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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
Aldo Paviani, geógrafo e professor aposentado da UnB, faz um cuidadoso balanço da evolução urbana da capital federal e dos desdobramentos da pandemia na realidade atual da cidade.


how to quote

PAVIANI, Aldo. Brasília 60 anos. Tempos de pandemia e confinamento social. Arquitextos, São Paulo, ano 21, n. 248.03, Vitruvius, jan. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.248/7996>.

Vista do Plano Piloto de Brasília a partir da Estação Espacial Internacional
Foto divulgação [Nasa]

Outubro na Região Centro-Oeste, normalmente é mês de transição meteorológica: quando não há temperaturas elevadas e sufocantes. É também o tempo de mudança do período de estiagem e começam as chuvas na capital federal. Em 2020, o outubro, além da transição, será o oitavo mês de confinamento social trazido pela Covid-19. Ainda não se vê saída para a recomendação “fique em casa”, em razão dos riscos e danos trazidos pela pandemia. O medo de contágio em grande escala estimulou as cautelas e colaborou para conter a propagação da corona vírus perigoso, no Distrito Federal – DF, no Brasil e no resto do mundo.

Resulta deste cenário que a capital da República, com quase 50% de sua população obedecendo o confinamento social, em maio de 2020, evitou a disseminação do contágio, em certos casos, fatal. Grande contingente de pessoas, por consequência, não sai de casa; os escritórios se encontram fechados, assim como as repartições federais e do DF. Todos assumindo o salvador trabalho em casa (home office). Muitas lojas permaneceram fechadas. Aqui e ali, a população procura por abastecimento de produtos alimentícios e resolução de problemas menos complexos. Dentistas e médicos fecharam clínicas e consultórios, mas, se viram compelidos a inaugurar as consultas remotas (on line). Mas, dor de dente e cirurgias emergenciais obrigaram a abertura de consultórios dentários e centros cirúrgicos de alguns hospitais. Em todos os locais, a rotina é não sair de casa ou sair apenas em casos de extrema necessidade e urgência. As escolas e universidades, optaram por, em alguns casos, cancelar o semestre; em outros, toda a rotina não foi a das salas de aula, mas a dos “deveres de casa”, com “aulas remotas”. E deixa de ser “invisível” o uso do computador para a execução dos trabalhos demandados pelas escolas e universidades, novidade que docentes e discentes logo tiveram que se adaptar. E todos tiveram êxito nas tarefas demandadas.

Na Universidade de Brasília, as salas de aula, laboratórios e auditórios permaneceram fechados, assim como os serviços de administração central: nunca se utilizou tanto o computador e a internet para preencher o que, antes da pandemia, era executado presencialmente. Foi a oportunidade de se ter ruas e avenidas livres dos ônibus escolares e dos automóveis que antes eram “de porta-a-porta” (casa-escola-casa). Por isso, os estacionamentos dos colégios e das universidades deixam de estar superlotados. A algazarra de crianças e jovens estudantes baixou o ruído e o silêncio passou a estar presente.

Pelo que se percebe, tanto os 60 anos de Brasília, quanto os 58 anos da UnB, terão os festejos de aniversários postergados de 2020 para quando a curva dos contaminados declinar ao ponto de não se temer recidiva, já acontecida em países europeus. Quem estiver propenso ao retorno das atividades “normais”, terá que assumir a responsabilidade do que vier a acontecer, pois articulistas da mídia em geral têm enfatizado que “o mundo não será como antes” (da pandemia).

Das cautelas é bem provável que as condições do “antes” levem meses para serem assumidas por todos. Há enorme contingente de “pessoas de risco”, os idosos, os que possuam doenças crônicas ou os que possuem baixa imunidade. Na outra ponta, as mulheres grávidas e os recém-nascidos, ainda devem observar a quarentena, não por desejo próprio, mas por uma imposição das circunstâncias ainda não seguras para todos.

É importante que a capital da República seja cautelosa na saída do isolamento social, mesmo com algum risco de abalos nas atividades econômicas. Provavelmente, muitas empresas terão que repensar suas estruturas e modo de atuação. Novas tecnologias deverão testadas para evitar o provável desarranjo que vier a acontecer. Preparar novo modo de aproveitar as respectivas cabeças pensantes e fazer as demandas necessárias de pessoal qualificado, inclusive no domínio de, ao menos, uma língua estrangeira, pois o mundo econômico, as vendas e o consumo, não serão mais os mesmos de antes da Covid-19. Ao se falar em volta à “normalidade”, qual a contribuição que cada um dará para que se façam os ajustamentos necessários aos novos tempos?

Vista Noturna de Brasília, a partir da Estação Espacial Internacional
Foto divulgação [Nasa]

É de se esperar que, fruto do isolamento, todos sejam mais solidários uns com os outros. Os desvalidos e as pessoas quase-esquecidas – os que vivem em “situação de rua” – sejam merecedoras do olhar solidário. Portanto, surge no horizonte um trabalho de reconstrução como se tivéssemos passado por uma “guerra” cruel e devastadora. Igualmente, as empresas e toda a economia deverão se soerguer. Em sequência, o retorno à vida normal não é utopia, mas uma necessidade de o medo ser substituído pela esperança.

Tempos velozes e lentos com lacunas de trabalho na pandemia

Como referido, mundo todo está juntando esforços para recuperação das inúmeras fatalidades que a Covid-19 acarretou, a partir de março de 2020. Presenciamos tempos velozes de disseminação de uma tragédia impingida por invisível vírus, que ganhou dimensões planetárias a partir da China, como pouco presenciado nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, há percursos de tempos lentos no que tange à recuperação da economia e da saúde das respectivas populações. Por isso, é comum a referência a expressões como “o mundo não será o mesmo”. E não será, de fato, em setores das atividades econômicas, como do desemprego e das lacunas de trabalho.

Ao tempo da pandemia, o desemprego tem estado presente em todos os Estados brasileiros (1) e as lacunas de trabalho surgem, embora sempre estivessem acontecendo. Atualmente, todavia, elas se intensificaram em razão da crise epidêmica. Explique-se que a lacuna de trabalho é diversa do desemprego porque é de outra natureza. O desemprego acontece e pode ser recuperado com a reativação da economia. As lacunas de trabalho, ao contrário, ocorrem quando o posto de trabalho foi eliminado permanentemente ou quando postos de trabalho novos não são criados. As lacunas de trabalho são pouco visíveis e identificáveis porque são tidas como desemprego. Sim, é uma situação de desemprego cruel e permanente para os trabalhadores dado que não há retorno à situação anterior, de ocupar vaga por não mais existir.

Então, com a pandemia, em diversos pontos do território, o tempo é veloz na eliminação de vagas em empresas que, por sua vez, fecham as portas, pois, o consumo se reduziu em função do isolamento social e a redução do consumo não essencial. Para se ter estatísticas das falências de empresas, há exigência de tempos longos com pesquisas a realizar em todo o território nacional. Estas pesquisas dariam a dimensão aproximada das lacunas de emprego, separando-as do desemprego, o qual esperamos que seja superado pelo aquecimento da econômico pós-pandemia, o que poderá acontecer em 2021.

No DF, a Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED (Codeplan/Dieese/Setrab), de agosto de 2020, revelou taxa de desemprego de 19,1% e atingiu 293.000 trabalhadores (2). Os numerosos desempregados, como não possuem renda, também não têm acesso ao consumo, pois não produzem, afetando a economia da capital federal. Este processo é circular e cumulativo e gera quebradeira de empresas e cancelamento de postos de trabalho, confirmando minha hipótese sobre a evidência de lacunas de trabalho. E há outra circunstância: a PED para cada uma das quatro categorias agrupadas de acordo com a renda média das Regiões Administrativas – RAs, indica para a mais baixa renda uma taxa de 7,5% mais elevada do que a média (de 19,1%) ou 26,6. A PED para detectar as lacunas de trabalho poderia incluir pesquisas específicas em empresas e no serviço público.

De fato, os dados sobre a situação de pandemia que a mídia nos traz são preocupantes pois, mais pessoas são infectadas a cada dia: eram 33 no início da pandemia, sendo suspeitas 174 pessoas, em 3 de março passado; elevaram-se para 563 (com 14 óbitos), em 11 de abril; em 12 de maio, eram 2.799 pessoas infectadas, com 1.605 recuperadas ou 57% e 44 mortes; em 16 de junho, aumento significativo de infectados: 25.380, 60% dos quais se recuperaram (15.172 pessoas) e 348 óbitos. As UTIs, somando-se as de hospitais privados e públicos estavam 92% ocupadas.

Mapa da Área Metropolitana de Brasília – AMB
Imagem divulgação

Demarca-se em Brasília, com dados recentes que, em 16 de julho, os infectados mais do que dobraram, em relação a 16 de junho: 75.380 infectados, com 81% de recuperados ou 61.618 pessoas. Em 27 de julho a evolução se revela preocupante: infectadas são 96.332 pessoas; recuperados 83% ou 80.842; em 24 horas 2.145 pessoas foram infectadas e 33 óbitos. O total de falecimentos atingiu 1.308 pessoas nesta data, ocasião em que 83% de UTIs estavam ocupadas. Neste ritmo, chegaremos a 100 mil infectados e 2.000 óbitos.

Em 1 de agosto último, os infectados eram 106.292, chegando a 1.850, em 24 h. Os recuperados foram 83,5% ou 88.797. Perderam a vida 1.469 pessoas, sendo 25 nas últimas 24h. UTIs ocupadas perfaziam 89%.

Um mês após, em 2 de setembro, a infecção atingiu 163.498, sendo 1.456 em 24h. Os recuperados também aumentaram, chegando a 90% ou 147.144 pessoas. As mortes também se elevaram atingindo 2.573 pessoas e 52 mortes em 24 h.

Em 2 de outubro, o quadro era esse: 193.127 infectados, 882 em 24 h, e 94% recuperados ou 182.287 pessoas. Todavia, muitos mortos: 3.276 pessoas e 21 em 24h.

O último dado, com a data do fechamento deste artigo, em 21 de outubro de 2020, demonstra que a pandemia infectou 206.265 pessoas, das quais 95% ou 196.531 se recuperaram, mas que ainda assim, acabou resultando em 3.575 mortes; 14 falecimentos nas últimas 24 horas.

Por fim, resta considerar que algumas estratégias, tanto na esfera federal quanto no DF, cometeram equívocos no que tange ao desejo de ver a economia voltar ao esquema de “antes”, com a reabertura de atividades econômicas, inclusive algumas não essenciais, como salões de beleza, academias e barbearias – considerando-se a crise persistente. No DF, acertada foi a construção de hospitais de campanha – como no estádio Mané Garrincha (desmobilizado em meados de outubro, com dispensa de todos os servidores dessa unidade hospitalar emergencial). A elevada taxa de recuperação se deve a essas providências e ao excelente trabalho dos operadores da saúde pública, médicos, enfermeiros e técnicos dos hospitais, o que propiciou elevado percentual de recuperação de infectados, em média, acima de 90%, o que é digno de ser demarcado como positivo.

Pandemia e redução de empregos

Há algum tempo, em razão da pandemia provocada pela corovid-19, duvidava-se das mudanças estruturais no mundo e no Brasil. Na atualidade, sabe-se que ao menos em um setor da vida econômica haverá mudanças, que preocupam as pessoas, as empresas e as instituições públicas. As pessoas receiam ser infectadas e, ao mesmo tempo, perder seu contrato de trabalho. As empresas, pela queda do faturamento, tentam sobreviver demitindo pessoas de seus quadros ou fechando as portas, devido à quarentena: não há compradores. O comércio nada vende, porque possíveis compradores se mantêm em distanciamento social. As instituições públicas, sobretudo as ligadas à saúde, procuram uma vacina eficaz para o tratamento da Covid-19; outras vêm definhar o recolhimento de impostos e se inclinam para a redução de salário dos funcionários em todos os escalões institucionais. Como não houve riqueza gerada, nem movimentação financeira, em todo o país, há enorme queda na cobrança de taxas e emolumentos, base para o pagamento de salários aos funcionários públicos. A Covid-19 chegou e afetou todas as atividades da vida social.

