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drops ISSN 2175-6716

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O Auditório e Centro de Conferências Islandês, concebido pelo escritório Henning Larsen Architects em parceria com Olafur Eliasson, é a peça principal da renovação da cidade de Reykjavik, buscando refletir o caráter da Islândia.

español
El Auditorio y Centro de Conferencias Islandés, concebido en conjunto por Henning Larsen Architects y Olafur Eliasson, es la pieza principal en la renovación de la enigmática ciudad de Reikjavik y refleja el carácter de Islandia.

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MASSAD, Fredy; GUERRERO YESTE, Alicia. Reykjavik, o espírito da paisagem. Drops, São Paulo, ano 13, n. 065.04, Vitruvius, mar. 2013 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.065/4677>.


Auditório e Centro de Conferências Islandês
Foto Nic Lehoux [Wikimedia Commons]


“Reykjavik é uma cidade de velocidade e mudanças, espaços amplos e subúrbios. Cem anos atrás, meu avô morava em uma casa com grama, na beira do mar, num sitio agora cortado por ruas. Relatos antigos fazem menção às pessoas iam lá e gravavam sinais mágicos com a espinha de uma cabeça de bacalhau para impedir as tempestades. Agora, ali mesmo, ao longo do litoral, alçam-se reluzentes um posto de gasolina e alguns modernos blocos de apartamentos” escreve o autor islandês Eina Már Gudmunsson, numa breve e desordenada evocação de sensações, lembranças e pensamentos que são parte de uma expressão intima da pulsação do espírito que aconchega-se na terra que, no alvorecer do século XX, era uma pequena vila e hoje é uma metrópole em expansão.Uma jovem cidade sem muita tradição, crisol de influências provenientes de todas as partes, que em cinquenta anos tem atravessado a evoluçao que outras capitais desenvolveram ao longo de dois ou três séculos. As palavras de Gudmundsson convidam-nos a acreditar que Reikjavik é ainda uma espécie de topos daimonios, um lugar onde, através da realidade, o extraordinario resplandece. “O material de Reykjavik encontra-se no ar, nas cores, nos sons, nas imagens... É uma cidade ainda não descrita, que possui um misticismo que poucas pessoas compreendem, além daqueles que viveram lá por muito tempo.” Uma mística que implica perceber mesmo a presença do numinoso da paisagem natural justaposto com a arquitetura construída durante o século passado para acomodar o afluxo de populaçao das áreas rurais, que rejeita qualquer ligação com “aquilo que já existia ali”.“O contraste entre o velho e o novo é particularmente bruto em Reykjavik” afirma o escritor, dizendo que essa ruptura drástica imposta à paisagem pelo utilitarismo arquitetônico do pós-guerra provoca nos islandeses um desarraigamento que cristalizou num sentimento comum de nostalgia e romantismo para aquilo que estava ali.Essência psicológicaO artista Olafur Eliasson vale-se da intensidade desse retrato da essência psicológica e espiritual da Islândia, feito por Gudmundsson, para induzir a contemplação de uma série de fotografias da ilha a partir do significado de tal emoção consciente para o reconhecimento da tensão existente entre o que permaneceu palpável e perceptível e o que foi ocultado durante o processo de transformação de uma parte da natureza em paisagem urbana. Nele também se fundamenta o conceito para o desenho da pele que envolve a estrutura do Auditório e Centro de Conferências Islandês, cuja concepção também busca vincular o edifício com o seu ambiente que o circunda: a zona portuária do centro de Reykjavik, lugar de grande beleza à beira do mar, donde confluem os cais e o antigo muro do porto frente a geleira de Snaefellsjökull.O Auditório e Centro de Conferências Islandês – inaugurado em 2011, e protagonista do pavilhão da Islândia na Bienal de Veneza em 2006 – foi concebido por um estúdio dinamarquês reconhecido pela sua capacidade no projeto de estruturas de grande escala: Henning Larsens Architects. O complexo é subdividido internamente em três edifícios – com uma área total estimada de 25000 metros quadrados colocados frente a frente para facilitar o fluxo das pessoas – que contêm um auditório para 1800 pessoas, um auditorio para testes ensaios com capacidade para 450 pessoas e uma sala de conferências para outros 750 expectadores. Uma série de terraços dispostos em diferentes andares do prédio intensificam a ligação com a paisagem. O Auditório e Centro de Confêrencias é, de fato, o eixo de uma intervenção de desenvolvimento urbano que ampliará o centro de Reykjavik, com a construção de novas habitações, uma rua de pedestres e uma praça aquática.Seguir o exemploReykjavik começou um processo que tem sido aplicado em outras cidades européias. Com o desenho de Henning Larse Architects, a capital islandesa foi dotada de um complexo arquitetônico cujo objetivo principal é impulsionar a estratégia de renovação urbana que, em simultâneo, resultará na sua  presença e imagem a nível global. A especificidade deste edifício reside na combinação dos trabalhos do arquiteto e do artista para concepção do projeto. Uma das chaves do projeto é o conceito de Eliasson, em que a construção perceptiva do espaço deriva da relação entre ambiente e indivíduo em movimento constante.Espuma o geloEliasson concebeu uma estrutura externa que transforma o edifício em uma monolítica forma cristalina cujo cromatismo estará em constante mudança, devido às matizes que variam de acordo com as cores do céu e do mar (de vermelho para azul indigo; de branco da espuma das ondas para o tom da água gelada), que refletem-se contra a pele que envolve a edificação. O resultado é a imagem do prédio que tanto pode parecer envolvido na cor da lava ardente quanto da geleira do inverno. O complexo atuará como uma metáfora catalisadora das formas essenciais e definidoras, sensorial e espiritualmente, da paisagem islandesa, rompendo com a idéia de um contextualismo mimético. O que este intenta é produzir e definir um território urbano para que os islandeses possam redescobrir a sua identidade essencial que dependia de sua relação com a paisagem.O uso da tecnologia de vanguarda para recriar arquitetonicamente conceitos metafóricos implicou que um artista experimental alimentasse o trabalho de algo que é imprescindível de recuperar na arquitetura atual: projetar edifícios onde a experiência física invade os cinco sentidos e, através deles, o espírito, unificando a consciência do fato arquitetônico numa totalidade vital com o própio corpo. Da mesma forma que não se pode desprender a dimensão sensorial de Eliasson da essência física concebida por Henning Larse Architects.nota1
Artigo originalmente publicado em ABCD las Artes y las Letras, n. 995, publicado em 1 de maio de 2011.
sobre os autoresFredy Massad e Alicia Guerrero Yeste, titulares do escritório ¿btbW, são autores do livro Enric Miralles: Metamorfosi do paesaggio, editora Testo & Immagine, 2004.

 

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