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ORNSTEIN, Sheila Walbe; ONO, Rosaria . Por uma arquitetura sob a ótica dos usuários. Resenhas Online, São Paulo, ano 08, n. 089.02, Vitruvius, maio 2009 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/08.089/3039>.


Queiroz, professor da UFRN, Natal e Günther, professor da UNB, Brasília, ao organizar e publicar esta obra, nos brindam com uma coletânea bem construída de artigos sobre procedimentos para a pesquisa científica no campo das Relações Ambiente Construído e Comportamento Humano (RACs). De fato, esperava-se há algum tempo um trabalho desta natureza editado por estes pesquisadores cujas sólidas formações em psicologia ambiental e em psicologia social, são bastante reconhecidas.

São doze artigos, com enfoque ambiental e de caráter interdisciplinar, cujos conteúdos apresentam em sua maioria, os meios a partir dos quais a psicologia ambiental pode colaborar com outras áreas de atuação, tais como a arquitetura, o design, a ergonomia, o planejamento urbano etc.

Os artigos, redigidos por especialistas do Norte ao Sul do país, procuram destacar de que forma o homem, suas necessidades, seus níveis de satisfação, sua capacidade cognitiva, seus desejos, suas formas de perceber e de serem percebidos, seus comportamentos e as atividades que desenvolvem devem ser levantadas, analisadas e interpretadas para se conceber ambientes e produtos em quaisquer escalas, voltados à qualidade de vida e ao bem-estar.

Os textos, muito claros e didáticos, podem auxiliar aos iniciantes em pesquisas relacionadas à arquitetura, ao urbanismo e ao design, na compreensão dos limites, das vantagens e do rigor na aplicação de métodos e técnicas como questionários, entrevistas, vestígios e mapeamento comportamental, diário pessoal e outros. Para os pesquisadores experientes a publicação também resgata rotinas de pesquisa muitas vezes esquecidas no cotidiano acadêmico, resgate este feito sob uma abordagem bastante amigável. Estes procedimentos, muito utilizados em pesquisas na sociologia ou na antropologia, são aqui sistematizados para o público brasileiro, fornecendo exemplos e estudos de caso de nossas cidades. São aqui propostos para o tema ambiental, podendo sem dúvida ser considerada uma contribuição importante e uma fonte de referências para as pesquisas sobre Avaliação Pós-Ocupação (APO), as quais são fundamentadas na psicologia ambiental.

Por outro lado, pensando na prática profissional do arquiteto e do urbanista e também do designer, o trabalho pode sugerir métodos de projeto, especialmente para as fases de programa[ação] de necessidades e do briefing quando uma maior compreensão de comportamentos e de atividades num dado ambiente certamente têm um impacto positivo na qualidade final deste ambiente concebido.

O livro ainda discute e esclarece os métodos de pesquisa em percepção ambiental, as avaliações qualitativas e quantitativas e, por último, aborda a utilização dos multi-métodos – tão praticada na APO – e de que maneira, métodos, técnicas e instrumentos descritos nos capítulos anteriores podem ser confrontados entre si, num processo dialéticos e de síntese, na busca da validação dos resultados.

Merece especial menção as diversas e consistentes referências bibliográficas que permeiam os textos, caracterizando-os como fontes de consulta significativas no campo das RACs

Os próprios organizadores dividem os primeiros capítulos em dois blocos, sendo que o primeiro (do segundo ao quinto capítulo) faz parte do conjunto denominado de técnicas “tradicionais” e o segundo (do sexto ao décimo capítulo), de técnicas “mais específicas para o estudo de interação pessoa-ambiente”.

No primeiro bloco, o segundo capítulo trata da metodologia de pesquisa embasada nos experimentos ecológicos planejados e nos naturais, como ferramenta para a compreensão da relação pessoa-ambiente.

No terceiro capítulo, aborda-se a técnica da entrevista na interação pessoa-ambiente, apresentando uma discussão sobre as principais questões a serem consideradas na elaboração de um roteiro de entrevista, de forma objetiva e clara. Tanto neste como no capítulo seguinte, sobre vestígios ambientais e mapas comportamentais, os autores se preocuparam em apresentar ao seu final, exemplos concretos de procedimentos utilizados na formulação de pesquisas adotando as técnicas discutidas nos respectivos capítulos.

