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architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Nesse artigo, a jornalista Haifa Sabbag tras uma análise da capital alemã revisitada, depois de 13 anos, mostrando as diferenças entre o canteiro de obras de 1996 e a cidade atual

english
In this article, the journalist Haifa Sabbag analyzes the German capital 13 years after a previous trip, showing the differences between the construction works of 1996 and the current city

español
En este artículo la periodista Haifa Sabbag, tras un análisis de la capital alemana revisitada después de 13 años, muestra las diferencias entre el cantero de obras de 1996 y la ciudad actual


how to quote

SABBAG, Haifa Yazigi. Primavera em Berlim. Arquiteturismo, São Paulo, ano 03, n. 026.04, Vitruvius, abr. 2009 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/03.026/1512>.


Em outubro de 1996 estive em Berlim a trabalho para a revista AU (publicado na edição 65). A cidade era então o maior canteiro de obras do mundo (Dubai nem existia) e merecia um registro pela participação de tantos expoentes da arquitetura – Renzo Piano, Norman Foster, Arata Isozaki, Richard Rogers, Hans Kolhoff, Rafael Moneo, Helmutt Jahn, Jean Nouvel entre outros – com seus desenhos peculiares no mesmo contexto urbano.

Através das maquetes expostas no Info-Box da Sony, um paralepípedo suspenso no ar, situado onde antes existia a praça Potsdam, podia-se ter uma idéia da extensão da reurbanização da antiga e futura capital da Alemanha (Bonn era então a sede do governo federal enquanto se reconstruía Berlim).

Estavam bem visíveis as diferenças culturais, arquitetônicas, econômicas na Berlim dividida e o contraste entre esses dois mundos. O muro havia caído havia pouco tempo mas seus fragmentos permaneciam para lembrar o drama de uma população separada dentro de seu próprio território. Como Gaza agora.

A surpresa diante da nova realidade foi muito além do esperado. A Berlim que reencontrei é uma cidade luminosa, clara, com os belos parques mais tratados e, portanto, mais visíveis.

Nas margens do rio Spree e seus extensos canais cortando avenidas, novos edifícios transparentes, tudo em contraste com a Berlim sombria de 1996, sufocada por construções pesadas da arquitetura prussiana, sobreviventes da devastação de duas guerras, especialmente da Segunda que pulverizou a região de Unter den Linden e a Potsdamer Platz, onde se encontravam obras neoclássicas projetadas por Friedrich Schinkel no século XIX. E pelos inúmeros edifícios de Albert Speer, o arquiteto de Hitler.

Depois da II Guerra, a parte oriental, marcada por edificações em série, construídas pelos soviéticos com peças industrializadas, contrapunha-se ao lado ocidental e seus inúmeros exemplares da arquitetura moderna, alguns projetos produzidos nos EUA, como os blocos de apartamentos de Walter Gropius.

Entre outras obras do pós-guerra, o edifício Springer, junto ao muro e os de apartamentos na Leiziger Strabe. Por outro lado, o Chekpoint (local em que a polícia da Alemanha Oriental fazia as triagens dos que transitavam entre os dois lados) que limitava-se a paredes grafitadas, atualmente está todo ordenado com várias lojas de souvenirs, simplificando seu caráter, no meu entender.

Já em 1996, o capital alemão mais os investimentos internacionais (A&T, Sony, ABB) destinados a reconstrução e modernização de Berlim, estavam se exaurindo; a Daimler-Benz, maior empreendedora, assim como outros investidores, foram enxugando seus milionários projetos, embora mais de trezentos estivessem em andamento. Privilegiaram três grandes eixos: Potsdamer Platz, Friederichstrasse e Alexander Platz, esta última situada na parte oriental da cidade, para se buscar a recuperação do tecido urbano ao estabelecer uma relação estreita entre áreas de trabalho, habitação e lazer.

Embora tenha sofrido muitas críticas por seu espírito conservador, esse planejamento (que recebeu pejorativamente a qualificação de “reconstrução crítica”) selecionou arquitetos por meio de concursos públicos, e estes, com raras exceções como Hans Kolhoff, que manteve o mesmo caráter discreto de seus trabalhos, abusaram do aço e vidro, mas imprimiram leveza e transparência aos espaços a eles destinados. O resultado revela a qualidade dos projetos e apuro nas construções.

A intervenção nada ostensiva no Reichstag por Norman Foster, sem dúvida, a mais impactante, tanto pela cúpula de vidro, como pelos brises que a ladeiam, equacionados para garantir a aeração do espaço, proporcionando visão total da área central da cidade. Do antigo parlamento (1884/89) seriamente danificado durante a II Guerra, foram mantidas as fachadas originais.

Os ministérios e outros departamentos do estado (Bundestag), com projeto de Stephan Braunfels, situam-se ao lado do Reichstag; nessa área encontra-se também a Chacelaria Federal, projetada por Axel Schultes e Charlotte Frank.

Luzes e brilhos marcam o Sony Center, na nova Potsdamer. Projetado por Helmutt Jahn, a impressionante cobertura de cristal, como um toldo, abriga cinemas, restaurantes, bares, sorveterias e, entre as atrações, circundam a praça, novos e transparentes edifícios de escritórios.

Nesse trajeto a pé a partir da Alexander Platz, a Porta de Brandenburg, que recebeu iluminação por ocasião da passagem do milênio e delimitava as duas Berlim, encontra-se o Memorial Judaico, idealizado por Peter Eisenman e inaugurado em 2005.

Como uma praça, mais de 2.700 blocos de concreto que lembram lápides, em tamanhos e ângulos diferentes, faz uma homenagem silenciosa, discreta, e. portanto, comovente às vitimas do nazismo. Construído sobre o bunker subterrâneo de Hitler, fica defronte ao edifício, hoje pintado de amarelo, do arquiteto Speers.

A nova Berlim merece uma visita mais demorada (foram somente cinco dias). Para se apreciar com vagar a Ilha dos Museus, também restaurada, onde se encontram os magníficos Museu Pergamon, e o Neues Museum, cuja maior atração é a estátua original de Nefertiti.

E para passear tranquilamente nos bosques do Tiergaten, pelos canteiros de papoulas ou nos barcos que navegam tranquilamente pelos canais do rio Spree. E ainda, subir na Torre de Televisão, situada no coração da AlexanderPlatz, ponto mais alto de Berlin; tomar um café no histórico Hotel Adlon, na também renovada Parise Platz ou experimentar alguma especialidade alemã no andar de degustação da famosa galeria KuDeWe

E não se assustem, Berlim não é mais cara que São Paulo!

sobre o autor

Haifa Yazigi Sabbag é jornalista formada pela ECA/USP, ex-editora da revista AU - Arquitetura e Urbanismo e da seção AC – Arquitetura e Crítica, do Portal Vitruvius. Autora de “JKMF - Julio Kassoy e Mario Franco”, e “Rocco Associados - Residências Unifamiliares”, ambas da editora C4

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