christian de Portzamparc.

how to quote

GUERRA, Abilio; SILVA, Aline Alcântara. Conversa com Jorge Königsberger. Brascan Century Plaza. Projetos, São Paulo, ano 11, n. 124.02, Vitruvius, abr. 2011 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.124/3830>.


O Brascan Century Plaza, de autoria dos arquitetos Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi, complexo de comércio e serviços edificado no bairro paulistano do Itaim Bibi, já foi publicado anteriormente pelo portal Vitruvius (1). Sua implantação adota a quadra aberta (2), tipologia urbana pouco utilizada na cidade de São Paulo.

Na entrevista abaixo, realizada por Abilio Guerra e Aline Alcântara, o arquiteto Jorge Königsberger comenta sobre a concepção e execução do projeto e faz um balanço dos resultados após uma década de sua implantação.

notas

1
Brascan Century Plaza, projeto de Jörge Königsberger e Gianfranco Vannucchi. Projetos, São Paulo, n. 04.044, Vitruvius, ago. 2004 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.044/2397>.

2
GUERRA, Abilio. Quadra aberta. Uma tipologia urbana rara em São Paulo. Projetos, São Paulo, n. 11.124, Vitruvius, abr. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.124/3819>.

entrevista

Abilio Guerra / Aline Alcântara: Qual a relação entre o partido original do projeto (torres sobre praça, com serviços e comércio no térreo) e as demandas apresentadas pelo cliente?

Jorge Königsberger: Não há relação. Originalmente o cliente solicitava um centro comercial tradicional (caixa fechada) com edifícios comerciais/residenciais sobrepostos.

AG/AA: Qual ou quais projetos, nacional ou internacional, foram tomados como referências para o desenvolvimento do Brascan Century Plaza?

JK: Não foram tomadas referências diretas específicas além de pré-partidos assumidos por nós arquitetos, a saber: a) enfatizar/estimular a permeabilidade entre espaços públicos externos e internos como contraposição ao apartheid entre espaços públicos e privados, característico das cidades brasileiras; b) buscar criar uma centralidade micro-regional que marcasse um tecido urbano desprovido de referências “geográficas”, como era o bairro do Itaim Bibi, sem referências; c) buscar um product mix formado por atividades sinergéticas e compatíveis com o entorno/tecido urbano e que gerasse ocupação/uso em três turnos diários.

AG/AA: Quais são as possibilidades do projeto se transformar em exemplo urbanístico para sua área de implantação?

JK: Acredito que a tipologia e conceito deste projeto é cabível para muitas das lamentáveis circunstâncias urbanísticas das cidades brasileiras. Explico: A congênita incapacidade cultural do Estado brasileiro em planejar e gerenciar o espaço urbano vem, há décadas, gerando reduções progressivas nas áreas verdes e nos espaços pietonais em função do avanço brutal dos sistemas viários e da apropriação desordenada de calçadas e passeios (já muito deteriorados) pelas concessionárias de serviços públicos. Adicionalmente, os sistemas de transporte público de superfície e muitos outros fatores concorrentes, construíram no inconsciente coletivo brasileiro uma associação entre cidade e hostilidade, insegurança, incômodo, insalubridade, desconforto, etc.

Vimos, já há anos, desenvolvendo projetos imobiliários privados e vimos nos opondo ás tendências segregacionistas entre espaços públicos e privados. Consideramos ser perfeitamente possível suprir boa parte das carências e fragilidades urbanísticas brasileiras através do maior suprimento de novos espaços públicos privados qualificados integrados ao espaço público existente, dentro do modelo econômico vigente.

Para tal, cabe a nós, arquitetos, propor soluções arquitetônico-urbanísticas que contemplem concomitantemente a equação econômica privada e a demanda por espaços públicos adicionais, o que a tipologia desenvolvida para o Brascan Century Plaza propicia e estimula.

AG/AA: De quem partiu a ideia ou iniciativa dos seguintes itens do projeto?: a) delimitação das áreas ajardinadas; b) colocação das esculturas de madeira; c) utilização do elemento água.