O quinto capítulo situa o importante papel do questionário (survey) como instrumento de pesquisa de comportamento, constituído pelo tripé – observação, experimento e survey – e concentra, em poucas páginas complementadas por alguns exemplos, as principais informações necessárias à elaboração de questionários. O autor fornece, ao longo do capítulo, fontes importantes para obtenção de informações adicionais referentes aos itens abordados.

Sob o ponto de vista das pesquisas da APO, é possível concordar com os organizadores desta publicação que este primeiro bloco trata das técnicas mais conhecidas e mais utilizadas entre os pesquisadores da área. Ainda assim, os textos apresentados merecem uma leitura cuidadosa desses pesquisadores, pois reforçam muitos conceitos básicos envolvidos, discutem vantagens e desvantagens, além das limitações dessas técnicas.

No segundo bloco estão situados os métodos e as técnicas que são de maior domínio e utilização por psicólogos ambientais e incluem, aqui, tópicos referentes à percepção ambiental, à afetividade e ao diário pessoal. Os capítulos que fazem parte deste bloco são contribuição importante dos psicólogos para os não-psicólogos, na difusão de técnicas interessantes e que podem ampliar as possibilidades de pesquisas em situações antes consideradas difíceis ou pouco viáveis.

O sexto capítulo apresenta uma técnica da percepção ambiental baseada em estímulos pictóricos com coleta e interpretação dos dados, já conhecida pelos pesquisadores de APO, que poderia ser melhor explorada. No sétimo capítulo é dada ênfase específica à pesquisa da percepção na educação ambiental.

Os dois capítulos seguintes, oitavo e nono, têm a afetividade como tema e abordam técnicas como a autobiografia ambiental e os mapas afetivos. O diário pessoal é a técnica abordada no décimo capítulo, fechando o segundo bloco. Todos esses três capítulos descrevem as “novas” técnicas de forma muito didática, além de fornecer exemplos concretos e informações complementares sobre a forma de coleta e classificação dos dados obtidos.

Pode-se acrescentar, neste conjunto, um terceiro bloco constituído de 3 capítulos que tratam de assuntos correlatos e complementares aos métodos e técnicas de pesquisa nos estudos pessoa-ambiente apresentados nos capítulos anteriores.

Destaca-se o penúltimo capítulo, por esclarecer os objetivos de uma revisão bibliográfica e apresentar os métodos e técnicas para a sua consecução, utilizando como exemplo a revisão nos artigos do periódico Environment and Behavior, conceituado na área da psicologia ambiental. O exemplo é bastante didático e pode auxiliar, principalmente, os pesquisadores iniciantes na elaboração de uma revisão bibliográfica em qualquer área das ciências humanas.

Por fim, a publicação culmina com o último capítulo enfatizando a abordagem multi-métodos nas pesquisas pessoa-ambiente. Aqui é destacado o conceito já apresentado por vários autores ao longo dos capítulos anteriores, de que não é possível ignorar a importância da adoção de multi-métodos para aferir resultados em pesquisas pessoa-ambiente.

Na esteira de obras importantes, como as de Zeisel (1) e Bechtel, Marans e Michelson (2) e de recomenda-se a leitura e a adoção deste livro-texto nas disciplinas de graduação e de pós-graduação que procuram caminhos para compreender o homem e suas relações – de mão dupla – com o ambiente construído.

notas

1
ZEISEL, John. Inquiry by design. Environment /behavior/neuroscience in architecture, interiores, landscape, and planning. Nova York, W.W.Norton & Company, 2006.

2
BECHTEL, Robert B.; MARANS, Robert W.; MICHELSON, William (Org.). Methods in environmental and behavioral research. Nova York, Van Nostrand Rheinold, 1987.

sobre os autores

Sheila Walbe Ornstein, arquiteta e urbanista, professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Atua nos campos da avaliação pós-ocupação e das relações ambiente construído – comportamento humano

Rosaria Ono, arquiteta e urbanista, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Atua nos campos da segurança contra incêndio, da acessibilidade e da avaliação pós-ocupação

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