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architexts ISSN 1809-6298

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Artigo analisa questões da representação arquitetônica a luz do pensamento filosófico de, por exemplo, Willard V. Quine.


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ABASCAL, Eunice Sguizzardi; ABASCAL BILBAO, Carlos. Espaço, totalidade e sentido. A linguagem que representa e apresenta a objetividade. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 163.04, Vitruvius, dez. 2013 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.163/4995>.

Foto do passaporte de Willard V. Quine [Wikimedia Commons]

O espaço, não sendo tão somente meio inerte em que estão dispostas as coisas, apresenta propriedades e produz sentido. O projeto de arquitetura e urbanismo, concepção intencional de um sistema de razões e nexos, é uma construção, que para além da técnica e materialidade, propõe significados, constituindo o espaço. Ordenação de uma trama coesa, o projeto é totalidade de sentidos cuja linguagem não resulta da agregação de fragmentos, justaposição ou reducionismo. Articulando significados múltiplos em rede, constitui uma trama que proposições simples ou discretas não podem jamais traduzir.

O projeto é, a partir destas premissas, manifestação holista, de um sentido construído ao sabor da decisão, no sentido que Willard V. Quine deu ao termo (1) – o sentido jamais se esgota na redução, em uma única ou poucas proposições; carece da totalidade, da rede de significados imersa no tecido em que se insere e através do qual se expressa. Um projeto arquitetônico é também discurso, apresentado de maneira íntegra na representação espacial que o engendra. Para que essa ordem complexa seja traduzida e analisada, a razão propositiva, embora decomposta num esforço analítico, exige mais que proposições dissociadas.  

O pensamento de Quine teve grande importância no século XX; suas contribuições à lógica e à filosofia da lógica e o pragmatismo contribuíram para o avanço da teoria do significado e da epistemologia, fazendo depender o sentido da produção da linguagem, questionando o empirismo ingênuo e corrompendo a crença na observação de “fatos”. Para Quine, todo conhecimento empírico é indissociável da previsão que o sentido determina, e da enunciação. O sentido é resultado do processo da construção de linguagem.

Em 1951, Quine publicou importante artigo, Two Dogmas of Empiricism. Questionando o pensamento neopositivista, caro à Bertrand Russell e outros, contestou a distinção kantiana entre enunciados analíticos e sintéticos, subvertendo o conceito de verdade como conhecimento empírico (2). Para Kant, haveria dois tipos de proposições, definindo as formas do pensamento e objetividade: enunciados fáticos, carregados de significado empírico (sintéticos), verdadeiros por se vincular diretamente aos “fatos”, e enunciados analíticos, vazios de conteúdo empírico. Enunciados analíticos seriam, para Wittgenstein (3), tautologias, carentes de conteúdo, apartados de toda e qualquer contingência.

O avanço quineano à lógica e à ciência como teoria do significado – ao vincular a produção de conhecimento à construção de linguagem - esvanece a distinção entre analítico e sintético, o que está plenamente dotado de sentido e o tautológico, afirmando que uma teoria é uma totalidade de enunciados, rede textual construída enquanto agenciamento de linguagem, na qual, ou em ao menos uma parte dessa trama reside o conteúdo objetivo: algo há na linguagem elaborada que corresponde à objetividade, derivando o que é verdadeiro. Para atingir a verdade, é preciso enunciar, construir ou projetar a linguagem. A verdade depende de elaboração de um projeto, um texto que visa à objetividade e a representa como potência, organização que contém o sentido, e estende-se para além dele.

Uma teoria é uma trama, projeto ou potência do real expresso em enunciados, admitindo, segundo Quine (4), núcleo e periferia: núcleo, onde reside o sentido primordial ou conteúdo fundamental ao entendimento daquele sistema, e periferia, sujeita à contestação, à transformação e contaminação empírica. A teoria, linguagem produzida, não guarda vínculos necessários, lineares ou diretos com a objetividade, - com a experiência na íntegra: uma teoria é elaboração de significados que podem ser, e que em certa medida, correspondem à objetividade. Teoria também é forma, admitindo organização, sintaxe ou estética, dentro da qual reside o sentido, ou sua possibilidade.

Combater o reducionismo é dizer que um enunciado somente tem significado em relação aos outros, no contexto da teoria, jamais adquirindo valor de verdade como proposição isolada. Uma teoria científica é um sistema de proposições coeso e conexo, construção sintática e semântica, cuja coesão depende das ligações das partes – toda teoria tem um núcleo semântico e também uma disposição, forma ou sistema – uma estética, no sentido grego da aisthesis – percepção, sensação – o que se depreende do agenciamento das conexões de enunciados.

Uma teoria científica, na acepção quineana, é um todo inter-relacionado de enunciados que mantém contato com a experiência e a mudança “em sua periferia”; esta visão explica porque teorias criticadas e sujeitas a abalos justificados por transformações objetivas, introduzindo “fatos” que não são por elas explicados, resistem ao tempo. A teoria marxista, concebida sob a economia clássica sofreu devido à transição ao marginalismo, e continua prevalecendo, por uma posição defensável dos direitos sociais e avanço em direção à sociedade democrática e progressista – valores que consistem em seu núcleo, enquanto a periferia é o conjunto de proposições submissíveis à contestação empírica. O sentido desta teoria reside no conjunto das proposições presentes em algum lugar da rede que a constitui, evitando-se com esta crença o reducionismo ou atomismo, para os quais uma única proposição é verdadeira ou falsa. O holismo de Quine considera a verdade produto do sistema proposicional, dependente da “arquitetura” sintática (conexões das proposições, em busca do todo) e semântica, sugerindo dependência entre sentido e conectividade.

Um projeto de arquitetura e urbanismo apresenta um núcleo constituído por um conjunto de proposições: atividades, usos, relações econômico-sociais e técnicas que se apresentam em cada experiência como o que está determinado, podendo modificar-se formal, estética e materialmente, mantendo a permanência desse núcleo. Tais assertivas estarão ao fim do processo projetual, integradas ao espaço produzido, sendo o projeto a construção de um sistema de dependência espacial – relação indissociável entre espaço e objetividade -, embora arquitetos e urbanistas a produzam intrinsecamente ao usar de sua expressão específica, o projeto de arquitetura e urbanismo. 

A postura holista e pragmática de Quine, em busca do sentido e da referência objetiva no processo da elaboração textual da teoria, significou substancial diferença frente às visões de ciência dos neopositivistas, como Russell e o primeiro Wiitgenstein (5) opondo-se frontalmente ao reducionismo. A construção de linguagem se verificaria também nas ciências duras, como a física: “Assim, as teorias passam a ser construídas, inventadas e postas por uma decisão do pensamento. Tal decisão, decerto, é orientada, no caso da física, para uma representação descritiva e explicativa dos fenômenos da natureza e, no caso da matemática, para a consistência interna de seus conteúdos próprios. A construção, que resulta de uma invenção, é, nos dois casos, submetida a restrições. Mas nem por isso deixa de ser uma invenção, uma criação” (6).

O significado objetivo se distribui na construção linguística, não havendo ocorrendo discretamente em enunciados simples; o significado depende de relações textuais e articulação das partes na totalidade significativa. Se uma teoria é também sistema de conexões, o projeto de arquitetura e urbanismo como linguagem traduz a dependência entre espaço, vizinhanças e sentido, definido pelo conjunto de proposições, eventos ou “fatos” espacialmente definidos.

O projeto de arquitetura e urbanismo é um tecido de relações dependente do espaço, dialética de enunciados transformados e agenciados espacialmente. Bachelard (7) afirma que o conhecimento avança ao depender da espacialidade – através da mudança das relações espaciais, articulando significação e topologia, o conhecimento se torna dependente do espaço.

Quine e Bachelard contribuem para identificar a ciência a uma prática em que linguagem e espaço são indissociáveis. Avançam diante de sistemas de pensamento que jamais introduziram o espaço em suas considerações, evidenciando que a ciência depende de proposições topologicamente condicionadas e complexas, em que o espaço é condição para distribuir o conteúdo e o valor de verdade nas proposições, juntando a teoria quineana à epistemologia de Bachelard.

O conceito de espaço se afasta da intuição primitiva de unicidade, homogeneidade e vazio (8) – permitindo avançar a espaços, ou ao espaço heterogêneo, dotado de propriedades singulares instrumentalizando a experiência, promovendo múltiplos agenciamentos entre linguagem e objetividade: espaços, que produzem a dependência de variáveis, proposições ou conteúdos. O espaço homogêneo se revela então como resultado da interpretação e concentração de atributos, tais como em clusters, - compreensão abstrata de categorias que caracterizam eventos ou situações. Exemplo: a concentração de edifícios verticais residenciais em uma área da cidade pode parecer homogênea, mas a categoria não dispensa o entendimento do território alvo como heterogêneo: tais áreas não são exclusivamente constituídas por essa tipologia arquitetônica, carecendo relacioná-la a outros atributos, no mínimo com o sistema viário, e a correlação expressa um território heterogeneamente conformado. 

Ciências tais como ecologia da paisagem e econometria vem gerando importantes aplicações, utilizando-se de alguns instrumentos como os SIG (Sistemas de Informação Georreferenciada), que comprovam a dependência espacial de variáveis, ao demonstrar imbricação entre espaço e conteúdo socioeconômico e cultural.

Estes campos de conhecimento comprovam a dependência como causa explicativa de fenômenos, demonstrando a influência do espaço nas relações causais de variáveis que carregam significado, utilizando-se de indicadores geoestatísticos, a exemplo do Índice de Moran[1], matrizes de conectividade, temas e práticas que evidenciam o interesse e a procura por instrumentos comprobatórios da dependência entre espaço e objetividade (9).

A correlação espacial de variáveis se evidencia como um instrumento metodológico para verificar causa e efeito; no entanto, o projeto arquitetônico e urbanístico é igualmente um meio para a proposição de relações espaciais articuladoras de nexos. Enquanto esses vários campos vêm demonstrando a dependência espacial como base da causalidade, e com isso a verifiquem diretamente afirmando atributos espaciais como fundamento da causalidade, - ainda se crê que o projeto de arquitetura e urbanismo, embora gerador de múltiplas espacialidades visando à referência objetiva que é o território, dotado de complexidade socioeconômica e cultural, não seja produção de conhecimento.     

