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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Antônio Agenor Barbosa entrevista Jô Vasconcellos, arquiteta responsável por projetos institucionais como o Museu da Cachaça e o Espaço de Conhecimento UFMG.

english
Antônio Agenor Barbosa interviews Jô Vasconcellos, architect responsible for institutional projects such as the Cachaça Museum and the UFMG Knowledge Space.

español
Antônio Agenor Barbosa entrevista a Jô Vasconcellos, arquitecta responsable de proyectos institucionales como el Museo de la Cachaça y el Espacio del Conocimiento de la UFMG.

how to quote

BARBOSA, Antônio Agenor. Entrevista com a arquiteta Jô Vasconcellos. Entrevista, São Paulo, ano 22, n. 089.01, Vitruvius, jan. 2022 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/22.089/8424>.


Residência do Arcebispo de Mariana, Mariana MG [Acervo Jô Vasconcellos]

Antônio Agenor Barbosa — E como é que entra o Sylvio de Podestá aí na história? Ele foi sócio do Éolo. Foi sócio seu também ou não?

Jô Vasconcellos — Não, nós não fizemos uma sociedade. A gente dividia despesas, porque estávamos com um escritório muito ruinzinho, muito apertado certa época. Quando eu entrei, assim que o Marcinho foi embora, nós trabalhávamos numa casa antiga, talvez dos anos 1920 ou 1930 de Belo Horizonte, lá no Santo Antônio. E a casa estava com um aluguel muito caro, porque ali virou um ponto nobre, tem o Minas Tênis, tudo perto e tal, então, a gente tinha de procurar um outro lugar mais barato para trabalhar, porque nossas finanças foram sempre muito desequilibradas, totalmente desequilibradas. Então foi o Éolo que o encontrou. Eu conheci o Sylvio e a gente resolveu alugar juntos um espaço. E esse escritório não era sociedade, não existia contrato em momento nenhum, era mesmo divisão de despesas e uma semelhança de pensamentos e energia. Começamos a trabalhar juntos, porque nos anos 1980 vieram muitos projetos, muitos concursos. E nós entrávamos em todos os concursos que apareciam.

AAB — E venceram muitos, certo?

JV — É, ganhamos muitos e perdemos vários também [risos]. E fizemos a Revista Pampulha, o Sylvio que era ótimo para fazer desenhos, de fazer diagramação. Fizemos juntos muitos concursos nos anos 1980, até o início dos 1990 mais ou menos, que aí a gente separou. Eu tive um desentendimento com o Sylvio e não dava mais para continuar. Aí eu falei para o Éolo: “Éolo, estou saindo do escritório, não vou ficar mais, vou arrumar outro escritório para mim e vou para lá, eu não vou ficar mais por aqui”. Aí ele disse: “Uai, então, eu também vou” [risos]. Aí nós deixamos o Sylvio. Porque houve na verdade um desentendimento comigo, não foi com o Éolo, sabe?

AAB — Como eram os momentos fora das rotinas do trabalho?

JV — Nós tínhamos pouca grana para lazer porque a gente investia muito em projeto, reinvestia tudo, fazia maquetes caríssimas, a gente não tinha noção de como lidar com o dinheiro. Não tinha noção, gastávamos dinheiro para caramba em restaurantes, bares e viagens pelo Brasil.

AAB — Fizeram muitas viagens?

