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architexts ISSN 1809-6298


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português
O artigo procura organizar um território de aproximação entre os processos de legitimação presentes no âmbito do projeto de Arquitetura e uma teoria hermenêutica baseada sobre o primado da interpretação através da noção de representação

english
The article tries to organize the approach between present processes of legitimation in architeture project and an hermeneutic theory based on the primer of interpretation through representation notion

español
El artículo busca organizar un territorio de aproximación entre los procesos de legitimidad presentes en el ámbito del proyecto de arquitectura y una teoría hermenéutica basada sobre lo primado de interpretación desde la noción de representación


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GINOULHIAC, Marco. A interpretação da representação como condição disciplinar para o projeto de arquitetura. Arquitextos, São Paulo, ano 09, n. 107.00, Vitruvius, abr. 2009 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.107/55>.

“O scrittore, con quali lettere scriverai tu con tal perfezione la intera figurazione qual fa qui il disegno(...) quanto più minutamente descriverai, tanto più confonderai la mente del lettore e più lo rimoverai dalla cognizione della cosa descritta. Dunque è necessario figurare e descrivere.” Leonardo da Vinci (1)

Um projeto de arquitetura pode ser considerado como um conjunto de processos cujo produto é um posicionamento epistemológico e ontológico exclusivo do sujeito sobre o mundo. Este representa, portanto, a formulação de um conjunto de enunciados de caráter prescritivo, que articulam um sistema de relações, considerado como “a forma através da qual são organizados e fixados, em sentido arquitetónico, os elementos de um determinado problema” (2). Neste contexto, o âmbito da organização espacial, considerado como primeiro campo de ação da Arquitetura, resulta ser um plano de imanência subjacente a um conjunto de outros sistemas, materiais e teóricos, que lhe são interdependentes. Sistemas como, por exemplo, o econômico, o social, o tecnológico, etc. encontram no sistema espacial uma própria representação e implementação formal e espacial. Quem projeta está, desta forma, a formular uma proposta que resulta ser uma forma de enunciado ontológico para uma determinada organização espacial de uma parte do planeta. Mas também, de um ponto de vista intelectual, qualquer organização é, antes de mais, uma constituição de um sistema de relações baseado numa rede de conhecimento. Projetar é organizar o espaço segundo um conjunto de princípios de natureza teórica onde a proposta projetual constitui a passagem de idéias abstratas para intenções formuladas. Nesse sentido, um projeto de Arquitetura é, antes de mais, um ato de natureza epistemológica ao representar uma organização de um conhecimento cujo derivado será uma organização espacial.

Enquanto posicionamento de natureza ontológica e epistemológica do sujeito, o projeto de Arquitetura resulta na produção de um conjunto de enunciados prescritivos. Esquiços, desenhos técnicos, maquetas, imagens, textos ou comunicações verbais; todos meios de representação que participam para uma definição e uma comunicação unívoca de algo que poder-se-á apelidar de verdade projetual. Uma verdade propositiva, exclusiva e contingente, que implica, como já afirmado acima, um posicionamento e uma organização epistemológica do sujeito diante de um problema. Logo, uma verdade projetual enquanto resposta intencional a uma pergunta que, no caso específico da Arquitetura, pode ser considerada como oriunda de uma exigência, parafraseando Heidegger (3), habitacional. Uma pergunta que manifesta uma necessidade de alteração positiva de um estado de fato considerado insatisfatório para quem exige essa alteração. O projeto é, desta forma, uma resposta e, juntamente, uma pergunta; uma dupla pergunta/resposta, cujo processo dialético orienta as linhas de força da alteração, em suma, as linhas orientadoras do próprio projeto. Parece portanto possível afirmar que o resultado de um projeto de Arquitetura é a formulação de um conjunto de enunciados prescritivos que visam a definição unívoca de uma verdade de natureza organizacional e, mais especificamente, espacial em resposta a uma necessidade de alteração e de melhoramento de uma condição existente. Nesse sentido, ao longo do projeto, existe um processo de formulação de uma verdade através de uma articulação da pergunta com a resposta.

