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architectourism ISSN 1982-9930


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Carlos Miller descreve uma corrida de revezamento na Ilha de Santa Catarina, onde se situa um dos grandes destinos brasileiros de turismo, Florianópolis


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MILLER, Carlos. Turismo a 10 km/h. Por onde correr? Arquiteturismo, São Paulo, ano 01, n. 003.02, Vitruvius, maio 2007 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/01.003/1321>.


Pretendo apresentar uma alternativa de turismo, e também uma prova de corrida, que por sua magia merece destaque. É a Corrida de Revezamento Volta à Ilha, em Florianópolis.

Trata-se de uma corrida que percorre a ilha de Santa Catarina, por difíceis e maravilhosos 150 km de ruas, avenidas, praias, locais históricos, montanhas, dunas, lagoas e mangues, em equipes que revezam os seus corredores.

A prova de Volta a Ilha de Florianópolis, organizada pela Ecofloripa, juntamente com as da Ilha Bela e Campos do Jordão, ambas organizadas pela Corpore de São Paulo, compõem o Circuito Elizabeth Arden das corridas de aventura e turismo nacionais.

O deleite pela observação e convívio com paisagens rurais e urbanas em situações muito particulares, associadas sempre ao prazer da atividade física em contacto com a natureza, é o leitmotiv que rege a vida de milhares de corredores por todo o mundo.

Florianópolis é um mega destino no verão, desejado por brasileiros, uruguaios e argentinos. Felizmente esta prova não acontece no verão. Normalmente o corredor abomina o calor e, dependendo da época do ano, também o sol. Não há nada melhor que correr por belos lugares num dia fresco, e verdade seja dita, dependendo da situação, uma chuvinha recuperadora é até bem vinda.

Pela extensão e duração do percurso, a largada é dada em plena madrugada, ainda no escuro e, da mesma forma, já é noite quando ocorre o encerramento.

A saída é na Av. Beira Mar Norte, no centro de Florianópolis, rumo ao norte. A nossa equipe partiu às 4h 45 min. Excitação, cara de sono e amplos sorrisos eram vistos por todos os lados, enquanto uma garoa fria era o prenuncio de um dia perfeito para o grupo que se revezaria em 24 pontos ao longo de 150 km, pelas próximas 14 horas.

A nossa logística contava com 2 vans e um excelente cathering, com sanduíches leves, bolos, frutas naturais e secas, além de águas, isotônicos, gelo e umas latinhas de cerveja para o final, que ninguém é de ferro. Cabe a cada corredor 2 ou 3 trechos ao longo do dia, e no tempo restante surgem várias oportunidades, com um roteiro turístico inusitado.

Ainda de madrugada, uma vista inesquecível é a da singela Igreja de Santo Antonio iluminada como se fosse para festa, ao alvorecer. Ao se fazer dia, chegamos ao Jurerê Internacional, que confundiu a todos, parecendo Miami.

O caminho do lado do Atlântico segue muito difícil, com paisagens incríveis. A Barra da Lagoa, entrada da famosa Lagoa da Conceição, merece especial registro, por ser um ponto de alívio até que se comece nova pirambeira que termina na praia preferida por 10 entre 10 surfistas abaixo do trópico de Capricórnio: a Praia da Joaquina, neste dia em sua versão de chuva e vento.

A praia mais meridional que atingimos é denominada Praia do Açores, que se encontra numa região conhecida como Pântano do Sul. Nessa praia, em que os iniciados costumam se encontrar para visualizar baleias em pleno inverno, tivemos a oportunidade de conhecer D. Zenaide, a Comandante, proprietária do bar Pedacinho do Céu.

Segundo ela, o seu primeiro bar na praia recebeu um arquiteto portenho, de nome Tomas Zadek, que em 91 lhe fez um desenho e, em 93, ofereceu-lhe o projeto do atual bar. Histórias muito divertidas à parte, garanto que a cerveja e o ambiente são muito bons, mesmo para corredores fatigados, e valem uma paradinha ou paradona por lá.

A parte final acontece em uma região pouco habitada, conhecida como Morro do Sertão, e pelos corredores apelidado de Morro Maldito. Para quem já está correndo desde a madrugada, não há melhor incentivo do que esse num final de tarde.

O retorno ao centro da Ilha passa por dentro da Base Aérea, com sua arquitetura dos anos 40 e 50 praticamente intacta. Pelo sim e pelo não, levamos a sério a recomendação de se abster de fotografar este ponto do percurso, realmente encantador. Seguimos então pelo aeroporto, e depois pela Via Expressa Sul, retornando ao ponto inicial exatas 13h34min depois que partimos. Depois disto, a comemoração foi feita com muita cerveja, camarão e champagne.

A equipe Odeio Subidas

Conta a história que o ateniense Pheidípedes foi o primeiro corredor conhecido, pela façanha de cruzar a planície da Marathona nos idos de 400/ 500 a.C., para avisar Esparta da invasão Persa. Por vezes fico imaginando a beleza das paisagens que Pheidípides observou na sua jornada, e é uma pena que não tenha deixado nenhum registro, pois também faz parte da história que ele morreu logo depois da chegada, de extremo cansaço.

Desde 2002 o nome da nossa equipe é Odeio Subidas. A primeira corrida de revezamento que participamos foi a Ilhabela Terra & Mar em 2.001, e por desconhecimento e desleixo no planejamento e organização foi uma tremenda roubada. Na ocasião lemos o manual e o regulamento da prova em diagonal, sem nos ater nos detalhes da topografia e condições locais, só pensando nas praias e beleza da Ilhabela.

Quando a corrida começou, e vimos as pirambeiras em que nos metemos, passamos a amaldiçoar todas as subidas. Passamos o dia repetindo o mantra “odeio subidas”, odeio subidas”. Adotamos o nome novo e para celebrar, sempre levamos faixas com o nome Odeio Subidas, e estendemos no topo das subidas mais difíceis das provas que participamos. Este ano em Floripa, estendemos a faixa entre Ponta das Canas e a Praia Brava, para deleite e expressão de gáudio de todos que por ali passam, corredores, acompanhantes e também público geral. Contam-se nos dedos de uma mão os que não retribuem com um “Eu também odeio!”

sobre o autor

Carlos Miller, 49, é engenheiro civil, Poli 79 e trabalha com o gerenciamento de implantação de projetos. Como corredor, maratonista e membro do núcleo duro da equipe Odeio Subidas do Esporte Clube Pinheiros em São Paulo, vem colecionando subidas e paisagens extraordinárias há 12 anos.

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