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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Fábio Penteado faleceu em junho de 2021. Nesta entrevista feita poucos anos antes de sua morte, ele comenta aspectos de sua trajetória profissional, de sua preocupação com as multidões urbanas e do lugar de sua arquitetura na produção moderna brasileira.

english
Fábio Penteado died in June 2021. In this interview made a few years before his death, he talks about important aspects of his professional trajectory, his concern with urban crowds and the place of his architecture in modern Brazilian production.

how to quote

GIROTO, Ivo Renato. Dez anos sem Fábio Penteado. A dimensão pública da obra de um arquiteto-pensador. Entrevista, São Paulo, ano 22, n. 088.01, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/22.088/8312>.


Ivo Giroto e Fábio Penteado e em seu apartamento, hoje sede do Arquivo Fábio Penteado
Foto Aline Sultani, 2009

Em 26 de junho de 2011, há dez anos, deixava-nos o arquiteto Fábio Moura Penteado. De família tradicional campineira, mudou-se para São Paulo ainda criança, em 1935, onde foi testemunha ocular das rápidas transformações urbanas e sociais que transformaria, em menos de um século, a provinciana capital em uma das maiores metrópoles do planeta. Não à toa, repetia como um mantra seu objetivo de idealizar uma arquitetura para as multidões.

Formado em 1954 no Mackenzie, descrevia a realidade contraditória de uma formação acadêmica que ainda mirava o modelo Beaux Arts enquanto seus estudantes olhavam interessados para a florescente produção moderna brasileira e internacional. Durante a faculdade, contava como a convivência e a troca de ideias com colegas como Paulo Mendes da Rocha e Carlos Barjas Millan constituía uma verdadeira “escola paralela” de arquitetura.

Dono de uma obra singular entre a produção canônica dos mestres da arquitetura moderna paulista, Fábio Penteado desenvolveu uma produção formalmente variada, mas extremamente coerente no discurso, que trata a arquitetura como agente ativo de transformação social, em um país diverso e exuberante, porém injusto e desigual. Seus projetos sempre partiam do pressuposto de que o artefato construído deve contribuir ao aprimoramento da sociedade e da cidade, e a eloquência formal que transparece em suas propostas, das mais simples às mais complexas, está sempre condicionada a esse princípio.

Em quase seis décadas de uma carreira excepcional e plena de referências variadas, construiu uma arquitetura que reflete sua rica trajetória vital e a abertura de seu caráter. A marcada dimensão pública de seu trabalho é o elemento unificador entre todas as suas obras. Nelas, convivem a beleza rigorosa apreciada pelo grupo paulista, e a sensualidade escultórica da arquitetura moderna carioca, além de abarcar a diversidade propositiva e formal presente no cenário internacional da época.

A realidade sempre foi a matéria prima de seu processo de projeto. A relação entre a cidade e o sujeito, poucas vezes tranquila e amigável no contexto brasileiro, sugere que a busca de uma sociabilidade renovada deve dirigir-se, na maioria dos casos, pelo caminho oposto ao observado na realidade.

A experiência de Penteado penetrou na diversidade do campo de atuação do arquiteto, e deixa uma importante marca na história recente da arquitetura brasileira. Ademais de sua bela proposta arquitetônica, explorou o campo jornalístico como articulista de arquitetura e urbanismo, atuou politicamente pelos direitos da profissão junto ao IAB e lecionou no Mackenzie. Essas atuações expandiram o alcance de seu trabalho e de seu próprio entendimento dos problemas da arquitetura.

A entrevista que segue são excertos editados de longas conversas travadas em dois encontros com Fábio Penteado, em janeiro de 2008 e 2009. A primeira em seu escritório à Rua Marquês de Itu, e a segunda em seu apartamento, à Rua Dona Veridiana, no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, hoje sede do Arquivo Fábio Penteado.

Os trechos selecionados tratam mais de iluminar seu pensamento arquitetônico e menos de explicar obras específicas. Reler a conversa para selecionar alguns de seus trechos demonstra não somente que as respostas são mais inteligentes que as perguntas do inexperiente entrevistador, mas sobretudo, dá a medida da falta que faz a ausência de um arquiteto-pensador ousado como Fábio Penteado no deserto de ideias que capturou grande parte do debate público brasileiro.

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