Considerando este cenário processual como aceite, poder-se-á abrir outra linha de raciocínio e afirmar que o projeto, manifestação especifica das condutas genéricas de antecipação (4), é, de um ponto de vista filosófico, uma ideia filha da modernidade. Uma modernidade que acredita no progresso como resultado do imparável processo de acumulação de conhecimento e que acredita, portanto, no projeto como sua manifestação operacional por excelência. Uma modernidade, considerada por Leonardo Benevolo como aquele “prolongado período de desenvolvimento em condições estáveis e de sólidas convicções intelectuais” (5), cujo início poder-se-á colocar no século XV e cujo fim nas últimas décadas do século XX, e que perseguiu a verdade projetual como fruto de um rigoroso processo de natureza científico/positivista. É desta união conceptual, entre progresso e projeto, que surge a união ontológica, entre conhecimento e verdade, que fez, a ainda faz, do projeto de Arquitetura algo que se coloca no domínio do futuro, do possível (6) e do positivo (7), herdando assim uma dinâmica de relações recíprocas e circulares: enquanto estrutura de relações fortemente organizada e enquanto manifestação do paradigma do progresso.

O sucesso do projeto, segundo uma óptica moderna, encontra-se na sua capacidade de habitar no domínio da incerteza. O projeto trabalha na incerteza e com ela revelando ser o instrumento da modernidade para dominar, com a força do conhecimento, as possíveis zonas de desconhecimento que o futuro reserva. De um ponto de vista cognitivo, o projeto manobra em zonas de ignorância uma vez que é um instrumento intelectual de investigação. Se o sujeito já conhecesse o seu futuro ou se este estivesse de alguma forma já determinado, não precisaria do projeto uma vez que só projeta quem quer, e pode, mudar o natural decorrer dos eventos. Neste sentido a ideia de projeto agrega os traços dominantes do progresso com o desconhecido; união que lhe garante ser um veículo de inovação. Inova quem altera uma condição existente para outra que, antes do projeto, resulta ser desconhecida, pois não existe inovação quando se assiste a uma passagem de um estado conhecido para outro também conhecido.

A modernidade, ao servir-se do projeto como instrumento de controlo em zonas de indeterminação, condição existencial do futuro, garantiu a existência de um elemento processual que lhe fornecesse a garantia não só de sucesso, como, e sobretudo, de legitimação. A criação de uma ligação ontológica unívoca é bem visível, por exemplo, nos tratados de Arquitetura: textos onde o lugar da arbitrariedade era reduzido a favor da construção de uma verdade, cuja legitimação encontrava-se, tanto numa sintaxe compositiva, como num vocabulário formal, considerados universais. Para conseguir formular respostas universais partia-se do pressuposto que existem perguntas fixas, inalteráveis e, também, absolutamente unívocas como eram, por exemplo, a relativa à tipologia, à grelha compositiva, ou aos elementos construtivos ou decorativos. Foi desta forma que, ao longo da modernidade, se solidificou uma muita boa parte das heurísticas projetuais, do pensamento do projeto: as formas de raciocínio que, ainda hoje, se encontram na base da esmagadora maioria dos projetos de Arquitetura.

Diante deste cenário, o problema surgiu quando a modernidade deixou de fornecer uma referência estável para as condutas intelectuais que habitam e organizam a ideia de projeto. Por outras palavras, e sem querer aprofundar demasiado aquerelle pós-moderna, quando a univocidade, fornecida pela sucessão de paradigmas que se alternaram no eixo central da modernidade, deixou o lugar para uma abertura interpretativa. Para citar Ludwig Wittgestein, cuja contribuição foi determinante neste debate, quando “tudo aquilo que vemos poderia também ser de outra forma. Tudo aquilo que, em qualquer caso, podemos descrever, poderia ser de outra forma “ e “não existe uma ordem a priori das coisas” (8); acabam as certezas quando, como afirmou Nietzsche, não existem fatos, apenas interpretações (9).

Se, nos seus moldes modernos, a construção de uma verdade projetual partia do pressuposto que existia uma clareza unívoca entre esta e o que a pergunta lhe requer, a abertura ontológica, quando projetada nos processos de construção conjunta da pergunta e da verdade projetual, manifesta-se numa clara dificuldade em fixar, de forma inequívoca, tanto uma como outra. Coloca-se, portanto, o problema de não existirem as condições para que seja possível formular uma pergunta unívoca; uma pergunta, e uma resposta, que não possam ter um significado diferente do que lhe foi atribuído pelo sujeito que as formula. Neste cenário, no atávico binômio da filosofia que viu, ao longo da história, confrontar-se verdade com interpretação, quando as certezas absolutas enfraquecem, avançam a dialética, as interpretações e, com estas, as incursões abdutivas.