Teatro Nacional e atrás o Setor Bancário Norte, Brasília
Foto Aldo Paviani

Em Brasília, não será diferente. A apressada abertura de shoppings e alguns ramos comerciais, igualmente, aumentou a quantidade de infectados pela Covid-19 e ocasionou a perda de 3.488 vidas, em 15 de outubro último. Divulga-se que o DF é das unidades da federação que tem a maior taxa de doentes recuperados – 95% ou 192.455 pessoas, na mesma data. Como referido a elevada recuperação significa bom atendimento médico, hospitalar e a rapidez que se iniciam os tratamentos dos infectados. Há, no entanto, o receio do avanço dos infectados, pois já está se iniciando flexibilização de atividades comerciais e de serviços, inclusive librando o chamado “home office”, com retorno de funcionários às repartições.

Segundo acompanhamento pessoal, com anotações do número de infectados demonstra o seguinte quadro, com a evolução de pessoas infectadas em Brasília:

Data

Pessoas infectadas

19/03/2020

33

11/04/2020

563

25/04/2020

1.148

25/05/2020

6.930

25/06/2020

38.871

23/07/2020

86.276

25/08/2020

150.519

25/09/2020

186.945

22/10/2020  

207.067 (3)


A infecção teve um significativo incremento, implicando em manter o isolamento social e evidencia mais uma razão para não apressar a abertura de mais atividades que impliquem em aglomeração de pessoas, algo preocupante se for considerada a primeira infecção em 5 de março passado. Nada obstaculizaria e, ao contrário, seria ato elogiável, decretar fechamento de shoppings porque são lugares de lojas fechadas e refrigeradas que favorecem a presença de consumidores, aglomerações que podem gerar riscos à saúde das pessoas. O exemplo vem do exterior, onde alguns países europeus reintroduziram o uso de máscaras ou fechamento de certas atividades como bares e restaurantes que fecharão mais cedo ou às 22 h, como França, Itália, Reino Unido, Dinamarca e Espanha.

A argumentação para medidas restritivas tem apoio na lógica e ética: as vidas de seres humanos são mais importantes que os negócios, que sofreram e sofrem com a Covid-19, como falta de faturamento e falências inevitáveis. Isso ocorrerá até que se tenha vacina segura ou que a curva das infecções seja fortemente declinante para liberar o funcionamento de comércio e de serviços em todo o DF, por exemplo. Outro argumento é que, quanto mais pessoas se infectarem, mais outras pessoas serão hospedeiras do vírus, acarretando aumento das baixas hospitalares e mortes. Isto ocorre quando a média de UTIs ocupadas nos hospitais atinge 90%, em média. Por essa razão, aguardar mais algum tempo para a retomada de atividades econômicas é indicada pelo bom senso. Será de bom alvitre manter os habitantes do DF fora da fatídica estatística que assola as demais unidades da federação e o Brasil inteiro.

Biblioteca Nacional e, atrás, o Museu da República e Esplanada dos Ministérios, Brasília
Foto Aldo Paviani

O Conselho Nacional de Secretários da Saúde – Conass e o Ministério da Saúde informam que a situação da covid19, no Brasil, é a seguinte em 19 de outubro de 2020: 5.250.727 infectados, com 154.176 mortes. E se agrava a situação por chegar a 15.383 casos de infecção em 24 h e 271 mortes também em 24 h. Os dados fazem com que a curva também se eleve fortemente, sendo igualmente recomendável seguir as orientações das autoridades sanitárias e não permitir o retorno de atividades que induzam a aglomerações de pessoas.