É preciso desconstruir que o projeto seja incapaz de revelar sua natureza cognitiva por admitir formalização e orientação estética. Ao compreender a estética em seu sentido etimológico - de percepção, e explicando-a como correlação espacial e vizinhança, o projeto reafirma sua natureza estética e objetiva, como texto cujo enunciado desencadeia a dependência de uma trama.

Espaço como representação de eventos e proposições complexos: o projeto de arquitetura e urbanismo

O espaço é condição primordial para que arquitetos se expressem e proponham modos de vida e ação, e sua representação como projeto, instrumento para falar do mundo e transformá-lo. O que é então, sob esta perspectiva, o projeto, em suas múltiplas possibilidades e escalas, do edifício à cidade, como relação entre linguagem e objetividade? Estruturas topológicas - conexões e vizinhanças, - informadas de sentido: articulação propositiva de uma visão de mundo, em sua especificidade e inovação, o projeto expressa um conjunto de proposições a respeito do mundo – tecido textual que engendra o sentido.

Simultaneidade, sincronia e multidirecionalidade, o projeto como linguagem é exercício de subjetividade e objetividade, propondo um corte no tempo – cross section: projetar é justapor, relacionar o próximo ao longínquo e transformar ambos, estabelecer fronteiras e o que está lado a lado e integrá-los, agregando o que está disperso, vivenciando uma experiência do mundo semelhante a uma rede que articula pontos, e que se intersecta com a sua própria meada, uma vivência que se vai enriquecendo com o tempo.

O estruturalismo, ou o conhecimento agrupado sob este nome demasiadamente vago, é um esforço para estabelecer, entre os elementos associados no tempo, um conjunto de relações que os apresente justapostos, contrapostos, implícito uns pelos outros – apresente-os com determinada configuração (10). Não somente substantivo, mas ação e verbo, espacializar implica na construção da trama, para além do conceito estático de disposição – sistema de relações e proximidade entre pontos, elementos; séries ou grelhas transformam a interpretação estática do espaço como meio ou vazio em que se dispõem as coisas, para conceituar o espaço social em que se concretizam objetos, como fruto do trabalho técnico (11). O trabalho técnico na forma de armazenamento de dados ou circulação de processos heterogêneos possibilita na prática o mundo concreto: ”De uma forma ainda mais concreta, o problema da disposição das coisas surge à Humanidade na forma da demografia. Este problema do sítio humano ou do lugar vivo não se reduz apenas, a saber, se existirá ou não espaço para todas as pessoas no mundo – que é decerto importante – mas também saber que relações [...], que tipos de armazenamento, circulação, marcação e classificação de elementos humanos devem ser adoptadas em determinadas situações para atingir determinados fins. Em nossa época, os sítios se tornam, para nós, uma forma de relação entre vários sítios” (12).

O território é uma determinação ao mesmo tempo social e técnica. A espacialidade, indissociada de suas relações demográficas, é entendida não como quantidade de pessoas, mas considerando-as em seu movimento e dinâmicas – a mobilidade é então intrínseca ao território, bem como os objetos técnicos que o definem – rodovias, ferrovias, edificações, pontos, linhas e superfícies que o estruturam. Se, espaço e sociedade formam um só complexo, fenômenos sociais e econômicos dependem do espaço. 

Não habitamos o espaço homogêneo (13), mas imerso em quantidades e configurações topológicas determinadas. Mas, trata-se do “[...] espaço da nossa percepção primária, espaço dos nossos sonhos e o espaço das nossas paixões encerram em si próprios qualidades à primeira vista intrínsecas” (14). Espaço heterogêneo, ao negar o vazio, determinado por pessoas, coisas, séries e relações que produzem lugares, irredutíveis e singulares.

O espaço como signo, intermediação da objetividade, consiste em rede heterogênea, polissêmica e articuladora de múltiplos sentidos. A natureza do espaço como linguagem faz emergir outro problema: se Arte e Arquitetura antecipam o que “pode ser”, e consistem na recriação do “que há”, ao conhecer as propriedades do espaço criá-lo é orientar eventos futuros, influir decisivamente no tempo e na ação, e na transformação do curso da história.   

Este debate é tão antigo quanto a filosofia: Quine (15)  o alenta, ao dizer que a ontologia prima pela simplicidade, ao buscar resposta à pergunta “O que é que há?”, e o que há, diz, é simplesmente “tudo”: há o que há. Mas por que arquitetos se preocupariam com esta discussão, aparentemente distante da concepção pragmática do espaço, objeto da profissão? 

Ao definir a criação arquitetônica como proposição de espaço, na fronteira com a criação artística, se é levado a crer que arquitetos concebam o que não existe.  Então, se pode dizer que há alguma coisa que não há, e atingir esse “não ser” corresponde à inventividade da mente imaginativa. Assim, Pégaso, exemplo clássico de aparente irrealidade da criação, pode não ser.

Quine (16) dirá que esse tipo de argumentação evidencia a ontologia, sendo “[...] o velho enigma platônico do não-ser. O não-ser deve em algum sentido ser, caso contrário o que seria aquilo, que não é?”. E ao prosseguir, polemiza o ser do Partenon, que tem existência física e outra, como ideia-Partenon: mas quando alguém se volta para o ser de Pegaso, o senso comum convida dizer que Pegaso não há.  Mas, há algo que não há – Pegaso, e então a contradição do enigma platônico sugere que a entidade de Pegaso é possível.

O paradoxo confere grande liberdade à proposição do possível, como a criação de um compromisso, ou “um ser em potencial”. À primeira vista, o possível é uma objetividade instrumental, uma crença pragmática em algo como possibilidade - o termo “pragmatisch”, introduzido por Kant (17), tem um significado distinto do que é prático, problematizando o senso comum. Para Foucault (18) pragmático significa experimental, no sentido que Nietzsche propugnou, da sociedade como experiência, tentativa de superação do antigo dilema entre o transcendental e o que é empiricamente determinado: nem um nem outro, o importante é superar o dilema, postulando que não há pressupostos ou transcendentais que determinem quem somos, só nos resta inventar-nos – inventarmos a nós e aos nossos mundos.

Peirce (19) ao retomar Kant, e ao combater todo determinismo, faz renascer o problema da invenção, caro à arte e à arquitetura - não nos limitamos a reagir a partir de formas preestabelecidas. E o problema da invenção é relativo às coisas em formação e mudança, para as quais não temos resposta preconcebida: movemo-nos em um fluxo em direção da criação, de uma “objetividade” captada na trama da linguagem, que nos cabe construir. Para dar conta da ausência de pré-concepções, é preciso projetá-las – tomando-as possíveis, projetando-as como enunciação e linguagem (s).

Rompe-se, com os possíveis, a inexorável relação causal entre existência e realidade, instaurando outra forma de diálogo entre ser e linguagem: se houvesse um cavalo alado de carne e osso, Pegaso nomearia algo com implicações espaço-temporais; se consiste, no entanto, em um possível, sua representação e ser apontam para uma referência, como algo que tem sentido, e, no entanto, não tem de fato referência: se completássemos com um número o conjunto dos cavalos alados, esse número seria zero. Este debate é de grande interesse aos arquitetos e artistas – o projeto como representação e domínio do possível é espaço e tempo possíveis: “[...] é de esperar um pequeno progresso efetivo nessa análise por expandirmos nosso universo a fim de nele incluir as chamadas entidades possíveis. Suspeito que o principal motivo dessa expansão seja simplesmente a velha ideia de que Pégaso, por exemplo, deva ser, porque caso contrário não teria sentido dizer nem mesmo que ele não é.” (20).

O pragmatismo da linguagem e da possibilidade foi abordado por Foucault, desvendando estratégias de poder da sociedade disciplinar, no Panopticon de Bentham (21), como esquema geral, “diagrama do poder”. O diagrama induz uma estratégia implícita de caráter espaço-temporal no controle social exercido, o que poderia ser estendido à fábrica, espaço doméstico, quartel ou hospital. O diagrama é abstração, condição estrutural do espaço, do poder e relações, expressando-se singularmente em dependências espaciais.  Criticamente, o diagrama diagnostica, evidencia uma semântica, e aponta para um futuro incerto. A questão levantada por Foucault, diante da consciência de transformação do mundo e da sociedade, e o “diagrama”, não atinge apenas o espaço controlado disciplinarmente, mas os demais espaços da cidade, igualmente mapeados, reconhecidos e recriados – com a estrutura espacial funcionando como instrumento para compreender eventos.

As relações espaciais devem se transformar: se, na sociedade disciplinar de finais do século XVIII, o Panopticon exigia interconexões e fluxos para conectar ambientes fechados, cuja fronteira seria as grossas paredes, o espaço urbano hoje demanda ser “diagramado” e diagnosticado por outras modalidades de pensamento do tempo-espaço (22), imperioso se torna acompanhar a velocidade das transformações urbanas, projetando-as. Diagramizar significa agenciar novos espaços, ao compreender que um mundo possível advém de outras relações de significado expressas por modelos dinâmicos de espaço-tempo – fluxos e percursos, formas de relacionamento e conectividade – novas possibilidades. A discussão dos diagramas tem um sentido: novos espaços, nova objetividade – o sentido depende do espaço, e é dele uma forma de dependência.    

No século XX, Bertrand Russell contribuiu para fazer avançar esta questão, frisando a necessidade de construir o sentido quando se busca pragmaticamente um possível: continuando a tradição de Frege (23), distinguiu entre sentido e referência - ao visar-se à referência, constrói-se o sentido – reduzindo dessa maneira a distância entre o ser e sua significação. Russell dedicou um tempo à demonstração de que há sentido em descrições que aparentemente não nomeiam existências – o que tem sentido nem sempre tem referência; logo um possível tem também um ser – visa à objetividade, da maneira como o projeto, no campo da arquitetura o faz.

Russell (24) analisando o sentido em construções linguísticas complexas transita do nome (conceito) a cadeias textuais, enunciando que o sentido está no texto e não nas partes que o constituem. O sentido vai além da proposição, e se lança ao conjunto dos elementos capazes de formulá-lo; é sempre um jogo de traduções - de remissões a outras proposições e diagramas, um fazer-se, mediado pelo signo. 

A significação implica relação e conjunto de signos, e consequentemente, espaço: todo conjunto tem um dentro e fora, limites, bordas e fronteiras, - conjuntos são relações não somente entre partes de um todo, mas que se realizam no espaço, e dependem de relações de vizinhança - de topologias.

A ideia de que a interface entre linguagem e mundo se dá de maneira sistêmica e espacializada, a partir de um conjunto de relações, provém do holismo aristotélico, para o qual o todo é maior do que a soma de suas partes e no interior de totalidades se encontra o sentido.  Este conceito foi retomado por Kant em sua lógica das modalidades (25), na qual juízos modais dizem respeito à possibilidade ou necessidade. O sentido depende do modus em que se opera a relação entre juízos: expressa o “modo do ser”, insinuando uma lógica dependente da configuração, do espaço e da topologia (26).

Assim, se um ponto tem uma localização vaga em um continuum, um evento ou proposição isolada, ao articular-se a outras, estabelece uma topo-lógica: define uma estrutura, ao precisar a localização e inserir um ponto em um plano, e em torno dele uma vizinhança, borda ou limite, definindo uma configuração, como um círculo. A ligação entre pontos determina estruturas nas quais estes são centros irradiadores de conexões, articuladas por linhas e planos. Determina-se uma estrutura espacial ao contínuo, transformando o espaço neutro e “vazio” em similar definido por propriedades, e um ponto isolado em elemento de uma série, parte de uma vizinhança.

A lógica topológica demonstra a criação da vizinhança: para Aristóteles (27), integra a reprodução de séries à criação da possibilidade - os sentidos serão tantos quantos forem as séries espaciais e suas vizinhanças (28). A lógica topológico-modal pode incluir a potencialidade da História, em sua condição aberta de possibilidade, envolvendo espaço e tempo – para captar a historicidade (tempo), há que criar espaço – o texto. A lógica modal kantiana implica em assertivas do tipo “é necessário que”, permitindo enunciar “é possível que...”, e elementos de possíveis séries adquirem sentido, transformando “nada”, ou o não-ser do espaço em ser: uma série condicionada por elementos e suas qualidades. Este raciocínio fundamenta a integração entre sentido e topologia, eventos e espaços, atribuindo qualidades a sistemas topológicos, e pensando sua representação.

A significação, na teoria dos conjuntos, não significa correlação direta e linear com o que é “verdadeiro”, mas se explica pelo domínio da representação - permite enunciar possíveis, como Pégaso. O significado do enunciado não pressupõe diretamente a entidade nomeada. Que dizer de "Pégaso"? Como converter um nome, que tem sentido e não necessariamente referência, em expressão complexa e descritiva, como segue à estratégia de Russell e à lógica modal? Poderíamos recorrer ao atributo de ser Pégaso, expressando-o como verbo: "é-Pégaso", ou "pegaseiar". O substantivo-verbo "Pégaso" é um derivado, quando submetido à descrição: "a coisa que é-Pégaso", "a coisa que pegaseia". (29).

Nada há de verdadeiro de per se: tão somente compromissos com o possível, exigindo variáveis ligadas, construções gerais e descritivas que dependem de jogos de linguagem, em que um nível fala do outro e o explicita. Mecanismo de significação por tradução, é um jogo aberto ininterrupto de linguagem, deslocamento de um signo a outro, e Quine (30) define o ser consistindo na construção de um domínio de referência – uma topo-lógica. O ser é o que se pode capturar com a linguagem e o espaço: a ciência lida com seleção e recorte - uma teoria, ou discurso, comprometidos com “[...] aquelas e apenas com aquelas entidades a que as variáveis ligadas da teoria devem ser capazes de se referir a fim de que as afirmações feitas na teoria sejam verdadeiras” (31).

Para Quine (32), o empirismo não resolveu a relação entre linguagem e real ao partir de falso pressuposto, não solucionando qual o conteúdo empírico de cada enunciado, por este não residir em enunciados isolados. O predicado “verdadeiro”, atribuível às relações entre linguagem (teoria, sistema de signos ou projeto de arquitetura) e mundo (conteúdo ou domínio objetivo) requer a crítica de que o conteúdo objetivo de enunciados não pode ser validado por proposições isoladas: “La diferencia fundamental es que mientras para Wittgenstein hay una correspondência estática entre lós elementos y relaciones de la representación con su correlato en la realidad, en Quine esta correspondência parece dinâmica y no completa. Es decir, no se corresponden todos ló términos si no solo algunos, y además estos no tienen que ser siempre lós mismos” (33). Quine não abandona o significado empírico da ciência, mas contrariando o empirismo tradicional advoga a indivisibilidade do significado, opondo-se à dicotomia entre ciência natural e matemática e lógica, combatendo a separação entre juízos sintéticos e analíticos: embora mantendo a relação da teoria à linguagem e à experiência, não credita a verdade a enunciados isolados.

