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drops ISSN 2175-6716

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Afonso Luz nos lembra que os “bichos” de Lygia Clark são estruturas articuladas em planos geométricos, sem tinta ou cobertura do corpo das chapas, portanto o coreógrafo é respeitoso em relação ao conceito da obra mimetizada.

how to quote

LUZ, Afonso. Lygia Clark: todo bicho tem articulações. Drops, São Paulo, ano 18, n. 121.03, Vitruvius, out. 2017 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.121/6719>.



O que mais me incomoda é essa leitura de que a nudez ali no MAM seria um ato gratuito. Quem conhece ou diz conhecer a obra de Lygia Clark não poderia ignorar um dado fundamental: os “bichos” são estruturas articuladas em planos geométricos, multidirecionais nos seus engates, conquistados por um único recurso técnico introduzido nas chapas, a dobra e o arame que as conectam nesses recortes, pelas suas bordas. Só existe ali estas dobradiças conquistadas a partir dos cortes e do metal dobrado. Não há tinta ou cobertura do corpo das chapas, nem mesmo tratamento da superfície além da sua ocorrência no mundo como chapas, justamente para que suas articulações sejam evidentes, para que possamos ver cruamente a sua mecânica biomimética e assim não nos iludirmos de maneira alguma sobre os valores desnudados desta escultura de volumes cambiantes, num infinito de relações e possibilidades com o plano que ocupam no mundo. E isso é aquilo talvez de mais importante que Lygia fez na contribuição que deu para a história da escultura mundial, na incorporação estrutural dessa dinâmica de volumes entranhados nos materiais.

O coreógrafo, gostemos ou não do seu trabalho, foi rigoroso ao apresentar todas as suas articulações e dobras, seus vínculos de conexões e de maleabilidades, suas juntas e mecanismos de mobilidade, evitando até que a apropriação do trabalho de Lygia pudesse gerar alguma camada anedótica de referência ilustrativa. O fato é que quando Lygia elaborou este pequeno objeto, em sua construção totalmente particular, ela mesma já tinha como fundamento espacial as relações corporais articuláveis e infinitamente móveis que o organismo vivo, todo “bicho”, possui na sua gênese morfológica natural e ainda humana.

Para quem gosta ou diz gostar de arte, esse rigor na consideração que o coreógrafo teve ao tratar do trabalho histórico deveria ser mais importante, ao ser observado, do que o pinto que ele possui no meio da perna. Talvez alguns de vocês possam imaginar que ele devesse ser arrancado dali. Entendo que há hoje no Brasil até novas técnicas de “castração química”, e que esta adoção plástica pudesse ocorrer lá, até com certo prazer de certos expectadores que gostariam de contemplar uma distinção estética deste tipo em certos corpos e seres humanos. Mas de fato a natureza, ou os deuses, deram ao corpo humano esta morfologia e seria muito pouco rigoroso interpretar este dado material de outro modo.

sobre o autor

Afonso Luz é crítico de arte, formado em filosofia pela Universidade de São Paulo, e pesquisador na área de estética e história da arte. Foi consultor do programa Monumenta – Iphan/BID/Unesco para Economia da Cultura, Artes Visuais e Crítica Cultural. Assessorou o Ministério da Cultura na gestão de Gilberto Gil e coordenou o Programa “Cultura e Pensamento”. Coordenou o Comitê Brasileiro de Internacionalização e Economia da Arte e o Programa Brasil Arte Contemporânea (MinC). Foi Diretor de Estudos e Monitoramento e Secretário Adjunto de Políticas Culturais do Ministério da Cultura. Foi diretor do Museu da Cidade de São Paulo e do Arquivo Histórico Municipal. Atualmente é curador do Instituto Sergio Rodrigues e mora em Nova York.

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