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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Entrevista com Hernán Díaz Alonso, realizada a partir da pesquisa “A Educação do Arquiteto para o Século 21 – O Ensino do Projeto de Arquitetura e Urbanismo no final do Curso", em desenvolvimento no Propar UFRGS, com verba de custeio Capes.

english
Interview with Hernán Díaz Alonso, based on the survey "Architect's Education for the 21st Century – Teaching the Architecture and Urbanism Project at the end of the Course", under development in the Propar UFRGS, with funding from Capes.

español
Entrevista con Hernán Díaz Alonso, basada en la investigación "La educación del arquitecto para el siglo 21 – Enseñanza del Proyecto de Arquitectura y Urbanismo al final el Curso", en desarrollo en el Propar UFRGS, con fondos de Capes.

how to quote

MARQUES, Sérgio M.; BOHRER, Mônica L.; MARQUES, Lucas Canez M.. Entrevista com Hernán Díaz Alonso. O ensino no Southern California Institute of Architecture – SCI-Arc. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.03, Vitruvius, abr. 2020 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7718>.


Entrada do SCI-Arc
Imagem cedida por Yasil Navarro [Executive Assistant/Administrative Coordinator da SCI Arc]

Sérgio M. Marques: Caro Hernán, sou filho de um arquiteto das primeiras gerações da Arquitetura Moderna no sul do Brasil, perto da Argentina e do Uruguai. Meu pai foi um arquiteto prolífero nesta época e região... Tenho um livro com o tema de tese de meu doutorado que retrata esta geração (Livro FAM). É um presente para ti.

Hernán Díaz Alonso: Muito obrigado!

SMM: Bem, como curiosidade. É mais modesta que São Paulo e Rio mas é a Arquitetura Moderna no sul brasileiro.

HDA: Ui! Lindo... (olhando a REFAP no livro FAM).

SMM: Sim... É a arquitetura destes modernos que de alguma maneira sempre estava bem... A distância entre os melhores e os piores não era grande.

HDA: Mas isto aqui não é pouca coisa, hein? Onde é isto (REFAP)?

SMM: É uma refinaria de petróleo perto de Porto Alegre. Está há uns trinta quilômetros. Porto Alegre é mais ou menos mil e quinhentos quilômetros de Buenos Aires e novecentos quilômetros de Montevidéu.

HDA: É a cidade do Inter?

(Risos)

SMM: Sim. Eu vivo perto do Inter...

HDA: Era o time do Falcão. Fantástico!

SMM: O Rei de Roma. Este jogava muito. Está por lá ainda, maduro, mas segue. É um bom comentarista de futebol... Bem, introduzindo a questão, minha geração, que é mais ou menos a tua, foi a geração do Pós-Modernismo...

HDA: Eu nasci em 1969...

SMM: Ah, és um pouco mais jovem.

HDA: Não, não, mas isto passou comigo também. Na Argentina os professores jovens eram pós-modernistas e os antigos, modernistas. O Pós-Modernismo eu odiei durante toda a faculdade. E sigo odiando. Nunca soube bem por quê... Me ensinaram a odiar... Nesta época já estavam Aldo Rossi, Mario Botta, o teórico Taffuri, a Bienal de Veneza...

SMM: Sim, eu estudei arquitetura bem no momento da crise... Em parte, por esta razão é que estou fazendo esta pesquisa, para tentar entender a educação hoje, a arquitetura contemporânea e o futuro para a próxima geração (apontando para o Lucas)...

HDA: A educação dele? Esta pergunta eu não sei responder!

(Risos)

SMM: Então a pergunta de arrancada é: qual é sua opinião sobre o futuro de nossa profissão?

Circulação longitudinal e espaço de exposições, críticas e apresentações de trabalhos
Cessão de imagem / Image courtesy Yasil Navarro [Executive Assistant/Administrative Coordinator da SCI Arc]

HDA: Bem, vamos ver... Sempre as perguntas são simples e as respostas complexas... Te respondo em sequência: sou argentino, estudei a primeira parte da minha formação em arquitetura em Rosário, na Argentina. Nasci em Buenos Aires mas cresci em Rosário. Tive sorte pois nesta época havia uma onda muito interessante na cidade, com jovens arquitetos como Gerardo Caballero, Rafael Iglesias e Marcelo Villa, que eram uma via alternativa da arquitetura, com Miralles e Álvaro Siza...

Me parece uma discussão complexa, portanto te explico um pouco onde estamos em SCI-Arc e do contexto, para tentar responder para onde vamos. Fiz meu mestrado nos Estados Unidos e armei a minha carreira acadêmica aqui. Faz vinte anos que estou na América, portanto a maior parte de minha vida profissional foi nos Estados Unidos. O contexto acadêmico norte-americano é muito distinto do latino-americano. Aqui o ensino é uma indústria. Não são instituições no profit como na Argentina, sem fins lucrativos. É outra mentalidade. Custa muito dinheiro, há uma indústria de inovação, não só na arquitetura, mas em todo o sistema norte-americano, financiada por institutos como o de Soros, há investimentos e pressão por inovar. Como na SCI-Arc.

Apresentações de trabalhos de estudantes do undergraduate e graduate
Foto dos autores

A SCI-Arc nasceu em 1972 como um ato de rebeldia de seis arquitetos, que estão todos vivos (Ray Kappe, Thom Mayne, Jim Stafford, Glen Small, Ahde Lahti, e Bill Simonian). Alguns com repercussão a nível mundial, como Thom Mayne. A escola foi fundada com espírito de rebeldia e como alternativa para repensar o modelo de educação em arquitetura. Hoje se vê a escola muito distinta, mas o espírito segue. Então até onde vamos no futuro, ou até onde cremos que vamos, tem a ver com a tecnologia e com as mudanças culturais e sociais. Meu argumento é que os arquitetos são especialistas em ser generalistas. Ou seja, não somos especialistas em nada. Somos especialistas, como se diz, em "mal interpretar" tudo. Os arquitetos "mal interpretam" filosofia, artes, moda, música, desenho e nos apropriamos destes conhecimentos... Mas, para mim, isto pode ser uma virtude, não um defeito! Então eu creio que em um mundo onde todos vão para especializações, nós arquitetos temos a oportunidade de repensar que os edifícios não são a única coisa com que podemos contribuir para a cidade. A SCI-Arc até hoje tem sido uma escola de arquitetura sempre no limite, flertando com outras áreas. Uma escola de architectural thinking, de pensamento arquitetônico, onde os arquitetos têm uma maneira de pensar e que podem aplicar este conhecimento em outras áreas que não sejam apenas edifícios. Creio que o futuro da arquitetura tem muito a ver com isto.

Sei que muita gente na América Latina não vai gostar quando ler isto, ainda que o Brasil tenha sido sempre um pouco distinto da América Latina. Não só por linguagem, mas culturalmente falando, o Brasil tem ido sempre em seu próprio ritmo...

SMM: Pela dimensão poética?

HDA: Pelo tamanho do país, cultura, linguagem e uma série de coisas que fazem com que o Brasil tenha seu próprio mundo. Portanto quando falo em América Latina falo desde Argentina até México. Brasil eu não tiraria completamente fora, mas é distinto.

Então, eu creio que o futuro passa por entender que nós arquitetos temos a virtude de compreender o mundo de um modo geral e de aplicar este conhecimento em muitas áreas, como na inovação e na tecnologia. Na América Latina há muita resistência em relação a esta noção e me parece que é um erro. Por que a modernidade da geração do teu pai e dos arquitetos brasileiros foi tão importante? Porque eles sabiam conceitos que a cultura e a sociedade demandavam. Ainda que a sociedade não entendesse naquele momento, a modernidade. O moderno não foi um êxito imediato. Quanto tempo passou para que a sociedade aceitasse viver baixo as regras do Movimento Moderno no Brasil? Trinta anos? Quarenta anos? Mas os arquitetos tinham uma visão de como era o mundo e em que direção ele ia. E a arquitetura e os arquitetos empurravam a sociedade a repensar o mundo nesta direção.

