De quando os jogos olímpicos foram criados pelos gregos em seu culto a Zeus, sua preocupação com a resolução de conflitos através da civilidade e das disputas saudáveis, acrescentando ainda a imperiosa necessidade da promoção da saúde física através de treinamento e disciplina por volta de 2500 anos AC em Olímpia, na Grécia, até os dias de hoje, do ponto de vista urbanístico e arquitetônico poderíamos dizer que as mudanças foram tão radicais que não guardam qualquer proporção entre o ambiente bucólico, natural e preservado das priscas eras do principio civilizatório e a idade moderna, mais precisamente o mundo caótico superpovoado, predatório do ponto de vista de recursos naturais e vitimado por políticas públicas total e reiteradamente equivocadas dos dias de hoje.
Nenhum país pode gabar-se de contornar os obstáculos interposto pelo poder econômico, político e religioso, quando à realização dos torneios. Depois da proibição das Olimpíadas por Teodósio I, imperador romano em 392 da nossa era, os cinco arcos multicoloridos que representam em seu entrelaçamento que a paz e a amizade devem reinar entre os povos dos cinco continentes, ficaram relegados ao abandono até 1896, quando em Atenas, Pierre de Fredy, aristocrata ateniense reiniciou os jogos reafirmando seu espírito baseado na fraternidade entre as nações.
Não obstante, em 1916, 1940 e 1944, duas guerras fratricidas inviabilizaram a realização dos jogos, sem prejuízo de situações lamentáveis como quando o então chanceler alemão Adolf Hitler contrariado em sua política publica de superioridade da raça ariana, recusou-se a participar da premiação do atleta norte americano negro Jesse Owens detentor de quatro medalhas de ouro. Com a guerra fria, os EUA também protagonizaram cenas de repúdio ao espírito olímpico com seu boicote aos jogos de Moscou em 1980 o que gerou igual e repulsiva retaliação da Rússia quanto as olimpíadas de 1984.
Em toda a história das Olimpíadas porem, nada foi mais devastador do que o atentado promovido pelo grupo palestino Setembro negro em Munique 1972 que culminou na morte de 11 atletas da delegação de Israel.
Foi exatamente a partir daí que a necessidade de implementar políticas de segurança e acomodações que garantissem o bem estar dos atletas, que a arquitetura e o urbanismo passaram a se tornar indispensáveis quando do planejamento ideal dos locais onde se realizam as provas.
A construção de estádios, pistas, piscinas, quadras e os outros locais de provas em ambientes naturais passaram a ser alvo da preocupação de profissionais da área, tendo em vista alcançar a otimização dos recursos disponíveis em empreendimentos seguros, confortáveis, bem adaptados aos atletas e sua combinação com designers arrojados, criativos que permitissem ao mundo reconhecer o indispensável “glamour” que acompanha tais competições.
As inquestionáveis benfeitorias implantadas neste sentido em Los Angeles e Pequim nos trazem hoje uma dimensão muito alem dos pódios e das medalhas conquistadas pelos vencedores.
As Olimpíadas modernas nos chamam a elaborar políticas públicas de qualidade não só no ministério dos Esportes, mas com igual ou maior valoração do Turismo na construção ou melhoria de hotéis, transporte público, estádios e estabelecimentos afins.
Londres sediará as Olimpíadas de 2012 num cenário adverso de crise econômica embora por sua característica aristocrática torna improvável que a organização do evento deixe a desejar quanto a garantia de tranqüilidade para sua realização.
Já no Brasil, auto proclamado como emergente, a situação preocupa muito. Temos algo a ser preservado (Vila Pan-americana) no Rio de Janeiro com uma estrutura insuficiente para um evento do porte das Olimpíadas de 2016.
Se os profissionais da área não se apressarem chegaremos às portas do evento com infra-estrutura deficitária, aeroportos sucateados, segurança seriamente ameaçada pelo poder paralelo que se agiganta ante a impunidade vigente, e recursos naturais comprometem a sustentabilidade do evento em si pela desorganização e falta de planejamento e no todo pela reiterada fé de que o jeitinho brasileiro acaba por transformar o caos em cosmos só por que Deus seria brasileiro.
sobre o autor
Gabriela Beraldi Murayama gruduou-se em arquitetura e urbanismo pela PUC-Campinas. Cursou disciplinas na École Nationale d' Architecture de La Villette, em Paris – França. Durante sua graduação, desenvolveu pesquisa acadêmica com a temática de preservação e requalificação urbana e também foi Representante dos estagiários L'Habitat na Comissão Temática das Novas Diretrizes Pedagógicas do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas.