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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
O Parque CienTec da USP é um museu de ciências focado na divulgação científica. Duas décadas após sua criação, é preciso rever seu projeto, redimensioná-lo e executá-lo, para que a instituição possa cumprir adequadamente sua missão.

english
USP's Parque CienTec is a science museum focused on scientific dissemination. Two decades after its creation, it is necessary to review its design and bring it to life, so that the institution can properly fulfill its mission.

español
El Parque CienTec de la USP es un museo de ciencias enfocado en la divulgación científica. A dos décadas de su creación, es necesario revisar su proyecto, redimensionarlo y ejecutarlo, para que la institución pueda cumplir adecuadamente con su misión.


how to quote

MASSABKI, Paulo Bernardelli. O Parque de Ciência e Tecnologia da USP. Parte I: histórico e patrimônio arquitetônico. Arquitextos, São Paulo, ano 24, n. 278.03, Vitruvius, jul. 2023 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/24.278/8857>.

O objetivo desta parte I do artigo será caracterizar o Parque de Ciência e Tecnologia da USP — CienTec, compondo um breve histórico e apresentando seu patrimônio arquitetônico no ano de 2022.

O CienTec foi criado em 2001, inserido numa iniciativa do Governo do Estado de São Paulo para a integração das diversas instituições que compõem o Parque Fontes do Ipiranga — Pefi, ou ainda, Parque do Estado. O governador Geraldo Alckmin criou o Programa Ecopefi “preconizando a otimização dos equipamentos atualmente disponíveis em áreas contíguas, porém estanques — além da implantação de novos [equipamentos]”. O foco era educacional e turístico, e visava transformar este parque em um “importante marco para São Paulo, abrindo-se […] a eventos nacionais e internacionais” (1).

O CienTec era um desses novos equipamentos. O objetivo do Programa Ecopefi era criar um grande núcleo de visitação e divulgação científica, relacionado à fauna (Zoológico), à flora (Botânico) e às demais ciências (CienTec), aproveitando a já significativa visitação do Zoológico, em torno de 1,5 milhão de visitantes anuais. A integração poderia se dar no transporte, na divulgação e na venda de ingressos, entre outras possibilidades.

O Pefi é composto também pelo Centro de Esportes, Cultura e Lazer — CECL e pelo São Paulo Expo — Expo, entre outros. Em destaque estão representados os limites do CienTec, sua área antropizada e o eixo Norte-Sul.

Foto aérea do Parque Fontes do Ipiranga
Foto Google Earth com edição do autor, 2020

Dentro do Programa Ecopefi houve a destinação de 600 mil reais em recursos estaduais para o desenvolvimento do projeto do CienTec, um Centro de Ciência e Tecnologia para São Paulo, portanto um equipamento de porte metropolitano.

A universidade fez os investimentos em infraestrutura e custeio. A Fundação Vitae forneceu recursos para o acervo — planetário, exibições científicas e outros — e para a definição conceitual da nova instituição, através da participação de consultores especialistas em museus de Ciência. A fase de concepção do novo museu foi concluída em 2003 (2).

Faziam parte do seu programa arquitetônico espaços para exposições interativas, permanentes e temporárias, internas e ao ar livre; auditório; planetário; e espaço para eventos educativos.

Localização e vocação

O CienTec está localizado no sítio do antigo Observatório de São Paulo; foi posteriormente reorganizado e renomeado como Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP — IAG USP. Os edifícios originais foram construídos entre 1932 e 1941. Com a decisão de transferir integralmente o IAG USP para a Cidade Universitária a opção por transformar o local num espaço de divulgação científica foi o resultado de diversos fatores:

  • A herança histórica do local, ligada à Ciência, que inclui os dez edifícios originais;
  • A presença de objetos artísticos e científicos originais, como o Vitral de Urânia, a escultura de Urânia e o telescópio Zeiss;
  • A presença da Estação Meteorológica, com diversos equipamentos científicos, históricos e contemporâneos;
  • A tradição do Observatório e do IAG nas atividades de divulgação científica.

O engenheiro e geógrafo Alypio Leme de Oliveira foi o primeiro diretor do Observatório e também o autor do seu projeto arquitetônico. Em relatório de 1929, Oliveira declara que “o local permitirá ao Observatório ser provido de meios para a educação do grande público, conduzindo assim o estabelecimento a desempenhar uma função social tão importante como seu papel científico” (3).

Caracterização

O CienTec é um tipo particular de museu: é um Science and Technology Center. O termo em inglês é mais apropriado, pois carrega um significado mais amplo que o de sua tradução: é um museu muito bem definido, voltado para a divulgação das diversas áreas de ciência e tecnologia.

Implantação do Parque de Ciência e Tecnologia da USP, 1930 [Acervo digital CienTec]

Ele “lida com o imaterial — os conceitos e processos da ciência e da tecnologia” e não é focado nos objetos, mas na experiência (4). Costuma se apoiar na interatividade, seja manual, intelectual ou emocional (hands-on, minds-on e heart-on). Ele visa a “compreensão da ciência pelo público, […] atrair os jovens para o estudo formal de assuntos científicos, o divertimento, o entusiasmo” (5), e foca também as implicações sociais dos princípios científicos e das aplicações tecnológicas, constituindo-se em importante agente de inclusão social (6).

Patrimônio edificado

Oliveira concebeu o projeto urbanístico e arquitetônico, entre 1929 e 1930, para a implantação do Observatório de São Paulo. A construção foi acompanhada pelo próprio autor.

O objetivo do presente texto não é o aprofundamento nas características técnicas e construtivas dos edifícios, nem a defesa de sua qualidade arquitetônica ou ainda da importância da preservação do conjunto original (7), o qual foi incluído no tombamento do Pefi pelo Condephaat, em 2018, conforme relacionado a seguir:

“III — Conjunto do CienTec (IAG USP): Sua solução urbanística, como a disposição do Eixo Norte Sul dos edifícios, arruamentos e os seguintes edifícios: a) Edifício 1 — Portaria; b) Edifício 3 — Residência do Diretor; c) Edifício 4 — Páleo/Planetário; d) Edifício 5 — Administração; e) Edifício 8 — Grubb; f) Edifício 9 — Zeiss; g) Edifício 15 — Astronomia; h) Espelho d’água; i) Estátua de Urânia” (8).

Vamos nos concentrar em caracterizar os espaços existentes em suas dimensões e qualidades principais, relacionando-as à adequação para o abrigo de exposições permanentes e temporárias, palestras e eventos de divulgação científica.

Elevação original da praça de Urânia, 1930. À esquerda, Pavilhão Cook (“Zeiss”); ao centro, Pavilhão do Serviço Meridiano e à direita, Pavilhão Photographico (“Grubb”) [Acervo digital CienTec]

Síntese da técnica construtiva

O sistema construtivo adotado nos edifícios originais “foi de alvenaria estrutural, com grossas paredes portantes — de 40 a 100cm, aproximadamente —, intermediadas por cintas de concreto não-armado nas mudanças de pavimento. As fundações também eram de concreto não-armado, completadas por tijolos” (9). Pilares de concreto foram utilizados apenas nas bases de sustentação de equipamentos científicos — como telescópios — e nas colunas dos pórticos de entrada dos edifícios.

As coberturas foram resolvidas de acordo com três situações distintas: lajes impermeabilizadas; cúpulas (esféricas e semicilíndricas) com estrutura de madeira e revestimento metálico; telhados escondidos atrás de platibandas, sobre forro de estuque. Em pelo menos um caso houve a associação de vigas metálicas e vigas de madeira para a composição de assoalho e forro.

Construção do Pavilhão Photographico, interior da sala principal do pavimento semienterrado, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

A arquitetura original se caracteriza, em sua maioria, por pequenas salas (com até 30m²) e pés-direitos baixos (inferiores a 3m) — exceção feita ao edifício da Administração.

Diagnóstico do conjunto em 2003

O conjunto original foi documentado em dois níveis: num diagnóstico detalhado, que inclui textos, desenhos e fotografias gerais e de cada um dos dez edifícios originais. Este relatório não foi publicado, e dele existe apenas o original, no acervo do CienTec.

Há, no entanto, um texto sintético redigido pelos autores do projeto de restauro e reconversão, Paulo Bruna e Nestor Goulart Reis Filho (10), no qual é possível apreender sua apreciação do conjunto.

“A linguagem arquitetônica adotada era a do art-déco, que entrou em uso mais frequente em São Paulo nos anos [19]30 […]. Mas contrastavam com as entradas dos vários edifícios, que eram resolvidas com soluções de caráter acadêmico, em pequenos corpos avançados, sustentados por pares de colunas com capitéis jônicos e fustes lisos […]. A geometrização, característica do art-déco, era reforçada pelo destaque dado às formas das cúpulas e abóbadas” (11).

“Os edifícios foram construídos sobre um sítio elevado; alguns na parte mais alta; outros ao seu redor, sempre obedecendo a determinados critérios geométricos. Usando linguagem de arquitetos e urbanistas, devemos dizer que o conjunto foi organizado segundo um traçado regulador”. Ou seja, “não se trata de uma simples série de edifícios semelhantes, mas de um plano de conjunto” (12).

“O tratamento paisagístico original, muito simples, acentuava suas características. A plataforma era coberta apenas por um gramado” (13).

Passemos agora a comentar sobre os edifícios do conjunto original.

Os edifícios originais

Apresentamos a situação da volumetria dos edifícios conforme eles chegaram ao ano da criação do CienTec, em 2001. Não houve alterações desde então, com exceção do Pavilhão do Grande Equatorial.

A Portaria (sem número) se encontra preservada. É uma bela e pequena edificação que atende bem aos seus propósitos: marcar a entrada, controlar o acesso e encaminhar o visitante ao seu destino. Sofreu ao longo dos anos o acréscimo de um pequeno ambiente de cada lado, mantendo, no entanto, a simetria presente no traçado regulador.

Portaria do Parque de Ciência e Tecnologia da USP, perspectiva projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Portaria do Parque de Ciência e Tecnologia da USP, 2008 [Acervo digital CienTec]

Portaria do Parque de Ciência e Tecnologia da USP, planta
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

A Residência do Diretor é composta no seu pavimento superior por sanitários e dez salas com cerca de 4m x 4m, todas com pé-direito de 3,45m. O pavimento inferior é mais compartimentado e apresenta pé-direito de 2,60m. É menor, pois metade de sua área se constitui num porão de 1,20m de altura. A escada, que conectava os dois pavimentos internamente, foi parcialmente demolida. Ao edifício foi acrescentado um anexo espúrio com cinco salas de aproximadamente 3m x 5m com cobertura em telhas de cimento amianto.

Residência do Diretor, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Residência do Diretor, planta pavimento inferior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Residência do Diretor, planta pavimento superior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Os Pavilhões Cook (Zeiss) e Photographico são edifícios gêmeos espelhados pelo eixo Norte-Sul e alinhados no eixo Leste-Oeste que passa pelo centro do conjunto (praça de Urânia). Os apelidos Zeiss e Grubb se devem aos telescópios instalados originalmente nestes edifícios. Cada edifício é composto por:

  • Porão com uma sala de 6m x 6m, e duas saletas menores, todas com pé-direito de 2,60m e pouca iluminação natural;
  • Térreo com copa e sanitários, uma sala de 6m x 6m e outra de 5m x 5m, pé-direito de 3,60m;
  • Pavimento superior composto por uma cúpula de 6m de diâmetro, acessada unicamente por escada externa espiral de 60cm de largura.

Pavilhão Cook, projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão Cook, construção, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão Cook, 2006 [Acervo digital CienTec]

No caso do Pavilhão Cook a cúpula ainda abriga o telescópio Zeiss, operacional. A cúpula mantém seus sistemas de abertura (mecânico), e de giro (eletromecânico).

O mesmo não acontece no Pavilhão Photographico, cujo telescópio Grubb foi doado nos anos 1980. Neste edifício foi criado no ambiente da cúpula um mezanino com piso de madeira. Os sistemas de abertura e giro foram eliminados.

Além da Zeiss, o Pavilhão Cook abriga hoje o Museu de Meteorologia do IAG em seu pavimento térreo.

Residência do Zelador, c. 194 [Acervo digital CienTec]

Residência do Zelador, planta pavimento inferior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Residência do Zelador, planta pavimento térreo
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

A Residência do Zelador é composta por cinco salas de aproximadamente 3m x 4m e pé-direito de 3,50m no térreo. O pavimento inferior, semienterrado, apresenta pé-direito de apenas 2,25m. Toda a ala oeste do edifício, em ambos os pavimentos, foi acrescida em momento posterior; não é original. Tal acréscimo se deu em virtude de uma instabilidade estrutural do edifício, que pendia no sentido oeste (14).

Coelostato e Espectroheliographo, projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Coelostato, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Espectroheliographo, 2008 [Acervo digital CienTec]

O Coelostato e Espectroheliographo é um pequeno edifício oblongo, com uma sala semienterrada de 3m x 10m e pé-direito de 3m, para funcionamento de um celóstato Zeiss de 300mm de diâmetro e um espectroeliógrafo, para observações solares (15). Há várias décadas os equipamentos não se encontram mais no local. São instrumentos ópticos que permitem obter imagens de telescópios. O celóstato projeta a imagem numa superfície plana, enquanto o espectroeliógrafo gera uma fotografia da superfície solar. A parte mais aparente do edifício seria sua cúpula semiesférica de 4m de diâmetro, que foi há muito demolida.

Pavilhão do Serviço Meridiano, projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Serviço Meridiano, edifício concluído, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Serviço Meridiano, edifício descaracterizado, 2008 [Acervo digital CienTec]

O Pavilhão do Serviço Meridiano foi um dos edifícios mais descaracterizados ao longo dos anos. A cobertura em laje e platibanda do corpo central foi substituída por telhas de cimento amianto e um frontão triangular. Os corpos laterais tiveram suas abóbodas (equivalentes às dos Pavilhões Cook e Photographico) demolidas e foram ampliados aleatoriamente, com quebra da simetria presente no traçado regulador. Só o que restou do edifício original foi a planta do corpo central — aparentemente alterada pelo próprio autor, Oliveira, durante a execução da obra. Esta planta é composta por duas salas de 4m x 4,5m e três salas de 3m x 5m, todas com pé-direito de 3m. Os dois corpos laterais tinham dimensões de aproximadamente 5m x 5m.

Pavilhão do Serviço Meridiano, planta pavimento térreo (projeto original), 1930 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Serviço Meridiano, construção, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Serviço Meridiano, planta pavimento térreo
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Administração, projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Administração, construção, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Administração, planta pavimento principal, 1930 [Acervo digital CienTec]

Administração, planta pavimento superior, 1930 [Acervo digital CienTec]

Administração, planta pavimento principal
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Na sua configuração atual, este edifício é conectado com o Edifício 14 (Exposição de Matemática), que é um dos edifícios não originais, a ser descrito adiante.

O edifício mais bem preservado de todo o conjunto é o da Administração. Em seu pavimento superior abriga copa e sanitário, uma sala de 6m x 6m, outra de 5m x 5m, e duas saletas de 3m x 6m, com pés-direitos entre 3,60m e 4m. Este pavimento é ocupado pela equipe da Estação Meteorológica — IAG USP), que realiza medições e atividades de divulgação científica.

Também neste edifício, Oliveira procedeu a diversas alterações na construção original em relação aos seus próprios desenhos. O pavimento térreo apresenta um saguão de 5m x 6m, um corredor de 3m x 23m, duas salas de 6m x 8m, duas salas de 3,5m x 6m, duas salas de 4m x 4,5m, e sanitários para ambos os sexos. Todos os ambientes têm pé-direito de 4,40m. A planta praticamente se repete no pavimento inferior, mas com pé-direito de apenas 2,50m.

O edifício conta com um belo vitral e dois medalhões em azulejo pintado, todos no saguão do pavimento inferior, com pé-direito duplo e que se conecta com o pavimento térreo através de uma elegante escada de 2,60m de largura.

O Pavilhão do Grande Equatorial sofreu diversas alterações em sua cobertura e se encontrava totalmente descaracterizado em 2001. Telhas em cimento amianto com beiral projetado cobriam a laje do corpo retangular, cuja platibanda fora demolida. A cúpula original havia sido eliminada e substituída por um telhado em seis águas, também com cimento amianto, sustentada por um pilar central de madeira. Fora instalada uma escada helicoidal de concreto pré-moldado modular, fazendo o acesso de manutenção do novo telhado. No lado esquerdo da fachada Sul foi construído um pequeno abrigo de serviço.

Pavilhão do Grande Equatorial, projeto original, 1930 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Grande Equatorial, construção, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Grande Equatorial, situação pré-restauro, 2006 [Acervo digital CienTec]

Pavilhão do Grande Equatorial, situação pré-restauro, 2006 [Acervo digital CienTec]

A Residência do Empregado é utilizada atualmente como auditório com capacidade para sessenta pessoas. O corpo original do edifício, com 6m x 10m, teve sua cobertura descaracterizada pela substituição de laje e platibanda por um telhado de duas águas com telhas de cimento amianto. Além disso, o edifício, que se encontra implantado no eixo Leste-Oeste, foi alongado em 17m no sentido sul, criando outro desequilíbrio no traçado regulador original.

Residência do Empregado/Auditório, construção, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Em sentido horário: Residência do Empregado/Auditório, Pavilhão Cook, Pavilhão Meridiano e Celostato, c. 1941 [Acervo digital CienTec]

Os edifícios não originais

Dentre os edifícios não originais, os mais significativos são os de número 14 e 19, pois puderam ser utilizados para exposições rapidamente após a criação do CienTec, sem necessidade de grande investimento de recursos.

Exposição de Matemática, planta pavimento inferior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Exposição de Matemática, planta pavimento superior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Relação entre o Pavilhão Meridiano e Exposição de Matemática
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

O edifício 14 abriga a Exposição de Matemática. Como data de 1975 e foi construído em estrutura de concreto armado, foi possível ampliar seus espaços internos através da eliminação de paredes. Em seus dois pavimentos, conta com dois salões, um com 10m x 13m, e outro com 6m x 13m, sete salas de 3m x 4m, e duas salas de 5m x 4m, com pés-direitos de 3m. O edifício é anexo ao Pavilhão do Serviço Meridiano.

Museu Cesar Lattes, planta pavimento térreo
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Museu Cesar Lattes, planta pavimento superior
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Museu Cesar Lattes, elevação principal
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Situação semelhante é a do edifício 19, o Museu Cesar Lattes, que foi construído pelo IAG USP em 1985 com pequenas salas de professores e reformado pelo CienTec em 2006 para abrigar diversas exposições interativas, além da Nave Mario Schenberg. Após a reforma, a configuração do edifício ficou conforme segue: um salão de exposições com 6m x 23m e outro com 6m x 17m, ambos com 2,80m de pé-direito.

A Nave Mario Schenberg ocupava a ala Leste do edifício, em seus dois pavimentos, com um foyer de 11m x 6m e o espaço da nave com 13m x 6m. Era uma exibição interativa, na qual pequenos grupos de três a quatro visitantes eram responsáveis cada qual por uma das estações de comando da nave, trabalhando colaborativamente de forma a atingir os objetivos da missão proposta, que, apesar de se passar no espaço, focava principalmente em aspectos ambientais e de conservação de energia. Encontra-se atualmente desativada.

Praça Oscar Sala, implantação
Elaboração Paulo Henrique Bernardelli Massabki

Foto panorâmica do CienTec. No canto inferior direito, cobertura tensionada da praça Oscar Sala, 2011 [Acervo digital CienTec]

Evento na Praça Oscar Sala, 2007 [Acervo digital CienTec]

O edifício é acessível, com sanitários em ambos os pavimentos e plataforma vertical para conectá-los. Foi implantado quase perpendicularmente ao eixo Norte-Sul: há um desvio de 1,9° em relação ao mesmo, que não é percebido pelo usuário.

Na reforma, os acessos tanto às Exposições quanto à Nave se dão por um saguão que atravessa o edifício exatamente no Eixo Norte-Sul e leva à Praça Oscar Sala, concluída em 2010. A praça tem uma área plana e descoberta de 1.500 m², e uma área de 1.000 m² abrigada através de uma cobertura tensionada branca.

Conclusões

Até agora apresentamos o Parque CienTec ao leitor e abordamos sua herança histórica e arquitetônica. Na parte II trataremos das bases conceituais relacionadas ao patrimônio arquitetônico e ambiental, assim como do dimensionamento de espaços para Science Centers, e apresentaremos uma nova proposta para o CienTec.

notas

1
BICUDO, Denise; FORTI Maria; BICUDO, Carlos. Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (Pefi): unidade de conservação que resiste à urbanização de São Paulo. São Paulo, Smaesp, 2002, p. 5.

2
MANTOVANI, Marta Silvia Maria; MASSAMBANI, Oswaldo. Parque CienTec — Parque de Ciência e Tecnologia da USP: Restauração do conjunto arquitetônico de importância histórica para abrigar atividades de difusão da ciência e da tecnologia. São Paulo, Edusp, 2004.

3
SANTOS, Paulo Marques dos. Instituto Astronômico e Geofísico da USP. Memória sobre sua Formação e Evolução. São Paulo, Edusp, 2005, p. 76. Grifo do autor.

4
DANILOV, Victor. Science and Technology Centers. Massachusetts, The MIT Press, 1982, p. 4.

5
MCMANUS, Paulette. Uma palavra em seu ouvido… O que você quer dizer quando fala, ou pensa a respeito de educação (formal e informal), aprendizagem e interação. In MARANDINO, Martha; ALMEIDA, Adriana Mortara; VALENTE, Maria Esther Alvarez (org.). Museu: lugar do público. Rio de Janeiro, Fapesp/Editora Fiocruz, 2009, p. 56.

6
MASSABKI, Paulo Henrique. Centros e museus de ciência e tecnologia. Dissertação de mestrado. São Paulo, PPGAU FAU USP, 2011, p. 33–37.

7
Idem, ibidem, p. 180–202.

8
CONDEPHAAT (2018). Resolução SC — 103, de 7 nov. 2018. Doesp. São Paulo, Imesp, 2018.

9
MASSABKI, Paulo Henrique. Op. cit., p. 187.

10
MANTOVANI, Marta Silvia Maria; MASSAMBANI, Oswaldo. Op. cit.

11
Idem, ibidem, p. 22. Grifo do autor.

12
Idem, ibidem, p. 14. Grifo do autor.

13
Idem, ibidem, p. 18.

14
Idem, ibidem, p. 86.

15
SANTOS, Paulo Marques dos. Op. cit., p. 79.

sobre o autor

Paulo Bernardelli Massabki é arquiteto com atuação principal na área de projeto e funcionário da Superintendência do Espaço Físico da Universidade de São Paulo, tendo atuado como docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Guarulhos.

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