Quine e Bachelard articulam uma visão holista do sentido ao espaço, traduzindo a posição de ciências que buscam técnicas de verificação da “dependência espacial”. A ecologia da paisagem (34) seleciona um conjunto de variáveis relacionando-as e explicando a transformação da paisagem pelo espaço e propriedades, selecionando amostras de eventos e dados, explicitando-os como dependentes espacialmente. Recorre a instrumentos de representação das vizinhanças: matrizes de conectividade e testes estatísticos de significação (I de Moran) para explorar e quantificar fenômenos espacialmente dependentes. Ao abordar o “que há” explica que a ciência se municia de instrumentos de representação espacial, e por intermédio deles, se refere ao mundo como possibilidade – pratica aproximação empírico-racional, dependendo da linguagem e do espaço. Uma teoria é um sistema de enunciados encadeados, um tecido apontando para a objetividade, expressando-se por um complexo de significações, do mesmo modo que uma matriz de conectividade é instrumento teórico possibilitando às ciências do espaço abordar a objetividade. Matrizes representam, são linguagem, e afirmam sua potencialidade de se referir ao que é que há.

A pretensão de que a ciência se debruce sobre “questões de fato” e explicite o “real” é então questionada, resgatando a epistemologia como instrumento, organon da ciência a fim de explorar a referência (35).

O esforço da técnica de autocorrelação espacial é verificar o sentido voltado à referência, valendo a proposta quineana de indiferenciação entre analítico e sintético. Matrizes de conectividade são forma de representação, linguagem que articula relações analíticas e topológicas (vizinhanças) qualitativas a uma quantificação. O mesmo signo (matriz), representando um recorte ou limite territorial escolhido, pode transformar qualidade em quantidade e vice-versa, contribuindo para demonstrar que o espaço e sua representação exibem a integração entre signo e referência, e afirmam a proposta quineana de fronteira tênue entre analítico e sintético, como a própria topologia o demonstra, pois todo conjunto métrico é também topológico (36).

Para definir o significado, Quine lança mão de Frege: há diferença de sentido entre “estrela da manhã” e “estrela da tarde”, designando a mesma referência que é Vênus, sendo ambas as proposições constructos de sentidos diferentes da mesma referência.

Quando se investiga a dependência entre espaço e variáveis em determinado território, ao construir matrizes de adjacência que a demonstram se opera a busca de sentidos para uma extensão territorial: há muitos sentidos quantas espacialidades ou adjacências puderem ser criadas. Relações de dependência são “possíveis”, cuja autocorrelação pode ser encontrada com instrumentos geoestatísticos, aplicando-se indicadores específicos. Para encontrar autocorrelação espacial, possibilidades que visam à referência precisam ser exploradas, e matrizes e indicadores são instrumentos de representação que possibilitam a descoberta de mundos possíveis.

Quine afirma que o sentido holista de uma trama de linguagem admite um centro semântico que torna o conjunto consistente, e uma periferia, cujo valor de verdade depende de verificação empírica: em uma teoria do espaço, o centro é a estrutura de vizinhança e a heterogeneidade; a periferia, as diversas verificações estatísticas que procuram a relação entre adjacências e variáveis.    

Quando se faz um grafo representando conectividades do território, e uma matriz de adjacência, estes signos traduzem parcialmente o significado da mesma referência (o território), e quando se procura autocorrelação espacial explorando grafos ou estruturas, a leitura do território será distinta conforme os grafos e matrizes.

Grafos e matrizes se voltam à referência do território, exemplificando a busca de possíveis, aludindo à arbitrariedade das escolhas: “Estime o modelo de interesse; em seguida teste a presença de autocorrelação espacial por meio do I de Moran para diversas matrizes, contendo K vizinhos mais próximos, onde K deve variar, por exemplo, de 1 a 20; Finalmente, escolhe-se a matriz de vizinhança que produza o maior valor de I de Moran” (37), um teste de significação  estatístico. A matriz, ou as vinte enunciadas, embora revelem a dependência e vizinhança, não pode defini-las, como um signo tão somente representativo. Instrumento analítico para demonstrar autocorrelação espacial – reafirmar que o espaço tem a propriedade de agregar dados e modificá-los. Testam-se 20 matrizes de conectividade, escolhendo a que explicita mais vínculos empíricos. O procedimento é utilizado cientificamente para testar a relação da variável com o espaço, definindo a relação entre uma variável e o espaço, utilizando a expressão “teste de significação”. O índice de significação expressa a relação entre a variável, o espaço e o domínio empírico. A matriz de conectividade é uma representação de relações sincrônicas e multidirecionais, consistindo em um processo de construção de múltiplos instrumentos de representação. Após definir a matriz de conectividade, se escolherá uma metodologia de regressão, conforme o especialista julgar mais adequado, verificando-se aí a então a teoria de Quine, em que a trama da linguagem pode captar a realidade. Conforme Santos (38), se várias teorias passíveis de comprovação empírica descrevem os mesmos eventos, é possível escolher aquela que os exprime de forma mais sintética, demonstrando que a expressão da ciência é também um signo, um recorte seleto de enunciados, dentre os quais há os que melhor expressam o conteúdo empírico, e têm por isso a melhor forma, ou estética. 