Apresentações de trabalhos de estudantes do undergraduate e graduate
Foto dos autores

Me parece que o modelo neomodernista que agora se implantou na América Latina é um pouco impermeável em relação a isto. Tenho a impressão que lá vemos o arquiteto aprender a profissão apenas como uma questão de ofício, como um carpinteiro ou um sapateiro, e não como um agente cultural. Vemos arquitetura como ofício: "arquiteto constrói edifícios". Arquitetos não constroem edifícios! Arquitetos fazem projetos, desenhos, detalhes construtivos, especulam conceitualmente os espaços com materiais e passam estes documentos para alguém que constrói. Para mim parece um mito dizer que o arquiteto constrói. Não somos um carpinteiro que constrói uma mesa com suas mãos. Somos um agente cultural, que trata da cultura em relação ao capitalismo, aos investidores, ao Estado, seja quem for o promotor. O interesse que temos na SCI-Arc vai por este lado. Não que vamos abandonar os edifícios e achar que a arquitetura tradicional não existe mais. Mas não é suficiente.

Se olharmos o renascimento como origem da cultura ocidental, quando engenharia, medicina, arquitetura e advocacia eram as quatro carreiras tradicionais... Tu és jovem (Lucas) e tens hoje muito mais carreiras disponíveis. Eu tenho cinquenta anos, e quando tinha dezoito, não havia publicidade e outras carreiras contemporâneas... sim que havia na Argentina, mas eram inexpressivas. Predominavam as quatro carreiras tradicionais. Mas arquitetura é a única que não se diversificou. Hoje você não é apenas advogado. É advogado penal, criminal ou comercial. Engenheiro elétrico, civil ou mecânico. Médico o mesmo, neurocirurgião, etc. Arquitetura é a única que é apenas arquiteto. Oscar Niemeyer era arquiteto, e o que, em Nova York, faz arquitetura corporativa horrível para o mundo globalizado, também é arquiteto. É o mesmo título para todos e a mesma educação para todos. Não faz muito sentido se parar para pensar. Quando pensas em todas as possibilidades. Parece que o futuro passa por aí. Passa pela inovação, em absorver a tecnologia, o que a arquitetura sempre fez. A modernidade também aconteceu pelas mudanças tecnológicas, mudanças na construção e na comunicação. Para um arquiteto brasileiro podia chegar um livro de Le Corbusier. Isto no século 17 já não sucedia. Agora tem internet, smartphone... Tem tecnologia e comunicação. Já está provado que Le Corbusier foi ao Brasil, que conheceu a Pampulha e uh! Apareceu Ronchamp!

(risos)

Havia esta comunicação através de viagens de arquitetura globais, que começavam a surgir no princípio do século 20 também. Então não é nada novo. Por isso creio que arquitetura como educação perdeu o norte. É o que se vê no Brasil, Argentina, Chile e México, com todas estas escolas que hoje são modernistas. Reduziram a modernidade a um estilo. A modernidade não era um estilo. Era toda uma concepção cultural, intelectual e social de ver o mundo. Com um compromisso contemporâneo em fazer futuro.

Isto que fez teu pai, ele fez porque sabia fazer, e sabemos quando e por que ele fez. Mas depois de cinquenta anos, um arquiteto latino-americano que segue fazendo arquitetura assim, para mim não está bem. Ninguém sabe para onde vai o futuro, mas na universidade temos que empurrar os limites. O que significam inteligência artificial, movimentos de dados em real time, a volta da cidade-Estado, megacidades? A arquitetura de iPhone! É arquitetura! Provavelmente o designer da moda mais importante do mundo, Virgil Abloh da Off-White, é arquiteto, Tom Ford é arquiteto. A maioria dos grandes media artists, os mais influentes, são arquitetos. O líder do Samsung Research Lab, que é da SCI-Arc, é arquiteto. O diretor criativo principal da Nike, John Cook, é arquiteto. São formas criativas de arquitetura e muito rápidas, no contexto de hoje. A formação da arquitetura tem que ser mais culturalmente orientada. Temos que pensar nisto.

Desculpe se te dei uma resposta longa para uma pergunta simples, mas não há como responder isto objetivamente. E também acho que na universidade temos que saber dizer "não sei" para os estudantes. Não sei exatamente qual é o futuro...Temos que experimentar coisas... Não há fórmulas. Não sei como é na tua escola, mas estive na América Latina recentemente e os currículos que vi eram os mesmos de trinta anos atrás, quando estudei. No primeiro ano fazer uma residência, no segundo um museu, no terceiro um hospital. Não sei se há apenas isto para apreender...

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