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architectourism ISSN 1982-9930


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Ao abandonar a publicidade e mergulhar de cabeça no Enoturismo, Breno Raigorodsky descobriu uma nova profissão, que ensina aos leigos o lento processo de apreciar calmamente uma taça de vinho


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RAIGORODSKY, Breno. Enoturismo. Arquiteturismo, São Paulo, ano 03, n. 027.06, Vitruvius, maio 2009 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/03.027/1523>.


Como subproduto do interesse crescente pelo vinho entre nós, o Enoturismo tornou-se um negócio aparentemente rentável, e, desde 2006, quando larguei a empresa de propaganda que possuía, tentei logo me apropriar de um quinhão deste quintal.

O quinhão que participo é formado por uma parte em vinho, evidentemente, mas não se esgota por ai, como parecem se findar as maratonas desta área que vemos ofertadas desde então, com honrosas exceções…

Corridas sem fim, que fazem do turista uma pessoa de bom preparo físico, visto que deve atropelar-se sem parar dos hotéis aos aeroportos, dos aeroportos até os ônibus de traslado, dos ônibus às visitações nas vinícolas, destas para a sala de degustação e lembranças.

Chegam em casa cinco, oito, dez dias depois – não importa – de quatro, precisando de umas férias para descansar, inclusive do vinho.

Apostei que tinha muita gente como eu, disposta a fazer uma viagem para regiões de produção vinícola, mas indisposta a fazer levantamento de taça desde a primeira hora do dia até a hora de dormir… Como se isso fosse um esporte muito prazeroso.

Apostei que tinha gente que faz questão de aprender pelo lento processo de apreciar uma taça com calma, num ambiente pleno no sentido artístico, político e cultural. Gente que gosta de conversar, gente que tem coisa para contar, gente que tem curiosidades múltiplas.

Gente que não está apenas interessado no vinho, mas que entende que ele é resultado de múltiplas determinações de toda ordem: geológica, antropológica, histórica e social. Porque é assim que se viaja no meu quinhão, viaja-se para conhecer. Vinho pode e deve ser a melhor desculpa para isso, mas quando é obsessão torna-se “enochatice” sem fim!

Encontrei, em Santiago do Chile, um brasileiro que tinha feito em uma semana Buenos Aires, Mendoza, La Consulta, Vale do Alconchagua, Vale de Casablanca e Vale do Maipo.

No meio tempo, tinha visitado oito vinícolas em Mendoza, 12 pelos vales chilenos, incluindo aquela muito conhecida… Aquela bem grande, que tem várias linhas de vinho, desde os mais simples até os mais sofisticados… Me ajuda aí, qual é o nome mesmo?

Não pude ajudar, pensei na Concha Y Toro, na Santa Helena, mas não, não era não! Pedia desculpas por não poder alongar a conversa quando lhe perguntei o que restava na memória. Preferiu não responder, seja porque estava com pressa para não perder a excursão que ia lhe dar a oportunidade de conhecer em duas horas tudo de bom em Santiago, seja porque ele já tinha conversado demais comigo, queria se livrar de mim.

Como a indústria dos serviços costuma fazer, o turismo foi se dividindo em nichos cada vez mais definidos, mais sofisticados, alguns mais saudáveis como os passeios de bicicleta que se tornaram boas opções para quem quer ir aos locais de produção de vinho sem perder a forma; alguns mais comerciais, como o turismo voltado para as grandes feiras, que organiza a viagem do visitante para que ele possa melhor usufruir da experiência, com degustações prévias sobre o tipo de vinho que se encontrará; outros se especializaram em viagens gostosas e, talvez – por isso mesmo – muito mais gostosas.

Alguns mais especiais, como a incrível viagem que programei para um salto profundo de uma semana em Bordeaux, com três verticais entre primeiros crus (Lafite, Margaux e Iquem, apesar deste último não ter formalmente esta classificação) e uma horizontal com os quatro de 1855.

Parece lógico pensar que alguém só escolhe um passeio na classe mais assardinhada, mais apressada, mais desconfortável, porque o “preço” é o quesito que mais conta.

É isso que pensam, imagino, as agências de viagem que focam na massa dos possíveis turistas. Os excluídos são aqueles que não fazem viagens vertiginosas. Pensei num termo ideal, eqüidistante dos cursos profissionais – que conferem diplomas de participação e contam no curriculum vitae dos viajantes – e algo menos massificado.

Logo propus uma viagem para o centro da Itália que tivesse o vinho como guia, mas que mesclasse o que os lugares têm de melhor em vinho e comida, história, arte e cultura. Poucas e boas degustações, de preferência vinculadas a refeições noturnas e, quando possível, feitas na própria produtora, deixando livre o tempo para informações de tantas outras ordens.

Viagens que começassem em terra, muito antes de fazer as malas, com aquecimentos sobre os interesses de cada um, além do vinho… Com provas cegas que permitissem um maior afinamento com o que se iria conhecer in loco.

O modelo mostrou-se elástico e se aplica para todo lugar. Pouca gente, porque 10 pessoas se locomovem muito mais rapidamente do que grupos maiores, falam mais baixo são mais participativos, podem ter seus interesses particulares mais satisfeitos.

Siena pode ser o epicentro de uma viagem enológica inesquecível para o sul da Toscana, de San Gimignano a Orvieto, desconsiderando as fronteiras formais entre a Toscana e a Umbria. Uma semana de chianti clássico, supertoscanos, brunelli e rossi di montalcino, montepulciani d’Abruzzo e vinhos da região do norte da Umbria. Quatro dias num hotel de Siena, uma noite de passagem – vindo de Malpensa – nos encantos de Cinque Terre, e três noites nas colinas de Roma, para mais tranquilamente voltar por Fiumicino, o aeroporto de Roma.

Assim como Siena, Salamanca pode ser o epicentro de uma viagem que navegue por Ribera Del Duero espanhol e o Douro português, passando por Rueda.

Assim como Salamanca e Siena, San Sebastian entre a Espanha basca e a França basca. Assim como os epicentros citados, outros tantos em cada país, porque importa o que se espera da viagem, adapta-se o roteiro a este perfil do viajante.

Neste espírito, sempre pensando em viagens curtas, mas não exageradamente curtas, tendo, como ideal, saídas nas sextas feiras, retorno nos domingos. Viagens para a Itália, França, Portugal, Espanha; Viagens para cada um dos vales do Chile, para Mendoza e Patagônia na Argentina, Austrália, África do Sul; viagens para a Califórnia, Washington, Oregon; viagens para Santa Catarina, Campanha Riograndense, Flores da Cunha, Garibaldi, Bento.

Viagens sem fim, aos poucos, com calma, criando condições de muita conversa descontraída com os produtores, comendo sempre pelas bordas, para nunca deixar queimar a língua e perder o gosto pela coisa.

sobre o autor

Breno Raigorodsky é publicitário, enogastronomia, Sommelier e Juíz Internacional FISAR

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