Esta configuração epistemológica revela-se particularmente contagiosa para com o âmbito do projeto de Arquitetura uma vez que contamina as bases sobre as quais este edificou os seus processos de legitimação. Como já foi afirmado, a modernidade, e nesta o positivismo, tinha garantido a presença de um elo unívoco entre pergunta e resposta projetual. Legitimar um projeto significava garantir a conformidade entre este e um referente fornecido, tendo em conta um determinado universo de casuísticas, cuja validação era feita através de processo de aceitação coletiva. O grau de incerteza interpretativa encontrava-se extremamente reduzido e a noção de verdade projetual não se limitava a ser de caráter propositivo, chegando a ser uma verdade como correspondência a um referente (pense-se ao paradigma damimesis que, desde Platão, encontra-se, de forma recorrente, mesmo quando de forma indireta, como paradigma estético dominante). A abertura interpretativa, ao quebrar este elo, levou o campo da Arquitetura para uma condição epistemológica (e também social e cultural) caracterizada por uma colocação fronteiriça entre, para utilizar termos de Gadamer, as ciências da natureza e as ciências do espírito (10).

No âmbito do projeto de Arquitetura a interpretação, que por definição é a atribuição de significado a um signo, representa a leitura e a compreensão da pergunta projetual juntamente com a formulação da sua resposta. Uma pergunta cuja compreensão, diante de uma abertura interpretativa, ganha um cariz dialético ao poder ser considerada como um ato de negociação de significado entre a própria pergunta e a hipótese projetual. Todavia, quando não existem certezas, a verdade projetual, o conjunto de enunciados prescritivos acerca dos quais se falou mais acima, é fruto de uma negociação. Uma negociação ao longo da qual a solução proposta e a pergunta colocada negoceiam uma hipótese projetual considerada como verdade de significado unívoco. Uma negociação que se desenvolve através de uma dialética encarada, numa acepção platônica, como processo de busca de uma definição verdadeira (processo este bem visível ao longo das sucessivas negações efetuadas pelo projetista e que participam em contínuos processos de redução da variedade projetual). O arquiteto não se limita a negociar um significado, uma forma, uma hipótese, mas os constrói através do mesmo processo negocial. Um processo onde tanto a alternância dialética como o ajuste das regras de negociação são contínuos e em estado fluido; onde o arquiteto, num diálogo monológico que em tudo se parece com uma maiêutica socrática, negoceia para poder construir, apreender e compreender a própria hipótese projetual.

A negociação é, antes de mais, um ato de compreensão considerado como desvendamento de uma verdade projetual. Mas compreender, como afirma Ricoeur (11), é unicamente uma parte da construção de uma verdade. Ao compreender sucede, de forma contínua e circular, o ato de explicar. Nos processos de construção de uma verdade, explicar pode ser considerado como a manifestação metodológica da compreensão: como ato de desenvolvimento e de organização da compreensão. Explicar e compreender articulam a negociação e, com ela, a formulação da pergunta e da resposta projetual num processo circular virtualmente infinito. Explicação e compreensão fecham aquele “arco hermenêutico” entendido como “estrutura insuperável de conhecimento” (12) e, enquanto tal, instrumento de construção de uma verdade.