Um arquiteto ou urbanista, ao projetar em uma superfície, como a de um Projeto Urbano, cria e recria muitas vezes as conectividades e suas qualidades, podendo propor bem mais de 20 possíveis projetos – demonstrando a potência significativa do projeto e do espaço. Arquitetos e urbanistas definem relações espaciais, contiguidades e qualidades ambientais, determinando novos arranjos ao que pré-existe, recriando o ambiente. Quando um ou vários projetos são executados com benefícios sócio-territoriais a partir da transformação espacial, agregam-se sentidos, fundamentados em uma potência de mudança que supera como criação a análise do que está estabelecido e é simplesmente objeto de leitura das ciências apresentadas, gerando autocorrelações espaciais com base no gesto projetual. As ciências mencionadas operam com a autocorrelação espacial para reconhecer o que está determinado; a arquitetura e o urbanismo transformam a realidade a partir de seus instrumentos e do que existe, explorando possibilidades de sentidos multidirecionais, e não apenas realizando uma constatação.

Ao criar correlações, transforma-se a objetividade espacial intrínseca não apenas por vontade, mas visando um novo equilíbrio de usos e atividades, trazendo benefícios à sociedade: “[...] El pensamiento territorial se va orientando no tanto hace el crecimiento, como al equilibrio y toma fuerza y reconocimiento de la necesidad ética y económica de corregir los desequilibrios territoriales que han causado el propio desarrollo” (39).

Quando se constatam transformação de índices nas áreas alvo de projetos, é possível dizer que a arquitetura e o urbanismo atingem condição científica. O instrumento do projeto como representação é meio para criar correlação espacial social e historicamente condicionado para prover equilíbrio ao território. O projeto é um instrumento de previsão e proposta de uma realidade futura através do passado e presente, como Quine definiu a ciência: “[...] predecir la experiência futura a la luz de la experiência pasada” (40).

Se a linguagem é uma arte social, as formas pelas quais se articula um tecido de signos para a enunciação envolve um conjunto de “[...] disposições e comportamentos verbais” (41), e da disposição em responder a estímulos socialmente determinados. A linguagem é assim um dispositivo e processo de “[...] complexidade de sistematização da experiência” (42), não apenas presente, mas passada e futura – a linguagem permite a sistematização do possível, requerendo não apenas sentenças, mas sua relação.

Considerações finais

O que vale talvez não seja definir “o que há”, mas compreender que uma proposição e um conjunto delas, na forma de teoria ou doutrina, ou conjunto de enunciados, dizem que há: enunciam possíveis, e determinam domínios de referência e significação, querendo dizer que a ciência depende da construção de um domínio estético-formal, do sistema de representação para amparar o conteúdo empírico, tal como a representação do espaço se relaciona por dependência à objetividade, demonstrado no projeto de arquitetura e urbanismo. O objetivo não foi submeter a ciência à arquitetura ou vice-versa, mas aproximá-las, com base em uma teoria do sentido e do espaço, compreensão de que o projeto é construção do que é possível, indicando para a relação entre espaço e dados, sentido e referência e construindo mundos possíveis..

Quando se deseja compreender como conteúdos se relacionam e dependem do espaço, verifica-se que este expressa a dependência de um conjunto de proposições ou atributos, o que faz dessas relações fatores intrínsecos à sua existência, na medida em que é preciso enunciar esses sistemas de significação espacial.

notas

NE
Esta é a segunda parte do artigo: ABASCAL, Eunice Helena S.; ABASCAL BILBAO, Carlos . Arquitetura e ciência. Dependência espacial, projeto e objetividade. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 162.04, Vitruvius, nov. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.162/4971>. 

1
QUINE, Willard Van Orman. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011.

2
CAORSI, Carlos E. “Quine”. In: Revista Relaciones. Disponível em C:\Users\Eunic\AppData\Local\Microsoft\Windows\Temporary Internet Files\Content.IE5\KWQV83UC\Quine, de Carlos E_ Caorsi.htm.  Acessado em março de 2013.

3
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tratactus Logico-Philosophicus. Tradução de Luiz Henrique Lopes dos Santos. São Paulo, EDUSP, 2001.

4
QUINE, W. V. O. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011.

5
WITTGENSTEIN, Ludwig. Id., Ibid.

6
PATY, Michel. A criação científica segundo Poincaré e Einstein. Estudos Avançados. vol.15 no. 41 São Paulo Janeiro/Abril de 2001. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000100013

7
BACHELARD, Gaston. A experiência do espaço na física contemporânea. Rio de Janeiro, Contraponto, 2009.

8
Id., IBID. 

9
FOUCAULT, Michel. De outros espaços. Conferência proferida por Michel Foucault no Cercle d'Études Architecturales, em 14 de Março de 1967. Disponível em E:\ARQ E CIÊNCIA 3\De Outros Espaços.mht. Acessado em fevereiro de 2013.

10
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.

11
ABASCAL, Eunice Helena S.; BILBAO, Carlos A. Arquitetura e Ciência: dependência espacial, projeto e objetividade.  In: Arquitextos, 2013.

12
FOUCAULT, Michel. De outros espaços. Conferência proferida por Michel Foucault no Cercle d'Études Architecturales, em 14 de Março de 1967. Disponível em E:\ARQ E CIÊNCIA 3\De Outros Espaços.mht. Acessado em fevereiro de 2013.

13
BACHELARD, Gaston. A experiência do espaço na física contemporânea. Rio de Janeiro, Contraponto, 2009.

14
FOUCAULT, Michel. De outros espaços. Conferência proferida por Michel Foucault no Cercle d'Études Architecturales, em 14 de Março de 1967. Disponível em E:\ARQ E CIÊNCIA 3\De Outros Espaços.mht. Acessado em fevereiro de 2013.

15
QUINE Willard Van Orman. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011.

16
IBID., p. 223.

17
KANT, apud RAJCHMAN, John. Um novo pragmatismo? [1998] In: SYKES, Krista. O campo ampliado da arquitetura: Antologia teórica (1993-2009). São Paulo, Cosac & Naify, 2013.

18
FOUCAULT, Michel apud RAJCHMAN, John. Id., IBID.

19
PEIRCE, Charles Sanders apud RAJCHMAN, John. Id., IBID.

20
QUINE, Willard Van Orman. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011, p. 225.  

21
RAJCHMAN, John. Um novo pragmatismo? [1998] In: SYKES, Krista. O campo ampliado da arquitetura: Antologia teórica (1993-2009). São Paulo, Cosac & Naify, 2013.

22
Id., IBID.

23
FREGE, Gottlob, Ensayos de semántica y Filosofía de la Lógica. Edición, introducción y notas de Luis M. Valdés Villanueva. Madrid, Ed. Tecnos, 1998.

24
RUSSELL, Bertrand apud QUINE, Willard Van Orman. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011.

25
MORA, J. Ferrater. Diccionário de Filosofia. Tomo III. São Paulo, Edições Loyola, 1994.

26
Id. Ibid.

27
Id., IBID.

28
Op. Cit.

29
QUINE, Willard Van Orman. De um ponto de vista lógico. Bauru, Ed. UNESP, 2011.

30
IBID., p. 231.

31
SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. “Quine e os dogmas do empirismo” In: Revista Discurso, Ano V, nº 6, 1975. PP. 61-72.

32
YWATA, Alexandre Xavier de Carvalho; ALBUQUERQUE, Pedro Henrique de Melo. “Métodos e modelos em econometria espacial – uma revisão”. Disponível em jaguar.fcav.unesp.br/RME/fascículos/V29/V29na/Alexandre.pdf.

33
SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. “Quine e os dogmas do empirismo” In: Revista Discurso, Ano V, nº 6, 1975. PP. 61-72.

34
GALIANA, Luis; VINUESA, Julio (coords.) (2010). Teoría y práctica para una ordenación racional del territorio. Madrid, Editorial Síntesis, 2006,  p. 27.

35
QUINE, apud SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. “Quine e os dogmas do empirismo” In: Revista Discurso, Ano V, nº 6, 1975.

36
ABASCAL, Eunice Helena S.; BILBAO, Carlos Abascal. Arquitetura e ciência topologia e intencionalidade em projeto, fronteiras. In: Arquitextos, 137.01, ano 12, outubro de 2011. Disponível em http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.137/4091.

37
YWATA, Alexandre Xavier de Carvalho; ALBUQUERQUE, Pedro Henrique de Melo. “Métodos e modelos em econometria espacial – uma revisão”. Disponível em jaguar.fcav.unesp.br/RME/fascículos/V29/V29na/Alexandre.pdf.

38
SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. “Quine e os dogmas do empirismo” In: Revista Discurso, Ano V, nº 6, 1975.

39
GALIANA, Luis; VINUESA, Julio (coords.) (2010). Teoría y práctica para una ordenación racional del territorio. Madrid, Editorial Síntesis, 2006.

40
RODRÍGUEZ, RODRÍGUEZ, Miguel Martínez. Dos dogmas del empirismo. La conquista de la suerte. 2007/2008, p. 13. Disponível em: http://www.ficction.sdf-eu.org/septiembre/quine/3.quine.miguelmartinez.pdf. Acessado em maio de 2013. 

41
SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. “Quine e os dogmas do empirismo” In: Revista Discurso, Ano V, nº 6, 1975, p. 67.

42
SANTOS, Luiz Henrique Lopes dos. Id., IBID., p. 68. 

sobre os autores

Eunice Helena S. Abascal. Arquiteta e urbanista, professora da área de História e Teoria da Arquitetura da FAU Mackenzie, docente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Coordenadora do PPGAU UPM.

Carlos Abascal Bilbao. Arquiteto e Urbanista, Mestre em Ciências Sociais pela Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais (FESP) da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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