Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Turismólogas do DF criaram o projeto Na Trilha dos Azulejos – um passeio por Brasília pelas obras de Athos Bulcão, onde a visão de seu maior artista surpreende e encata jovens em sua própria cidade


how to quote

GUIMARÃES, Lana. Athos Bulcão: inspiração para brincar. Arquiteturismo, São Paulo, ano 01, n. 003.05, Vitruvius, maio 2007 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/01.003/1324>.


Quando viajo, adoro ser surpreendida pelo inusitado. Cheiros, sons, formas, cores, paisagens, pessoas se apresentam e, se estamos abertas, podemos sentir aquela sensação de preenchimento que algo novo nos transmite. Meu desafio é continuar caminhando com esse mesmo olhar na minha cidade... Afinal, é tão comum nos deixarmos cegar pelos hábitos diários – algo que dificilmente acontece quando estamos livres em uma viagem.

Com esse olhar e intenção, me sinto privilegiada por morar em uma cidade que o tempo todo me instiga ao novo: Brasília. Mas não por ela ser, dizem, a cidade moderna ou a cidade do futuro, por continuar sendo um canteiro de obras (incríveis, diga-se de passagem, em muitos aspectos), mas pura e simplesmente porque aqui temos a arte de Athos Bulcão! Sua poesia impressa em painéis de azulejos, de mármore e de madeira, permite sempre um desdobrar do que a visão já concebeu. Permite somar ao conhecido um novo suspiro de inspiração.

Suas obras estão mescladas aos edifícios (especialmente do Lelé e do Niemeyer) onde estão instalados como se tudo fosse uma peça só.

E, ainda mais, elas compõem o ambiente maior onde o prédio está inserido, comunicam-se com o paisagismo de Burle Marx, com o urbanismo de Lucio Costa, com o céu, com o vento...

Athos, nosso mestre maior, sabe como ninguém integrar sua arte à arquitetura e ao paisagismo, sua criatividade aos pedidos de arquitetos, sua multiplicidade artística aos nossos olhares sedentos por imagens leves e inspiradoras que nos desafoguem do corre-corre da urbs.

Bem, pelo menos é isso que sentimos, e queremos mostrar para todo mundo, a começar para os próprios brasilienses.

Com esse legado de Athos que temos em Brasília (são mais de 150 obras em cerca de 60 lugares distintos) e com a necessidade de trabalharmos a atividade turística como um instrumento para a educação e a valorização do nosso patrimônio brasileiro, Athos se apresentou como uma rica fonte de inspiração e sabedoria.

Imagine: um artista que tem como método de trabalho permitir que o mestre de obras e seus pedreiros montassem as peças de azulejos, de acordo com uma orientação e normas básicas de montagem, deve ser uma pessoa que gosta muito de ser surpreendida, não é? Que aceita a interferência de outras pessoas em seu trabalho de criação, que entende que pessoas simples (aqui, leia-se, sem formação do sistema educacional) têm capacidade de aprender e ensinar. Suas orientações eram simples e claras, por exemplo: para cada 3 azulejos amarelos, colocar um laranja; não fechar nem círculos nem quadrados com os desenhos dos azulejos; e outras ordens assim que poderiam ser vistas como um jogo, como uma brincadeira. E assim é observar suas obras: uma possibilidade de brincar.

Por essa percepção de suas obras e de seu ser, a Tríade criou um programa de arte-educação para crianças e educadores, um dos desdobramentos do projeto BrasiliAthos, chamado Na trilha dos azulejos – um passeio por Brasília pelas obras de Athos Bulcão. Esse programa é formado por três oficinas inventivas com os estudantes e os professores, onde distribuímos o almanaque ‘Na Trilha dos Azulejos’ e explicamos sobre patrimônio, arquitetura, urbanismo, paisagismo, a história de Brasília noções de arte e Athos. O aprendizado é fortalecido por uma ‘aula-passeio’: a turma toda, geralmente de 3ª ou 4ª série, passeia por alguns pontos da cidade onde temos exemplos distintos da arte de Athos como: Torre de TV, Teatro Nacional, Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, Parque da Cidade Sarah Kubtischek, Superquadra 107 Norte, Instituto de Artes da Universidade de Brasília e/ou outros lugares de acordo com o tempo, o trânsito e a localização da escola. O interesse das escolas em participar do programa é essencial. E a parceira da Fundação Athos Bulcão é fundamental.

Uma de nossas propostas é estimular o exercício do olhar. E o retorno das crianças tem sido muito gratificante para nosso trabalho. Vê-las se admirando com a possibilidade de unir poucas formas simples e criar um grande conjunto geométrico é incrível! Observá-las movimentando seus corpos estimulados pelos desenhos nos painéis de Athos é muito divertido! Escutar inúmeras vezes “eu não sabia disso” com um espanto alegre de quem abre uma caixa de presentes, é uma graça! Ver os resultados de seus trabalhos é fortalecedor.

O privilégio de ter o acompanhamento de Athos Bulcão para nosso sonho de recém formadas em turismo se tornou projeto de vida. Desde 2000, quando o projeto recebeu seu primeiro formato, freqüentamos a casa de Athos. Com sua abertura, generosidade, simplicidade, inteligência, educação e senso de humor incomparável, o mestre Bulcão nos ouve atento, nos fala manso, nos ensina mesmo quando em silêncio.

Brasília, côncava e convexa, também nos ensinou muito: a olhar para horizontes amplos e expandir o pensamento e o conhecimento, a querer compartilhar as riquezas de quem tem o prazer de morar na área tombada Patrimônio (o dito Plano-piloto com suas asas de avião ou de borboletas, de Lúcio Costa) com quem mora em algumas cidades satélites bastante precárias de lazer, cultura, árvores e arte (e que não sabem, como a maioria dos brasileiros, que esse patrimônio ‘daqui’ é da ‘humanidade’), a construir em conjunto como conta a história da nossa Capital. Athos está presente, quase que silenciosamente, em diversos ambientes: igrejas, prédios residenciais, palácios e vários órgãos da administração federal e, entre outros, em lugares ‘clássicos’ da capital, como o Parque da Cidade e o Cine Brasília. Digo silenciosamente porque, mesmo quando em cores gritantes como o laranja e o amarelo, está bastante integrado ao espaço físico. Também porque, para mim, o silêncio é uma das moradas da inspiração e, como Athos mesmo diz “a inspiração está em toda parte, às vezes entra pela janela, às vezes pela porta; vem do subterrâneo ou de pára-quedas. A gente nunca sabe”.

sobre o autor

Lana Guimarães nasceu em Brasília, de pais mineiros – o que considera um grande presente do destino, pois sua mãe foi a única de 16 filhos a sair do território de Minas Gerais. Formada em Turismo e especializada em Turismo Cultural, criou junto com suas amigas e sócias, Patrícia Herzog e Tatiana Petra, a empresa Tríade Patrimônio Turismo e Educação. Dentre as ações da Tríade, um pupilo: o projeto BrasiliAthos, tendo como inspiração maior a arte de Athos Bulcão.

comments

003.05 Visita guiada
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

003

003.01 Fotografia

Olhar curioso sobre o oriente

Fabricio Fernandes

003.02 Roteiro de viagem

Turismo a 10 km/h. Por onde correr?

Carlos Miller

003.03 Entrevista

Turismo na própria cabeça

Guto Lacaz

003.04 Arquiteturismo em questão

2006… A arquitetura de viagem

Cristina Jorge Camacho

003.06 Na estrada

Mesquitas na África

Renato Barbieri

003.07 Biblioteca

Vitrúvio e Cook na Vila Penteado

Ana Paula Spolon

003.08 Editorial

Hóspede e turismo

Abilio Guerra and Michel Gorski

003.09 Ministério do Arquiteturismo

Ministério do Arquiteturismo adverte

Salomon Cytrynowicz

newspaper


© 2000–2021 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided