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drops ISSN 2175-6716

abstracts

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Segundo Carlos Martins, na encruzilhada em que se encontra, a USP tem dois caminhos alternativos a seguir: a defesa da autonomia da universidade pública e ou se voltará a se ensimesmar na torre de marfim.

how to quote

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O que está em jogo na eleição da USP – parte 3. Excelência acadêmica e mensuração dos rankings internacionais. Drops, São Paulo, ano 22, n. 170.04, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/22.170/8327>.


The Elephant Tower, Futtehpore Sikri
Foto Samuel Bourne, c.1860 [Wikimedia Commons]


Na próxima quinta-feira, 26 de novembro de 2022, a Assembleia Universitária escolherá entre duas chapas que concorrem à reitoria da USP para o quadriênio 2022-2025.

Embora os componentes de ambas venham das gestões anteriores, as alternativas abertas são bastante distintas e terão impacto marcante sobre as relações entre a universidade mais importante da América Latina e o conjunto da sociedade paulista e brasileira.

A premissa destas colunas (1) é que o futuro da USP interessa a muito mais do que à sua comunidade interna.

Pelo significado de sua ação na formação de profissionais altamente qualificados em todas as áreas.

Pelos múltiplos impactos de suas pesquisas de ponta em todas as áreas e pela sua enorme capacidade de oferecer inovação tecnológica tanto a empresas como a entes públicos ou instâncias federativas nas perspectivas de estruturação de políticas públicas mais modernas e eficientes.

Disso falamos, ainda que brevemente, nas duas colunas anteriores. Gostaria de comentar hoje o tema sempre complexo da excelência acadêmica e de sua mensuração pelos chamados rankings internacionais.

Há vários sistemas de ranqueamento, com distintos pesos para os diferentes quesitos: ensino, pesquisa, publicações etc. Mas há duas constantes. A USP sempre aparece como a – ou uma das duas – mais importantes universidades da América Latina. E um elemento comum é a “reputação”, ou seja, a importância da opinião dos milhares de acadêmicos consultados por cada organização promotora dos rankings.

Se olharmos as propostas das duas chapas que disputam a USP veremos que há uma série de concordâncias. Entre elas, as ideias de que a continuidade da excelência depende do avanço na internacionalização; de que é preciso oferecer maior acesso a línguas estrangeiras; que programas de cooperação internacional são fundamentais etc.

Mas há uma diferença fundamental: a chapa Somos Todos USP, não defende uma internacionalização em abstrato, mas propõe uma estratégia apoiada nas nossas condições específicas enquanto universidade e enquanto país: “A USP reúne amplas condições de ter uma atuação com ainda maior nível de protagonismo regional em suas três missões (ensino, pesquisa, cultura e extensão) [...] (transformando-se) num “hub acadêmico” para a América Latina, África e Ásia” (2).

Trata-se, portanto, de uma aposta clara em ampliar a cooperação com os países em desenvolvimento, na linha da cooperação Sul-Sul (América Latina, África, Ásia). Isso não significa deixar de se relacionar com as principais universidades do planeta, mas passar a fazê-lo a partir de uma posição consciente e ativa na diplomacia científica mundial, “assumindo o protagonismo de uma liderança da região Sul Global”, diz o programa.

Em breve saberemos o que a USP escolherá.

Maior inclusão social e maior presença na sociedade; manutenção da excelência na perspectiva de um posicionamento mais assertivo no ambiente acadêmico internacional ou uma conversa com seu próprio umbigo na ilusão aconchegante da torre de marfim.

Ilusão aconchegante mas perigosa, como já se se deveria ter percebido.

nota

1
Artigos da série:

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O que está em jogo na eleição da USP – parte 1. Na encruzilhada entre a defesa da autonomia e o ensimesmamento na torre de marfim. Drops, São Paulo, ano 22, n. 170.01, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/22.170/8313>.

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O que está em jogo na eleição da USP – parte 2. Cotas de pretos, pardos e indígenas não pioram a qualidade da universidade. Drops, São Paulo, ano 22, n. 170.03, Vitruvius, nov. 2022 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/22.170/8326>.

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O que está em jogo na eleição da USP – parte 3. Excelência acadêmica e mensuração dos rankings internacionais. Drops, São Paulo, ano 22, n. 170.04, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/22.170/8327>.

2
Ver website da chapa Somos Todos USP <https://somostodosusp.com.br/>.

sobre o autor

Carlos Ferreira Martins é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, filho da escola pública, mas também, e com muito orgulho, filho de camponeses que tudo fizeram para que pudesse ser o primeiro da família a chegar à universidade.

 

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