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PORTAL VITRUVIUS. 1° Prêmio Masisa de Arquitetura. Projetos, São Paulo, ano 06, n. 066.02, Vitruvius, jun. 2006 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/06.066/2656>.


Categoria Obra Executada

Num contexto de beleza natural inigualável, a apenas 5 km do centro de Paraty, a natureza permanece inalterada em sua exuberância, mesmo após a inserção dessa pacata Vila Barulho d’Água.

Não é sempre que se tem a oportunidade de exercitar “arquitetura” na sua forma mais pura e singela, que é o homem e seu abrigo.

Todos os atuais questionamentos de sustentabilidade e equilíbrio ecológico passam a ser tão espontâneos quanto a pureza conceitual que cerca a elaboração dessa casa de veraneio.

Impor a presença do homem sem alterar o estado contemplativo do entorno pode parecer tarefa difícil, mas para os arquitetos Ana Vidal e Silvio Sant’Anna, tudo fez parte de um maravilhoso exercício de interação e respeito, que unicamente tenta fazer da simplicidade desse projeto sua grandeza arquitetônica.

Como resultado desse exercício, essa casa de estrutura de madeira certificada, elevada do solo, coberta com telhas de barro e vedada com vidro e painéis de madeira modulares em OSB, tem nestes poucos elementos seu processo construtivo que resulta em simples montagem a partir de um projeto dimensionado em função dos princípios modulares do material.

Implantados de forma independente (por conta das condições naturais do terreno) os módulos construtivos se relacionam de forma harmônica como uma vila cabocla, onde cada pavilhão tem sua funcionalidade bem evidenciada.

O módulo de vidro com extensão do deck tem sua função social de convívio integrando o estar com a cozinha. Todo envidraçado traz a sensação única de presenciar a natureza da mata e da cachoeira. O modulo da suíte do casal, mais privativo, portanto isolado, está interligado através de um deck e abriga sua função de intimidade e descanso. Da mesma forma o modulo dos hóspedes ajuda a dar forma na implantação em arco que se volta para uma praça central de paisagismo natural, sombreada pelas copas das árvores centenárias.

A Vila Barulho d’Água totaliza uma área de 120 metros quadrados construídos entre módulos e decks que se harmonizam entre arvores, plantas de folhagens tropicais e as pedras da formação rochosa do local. Num terreno de aproximadamente 2.000 metros quadrados, o cheiro de mato, o barulho da água, a textura dos materiais e a visão maravilhosa do local fazem dessa casa um exercício sensorial de espacialidade incomum que devemos resgatar para a arquitetura cinza das cidades.

Características

Condições do Terreno

- O terreno está localizado a 5 km do centro da cidade de Paraty, seguindo por estrada de terra pelas margens do rio, no sentido da serra. Por sua formação encachoeirada esse rio é mais conhecido como Cachoeira do Corisco.

- Com área total de 2.000 m2 o terreno tem 120 m lineares de rio.

- A topografia apresenta suave declive de 3 m desde o acesso principal até a margem mais distante do rio.

- Apresenta densa vegetação nativa, típica da Mata Atlântica e rica em árvores de grande porte, palmito e bromélias.

- Grande quantidade de pedras aflora do terreno, nas mais diversas formas e tamanhos, determinando uma infinidade de níveis.

- A maior parte do terreno encontra-se em área de sombra.

Solicitações do Cliente

- Rapidez de execução.

- Baixo custo de obra.

- Possibilidade de execução em etapas.

- Preservação da natureza.

Partido Arquitetônico

- A busca pela perfeita comunhão com a natureza foi o principal traço deste projeto que apresenta algumas características determinantes para a obtenção desse conceito.

Elevação da Casa

- Elevar a casa sem tocar no terreno reduziu o custo de obra pois dispensou a movimentação de terra e pedras, alem de permitir a permeabilidade natural e isolar a casa de possíveis problemas de umidade.

Transparência

- Na busca de promover a integração dos espaços internos com a natureza que os envolve optou-se por grandes vedações em vidro, principalmente na área social. Permitir o usufruto da visão da mata era fundamental, pois não existe quadro mais belo que a mata do entorno.

Implantação em Módulos

- A implantação segmentada em módulos possibilitou a construção por etapas e permitiu implantação sem perturbar a natureza e sem tocar no terreno, respeitando os níveis existentes, a preservação das árvores e das pedras nas suas localizações originais.

Modulação do Projeto

- A opção por um projeto modulado teve como objetivo evitar desperdício de material, reduzir custos de mão-de-obra e agilizar os prazos.

