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drops ISSN 2175-6716

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Os autores prestam homenagem ao arquiteto Hans Broos, falecido em agosto deste ano, com quem trabalharam no escritório Hans Broos S. C. Ltda. Eles contam sua trajetória da Alemanha, onde nasceu, até chegar ao Brasil, onde desenvolveu diversos projetos.

how to quote

BIELSCHOWSKY, Bernardo Brasil; SERRAGLIO, João Paulo. Arquiteto Hans Broos, 1921-2011. Homenagem do XIV Seminário de Arquitetura Latinoamericana – SAL. Drops, São Paulo, ano 12, n. 052.05, Vitruvius, jan. 2012 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.052/4198>.



No dia 23 de agosto de 2011 faleceu em Blumenau/SC o arquiteto Hans Broos. O Mestre se foi, mas permanece na lembrança carinhosa daqueles que conviveram e aprenderam com ele, na presença física do conjunto do seu trabalho edificado ou projetado, e nas inquietações teóricas e metodológicas apresentadas através de uma incessante produção de textos, produção que ainda espera por sistematização.

Broos mantinha uma atitude propositiva sobre a cidade, atividade que foi materializada em parte nas várias ideias para a cidade de Blumenau, que o escritório do arquiteto produziu, como um exercício cívico, extensão da sua dedicação pela profissão, de uma consciência sempre atenta para os problemas e potencialidades da cidade.

Hans Broos foi um exemplo de arquiteto militante da profissão, que acreditava na transformação da cultura pela paisagem, incluindo aí a arquitetura, o urbanismo, o paisagismo e o meio ambiente, sobretudo a relação entre o homem, natureza e cultura. De fato, Broos construiu um olhar singular voltado a paisagem, de compreensão da associação entre natureza e cultura, respeitando a história e a subjetividade humana, olhar que ficou materializado em suas obras como, por exemplo, no Plano Piloto da indústria Hering, projeto que contou com a colaboração do paisagista Burle Marx e do geógrafo Aziz Ab'saber, numa abordagem transdisciplinar, que caracteriza a obra do arquiteto. Hans Broos fez parte daquela geração de arquitetos europeus que, no imediato pós-guerra, fixou-se no Brasil, como Franz Heep, Victor Reif, Lina Bo Bardi, Giancarlo Palanti e tantos outros que contribuíram com suas ideias e obras para a evolução da arquitetura moderna em nosso país.

Formação

Broos nasceu em Gross-Lomnitz, hoje território eslovaco, em 1921, filho de marceneiro, aprendeu o ofício da profissão de arquiteto prestando serviço manual, como aprendiz de pedreiro e carpinteiro, incluindo o exercício do wander, a necessidade de viajar a pé, a cavalo ou de trem pela Europa, com um diário de anotações. Essas condições preparatórias influenciaram a obra do arquiteto ao longo dos anos.
Formado na Universidade Técnica de Braunschweig, muda-se em 1949 para Karlsruhe, onde inicia sua carreira como assistente do professor Egon Eiermann, grande nome da arquitetura alemã do pós-guerra, desenvolvendo também alguns projetos como arquiteto. Participou ainda da reconstrução da cidade de Lübeck, onde manteve escritório próprio.

Broos imigrante

Influenciado pelo movimento moderno europeu e impressionado com o que leu a respeito da arquitetura moderna brasileira, especialmente no catálogo Brazil Builds (MoMA - NY), na qual sobressaía o projeto do edifício-sede do Ministério de Educação e Saúde, obra do arquiteto Lúcio Costa, discípulo de Le Corbusier, construído no Rio de Janeiro em 1936, Broos resolve migrar para o Brasil em 1953, instalando-se em Blumenau/SC, cidade de colonização alemã.

Convalida seu diploma na então Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, quando foi convidado pelo reitor e futuro ministro da Educação Pedro Calmon para realizar um estudo, na forma de um livro, sobre a arquitetura e o modo de vida dos descendentes de açorianos do litoral da Santa Catarina.

Realiza trabalhos por toda Santa Catarina, inserindo na paisagem sua arquitetura moderna e diferenciada para a época (assim como seu pensamento), principalmente em obras residenciais, e compreendendo o espaço encontrado através da paisagem e da cultura local.

Broos e as grandes obras

Na década de 1960 já tem reconhecimento nacional e necessita transferir seu escritório para São Paulo/SP. Continua elaborando projetos de arquitetura residencial e institucional, mas inicia um processo de realização de obras de grande vulto por todo o país, principalmente em obras industriais, como as unidades da Cia. Hering em Santa Catarina e no Nordeste, e obras religiosas, como a a igreja São Bonifácio, Mosteiro São Bento e Abadia Santa Maria em São Paulo. Nesse período ganha visibilidade internacional e conta com colaboradores muito especiais, como Roberto Burle Marx e Aziz Ab'Saber, entre outros.

Na década de 1980 reside em Pernambuco por ocasião da construção da Fábrica Têxtil Hering do Nordeste. Neste período realiza projetos em Recife, Olinda e no interior de Pernambuco, tendo participação direta no Departamento de Urbanismo de Olinda. Desenvolve também projetos ao lado do artista plástico Francisco Brennand e do sociólogo Gilberto Freire.

Broos e a “cidade para a criatividade”

A partir do final da década de 1980, mesmo realizando inúmeros projetos arquitetônicos, começa a refletir sobre a “cidade para criatividade” e sobre a influência do meio ambiente na sociedade local. É nesse contexto que vai participar ativamente nas discussões sobre o urbanismo da cidade de Blumenau/SC, onde suas ideias norteiam o planejamento urbano da cidade, embora às vezes apareçam de forma distorcida.

Dentre os trabalhos mais significativos, podemos citar a contribuição para o Plano Diretor, os Anéis Viários, propostas de pontes, túneis, passarelas e a Rede de Parques, bem como a reconstrução e o projeto de restauração da Antiga Prefeitura e a zona histórica-cultural da cidade.

Broos: mais que um grande arquiteto, um grande homem

Infelizmente, o grande arquiteto nos deixou este ano, mas sua obra e seu pensamento continuam sendo estudados e disseminados pelas instituições de ensino nacionais e internacionais.

Da breve passagem que tivemos como arquitetos do escritório Hans Broos S. C. Ltda em São Paulo, podemos dizer que muitos de seus ensinamentos fazem parte do cotidiano dos arquitetos que tiveram a oportunidade de aprender o ofício com o mestre, em especial meus colegas André Xavier e Gustavo Drent, formados aqui em Campinas, que foram meus contemporâneos de escritório. Momentos inesquecíveis, como seu olhar profundo, suas falas pausadas, o tom de sua voz, o jeito como gesticulava, tudo para facilitar a compreensão de suas ideias e seus ideais. Projetos e atitudes de um pensador, sempre preocupado com o futuro, nunca com a vaidade. Broos nos ensinou que ideários podem ser representados em arquitetura. Que devemos projetar pensando no futuro coletivo e na obra como parte do meio. Que nossa arquitetura é necessária e que nossa assinatura nem tanto. Falar menos e fazer mais. Dizia que quem tinha que falar era o projeto, não o arquiteto. Quando perguntado qual a diferença entre elaborar um projeto de arquitetura industrial ou religiosa, respondia: “sempre projetei Templos, só os clientes não sabiam...” e quando questionado se tinha filhos, respondia sorrindo: “tenho muitos, espalhados por todo o país, mas é uma pena que eles não falam...”

Se o arquiteto se foi, sua obra continua mais viva do que nunca. Esta homenagem é para ratificar a importância de Hans Broos na construção de um campo factível e ainda corrente, de transposição de seus ideários humanistas, para uma arquitetura perene.

nota

NE
O presente texto foi redigido para demarcar a homenagem do XIV Seminário de Arquitetura Latinoamericana – SAL ao arquiteto Hans Broos. O evento ocorreu no Instituto de Artes – Unicamp, Campinas, de 08 de novembro a 11 de novembro de 2011. O proponente da homenagem foi o Grupo de Apoio a Hans Bross, formado por admiradores da obra do arquiteto, dentre eles Orlando Maretti, Karine Daufenbach, André Xavier, Gustavo Drent, José Tabacow, Bernardo Brasil e Abilio Guerra.

sobre os autores

Bernardo Brasil Bielschowsky é arquiteto e urbanista, mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade (UFSC), professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e membro do Comitê Brasileiro para a Preservação do Patrimônio Industrial (TICCIH-Brasil). Trabalhou como arquiteto (2003-2005 em São Paulo/SP) e colaborador (2006-2009 em Blumenau/SC) no escritório Hans Broos Sociedade Civil Ltda.

João Serraglio é arquiteto e urbanista, mestrando no Programa de Pós-graduação em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade da Universidade Federal de Santa Catarina.

 

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