JV — Até os anos 1990 nós nunca tínhamos ido para a Europa. A gente ia para Buenos Aires muitas vezes, porque participamos em quase todas as bienais de Buenos Aires. Também fomos para o Chile para as bienais. Fomos para o Peru, porque o Éolo foi convidado para fazer uma palestra. E nunca tínhamos ido para a Europa. Aí surgiu esse concurso de Berlim que eram três equipes convidadas a participar. O escritório do Marcelo Ferraz e o Francisco Fanuchi ganhou esse concurso. Éramos três equipes, uma argentina e duas brasileiras. Então a produtora desse concurso pagou tudo para a gente ir para a Alemanha. Então, nós que nunca tínhamos pisado na Europa fomos direto para Berlim, para Berlim Oriental [risos]. Foi uma loucura essa viagem! Era uma empresa que ia fazer a restauração e adaptação daqueles prédios de um bairro de Berlim Oriental. Prédios de 300 metros de comprimento, milhões de janelas, tudo igual, ninguém sabia reconhecer onde morava. Então tinha que projetar alguma coisa para humanizar o seu local de moradia, não tinha nem jardim, era uma coisa horrível. Então, essa foi a primeira vez que nós fomos para a Europa. Agora, a gente viajava muito aqui pelo Brasil. Sempre fazendo palestras como convidados, porque a gente não tinha muito dinheiro para viajar [risos]. Quando tinha bienal ou congressos chamavam a gente para fazer palestras. Convidavam o Éolo e eu, ou só ele, ou só eu. Depois nós fomos defender o projeto na Alemanha, porque era defesa presencial, eles pagaram e a gente foi de novo. Foi quando nós saímos de Berlim e fomos conhecer a Holanda, fazer uma palestra na universidade. E fomos depois para Paris com um amigo nosso que é arquiteto lá. Foi a segunda e ultima vez que o Éolo foi para a Europa. Depois que ele morreu, já fui várias vezes, porque uma das minhas filhas mora lá.

AAB — Você teve experiência como docente na universidade?

JV — Muito pouca. Eu tive na Izabela Hendrix, na faculdade de arquitetura. Então, eu fui professora quando o curso do Izabela começou, talvez uns três anos depois que começou. Me chamaram para dar aula de Arquitetura Brasileira. Eu dei aula um ano, fui substituir uma professora que estava fazendo um doutorado. Depois que ela voltou me propuseram continuar dando aula de Projeto. Foram uns dois ou três anos mais que eu fiquei. Eu não gosto muito de dar aula. Eu não tenho paciência, você entendeu? Eu sou muito ansiosa, eu passo ansiedade para o aluno, eu acho, sabe? Então, eu não dei mais aulas. Só palestras, ou bancas eventualmente quando me convidam.

AAB — E o Éolo também não teve muita experiência docente?

JV — Não, ele teve. Ele gostou muito. Ele ficou uma época trabalhando e ajudando um professor de projetos na federal, que era muito amigo dele, o arquiteto Cuno Roberto Lussy. E depois ele foi dar aula como professor substituto. Aí ele fez um concurso e não passou. Porque no sorteio do ponto do concurso ele tirou Arquitetura de Interiores, olha que falta de sorte. O currículo dele fui eu que levei. Eu tinha um carro Fiat Uno, era cheio de pastas com currículo dele. Era um currículo muito bom. Passou um arquiteto que tinha acabado de formar. Os alunos ficaram putos pois o Éolo não passou. E vou te falar, o Éolo ficou mal depois disso. Ninguém contou para ele que ele não tinha passado. A gente não sabia ainda. Aí nós fomos comemorar o aniversário dele, que era 27 de janeiro, numa pizzaria. Quando chegamos tinha uma festa de comemoração com um grupo da UFMG. Aí o Éolo perguntou: “Uai, o que vocês estão fazendo aqui no meu aniversário”? Brincou assim. E disseram: “Não, a gente está comemorando com o arquiteto que passou no concurso” Vou te falar que o Éolo, depois disso, entrou num processo de destruição, você entendeu? Ele ficou muito triste, deprimido.

AAB — E esse concurso foi em que ano? Você lembra?

JV — Ele ficou doente em 2000. Acho que esse concurso foi em 1999. Ele adorou ser professor quando teve essa experiência. Os alunos gostavam muito dele. Eles vinham muito aqui em casa. Ele fez uma revolução na área de ensino de Projetos. Acho que isso incomodou muita gente. Ele era já um pop star naquela época, estava dando aula, saiam para beber todos juntos, era aquela coisa sempre alegre, sabe? Iam lá para o escritório até aos domingos, era muito legal. Mas eu acho que ele não precisava ter feito aquele concurso, sinceramente [risos], a obra dele já era uma tese, uma obra que daria a ele talvez um titulo de notório saber.

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