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PORTAL VITRUVIUS. Concurso Público Nacional de Valorização da Paisagem Urbana de Santa Tereza RS. Projetos, São Paulo, ano 04, n. 044.03, Vitruvius, ago. 2004 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.044/2413>.


Explicação necessária

O conjunto de intervenções proposto para requalificação ambiental, turística e paisagística do município de Santa Tereza se assenta sobre as seguintes premissas:

O máximo respeito aos monumentos e referências históricas existentes, buscando reduzir o impacto de edificações mais recentes e menos integradas ao conjunto, como a Igreja e a caixa d’água da praça Maximiliano Cremonese, e valorizar, através da intervenção, estruturas de espaço aberto relevantes como a praça com o campanário, a orla do Taquari, o arruamento e sua relação com o casario eclético, a ponte pênsil, o percurso de chegada à cidade.

A preservação da ambiência que caracteriza o conjunto urbano definido pelo núcleo histórico, de forte influência italiana, de modo a evitar que as intervenções se sobreponham em importância, aparência e monumentalidade em relação aos edifícios e elementos significativos existentes.

A consideração dos usos que hoje tomam lugar nos espaços públicos em questão, potencializando a ocupação humana e propondo novas alternativas que venham permitir eventos importantes para o turismo e para os moradores e sua vida cotidiana.

A busca por soluções de grande economia e simplicidade construtiva, sempre pensadas a partir da premissa da qualificação dos espaços para o uso público, e que permitem também a execução em etapas, conforme as prioridades e a disponibilidade de recursos do município.

A utilização de materiais locais nos mais diversos modos de aplicação conhecidos e em outros, reinterpretados a partir da tradição construtiva que lhes deu origem, recorrentes nas tipologias arquitetônicas e nos padrões construtivos históricos e contemporâneos, de modo a buscar maior assimilação da técnica e maior harmonia plástica entre os elementos propostos e o conjunto existente. A aplicação destes materiais busca ainda reforçar características e hierarquias existentes. Para isso, diferencia didaticamente intervenções públicas pelo uso da pedra do lugar, o basalto preto com fenocristais, em contraposição às intervenções de caráter privado  muros, muretas e demais demarcações territoriais do espaço privado -, a serem padronizadas pela utilização do basalto rosa, encontrado na região e de uso já recorrente nestes tipos de vedação. Diferencia hierarquicamente o principal elemento da estruturação urbana e paisagística do núcleo histórico, a Praça Maximiliano Cremonese, através da aplicação do tijolo, de modo a configurar uma unidade entre espaço público e monumento  o Campanário. Por último, reinterpreta nas edificações públicas propostas a tradição construtiva do lugar, com clara diferenciação dos embasamentos e porões em basalto preto, em sólidos muros, e as estruturas e vedações mais leves a eles sobrepostas, executadas em madeira contraplacada com coberturas metálicas galvanizadas.

Área de Intervenção 1 – Entroncamento da RS-444 com a Rua Roberto Prezzi

Para a área 1, propõe-se a valorização do percurso de acesso à cidade, de forma a demarcar com clareza um trecho de transição com ambiência distinta do restante da rodovia, enfatizando a presença da cidade e sua visualização à distância. Para isso, quatro iniciativas complementares são propostas:

  • A arborização linear da lateral esquerda da rodovia, promovendo um fechamento de uma de suas laterais e valorizando a abertura do vale e a vista da cidade, à direita de quem chega. Para esta arborização, indica-se a utilização do pinheiro (Araucaria angustifolia), que, embora mais comum em áreas de maior altitude, se desenvolve bem na região em função do clima frio. Permite a formação de grupamentos quase homogêneos, o que assegura um grande potencial paisagístico de demarcação do eixo de percurso de chegada à cidade;
  • A construção de calçadas nas duas laterais da pista, utilizando-se para sua execução do basalto preto característico do lugar na forma de paralelepípedos;
  • A regulamentação de um padrão de vedação frontal das casas e lotes lindeiros à via, com altura máxima de 1,30 metro, e utilizando o mesmo padrão de assentamento e o mesmo material das muretas existentes na área: o basalto rosa empilhado com assentamento tipo pedra seca. Essa definição permite a caracterização de uma unidade do conjunto pela continuidade e pelo uso de um mesmo material, de aplicação recorrente na cidade; assegura a relação entre a intervenção na área e as soluções adotadas no núcleo histórico; evita a obstrução da vista da paisagem pela baixa altura das muretas; por último, preserva o caráter de abertura que caracteriza as casas, conciliando-o com a necessidade de fechamento e proteção dos espaços privados;
  • A implantação de um Marco Referencial de acesso à cidade, no eixo da via, sobre a rotatória do entroncamento entre a Rodovia e a Rua Roberto Prezzi, com o mesmo padrão utilizado para a sinalização viária e turística proposto para implantação ao longo das rodovias.