Para negociar a verdade, para poder compreendê-la e explicá-la, é necessário um suporte que sirva de plataforma para a transmissão de significados entre as entidades envolvidas na negociação. Negociar uma verdade significa negociar o significado da sua representação; uma representação que se encontra veiculada, justamente, por um suporte. Todavia um suporte demasiado unívoco, um meio de negociação cujo funcionamento resida em processos semióticos demasiado rígidos, não permitiria a negociação. A incerteza, a imprecisão ou a não definição são, neste contexto, importantes espaços de negociação onde o processo projetual pode avançar. Neste sentido todas as formas de representação utilizadas pela disciplina arquitetônica podem ser consideradas, antes de mais, como plataformas de organização e de explicação como o objeto de proporcionar uma aproximação ontológica entre pergunta resposta projetual. Quem desenha, constrói um modelo ou elabora uma imagem de síntese, por exemplo, o faz para construir e, simultaneamente, compreender a própria proposta e, enquanto tal, adapta a própria forma de representação, de comunicação, ao contexto e aos objetivos. O próprio ato de representação conduz e determina o ato cognitivo da compreensão (este manobrar do desenho no território da indeterminação é bem visível, por exemplo, nos esboços que procuram percorrer uma ou várias soluções formais na tentativa de explicá-las e, consequentemente, compreendê-las). Mas também o compreender determina, por sua vez, o representar e o explicar. Existe assim um claro arco hermenêutico entre compreensão e explicação onde quem representa está, por outras palavras, a explicar uma verdade a outrem ou ao próprio. Entendendo porexplicar, com Ricoeur (13), um libertar a estrutura, libertar as relações internas de dependência, e por compreender um começar um caminho na direção indicada baseada numa ligação biunívoca entre representação e direção projetual. Sobretudo nas fases incipientes do projeto, caracterizadas pela baixa resolução do desenho (onde por resolução entende-se a quantidade de informação por unidade de medida do meio de comunicação), é permitido ao sujeito um oscilar entre explicação e compreensão. Um baloiçar que cria as inércias necessárias para que o processo avance em alguma direção e não fique retido num dédalo de caminhos interpretativos sem saída ou bloqueado pela excessiva definição e univocidade da proposta projetual. Nesta perspectiva os processos dialéticos resultam ser contaminados, quando não determinados, pela natureza da representação adotada. A representação varia assim o seu grau de interpretabilidade através de uma “relação direta entre a natureza de um dado desenho e a sua função projetual” (14) e com este varia, naturalmente, a sua univocidade.

Neste cenário explica-se que a ação projetual na Arquitetura necessita da representação na medida em que esta, utilizando os vários meios à sua disposição, “procura definir a relação dialética entre o não-ainda-formulado e o materializado, relação característica daquilo que constitui toda a ação que se quer intencional.” Pois “a este título, o projeto é uma maneira de instaurar um elo dinâmico entre o não-formulado intencional e o materializado projetado” (15). Um não-formulado intencional que se constrói sobre e com a construção da sua representação. Uma representação capaz de ter o dúplice papel de enunciado prepositivo que, através de uma lógica de negação, funciona segundo um método positivista, mas que também resulta ser um elemento aberto à contínua interpretação e, com isso, compreensão propositiva. Mas também uma representação capaz de se tornar necessariamente unívoca ao longo do desenvolvimento do processo projetual.

Neste cenário, as ferramentas de representação, enquanto suportes capazes de veicular tanto rotinas de natureza positivista como posicionamentos de cariz interpretativo, ganham um papel epistemológico central no interior do processo de projeto. Poder-se-á chegar a afirmar que o desenho processual de projeto, considerado como “linguagem natural da Arquitetura” (16), representa o elemento que permitiu e que ainda permite uma convivência disciplinar entre um paradigma científico, baseado numa vontade de univocidade, e um artístico, fundado sobre a complexidade e multiplicidade da ação interpretativa (17). A sua rapidez de produção e de alteração, a sua maleabilidade e facilidade de registro são os aspectos que mais o diferenciam, por exemplo, da elaboração de representações computacionais ou da produção de modelos sólidos (maquetas). O elevado grau de continuidade operacional que o desenho de projeto, sob a forma de esboço, conserva com as operações cognitivas do sujeito permite considerá-lo como uma capacidade extensiva do intelecto humano no que respeita as suas capacidades de comunicação.

Esta duplicidade que o desenho possui, esta capacidade de servir de plataforma dialética entre paradigmas intelectuais e epistemológicos até então exclusivos, abre uma fecunda pista de investigação sobre as rotinas intelectuais presentes ao longo do projeto de Arquitetura. Mais especificamente, o desenho de projeto, considerado como ferramenta e não como produto, implementa uma comunicação que balança entre o descritivo e o prescritivo, veiculando e construindo verdades projetuais e criando um ambiente de compreensão e explicação. Uma forma de diálogo de geometria variável, capaz de se adaptar aos requisitos epistemológicos do contexto sem, com isso, ganhar arbitrariedade em detrimento de legitimidade ou pertinência. O desenho processual não tende a ser afirmativo em relação à verdade, mas sim em construí-la progressivamente baloiçando entre o rigor da explicação e a multiplicidade da compreensão, numa virtualmente infinita busca de verdade.

