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drops ISSN 2175-6716

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Silvio Oksman, Lucia Furlan e Luiza Nadalutti apresentam o Plano de conservação da estrutura do Masp financiado pelo programa Keeping It Modern, da Fundação Getty, instituição norte-americana.

how to quote

OKSMAN, Silvio; FURLAN, Lucia; NADALUTTI, Luiza. Plano de conservação da estrutura do Masp. Drops, São Paulo, ano 18, n. 127.09, Vitruvius, abr. 2018 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.127/6962>.



Em 2017, o Museu de Arte de São Paulo – Masp obteve financiamento a partir do programa Keeping It Modern, da Fundação Getty, para desenvolver estudos relativos a sua sede na Avenida Paulista, projeto da arquiteta Lina Bo Bardi.

A proposta de estudo apresentada para a Fundação se concentrou nas questões da estrutura por ser elemento chave tanto para a compreensão dos valores culturais do edifício quanto para o seu estado de conservação. Decorridos oito meses deste processo, é possível identificar com maior clareza os problemas relacionados à estrutura, bem como prioridades de estudo e ação.

O programa Keeping It Modern (KIM) é uma oportunidade para a elaboração de planos de conservação e manutenção que avancem nas práticas e políticas de preservação da arquitetura do século 20 com relevância no cenário internacional. Esse programa reflete um momento importante de reconhecimento dos problemas dos edifícios modernos, que por muito tempo foram negligenciados. Construídos em um cenário de grande inovação técnica e construtiva, essas obras demandam atualmente estudos aprofundados que investiguem seu comportamento e estado de conservação.

No Brasil o KIM já premiou o Pavilhão Arthur Neiva (Fundação Oswaldo Cruz) e o edifício Vilanova Artigas (FAU USP) em 2015, a Casa de Vidro (Instituto Bardi) em 2016 e o Masp em 2017. Neste ano também foram premiados outros 11 edifícios, entre eles: Yoyogi National Gymnasium (1964, Tokio/Japão), de Kenzo Tange; Government Museum and Art Gallery (1968, Chandigarh/Índia), de Le Corbusier (Charles-Édouard Jeanneret); Price Tower (1956, Bartlesville/EUA), de Frank Lloyd Wright; Melnikov House (1929, Moscou/Rússia), de Konstantin Melnikov; edifício Bauhaus (1925, Dessau/Alemanha), de Walter Gropius.

O edifício do Masp, inaugurado em 1968 passou, ao longo de seus 50 anos de existência, por diversas intervenções, como alterações de layout, criação de novos espaços, ações de manutenção, recuperação de sistemas de infraestrutura, reforços estruturais, impermeabilizações,  entre outros. As diversas ações, ainda que tenham contribuído para sua conservação, foram tomadas respondendo a demandas emergenciais, levando a uma visão fragmentada dos problemas encontrados. Neste momento se propõe um estudo aprofundado da estrutura que permita compreender o seu funcionamento, possa identificar seu real estado de conservação e eventuais problemas. Aliado a uma visão global e integrada do edifício será possível estabelecer procedimentos de conservação e monitoramento preventivos.

A pesquisa Getty/Masp está sendo desenvolvida por uma equipe montada para este fim específico (1), em constante diálogo com a equipe do Museu. Assim, o trabalho pretende oferecer ao Masp critérios técnicos relativos a estrutura que amparem os futuros projetos de intervenção alinhando os objetivos do trabalho às necessidades do edifício e às demandas da instituição. O projeto foi organizado em duas frentes de investigação: pesquisa histórica documental e estudo do estado de conservação da estrutura.

Após compilar uma vasta documentação em meio físico e digital, foi possível construir uma linha do tempo de intervenções, identificar plantas do projeto original da estrutura que se julgavam perdidas e uma grande quantidade de informações que permitem que atualmente se faça uma leitura precisa da estrutura do Masp. A pesquisa documental também permitiu, além do entendimento técnico, a compreensão do histórico de intervenções no Masp desde a construção, fatos que contribuem para o aprofundamento dos estudos.

Para o estado de conservação da estrutura há uma divisão em duas frentes complementares que possibilitam o levantamento do estado atual da edificação  de maneira científica e rigorosa. Os estudos de comportamento estrutural  partem do desenvolvimento de modelo eletrônico de cálculo da estrutura do edifício baseado em dados documentais e levantamentos in loco, para avaliação de movimentações, deformações e efeito de vibrações sobre o objeto de estudo. Além de servir para os estudos que definirão o Plano de Conservação, o modelo eletrônico é uma ferramenta para o Museu utilizar em projetos futuros, pois permite simular situações para avaliar os impactos de carga, vibração, movimentação etc. Já os estudos de conservação e recuperação do concreto visam tipificar as patologias que afetam a estrutura do Masp, com a definição de prioridades de ação, procedimentos de recuperação e parâmetros para intervenções futuras.

Para o pleno entendimento do edifício os estudos de conservação e recuperação do concreto e os estudos de comportamento estrutural, separados por uma questão de operação, são indissociáveis. No presente momento, a deformação das vigas principais e o estudo de vibrações sobre a laje do térreo, em análise a partir do modelo eletrônico de cálculo, se apresentam como prioridades. De maneira complementar, seu comportamento será aferido também por levantamento topográfico dos pilares e vigas e monitoramento dinâmico do térreo a partir de sensores de vibração. Concomitantemente estão em elaboração levantamentos não invasivos – pacometria, ultrassom e esclerometria – para identificar o estado do concreto armado nestes elementos.

Questões de ordem prática do cotidiano do Museu começam a considerar os resultados obtidos até o momento. Os problemas do edifício deixam de ser tratados de forma isolada e passam a ser vistos como parte de um sistema, construindo um novo paradigma de conservação e manutenção. Por fim, o trabalho além de auxiliar nas questões operacionais internas ao museu, também contribui de maneira mais ampla na discussão e no avanço das práticas de conservação e manutenção de edifícios modernos.

O trabalho deve estar concluído até o final deste ano, quando será possível apresentar os resultados e disponibilizar as informações, sendo de interesse para todos que desejem estudar e conhecer o edifício.

nota

1
Equipe Getty: Silvio Oksman, arquiteto, coordenador geral; Lúcia Furlan, arquiteta, pesquisadora; Luiza Nadalutti, estudante de arquitetura, estagiária; Heloísa Maringoni, engenheira, estudos de comportamento estrutural, consultora; Juca Pires, arquiteto, estudos de conservação e recuperação do concreto, consultor. Equipe Masp: Lucas Pessôa, diretor financeiro e de operações; Miriam Elwing, gerente de projetos, infraestrutura e arquitetura; Martin Corullon, arquiteto consultor do plano.

sobre os autores

Silvio Oksman, arquiteto, sócio do escritório Metrópole Arquitetos, doutor pela FAU USP, Coordenador do projeto Getty/Masp.

Lucia Furlan, arquiteta formada pela FAU USP, responsável pelo projeto Getty/Masp.

Luiza Nadalutti, estudante de arquitetura FAU USP, estagiária no projeto Getty/Masp.

Museu de Arte de São Paulo – Masp, São Paulo, arquiteta Lina Bo Bardi
Foto Nelson Kon

Museu de Arte de São Paulo – Masp, São Paulo, arquiteta Lina Bo Bardi
Foto Nelson Kon

 

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