Área de Intervenção 2 – Entroncamento da Rua Roberto Prezzi com a Rua José Francisco de Nadal, incluindo o Viaduto da RFFSA

Para a área 2, propõe-se a continuidade do padrão urbanístico e paisagístico definido para a área 1, a fim de enfatizar o conjunto como uma ambiência integrada e único percurso de acesso à cidade, em contraposição à definição de lugar e espaço de permanência que as intervenções no núcleo histórico e na orla devem apresentar. Para isso, as mesmas iniciativas são propostas  arborização linear, construção das calçadas e regulamentação do padrão das vedações frontais de lotes e edificações -, associadas às seguintes:

  • A configuração de um espaço de permanência junto à ponte da RFFSA, através da criação de um largo definido pela construção de uma contenção de pedra seca  basalto preto, que funciona como banco e mureta de proteção aos pedestres. Este espaço funciona como mirante, permitindo a visualização do Núcleo Histórico e do Campanário;
  • O redesenho dos canteiros no encontro entre a Rua Roberto Prezzi e a Rua José Francisco de Nadal, reduzindo a caixa pavimentada e ampliando as calçadas laterais, de modo a configurar pequenas praças arborizadas. Neste mesmo trecho, propõe-se a substituição da pavimentação asfáltica existente por paralelepípedos de basalto preto, de modo a reforçar para quem chega a necessária transição entre o percurso de chegada e o ingresso ao Núcleo Histórico;

Área de Intervenção 3 – Ponte Pênsil

Para a área 3, propõe-se a configuração de um espaço de permanência na cabeceira da ponte pênsil, a fim de potencializar o uso público da área e reforçar a possibilidade de fruição do monumento e de toda a área verde que margeia o Arroio Marrecão. Para isso, definem-se as seguintes intervenções:

A preservação da mureta de contenção lateral ao percurso de acesso à ponte, construída em pedra seca utilizando o basalto preto, típico do lugar. Além dos aspectos técnicos e funcionais imediatos, sua preservação permite a definição de um padrão simples, porém exemplar, de solução construtiva a ser incentivada especialmente para a edificação de porões, arrimos e contenções na cidade.

A substituição das balaustradas em concreto por muretas em basalto preto empilhado a seco, mais neutras e integradas aos padrões construtivos e materiais recorrentes na arquitetura local.

O redesenho urbano das áreas abertas e públicas da cabeceira da ponte junto ao Núcleo Histórico, ampliando as possibilidades de apropriação do espaço público através da configuração de pisos, muretas de proteção, bancos e áreas verdes que apresentam baixo custo para sua implementação.

Área de Intervenção 4 – Praça Maximiliano Cremonese e seu entorno

A proposta de intervenção na praça Maximiliano Cremonese se fundamenta na valorização da área como o principal espaço público da cidade, reforçando sua relação com o campanário e reduzindo o impacto da presença da igreja a fim de garantir a ambiência e acentuar a visibilidade do patrimônio cultural e natural.

Para isso, se propõem as seguintes intervenções:

  • Preservação da diferenciação entre uma área seca e mais elevada, com caráter cívico e religioso, funcionando como transição aberta para a igreja, e outra, mais bucólica e arborizada, com características de bosque, com pavimentação mais permeável, unificadas por uma extensa escadaria-arquibancada que aproveita o desnível existente para a configuração de um suporte para a ocupação humana;
  • A definição de uma paginação regular e ortogonal para o piso, tendo como ponto de referência para sua ordenação o Campanário. Elimina-se, com isso, a ordenação centralizada dos percursos de pedestre do bosque, reduzindo a excessiva valorização da caixa d'água, e ampliando as possibilidades de uso da área, sem a definição de canteiros. Tal paginação, além de reforçar a presença do monumento, permite a caracterização de unidade de toda a área, sem comprometer a variedade e a diferenciação citada. Faz uso de um único material, o tijolo de olaria, característico do lugar, de modo a estabelecer uma relação de continuidade com o Campanário, formando uma unidade em que monumento e espaço público se complementam;
  • A instalação de fachadas verdes ao redor da edificação da Igreja Matriz, construída nos anos 60 e dissonante em relação ao conjunto. Constituem-se de planos de estrutura metálica tubular e tela, pintados na cor verde e recobertos de vegetação, reduzindo o impacto da presença da igreja e de sua proximidade excessiva ao campanário e diluindo sua massa no verde da paisagem das montanhas e da vegetação das encostas do Rio Taquari e do Arroio Marrecão, especialmente nas visadas do conjunto urbano desde o percurso de acesso à cidade. Geometricamente dispostos ao redor da igreja, estes planos estabelecem uma ordenação ortogonal, mais coerente com o campanário e a praça, e define um espaço de transição entre a praça e o espaço interno da igreja ao modo de um deambulatório aberto;
  • A preservação de toda a vegetação de porte arbóreo na praça, a assegurar sombra e configurar espaços de permanência. Quando sobre o piso em tijolo, prevê-se a instalação de anéis permeáveis executados em barras metálicas de seção quadrada, assegurando a permeabilidade e a proteção da base e ao mesmo tempo permitindo a livre circulação de pedestres;
  • A atenuação da presença da caixa d’água com a utilização do mesmo recurso proposto para a igreja, integrando-a ao verde das copas das árvores que caracterizam o bosque. Associado a isso, propõe-se a transferência do viveiro ali instalado para o vazio existente por sob a caixa d’água, de forma a concentrar os elementos construídos em um único ponto, evitando a configuração de barreiras no vazio do espaço urbano.

Além destas intervenções no espaço da praça, propõem-se outras duas medidas no entorno, com o objetivo de requalificar os espaços do parque infantil e do mirante lateral à igreja:

  • no parque infantil, propõe-se substituir a escada de acesso existente por rampa, com declividade e equipamentos de proteção conforme determina a Norma Brasileira de Acessibilidade NBR 9050, tornando o acesso à área mais seguro e universal. Na área do parque, uma singela intervenção substituiria as balaustradas por mureta em basalto preto empilhado a seco, mais neutra e integrada aos padrões construtivos e materiais recorrentes na arquitetura local, e construiria na diferença de nível entre a plataforma existente e a área de lazer uma arquibancada, de modo a ampliar as possibilidades de apropriação do espaço para as crianças e a definir uma acomodação adicional para aqueles que as acompanham.
  • no mirante, propõe-se, da mesma forma e pelas mesmas razões, a substituição das balaustradas por muretas de basalto, e a substituição da pavimentação em blocos intertravados de concreto pelo padrão de calçadas proposto para todo o Núcleo Histórico, em paralelepípedos de basalto, a fim de assegurar a unidade do tratamento do desenho urbano da área.

Área de Intervenção 5 – Área da Orla, o Parque Municipal incluindo o Camping

As propostas de intervenções na orla se fundamentam na valorização da área como um grande espaço público de lazer para a população local e para o apoio ao turismo. Para isso, propõe-se a criação de um parque linear que defina um percurso contínuo ao longo do rio, estendendo a área inicialmente prevista para o parque até a balsa, a construção de uma nova estação rodoviária, o remanejamento do camping, equacionando os problemas relacionados às cheias, a implementação de equipamentos de lazer e conexões do parque com o rio, além da indicação para restauro e implantação do Museu Nacional da Gaita.

O parque linear: o percurso de caminhada proposto busca ampliar as possibilidades de fruição e usufruto da orla e sua faixa de preservação, facilitando o acesso a suas margens e, com isso, estimulando o turismo de aventura e os esportes radicais. Para isso, nos trechos urbanizados, a calçada pode ser executada com o mesmo padrão proposto para o Núcleo Histórico, com amuradas de proteção em basalto preto empilhado a seco. Nas áreas de preservação e nas encostas íngremes, a fim de gerar intervenções mais singelas que não comprometam a integridade das matas ciliares, propõe-se a implantação de plataformas em madeira, ancoradas em muretas de pedra ou cravadas na encosta com estruturas em balanço tipo mãos-francesas. Destas plataformas, escadas  e rampas desenvolvidas em trilhas sobre o terreno natural permitem descer às áreas baixas das margens com maior facilidade. Próximo à área do camping, o percurso público permite o acesso e uso da lancheria, implantada em cota elevada com vista panorâmica do rio e do relevo montanhoso de suas encostas. Mais adiante, próximo à olaria, o trecho mais alargado favorece a implantação de quadras esportivas e área para ginástica, com apoio edificado configurado por uma extensa marquise que gera sombra e abrigo para os praticantes de esporte, aos modos de um quiosque.

A rodoviária: com o objetivo de responder à vocação turística que a cidade apresenta, propõe-se a criação de uma rodoviária que funcione também como terminal turístico, atendendo mais confortavelmente aos turistas, com baias para até quatro ônibus. Implantada em área sujeita a alagamentos, a edificação principal busca atender à Lei de Uso e Ocupação do Solo do Município, que determina a construção elevada sobre porão nas áreas abaixo da cota 69. Sendo assim, os espaços principais, de uso permanente, como saguão, cabines de vendas de passagens, restaurante e apoios se elevam. No térreo, o porão define um amplo salão entreaberto, parcialmente compartimentado pelos planos de pedra, que favorece ocupações temporárias como exposições e atividades de apoio aos turistas. Para o total atendimento à Norma Brasileira de Acessibilidade, esse pavimento elevado é servido de escadas e de uma rampa lateral com declividade, patamares e proteções adequadas ao uso de pessoas portadoras de necessidades especiais, usuários de cadeiras de rodas ou com dificuldade de locomoção. O edifício proposto apresenta partido arquitetônico, materiais e soluções técnicas que reinterpretam as soluções da tradição construtiva local em um desenho contemporâneo. É definido por bases sólidas em basalto preto que elevam uma edificação leve em madeira contraplacada, abrigando os espaços principais. Na cobertura, telhas de aço zincado definem uma cobertura em duas águas com calha central e balanços laterais com generosos beirais, invertendo o padrão tradicional e permitindo a configuração de varandas com maior pé-direito e trechos de iluminação zenital e ventilação natural protegidos de chuva.

O camping: na área do atual camping, propõe-se a criação de espaço de uso público que amplie a abertura e a integração do rio com a cidade. As instalações existentes de apoio - sanitários e lancheria -, por ocuparem parcialmente áreas de preservação e por se situarem em área sujeita a alagamento, serão substituídas por um único núcleo de apoio, alinhado com o edifício do novo Terminal Rodoviário de modo a estabelecer uma continuidade dos volumes construídos, enfatizando a liberação do espaço público. Assim como o terminal, o novo bloco de apoio reedita os padrões da cultura construtiva local e se eleva sobre porões em pedra de modo a evitar o alagamento, aproveitando uma elevação da topografia para permitir o acesso direto ao segundo pavimento. Em uma das extremidades, a lancheria permite um uso mais público, enquanto de outro lado, com acesso alternativo por uma escadaria de pedra, os vestiários se voltam para o camping, com uso mais reservado. A área delimitada para o acampamento propriamente dito é demarcada por mureta em basalto preto empilhado com altura de 1,30 metro, e recebe totens de suporte de infra-estrutura e iluminação, como se descreverá a seguir. Para viabilização desta proposta, sugere-se a aquisição de terreno de propriedade particular anexo ao camping, de modo a ampliar a área pública e viabilizar esta ocupação em área mais elevada.

O Museu Nacional da Gaita: como forma de valorizar e resgatar parte do patrimônio imaterial do lugar, e ainda de criar um importante atrativo turístico ancorado na história e na tradição da cidade e de seus habitantes, sugere-se a fundação do primeiro Museu Nacional da Gaita na casa antigamente ocupada pelo fabricador de gaitas da cidade. Belo exemplar das tradições construtivas locais, a casa de madeira de dois pavimentos demanda um levantamento detalhado através de inventário em trabalho à parte, a fim de subsidiar iniciativas de restauro e intervenção para a mudança de uso e demolição do anexo, de construção recente, que abriga um restaurante. Para que se viabilize esta iniciativa, o restaurante previsto para o Terminal Rodoviário pode ser ocupado pelos proprietários daquele a ser demolido, através do mecanismo de concessão.

ficha técnica

Autores
Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília e Carlos Alberto Maciel

Estagiários
Fernanda Faria e Rafael Borges

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Equipe premiada
Belo Horizonte MG Brasil

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Porto Alegre RS Brasil

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