Ao considerar o desenho um instrumento de pensamento de elevada flexibilidade e adaptabilidade ontológica e epistemológica, poder-se-á atribuir ao campo do projeto de Arquitetura um renovado estatuto de território de confluência das rotinas legitimadoras de natureza positivista e interpretativa. Um estatuto de campo intelectual onde possam conviver, num regime de complementaridade, os diferentes paradigmas da contemporaneidade através de um suporte retórico para o projeto de Arquitetura. O seu camaleonismo cognitivo permitiu à disciplina sobreviver a toda e qualquer mudança nos paradigmas intelectuais que pautaram o vigamento filosófico subjacente à cultura e à sociedade. A sua hibridez epistemológica é uma das características que permite à Arquitetura resistir às contínuas e cada vez mais profundas intrusões oriunda dos campos disciplinares mais distantes.

Assim, o desenho é um instrumento de negociação que torna visível e partilhável um pensamento individual e exclusivo. Observar as ações de um Arquiteto desde os primeiros esboços até ao projeto final é observar o manobrar do seu pensamento. Se o projeto é a ação do arquiteto, então o desenho é o instrumento que o pensamento e de comunicação/negociação que este adota quando empenhado na tarefa do projeto de Arquitetura. Em suma poder-se-á dizer que o desenho representa o pensamento específico e exclusivo do Arquiteto. A sua verdadeira ferramenta profissional enquanto elemento que diferencia a Arquitetura dos outros âmbitos.

Uma cultura do desenho é uma cultura do pensamento e é uma cultura da e para uma verdade projetual. Cada vez que existem intromissões e amputações nessa cultura, existem intromissões e amputações no aparato de legitimação do projeto e, com ele, da Arquitetura. Manter o desenho no centro disciplinar da Arquitetura significa conservar não só o seu principal instrumento operacional mas, antes disso, a essência do seu pensamento considerável como uma forma específica e exclusiva de ação cognitiva e material do sujeito.

notas

1
Anotação de Leonardo da Vinci em um dos seus cadernos de anatomia. Em: Scritti scelti di Leonardo in Vinci. A cura di Anna Maria Brizio, Torino: UTET. 1952, p. 508.2

2
GREGOTTI, Vittorio. Il territorio dell’architettura. Milano, Feltinelli Editore, 1993. p. 11. Tradução livre

3
HEIDEGGER, Martin. (1951) “Building, Dwelling, Thinking”. Rethinking Architecture. London, Routledge, Leach Neil, 1997. pp. 100-109.4

4
BOUTINET, Jean-Pierre. Antropologia do projeto. Lisboa, Instituto Piaget, 1996.5

5
BENEVOLO, Leonardo. O último capítulo da Arquitetura Moderna. Lisboa, Edições ’70, 1985. p 133.

6
CALVO, Francesco. “Projeto”, em Enciclopédia Einaudi. Vol. 25. Organizado por Ruggiero Romano (ed. Italiana) e Fernando Gil. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1992.

7
MALDONADO, Tomás. La speranza progettuale. Ambiente e società. Torino: Einaudi 1992.

8
WITTGENSTEIN, Ludwig (1921). Tractatus logico-philosophicus. Milano, Fratelli Bocca, 1954. Tradução livre.

9
NIETZSCHE, Friedrich (1887). A Genealogia da Moral. Lisboa, Guimarães edições, 2008.

10
GADAMER, Hans-Georg. Verità e método. Milano, Bompiani, 1983.

11
RICOEUR, Paul. “Logica ermeneutica?” Em aut-aut, n 217-18, 1987, p. 24

12
RICOUER, Paul. Dal testo all’azione. Saggi di ermeneutica. Milano, Jaka Book, 1989.

13
RICOUER, Paul. Idem.

14
CARNEIRO, Roberto. “Conceituando ao redor deste desenho”. Em Desenho projeto de desenho. Instituto de Arte Contemporânea, catálogo, 2002.

15
BOUTINET, Jean-Pierre. Antropologia do projeto. Lisboa, Instituto Piaget, 1996. p 15.

16
DURAND, Jean-Nicolas-Luis. Lezioni di Architettura. Milano, Cittá Studi, 2004. Edição Original: Précis des leçons d'architecture données a L'École Royale Polytechnique (1817.

17
MITCHELL, William. The logic of architecture. Design, computation, and cognition. Cambridge, Massachusetts, The MIT Press, 1998
.

sobre o autor

Marco Ginoulhiac é Arquitecto pelo Politecnico de Milão - Faculdade de Arquitectura (1999) e Mestre em Tecnologias Multimédia pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (2000-2002). Docente da FAUP - Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (desde 1999). Está finalizando uma tese de doutoramento com o título "O ensino do projecto de Arquitectura. Contribuições para um debate crítico em torno da prática contemporânea" junto da FAUP.

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