Construção em OSB

- O uso dos painéis OSB associado ao sistema de woodframe como único processo de construção permitiu execução rápida e visualmente integrada com a natureza. Facilitou a montagem e conseqüente agilidade da obra, solucionou os problemas de fornecimento de material e reduziu a necessidade de acabamentos.

- As paredes duplas contribuíram para o bom isolamento acústico e térmico, facilitando a execução das instalações elétricas e hidráulicas, pois permitiram a passagem da tubulação entre o sanduíche de painéis.

- A utilização desses painéis possibilitou ainda a criação de uma unidade estética que integrou visualmente os diversos módulos do conjunto.

Cor

- A cor foi decisiva para imprimir unidade ao conjunto. A opção pelos tons escuros da estrutura deveu-se à intenção de aproximar a estrutura ao matiz original dos troncos das árvores.

 - Ao contrário, a escolha da cor quente nos painéis de vedação lateral buscou o contraste com a mata, sem agredi-la. O amarelo-queimado reproduz o efeito do sol: aquece o ambiente e transmite agradável sensação de conforto.

Implantação

- Implantados de forma independente, por conta das condições naturais do terreno, os módulos construtivos se relacionam de forma harmônica como uma vila cabocla, onde cada pavilhão tem sua funcionalidade bem evidenciada.

- A edificação foi dividida em três módulos: módulo social, módulo da suíte e módulo de hóspedes, implantados de acordo com as condições que o terreno permitia, mantendo-se inalterados os níveis naturais, a vegetação e as pedras existentes. A posição definitiva de cada módulo foi decidida no local, tendo em vista a impossibilidade de se levantar todas as variáveis.

 - Os três módulos foram interligados por decks de madeira, passarelas com diversos níveis que permitiram a livre circulação e imprimiram ao conjunto da residência sua harmoniosa unidade.

Solução Construtiva Modular

- Diante das dificuldades que se apresentavam, a melhor opção foi adotar uma solução construtiva modular. Localizado a 60m da estrada, o terreno prejudicava o acesso de caminhões para fornecimento do material de construção. A distância de São Paulo também representava obstáculo para acompanhar o desenvolvimento da obra e agilizar a execução.

- A preferência pelo painel de madeira deu-se em função do custo, facilidade de fornecimento e adaptabilidade às características locais, tanto no aspecto técnico e físico, quanto no aspecto estético. Ao mesmo tempo, vislumbrou-se a grande praticidade de se utilizar um só tipo de material na estrutura, na vedação e no acabamento.

A característica estética do painel agradou na medida em que sua textura se aproximava dos aspectos naturais da mata local.

Escolhido o painel, o projeto foi então elaborado dentro de uma modulação rígida que estabeleceu eixos horizontais e verticais e determinou o dimensionamento e altura das paredes de cada ambiente, e conseqüentemente da cada módulo.

A modulação do projeto, baseada no dimensionamento do painel OSB (1,22m x 2,44m) facilitou o calculo prévio de material e permitiu que todas as peças de madeira fossem entregues à obra pré-cortadas.

- Em termos de economia, houve significativa redução na perda de material, nos prazos da obra e no emprego de mão-de-obra. O sistema possibilitou que toda a execução fosse cumprida em dois meses e com o envolvimento de apenas dois trabalhadores.

- Uma das maiores preocupações envolvia a locação dos módulos. Nessa etapa, diante da modulação rígida proposta pelo sistema não haveria como corrigir qualquer equívoco. Assim, o posicionamento dos pilares foi milimetricamente estabelecido para evitar erros, algo irreversível no tipo de solução construtiva empregada.

 

A Obra

A conceituação e concepção do projeto, bem como o sistema construtivo adotado, demonstraram absoluta eficiência. Entre a data de início e a finalização da obra cumprimos um prazo total de dois meses, empregando reduzida equipe de apenas dois trabalhadores. Além disso, essa mão-de-obra não tinha nenhuma familiaridade com o sistema construtivo utilizado, exigindo assim, nas primeiras semanas, constante acompanhamento dos arquitetos.

Iniciada posteriormente, a execução do módulo de hóspedes dispensou nossa presença, uma vez que o carpinteiro já se sentia suficientemente seguro para dar continuidade ao trabalho sem acompanhamento.

ficha técnica

Titulo do Projeto
Vila Barulho d’Água

Autores
Arq. Ana Vidal e Arq. Silvio Sant´Anna

Escritório
Vidal & Sant’Anna Arquitetura

Fotos
Ary Condota

Ano do projeto
2003

Ano de Construção
2003 / 2004

Localização
Vila Batista Alves, 06 – Bairro do Corisco - Paraty – Rio de Janeiro, Brasil

source
Equipe premiada
São Paulo SP Brasil

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066.02 Prêmio
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original: português

source
Comissão Organizadora
Curitiba PR Brasil

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066

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