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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Os autores discutem as inflexões urbanas, mudanças na vivência das cidades, que as posicionam numa hierarquia global, em especial no seleto grupo em posição de destaque


how to quote

DUARTE, Fábio; ULTRAMARI, Clovis. Inflexões urbanas e cidades globais: evidências e hierarquias. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 090.00, Vitruvius, nov. 2007 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.090/187>.

1. Introdução

Este artigo resulta de uma pesquisa sobre a discussão daquilo que conceituam como Inflexões Urbanas. Tal conceito é desenvolvido com o intuito de se discutir as razões para o sucesso econômico, social, cultural, técnico, dentre outros vivenciado por algumas cidades e as razões que o fizeram acontecer e a permanecer ou não.  Tais mudanças na vivência das cidades, para o bem ou para o mal, são consideradas pelos autores como Inflexões Urbanas.

Este artigo discute uma determinada tipologia de Inflexão Urbana que é aquela que reposiciona e/ou mantém as cidades numa posição privilegiada na hierarquia global, sobretudo se levado em conta os aspectos econômicos e a rede de interesses do capital. O que interessa aqui discutir é a composição do seleto grupo que se posiciona destacadamente frente a uma infinita composição de outras cidades a essas submetidas. Interessa também reconhecer o tempo de permanência nessa posição de destaque. Como queremos mostrar neste artigo, a posição de destaque ou mesmo de comando funcional de algumas cidades não é um fenômeno sujeito a variações; ao contrário, compõem um paradoxo frente a um mundo de constante transição, de redes sutilmente construídas e de uma competitividade mais e mais acirrada.   Vale notar que se discute aqui as chamadas Inflexões Urbanas Globais a partir de parâmetros mais largamente utilizados por autores diversos, ou seja, valoriza-se a economia, o fluxo de capitais, a tecnologia, as comunicações, o poder político. A incipiência de discussões sobre novas estruturas de hierarquias de cidades no mundo, que valorizam a cultura, o ineditismo de idéias, as artes, a sustentatibilidade ambiental, dentre outras, não permitiu que se trabalhasse com hierarquias alternativas na rede global de cidades.

2. O seleto grupo das cidades globais

As Inflexões Urbanas Globais aqui discutidas ocorrem em um cenário socioeconômico estruturado em fluxos de informações, principalmente financeiras, que movimentam a economia internacional. Esses fluxos dependem de pontos nodais que os agrupem, os potencializem e os distribuam. Não importando se o produto é petróleo, commodity agrícola ou aplicativo multimídia, o ciclo produtivo de todos eles passa direta ou indiretamente pelas negociações em escala global. Mesmo que o produto não deixe a região onde foi produzido, a tecnologia empregada, por exemplo, na produção de insumos (como sementes) seu preço terá e sofrerá a influência de um mercado global nesta indústria financeira global. Com isso, as cidades que concentram alguns dos principais agentes que potencializam esses fluxos podem ser consideradas globais, pontos nodais de importância significativa.

Para iniciar essa discussão, vale proceder a uma distinção de base: os termos Cidades na Globalização, Cidades Globalizadas e Cidades Globais são termos aqui considerados distintos.

Cidades na Globalização abrangem, virtualmente, todas as cidades, não importando sua dimensão, ou mesmo a importância ou fragilidade de sua base econômica. São raros e decrescentes os casos de economia de absoluta subsistência, persistindo exceções que se limitam a um saudosismo do apego ao local, apenas. O exemplo clássico que caracteriza essa situação é de grupos étnicos sem contato cotidiano com o mundo externo, porém submetidos aos mesmos efeitos de fenômenos como o aquecimento global.

Cidades Globalizadas são aquelas onde signos da globalização estão presentes, seja economicamente (a mudança de uma produção do setor secundário por outro, com vínculo a mercados externos), seja arquitetonicamente (na construção de edifícios com uma linguagem mais próxima a tendências e modismos internacionais do que às tradições locais), seja culturalmente pela adoção de padrões desconhecidos à tradição do local, por exemplo. Este estágio das cidades globalizadas é aquele de características mais marginais ao um processo de decisão que lhe é distante, não indicando dinamicidade ou criatividade e sim submissão, apenas. Em um nível superior nessa hierarquia, que classificaria as cidades num contexto global, estão as cidades também globalizadas, porém com a capacidade de atrair alguns atores relevantes da economia mundial. Esses atores seriam, por exemplo, filiais de empresas internacionais capazes de se inserirem na rede de cidades não apenas como postos avançados de decisões tomadas em suas centrais. Isto não faz que essas cidades sejam Globais do modo como aqui as entendemos, pois se submetidas a catástrofes passageiras ou que as levem a uma destruição total, não haveria riscos para a forma coma a rede econômica global se estrutura.

Tal fato provocará tão-somente a necessidade de ajustes, na maioria das vezes no nível nacional. Um caso conhecido é o da cidade de Nova Orleans, subsidiária de um grande número de empresas internacionais, destruída por um fenômeno natural em 2005, mas que não deu sinais de alterar a estrutura capitalista internacional ora em vigor. Simbolicamente, o ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, Cidade Global por excelência, parece ter trazido à tona a robustez do próprio capital internacional,  quando do período de dúvidas que seguiu a destruição dos edifícios.  As poucas cidades capazes de verdadeiramente colocar em risco a ordem capitalista internacional devido a problemas diversos em seu tecido intra-urbano é o que aqui chamamos de Cidades Globais.

Na distinção desses três conceitos, a figura da rede é importante justamente pela adaptabilidade do seu funcionamento e sobretudo pelo fato de ser construída a partir de relações, e não de características isoladas de cada uma das cidades. Assim, vale mais a posição na rede do que propriamente as características locais. Tal rede é constituída por fluxos de pessoas, finanças e signos que devem circular em escala global. Os nós são pontos onde há concentração de recursos que potencializam esses fluxos. Se um desses nós deixa de existir, a rede pode com maior ou menor esforço encontrar outro nó que cumpra sua função. O maior ou o menor esforço para que um nó seja substituído determina o conceito de Cidade Globalizada ou de Cidade Global.

As Cidades Globais são também aquelas que concentram recursos que são importantes potencializadores dos fluxos responsáveis pelo funcionamento econômico contemporâneo. A partir dessa posição, são capazes de controlar não apenas a sorte de um grupo secundário de cidades que por sua vez controlam outras muitas, e enfim todo o sistema capitalista internacional.

John Friedman e Saskia Sassen são os autores que consolidaram a perspectiva de que a análise socioeconômica urbana contemporânea depende de redes financeiras globais que se condensam em um grupo determinado de cidades. Friedman (2), o pioneiro, lançou a hipótese de que algumas cidades espelhavam as relações contraditórias que emergiam entre a produção econômica com interesses e planejamentos em escala global, e a determinação política de interesses nacionais. Tal autor acrescenta ainda que tais cidades ocupariam uma posição na articulação da economia global mais forte que a relação com a economia nacional. Sassen (3) avança a discussão de Friedman dizendo que além do papel no comércio e no fluxo financeiro internacional, as Cidades Globais teriam como características o fato de concentrarem pontos de comando de organizações globais, infra-estrutura de telecomunicações; firmas especializadas que dariam suporte aos grandes atores globais, como empresas de publicidade, advocacia, etc; importantes centros financeiros; atores influentes na política governamental; indústria inovadora em processos pós-fordistas; e mercado para se consumir esses bens e serviços.

Quais são as Cidades Globais e como medir se uma cidade é ou não global foi o desafio que se seguiu ao lançamento conceitual anunciado por esses autores. A despeito do estudo desses autores e dos inúmeros outros disponíveis, ainda hoje se discute se determinada cidade pode ser considerada global ou quais seriam os procedimentos para que ela o seja. O presente artigo limita-se a discutir a sua classificação como tal e a sutentabilidade desse fenômeno.

Desde o lançamento da hipótese de Friedman até qualquer outro trabalho recente sobre cidades globais, o grupo assim classificado é recorrente: Londres, Nova York e Tóquio, com leves derivações para Paris e Frankfurt.

Na primeira proposta de Friedman, Londres, Nova York, Los Angeles e Tóquio eram as 4 Cidades Globais dos países centrais, seguidas por Paris e Chicago, e, numa escala abaixo (mas ainda no grupo principal), Rotterdam, Frankfurt e Zurique. Dez anos depois (1995), o mesmo autor refinou parâmetros de análise, mas manteve Londres, Nova York e Tóquio como as principais articulações globais. Essas exatas mesmas cidades foram usadas por Sassen, em 1991, para defender sua tese das Cidades Globais, as quais manteve em estudo por ela realizado dez anos depois (Sassen, 2002).

O primeiro ponto de interesse é que não importa quais parâmetros de análise – se presença de sedes dos maiores bancos mundiais, se fluxo dos aeroportos, se presenças de grandes empresas de consultoria, etc., –  essas três cidades são ou estão sempre entre as principais. O segundo destaque deste grupo é que independente de crises nacionais, como a japonesa, que se estendeu desde o lançamento do conceito de Cidade Global, essas cidades se mantêm como principais pontos nodais das redes econômicas globais.

Apesar de todos os riscos da escolha de alguns parâmetros em detrimento de outros, bem como as hierarquizações de quais cidades seriam mais globais que outras, o resultado que se tem destes estudos é a confirmação de que a globalização não é implementada homogeneamente, mas sim sobre um sistema de fluxos e de relações e de dependências e locais de centralidade. Como notou Robert Fossaert (4), isto tem a vantagem de retirar do sistema mundial um aspecto monstruoso, uma vez que se estabelece de maneira clara a rede de cidades globais.

Os parâmetros usados pelos principais analistas das Cidades Globais são: presença dos principais bancos internacionais, empresas de serviços financeiros, empresas de publicidade, e sedes de corporações internacionais. Esses quatro parâmetros parecem buscar um dado de difícil mensuração, que é o volume financeiro ligado ao mercado global que circula entre as cidades. Porém, eles são mais ricos do que o dado bruto do fluxo financeiro, pois refletem uma dinâmica socioeconômica urbana mais ampla, envolvendo diferentes áreas de atuação do mercado global.

 

Hierarquia Global baseada na presença dos 100 principais bancos internacionais, companhias de serviços financeiros, companhias de publicidade, e escritórios centrais de corporações internacionais. GaWC, 2005

De qualquer modo, a importância das cidades para a economia global deu vazão a discussões conceituais, determinação de parâmetros e formalizações de hierarquias de Cidades Globais. Nos trabalhos de 1986 e 1995, Friedman propõe hierarquizações dividindo as Cidades Globais em grupos dominados por condicionantes de estados nacionais (sejam países centrais ou países semiperiféricos, conforme presentes no primeiro trabalho), ou por articulações globais ou nacionais (conforme o segundo trabalho), no segundo. Tal contradição seria eliminada no trabalho do Grupo de Pesquisa em Globalização e Cidades Mundiais (Taylor, Walker and Beaverstock, 2002), ao se agruparem as Cidades Globais em apenas quatro grandes grupos: Alfa, Beta, GamaEvidência de formação de cidade global.

Mais recentemente alguns pesquisadores vêm adotando parâmetros que permitam não apenas dizer se uma determinada cidade é global, mas também qual sua relevância no funcionamento da economia global. Mais uma vez, informações indiretas são usadas, como a infra-estrutura de telecomunicações ou o fluxo de passageiros e de cargas nos aeroportos.

Quanto às telecomunicações, elas tornam-se a base para as relações interempresariais e inter cidades em escala global, daí sua medição ser relevante para determinar o grau de globalização das cidades (5). A Corporação de Londres, órgão estabelecido para promover a economia da capital inglesa, ressalta que a liberalização do mercado para instalação de infra-estrutura e venda de serviços é um fator relevante para manter a cidade entre os principais centros da economia global (6). Os parâmetros para estabelecer a hierarquia das cidades com melhor oferta de telecomunicações para inserção na economia global são considerados a oferta de serviços, as possibilidades de escolhas entre diferentes redes técnicas e oferta de tarifas competitivas. Nesta hierarquia de Cidades Globais, há algumas mudanças significativas – Nova York encabeça a lista, seguida por outras 5 cidades dos EUA para então vir Londres, na sétima posição. Esses levantamentos ainda são recentes, e seguem o ritmo das liberalizações dos mercados pelos estados nacionais.

O outro parâmetro da movimentação global, mesmo que só recentemente esteja recebendo tratamentos estatísticos sólidos para ligá-los à economia global é o transporte aéreo internacional. Uma primeira abordagem na utilização desses dados toma o número de passageiros em cada aeroporto, inferindo daí a relevância da cidade para a dinâmica dos fluxos globais. É o que fizeram David Smith e Michael Timberlake (7), em uma série histórica de 1977 a 1997, com 100 dos mais importantes aeroportos do mundo. Mais recentemente esse tipo de análise foi incrementado, não se considerando apenas a quantidade de passageiros por aeroporto, como também o seu grau de centralidade na rede mundial de vôos. Com isso, a relevância de um aeroporto x para que o fluxo de um ponto 1 para qualquer ponto n tenha de passar por ele (x), de modo que o trajeto seja feito com menor número de escalas, determina sua centralidade na rede. Guimerà et al (8) analisaram mais de 500 mil vôos entre quase 4 mil cidades, e perceberam que nem sempre as cidades mais centrais são as mais conectadas (com mais vôos). Assim, apesar de diversas cidades na Europa Ocidental serem mais conectadas (terem um número de vôos para outras cidades) do que cidades como São Paulo ou Ancorage, estas têm maior relevância na distribuição dos fluxos, por serem nós (hubs) para América Latina e Alaska, respectivamente.

 

Aeroportos Hubs por tráfego de conexão – não são aeroportos importantes por serem origem ou destino, mas conectores. Derudder, Devriendt and Witlox, ”Flying where you don’t want to go”, 2005

3. As inflexões hierárquicas

Nosso objetivo não é propor outra forma de analisar Cidades Globais, mas identificar agrupamentos de cidades consideradas globais por diferentes parâmetros que sejam mais ou menos consolidados.

Consideramos 10 hierarquias de Cidades Globais, propostas por autores e institutos de análise distintos, a partir de diferentes parâmetros, sendo:

  • Friedman, 1986 e 1995: utilizamos duas hierarquias de Cidades Globais propostas por John Friedman, pioneiro na discussão das Cidades Globais, em obras com diferença de 10 anos no período analisado.
  • GaWC: o Grupo de Pesquisa em Cidades Globais, baseado na Loughborough University, foi fonte de duas hierarquias de cidades. A primeira está baseada no trabalho de Derudder et al (9), que considera a concentração das 100 principais firmas de finanças e negócios em 234 cidades; e a segunda é o inventário das Cidades Globais do próprio GaWC que as classifica em Alfa, Beta, Gama e em evidência.
  • Finnie, 1998. "Wired Cities". Communications Week International, May 18: 19-22 (10), o qual busca determinar os principais hubs de telecomunicação no mundo, considerando facilidades técnicas, possibilidade de escolha entre diferentes redes e oferta de serviços.
  • Centros de comando: cidades onde estão os principais centros de comando de corporações globais, de bancos, de empresas de publicidade e de bolsas de valores.
  • Witlox, Vereecken,  Derudder: 2004 (11): Fluxo aéreo: mapeamento do fluxo de passageiros transportados com representatividade dos aeroportos.

Com estes critérios, consolidamos uma lista com 180 cidades, consideradas com algum grau de relevância para a dinâmica global para algum dos parâmetros expostos – mesmo que aparecesse uma única vez, como Wellington, na Nova Zelândia, cidade classificada como 11ª categoria na hierarquia do GaWC; ou Tijuana, México, e Turim, Itália, ambas também pertencentes à 11ª categoria da hierarquia das cidades globais do GaWC e, igualmente, possuindo aeroportos como nós de 11ª importância na escala global. A tabela 1 mostra as 20 principais cidades.

 

Tabela 1: Hierarquias de Cidades Globais. Fonte: Autores, baseado em diversas fontes (cabeçalho)

Diversas outras cidades são citadas por apenas uma das hierarquias das Cidades Globais. Foi importante, então, medir a consolidação de cada cidade a partir dos diversos critérios. Fizemos essa análise propondo que quanto menor a variação da posição da cidade em cada hierarquia, maior sua consolidação como Cidade Global: resultado da somatória dos 10 pontos possíveis (pela utilização de 10 hierarquias), menos o desvio padrão que cada cidade apresenta entre as hierarquias. Nesta hierarquização consolidada, teríamos apenas as cidades de Londres (8,8), Nova York (8,7) e Tóquio (5,0) com 5 pontos ou mais.

A tríade das Cidades Globais é seguida apenas por Frankfurt e Los Angeles, com mais de 3 pontos. E apenas mais 5 cidades têm um total de pontos superior a zero: Chicago, Paris, São Francisco, Amsterdã, Sidney e Boston.

Esse índice mostrou que, de fato, a distribuição das cidades do grupo mais alto na hierarquia é mais regular que aquelas mais abaixo na hierarquia, as quais contam com destaque em apenas ou outro aspecto.

Para a discussão do tema maior de interesse neste artigo, as Inflexões Urbanas, é importante ressaltar que:

- Aquelas cidades que têm relevância para a economia global, por distintos fatores, são mais resilientes, fazendo com que a crise em determinado setor seja compensada por outros também presentes na cidade; e

- Que inflexões pontuais em um setor podem levar uma cidade ao seleto grupo de Cidades Globais com destaque para aspectos específicos; mas a inflexão para os grupos mais consolidados depende de um conjunto de fortalecimentos cuja autonomia das cidades em implementá-los ou atraí-los diminui quanto mais consolidado já for o grupo.

Tais fatos indicam que uma determinada cidade até pode buscar se posicionar no cenário global em um grupo mais seleto, porém não no mais superior. É o próprio sistema econômico que posiciona ou mantém as cidades nesses grupos superiores e, como vimos no caso de Tóquio, por vezes independentemente de condições nacionais.

Para sustentar a hipótese dessas Inflexões dentro e entre os grupos de Cidades Globais buscamos verificar se houve variações dentro de grupos hierárquicos ao longo do tempo.

Primeiro, usamos a classificação histórica de David Smith e Michael Timberlake (12), baseada em fluxo aéreo de passageiros entre grandes cidades no período entre 1977 e 1997. Smith e Timberlake organizaram os dados da International Civil Aviation Organisation dos vôos entre 100 cidades no período de 1997 e 1997. Londres se mantém no topo seja devido ao número de decolagens e de aterrissagens, seja pela diversidade de destinos aos quais está ligada. Mesmo com algumas deficiências na obtenção de dados, como a ausência de Xangai nas pesquisas, o movimento hierárquico das cidades durante esses 20 anos sinaliza variações significativas na geografia das Cidades Globais, porém sempre nos grupos mais inferiores da hierarquia – confirmando a hipótese deste artigo.

Novamente, no grupo das 5 principais cidades, há leves oscilações que não as retiram do grupo do topo, como vemos na Tabela 2.

Tabela 2: Fluxo Aéreo de Passageiros, 1977-1997. Fonte: Autores, com base em Smith and Timberlake, 2001

No grupo das cidades que estão entre o 6º e 10º principais aeroportos, há uma leve oscilação, mas já significativa, quando Tóquio começa a dividir sua centralidade na Ásia, com Cingapura e Hong Kong. As maiores mudanças entre as 20 principais cidades se dão justamente no último grupo, com mudanças significativas com Copenhague e Atenas perdendo a relevância, para a tomada de posição de Los Angeles e, principalmente, Miami.

Em grupos com os menores movimentos totais de passageiros, algumas alterações são mais expressivas e algumas estão ligadas a questões internacionais importantes. É o caso da Cidade do Kuwait entre os 20 principais aeroportos nos levantamentos de 1977 e 1982 (época da crise e pós-crise do petróleo) e sua ausência a partir de então. Ou cidades da América Latina, como Rio de Janeiro e Buenos Aires, presentes até 1982, e, a partir de então, sem significância entre os principais aeroportos. Relembrando a ascensão em importância de Miami justamente neste período, pode-se inclusive reiterar a teoria defendida por alguns autores que esta seria a Cidade Global da América Latina.

Ainda relativamente ao grupo com menor importância no movimento de vôos, vemos a emergência de Dubai, em ascensão no movimento aeroportuário a partir do início dos anos 90, e a queda de aeroportos do Leste Europeu no período. Como analisam Smith e Timberlake, os fluxos entre seus aeroportos faziam que Budapeste e Praga formassem um hub para determinadas regiões; e Varsóvia e Moscou, outro. No período de abertura da Polônia e posterior dissolução da União Soviética, Varsóvia se distancia de Moscou e se aproxima de Budapeste e Praga. Alguns anos depois, a ausência é de Budapeste é definitiva, bem como também o é o isolamento de Moscou em relação a outras cidades de sua ex-zona de influência. Se esse movimento regional indica alterações geopolíticas globais, na Ásia, Seul e Beijing têm um movimento ascendente acentuado – e junto a elas certamente estariam outras cidades da Ásia, para as quais não há dados – demonstrando a recente relevância econômica global desta região.

Essas análises tiveram o objetivo de mostrar que o sistema econômico global de cidades tem uma estabilidade marcante em termos de relação entre comando e submissão urbana, nos últimos 30 anos. Tal fato indica que as Inflexões Urbanas que possam levar uma determinada cidade para posições de destaque no cenário global e assim contarem com estabilidade nesse posicionamento, é um fato a ser apropriado por poucos. Para as cidades consolidadas na parte superior das hierarquias globais, o próprio sistema (capitalista) busca sua manutenção. No outro extremo, nas escalas menos importantes da hierarquia global, as variações são mais presentes. Nesses casos, os esforços concentrados de algumas cidades, permitem uma Inflexão Urbana que as reposiciona, porém com alta volatilidade.

4. Oportunidades de Evidência: Vitrines Urbanas da Globalização

Conforme discutimos, mesmo que haja variações ao longo do tempo das cidades com importância nodal no cenário econômico global, elas se dão mais na periferia e muito relacionada a decisões de caráter local (em nível de sua região ou de seu país). As mudanças na parte superior da hierarquia das cidades no mundo são discutidas neste item, indicando que pode haver mudanças; mas é o próprio cenário global que cria oportunidades de evidência, alçando cidades de baixa significância na rede internacional a posições de destaque global, porém por períodos limitados de tempo. Tais oportunidades são concretizadas por motivos diversos, mesclando esforços que lhe são internos, mas que ao mesmo tempo são de interesse global. Em nível teórico, nos interessaria saber se a inserção fugaz de uma cidade em evidência global constituiria uma verdadeira Inflexão Urbana, capaz de dividir sua história entre o antes e o depois de tal inserção.

Na realidade, essa evidência pode mesmo ser fugaz. A evidência que se discute aqui que é aquela oportunizada por eventos de interesse global, como os esportivos, por exemplo. A hipótese que se lança é a de que, nesses casos, na maioria das vezes, após a evidência, a cidade volta ao limbo, ou minimamente à sua posição original na rede urbana hierárquica internacional. Não obstante essa efemeridade, algumas dessas oportunidades de evidência são usadas por cidades para impulsionarem transformações urbanas que as caracterizam por décadas a seguir. O que se especula aqui é que, caso essas transformações sejam sustentáveis, ou seja, caso os impactos gerados durante o período de evidência persistirem, no nível da história urbana local, a Inflexão ocorre.

O conceito de oportunidades de evidência não é ainda estabelecido e muito menos se reconhece com clareza a relação de quais elas seriam ou como se concretizam.

Para analisarmos essas oportunidades de evidência das cidades no cenário internacional, escolhemos como parâmetro o número de citações que ela obteve na revista semanal norte-americana Time durante um período histórico selecionado. A revista Time foi escolhida por ser a revista com maior circulação no mundo (mais de 4 milhões de exemplares semanais), publicada deste 1923 e com edições especiais para Europa, América Latina e Ásia.

Em outros trabalhos, cujos resultados não caberiam no espaço deste artigo, analisamos também as oportunidades de evidência das cidades no cenário global por eventos políticos, econômicos, sociais e esportivos, com escala e impacto internacional, que tenham periodicidade, que sejam geridos por órgãos internacionais, e para os quais a cidade se candidata, como é o caso dos Jogos Olímpicos.

4.1 Cidades das Capas da Revista Time

A revista Time tem periodicidade semanal deste 1923, e tem a maior tiragem mundial. Para nosso tema, determinamos o recorte histórico entre 1951 e 2005. Buscamos o número de vezes que cada cidade foi tema de artigos na revista dividindo esse período em blocos de 5 anos, a partir do primeiro lustro (1951 a 1955), até o último (2001 a 2005).

A pesquisa na revista Time teve dois objetivos:

  • o primeiro foi percorrer as capas da revista desde 1951, com especial atenção para cidades e assuntos que mais se destacaram;
  • o segundo foi uma busca das 82 cidades que se destacam na hierarquia geral da rede internacional de cidades, considerando todas que se foram sede de Jogos Olímpicos e Exposições Universais.

Entre 1951 e 2005, 584 temas foram capa da Revista Time. Quanto aos assuntos gerais, é possível notar a emergência de alguns temas nas últimas décadas, como é o caso de medicina e saúde, e ciência e tecnologia, os quais apresentam ascendência vertiginosa a partir do início dos anos 1990.

As Olimpíadas como oportunidade de evidência estão refletidas na capa da Time como o único grande evento com presença freqüente. Além dos jogos propriamente ditos, esse evento coloca em cena outros assuntos, porém sempre vinculados ao nome da cidade que os sedia. Isso foi particularmente observado entre 1976 e 1985, época em que os preparativos para os Jogos de Moscou (1980) e Los Angeles (1984) foram motivo para disputas geopolíticas, com cada qual dos seus países boicotando os jogos realizados pelo seu inimigo político.

Outros temas provocam inserções singulares em determinados momentos. Neste caso encontram-se os assuntos ambientais, com um crescimento até 1985, com pico nos preparativos e ano da realização da conferência da Eco-92 no Rio de Janeiro. Na seqüência, todavia, o tema volta a ter a mesma evidência até então merecida nos anos 1970, resultando ainda numa ausência da cidade do Rio de Janeiro quando o tema é lembrado.

 

Gráfico 1: Tema meio ambiente na revista Time, entre 1951 e 2005. Fonte: Time, 11/01/1960

Sem necessariamente sediar o evento da Eco-92, ele mesmo com pouca inserção na mídia, outras cidades parecem ter melhor aproveitado a evidência do tema ambiental e se lançaram em iniciativas que lhes garantiram uma evidência; senão garantindo a entrada no grupo de Cidades Globais, minimamente num grupo que se destaca (e ganha com isso) por iniciativas ambientais. Nesses casos, as chamadas Inflexões Urbanas parecem verdadeiramente terem se implementado. Alguns casos são Curitiba, no Brasil, Katakyushu, no Japão, Seattle, nos Estados Unidos, e Córdoba, na Argentina. Não discutimos aqui o verdadeiro sucesso de tais cidades; o que se afirma é que a adoção de práticas ambientais em inúmeras cidades a partir dos anos 90 lhes garantiu uma posição de destaque no cenário internacional superior àquelas que sediaram outros eventos globais de relevância. Evidentemente, para aquelas que se lançaram mais preteritamente nesse esforço, maiores foram as possibilidades de evidência. O caso de Curitiba, iniciado já no final dos anos 80, é emblemático, sobretudo pelo fato de situar-se em um país considerado periférico no sistema global da economia.

Durante o período analisado, dez cidades foram tema da capa da revista. Destas, apenas Jerusalém não é norte-americana. Nova York é aquela com maior incidência, presente em 40 capas. A segunda maior incidência cabe a Washington, com 7 capas, na sua maioria com temas relacionados à política norte-americana e/ou à diplomacia deste país.

Chama a atenção o fato de a Nova York, até 1960, aparecer apenas como referência a times de beisebol ou políticos locais, confirmando talvez uma baixa relevância das cidades como agentes de interesse ou, como na atualidade, sobressaindo-se a níveis nacionais. Na edição de 18 de janeiro de 1960, enfim, a própria cidade é matéria de capa, ao discutir o problema do tráfego crescente decorrente do “grande êxodo do pós-guerra para os subúrbios” nas grandes cidades americanas.

Nova York volta a ser capa em junho de 1964, quando da realização da Exposição Internacional, que celebrava os 25 anos de avanços científicos: “Emerging from subway, train or even hydrofoil, the visitor to the New York World's Fair feels that he is in a special world, full of runaway pylons, impossible cantilevers, and buildings that look like flowers or accidents of flowing lava”.

Na seqüência, dois temas específicos à cidade retornam em algumas capas: a crise intra-urbana, pela falência de infra-estrutura (3 capas de blecautes na cidade) e insegurança (3 capas sobre insegurança e sua recuperação), e a posição global da cidade frente ao tema que deu início ao século 20: o terrorismo tendo como alvo símbolos internacionais, como os ataques ao World Trade Center em 1993 e em 2001. Aqui, os assuntos intra-urbanos perdem o valor para a cidade global por excelência, a cidade-símbolo. Na primeira capa, de 1 de janeiro de 2000, a revista escolheu a Times Square para abrir o século 21, em uma imagem onde a cidade é composta por luzes de imagens publicitárias e explosão de fogos de artifício, justamente região que 20 anos antes era o símbolo da falência urbana de Nova York; na segunda, em setembro de 2001, as Torres Gêmeas logo após o ataque terrorista, em explosão.

4.2 Cidades nos Artigos da Revista Time

Mais especificamente para o interesse deste artigo, selecionamos as cidades que aparecem com maior destaque na hierarquia geral das cidades globais, acrescidas por aquelas onde houve Exposições Universais e Jogos Olímpicos. Com as sobreposições (por exemplo, Los Angeles sediou Jogos Olímpicos de 1984 e ocupa a 5ª posição na hierarquia consolidada das Cidades Globais), chega-se a um total de 82 cidades.

Dividimos então o período total da pesquisa (de 1951 a 2005) em qüinqüênios, tal qual a pesquisa elaborada com as capas dessa mesma revista, e buscamos a quantidade de vezes que a cidade foi tema ou esteve presente em matérias no interior desta revista, independentemente do assunto.

Londres, por exemplo, a terceira em evidência, teve uma média de 283 referências anuais na Time neste período, com ápices de 451 (entre 1951 e 1955) e mínimo de 150 por ano (entre 1996 e 2000), antecedida por Chicago, com média anual de 291 referências e Nova York, com média anual de 737 – esta novamente a cidade com maior inserção jornalística.

Quando colocamos as referências às cidades distribuídas no tempo (Tabela 3), observamos alguns aspectos que refletem o grau de exposição e as oscilações da cidade no cenário internacional. Destacamos:

  • os possíveis agrupamentos de cidades de acordo com o grau de exposição no cenário internacional, relacionando-os com a hierarquia das Cidades Globais;
  • as oscilações entre as cidades dentro de cada um dos agrupamentos;
  • as cidades que apresentaram as maiores oscilações positivas e negativas, relacionando com o momento histórico dessas alterações; e
  • dentre as cidades que tiveram oportunidades de evidência, se elas conseguiram se manter no agrupamento superior de evidência a que passaram no período do evento.

 

Tabela 3: Cidades na Time – 1951 a 2005

Em preto estão as cidades pelo menos 20 vezes a mediana das referências na Time; em cinza escuro, as pelo menos 10 vezes a mediana; e em cinza claro, 5 vezes. Para o cálculo da mediana, excluímos Nova York, pois com mais de 2,5 vezes o número de citações que a segunda cidade mais citada, Chicago.

Novamente podemos notar que entre as 5 cidades mais referenciadas em matérias da revista, há pouca variação – todas sempre foram citadas pelo menos 10 vezes mais que a mediana. Porém, há algumas alterações significativas. A partir do início dos anos 1980, as referências a Londres caem. Paris, igualmente observa um movimento descendente, porém mais acentuado e já observado desde o início dos anos 1970. Em contrapartida, Los Angeles se consolida a partir dos anos 1980 como uma das cidades com maior número de referências na revista.

No grupo inferior em número de referências, Moscou se destaca pelo decréscimo. Estabilizada no 2º grupo em quantidade de referências até a metade dos anos 1980, quando teve ápice entre 1986 e 2000, época da Perestroika, da abertura política e posterior dissolução da União Soviética, quando ascendeu ao 1º grupo em número de referências na Time. A partir de então entra em movimento descendente contínuo, a ponto de no período mais recente, entre 2001 e 2005, estar no grande grupo de baixa relevância na revista.

No 3º grupo entre as cidades mais citadas na revista, os destaques vão para Atlanta e Houston, que apresentam uma estabilização a partir da metade dos anos 1960. Berlim, símbolo de importantes transformações geopolíticas no século 20, é a 13ª cidade mais citada nos últimos 50 anos na Time, porém com consideráveis oscilações. Se no período de 1961-1965 teve mais destaque, época da construção do muro de Berlim, mantém-se a partir daí entre as cidades do 3º grupo em número de citações, ou mesmo entre aquelas com baixa relevância, apenas com uma ligeira ascensão no período 1986-1990 (derrubada do muro), para então voltar à categoria com relativa baixa presença na revista.

5. Conclusão

Este artigo inicia debate daquilo que chamamos de Inflexões Urbanas: situações ou momentos que levariam uma cidade a se reposicionar na rede global de cidades. Para tanto, serve-se de informações disponíveis na mídia internacional de grande circulação como indicativo de eventuais mudanças. Três grandes conclusões podem agora ser anunciadas.

A primeira é que o desejado reposicionamento na hierarquia de relações internacionais, das quais as cidades são nós importantes, é mais difícil quanto mais superior for o grupo que se deseja fazer parte. Assim, o estudo conclui da quase imutabilidade do grupo de Cidades verdadeiramente Globais.

A segunda conclusão é a de que o reposicionamento entre cidades de grupos hierarquicamente inferiores parece ser mais recorrente, porém são inserções fugazes. As chamadas oportunidades de evidência garantidas a algumas cidades devido ao fato de sediarem Jogos Olímpicos ou Exposições Universais, por exemplo, dificilmente garantem a continuidade de destaque internacional e dos lucros que tal fato possa permitir.

A terceira conclusão é de que as oportunidades de evidência podem, eventualmente, gerar uma Inflexão Urbana, demarcando períodos na história de uma cidade. Entretanto, tal Inflexão limita-se a mudanças vivenciadas no cotidiano de seus moradores, sem poder implicar numa nova posição hierárquica internacional.

A continuidade desses estudos poderá dizer se a utilização de outros parâmetros que não os vinculados ao capital, às comunicações e à tecnologia, implicariam numa nova forma de ver a rede hierárquica de cidades no mundo. Poderiam também ajudar a compreender se é possível revalorizar as experiências aqui descritas como Inflexões Urbanas como mais significativas. 

notas

1
Artigo originalmente publicado em DUARTE, F. ULTRAMARI, C. “Inflexiones urbanas y ciudades globales: evidencias y jerarquias”. Biblio 3W, Revista Bibliográfica de Geografía y Ciencias Sociales, Universidad de Barcelona, Vol. XII, nº 743, 20 de agosto de 2007. <www.ub.es/geocrit/b3w-743.htm>. [ISSN 1138-9796].

2
FRIEDMANN, J. “The World City Hypothesis”. Development and Change, Vol. 17, nº 1, 1986; p. 69-84.

3
SASSEN, S. The Global City: New York, London, Tokyo. Princeton, New Jersey, Princeton University Press, 1991.

4
FOSSAERT, R. “Les villes mondiales, villes du système mondial". Hérodote nº 101, Février, 2001; p. 20.

5
SALOMON, I. “Telecommunications, cities, and technological opportunism”. Annals of Regional Science, Vol. 30 Issue 1, March 1996, p. 75-90; GRAHAM, S. “Communication grids: cities and infrastructure”. SASSEN, Saskia (ed.). Global networks, linked cities. New York, Routledge, 2002; p. 71-91.

6
LONDON. The competitive position of London as a global financial centre. London: The Corporation of London, 2005.

7
SMITH, D. and TIMBERLAKE, M. “World city networks and hierarchies, 1977-1997”. American Behavioral Scientist, Vol. 44 nº 10, June 2001; p. 1656-1678.

8
GUIMERÀ, R.; MOSSA, S.; TURTSCHI, A. and AMARAL, L. “The worldwide air transportation network: anomalous centrality, community structure, and cities’ global roles”. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America; Vol. 101 nº 22, May 2005; p. 7794-7799.

9
DERUDDER, B., TAYLOR, P.J., WITLOX, F. and CATALANO, G. “Hierarchical Tendencies and Regional Patterns in the World City Network: A Global Urban Analysis of 234 Cities”. Regional Studies, 37 (9), 2003; p. 875-886.

10
FINNIE, G. "Wired Cities". Communications Week International, May 18, 1998; pp. 19-22.

11
WITLOX, F., VEREECKEN, L. and DERUDDER, B. “Mapping the Global Network Economy on the Basis of Air Passenger Transport Flows”. GaWC Research Bulletin 157, 2004 (disponível em www.lboro.ac.uk/gawc/rb/rb157.html).

12
SMITH, D. and TIMBERLAKE, M. Op. Cit..

bibliografia complementar

BONIFACE, P. “Géopolitique des Jeux olympiques". Le Monde Diplomatique, Août 2004; p. 3.

McKAY, M. and PLUMB, C. Reaching Beyond the Gold – Global Insights Issue 1, Jones Lang LaSalle, 2001.

sobre o autor

Fábio Duarte. Professor do Mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica, em Curitiba, autor de Crise das matrizes espaciais (Perspectiva, 2002)e O tempo das redes (Perspectiva, 2007).

Clovis Ultramari. Professor do Mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica, em Curitiba, autor de Fim das utopias urbanas (Nobel, 2006).

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