JK: As idéias são nossas e envolvem aspectos simbólicos. A empresa contratante estava comemorando 100 anos de existência e o Brasil, seus 500 anos. Buscamos assim desenvolver um “oásis” urbano, em que desenvolvemos desde o início o conceito paisagístico.

Quisemos simbolizar nossos rios através do curso de água que permeia o projeto (não coincidentemente paralelo á “trilha” urbanizada que interliga ruas opostas), e nossa mata através da introdução de 100 exemplares de apenas 3 espécies arbóreas endêmicas brasileiras da família das cisalpinas: o pau ferro, a sibipiruna e o pau-brasil. As esculturas de grandes troncos de Elisa Bracher foram introduzidas como referência complementar e contraponto/ paradoxo entre a força da modernidade urbanizada e a força de nossas raízes, tão distante de uma pequena quadra em pleno tecido urbano paulista.

AG/AA: A participação de Benedito Abbud se restringiu à especificação da vegetação?

JK: Sim. Na especificação das espécimes rasteiras.

Houve um interesse prévio pela ocupação das áreas comerciais no térreo (livraria, cinemas e demais lojas)?

JK: Não. Mas a adesão de interessados foi imediata e até hoje, anos depois, não há praticamente nenhuma rotatividade de inquilinos. Na época, inclusive, advoguei pelo aumento das áreas do mall aberto, mas fui voto vencido.

AG/AA: Surgiu algum imprevisto na hora da execução do projeto?

JK: Não. O projeto foi exaustivamente pensado, detalhado, coordenado e compatibilizado, tendo envolvido mais de trinta times de projetistas, operadores e consultores, e foi desenvolvido ao longo de dois anos, o que não é freqüente no mercado imobiliário.

AG/AA: Há algum item do projeto que não foi executado? Qual o motivo?

JK: O projeto foi perfeitamente executado, tendo sido inaugurado de acordo com o planejado. Posteriormente foram introduzidos acréscimos de tendas, quiosques, etc, o que não deixa de ser irônico e um paralelo ao caos urbanístico supramencionado.

AG/AA: Após este período de implantação, qual o balanço que faz sobre o uso do térreo do Brascan Century Plaza?

JK: O espaço criado vem sendo intensivamente usufruído por diferentes públicos ao longo do ciclo diário. Desde mães com crianças de manhã, até casais e jovens em fins de noites, passando por público profissional durante o dia, a praça mantém-se viva, integrada ao espaço público e integradora dos diferentes usos do complexo, conforme planejado.

Creio que seu principal benefício neste período tenha sido a demonstração mais recente de como espaços privados abertos, disponibilizados ao uso público, podem contribuir para a qualificação urbanística de seu entorno, rompendo as barreiras de preconceito e segregação ainda e sempre presentes na história social brasileira.

ficha técnica

Jorge Konigsberger. Arquiteto (FAU Mackenzie, 1971), sócio da Konigsberger & Vannucchi com Gianfranco Vannucchi desde 1971. Foi professor de projeto da FAAP e Mackenzie, diretor do IAB e presidente da AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, entidade da qual é atualmente membro do conselho deliberativo. Foi coordenador do Colégio de Presidentes das Entidades do CBA – Colégio Brasileiro de Arquitetos e membro do comitê da construção civil da FIESP – Federação Brasileira das Indústrias do Estado de São Paulo.

Abilio Guerra. Arquiteto, professor da graduação e pós-graduação da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius e da Romano Guerra Editora.

Aline Alcântara Silva. Arquiteta e mestranda na pós-graduação da FAU Mackenzie.

Entrevista. Realizada por email durante os meses de fevereiro e março de 2011, a presente entrevista é subídio para a dissertação de mestrado em andamento "Paisagismo contemporâneo em São Paulo", de autoria de Aline Alcântara Silva, orientada pelo professor Abilio Guerra.

comments

124.02 entrevista
abstracts
how to quote

languages

original: português

source
Konigsberger & Vannucchi
São Paulo SP Brasil

share

124

124.01 projeto urbano

Quadra aberta

Abilio Guerra

124.03 crítica

La casa de Jean Prouvé en Nancy

Flavio Castro

124.04 Profissional

Las Casas Samaniego

newspaper


© 2000–2021 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided