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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Após ter participado de um festival de arquitetura cujo tema era o reemprego e a experimentação de materiais reaproveitáveis o grupo IU – Intervenções Urbanas Estratégicas discorre sobre sua experiência e sobre a arquitetura do tipo “faça você mesmo”.

english
After taking part of an architectural festival about the reemployment and experimentation of reusable waste, the group IU – Intervenções Urbanas Estratégicas talks about its experience and wonders about the “do it yourself” kind of architecture.

español
Después de participar de un festival de arquitectura cuyo tema era el reempleo y la experimentación de materiales reaprovechables, el grupo IU – Intervenções Urbanas Estratégicas habla sobre su experiencia y sobre el tipo de arquitectura “hazlo tu mismo”.

how to quote

MOTA, Cássia; COSTA, Amanda; MARÇAL, Fagner; PASSOS, Pedro; JORDÃO, César. Eco-bricolagem arquitetônica. Drops, São Paulo, ano 13, n. 059.02, Vitruvius, ago. 2012 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.059/4413>.



Participamos recentemente (em maio de 2012) de um festival de arquitetura (1) cuja proposta era reunir um grande número de estudantes e arquitetos para a experimentação arquitetônica com o uso de materiais reciclados. O BellaStock já acontece há muito tempo, mas particularmente a edição de 2012 trouxe o tema do "reuso adaptativo" de materiais descartados no ciclo de consumo como um todo.

Foram cinco dias de imersão e experimentação na escala 1:1, nos quais equipes de cinco pessoas se agruparam para construir e habitar espaços de uso habitacional ou espaços de uso coletivo dentro da cidade efêmera criada para o evento.

No primeiro dia de evento, o desafio das equipes era construir, através da reutilização de uma gama predeterminada de materiais reciclados (caixas de madeira, palets, tubos de papelão, garrafas plásticas, retalhos de tecidos, pedaços de pvc e borracha), o ambiente onde os participantes iriam dormir.

Nos segundo e terceiro dias do evento, as equipes criavam seus próprios desafios: identificavam as demandas de espaço na cidade BellaStock (mobiliários, espaços de lazer/convívio) e faziam, com suas próprias mãos, esses espaços acontecerem. No quarto dia, a cidade efêmera do BellaStock foi aberta à visitação do publico geral e, no quinto dia, todas as estruturas construídas para o evento foram desmontadas.

Interessante notar que as apropriações ultrapassaram o limite do sensorial. Muitas arquiteturas estimularam a interação de artistas plásticos, atores e dançarinos com o espaço criado. As arquiteturas tornaram-se espaços para apropriações gráficas, cenários para encenações de peças e palco para diferentes formas de danças. Notamos que a apropriação também estimulou a interação de crianças e outras pessoas que visitavam a cidade efêmera. Além de participar do convívio social no cotidiano do acampamento, algumas realizaram desenhos sobre as arquiteturas que individualizavam as mesmas, agregando maior personalidade e destaque às intervenções.

Mesmo com as diferentes necessidades programáticas e as diferentes técnicas construtivas empregadas por cada um dos participantes, a cidade efêmera construida nesses dias tinha inesperadamente uma certa homogeneidade. Uma linguagem comum, que vinha não das formas, não dos conteúdos, mas sim da miscelânea de materiais empregados, conectava as intervenções contidas na cidade efêmera do BellaStock. Tampouco os materiais utilizados foram os mesmos entre as equipes, mas a forma com que eles foram usados tinha sim uma similaridade: havia no espaço uma estética marcante da colagem, da assemblage de texturas, superfícies e sólidos. A percepção dessa estética da até mais marcante que a percepção da obra aberta, inacabada, comum a diversos assentamentos temporários (ou mesmo precários) vistos em nossas cidades contemporâneas.

Não podemos negar, contudo, que essa estética reflete os processos de concepção e construção dos projetos apresentados no festival. Reflete também os valores e princípios do próprio festival. Para construir seus projetos, as equipes foram aconselhadas a racionalizar bastante o uso de materiais, e a criar soluções inventivas a partir da exploração dos materiais “reutilizáveis” captados pela organização do evento.

O que nos leva a pensar na aparência (e por quê não essência?) das superfícies na arquitetura que o futuro nos trará, e seus significados. O repertório de jogos de volumes, peles e superfícies contínuas que as arquiteturas industriais e pós-industriais produziu através do uso de maneira homogênea de materiais diversos (vidro, aço, concreto, madeira, etc), passará a se confrontar com a estética do aglomerado de materiais heterogêneos empregados em pequenas quantidades, compondo estruturas pautadas pela dinâmica da colagem.

Saindo do ready-made, pré-fabricado, pronto para ser instalado, com suas estruturas infinitamente prolongáveis e repetitivas, teríamos a oportunidade de produzir a partir dos restos dos métodos racionalizados de construção, produzirmos a cada momento um sistema próprio, único e fluído. Essa espécie de “bricolagem arquitetônica”, revista pelo grande conceito da sustentabilidade e que se distancia dos antigos métodos construtivos, terá como desafio a comprovação da sua eficiência frente ao processos industriais que se renovam.

Curiosamente o mosaico de materiais inusitados que o workshop apresentou sublimou uma questão subjacente, mas indispensável para o discurso da sustentabilidade que, por vezes, é soterrada pelas estatísticas de eficiência nos embates entre métodos de construção civil. A percepção de uma cidade em que uso (dos mais criativos) e construção se deram simultânea e continuamente. Desta maneira, ao passo que tiramos o pulso das utopias ecológicas, vamos sedimentando uma posição que não se dá de frente para a problemática da sustentabilidade na arquitetura, mas sim, de dentro para fora.

nota

1
Bellastock Architecture Experimentale <www.bellastock.com>.

sobre os autores

Cássia de Souza Mota é formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, fez mestrado em Urbanismo no PROURB da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pós graduação em Design Gráfico na Estácio de Sá e estágio de pesquisa na Université Laval (Canadá). Laureada na categoria TFG na 11ª Premiação do IAB (MG) em 2009, teve trabalhos expostos na 7ª BIenal Internacional de Arquitetura de São Paulo (2007) , na V Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo (2006) e publicados no 24º Congresso Mundial de Arquitetos da UIA (2011).

Amanda Costa, César Jordão, Fagner Marçal e Pedro Passos são arquitetos e urbanistas graduados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fazem parte da IU – Intervenções Urbanas Estratégicas (http://intervencoesurbanas.com.br/), um grupo formado para elaborar, desenvolver e realizar projetos para o espaço público urbano das cidades através da captação de recursos junto às esferas civis, privadas e públicas. A IU age através da realização de intervenções artísticas e culturais, e almeja no futuro próximo a realização de projetos de revitalizações urbanas através da arte. Exerce atividades de produção cultural, marketing direto, promoção de vendas, atividades de recreação e lazer, projetos de estruturas arquitetônicas, produção fotográfica, produção de eventos, produção gráfica e ensino de arte e cultura.

 

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