Quanto ao desemprego: a PED (Diesse/Codeplan/Setrab) de agosto de 2020 (4), demonstrou que, da População Economicamente Ativa – PEA chegou a 1,534 milhão de pessoas, havia 1,241 milhão de ocupados e 293 mil sem emprego ou 19,1% da PEA, uma das mais altas taxas de desemprego no Brasil, atrás apenas de Salvador. A PED demonstra ainda que a população das Regiões Administrativas – RAs mais pobres possuem taxas superiores à média: o grupo de mais baixa renda apresentou taxa de 26,6, seguida pelo grupo de média baixa renda, com 22,2%. Nos grupos de média alta renda, a taxa estava abaixo da média de todo o DF – 16,3%. Significa que as populações das RAs mais pobres têm menos possibilidade de se manter ocupadas, aumentando o contingente de desempregados do DF.

É significativo imaginar qual serão os efeitos da pandemia nos empregos no DF e no Brasil ao final outubro. O mais desejável é que o desemprego se mantenha estável, mas em número elevado.

Por fim, o que se quer é que preservem vidas com empenho total, mantendo o isolamento social e medidas profiláticas até que a vacina salvadora seja utilizável com segurança.

Na pandemia, apoiar pesquisas científicas é importante

Desde a criação de universidades na Europa, ao lado da educação superior, a pesquisa dos cientistas foi empregada para dar suporte aos conhecimentos e possibilitar avanços técnico-científicos e inovações. Por essa razão, as ciências chegaram onde estão. A cada avanço, surgem necessidades de novas pesquisas. Os progressos se comparam à subida de escadas enormes: cada degrau enseja mais descobertas e novos degraus são galgados. Por isso, se requer fortes investimentos em pesquisas científicas, seja procedente de agências públicas, seja de empresas privadas.

Na área da saúde e de técnicas de locomoção para deficientes há exemplos trazidos pela mídia: “Esperança contra a câncer terminal”, em que um “linfoma não Hodkings” pode ser debelado no Brasil por terapia “inédita na América Latina”, que somente foi atingida pela colaboração de muitos cientistas e trabalhos empíricos para modificação genética. O beneficiado foi um homem de 63 anos, que chegou a engordar, após o tratamento. A cura, talvez, possa ter confirmada dentro de três meses. Para avançar nas pesquisas são necessários mais investimentos.

Outro caso nos mostra que jovem de oito anos, portador de deficiência nas pernas pode caminhar com a ajuda de prótese de fibra de carbono e resina plástica, especialmente desenvolvida para ele, com a vantagem de os materiais utilizados serem de baixo peso e custo. Com isso, a qualidade de vida do menino mudou e ele pode, como afirmou, “dançar a catira na escola”, com os colegas de classe. Pode-se imaginar o que era a vida do estudante sem a prótese: ele tinha que se “arrastar apoiado nos joelhos para se locomover em pé”. Nesse caso, as pesquisas que levaram o garoto a caminhar e correr dependeu de trabalho de fisiatra e de técnico em próteses. Os custos, não muito elevados, foram cobertos pelo Sistema Único de Saúde – SUS.

Vista área da Espanada dos Ministérios, Brasília
Foto divulgação [Iphan]

A medicina tem oferecido surpreendentes progressos no Brasil e ao redor do mundo, com maior preocupação na descoberta de vacinas confiáveis para fazer frente à pandemia provocada pela Covid-19. Há esperança que isso aconteça em de 2021.

Em outro patamar de investigação, recentes prêmios Nobel foram dados a três pesquisadores. Segundo noticia o Correio Braziliense, os premiados em Química eram: um americano, um britânico e outro japonês, tornaram o “mundo recarregável”. O feito, que tornou as pessoas mais próximas umas das outras, foi o desenvolvimento da bateria de lítio, que está numa enormidade de objetos que utilizamos no dia-a-dia, em tabletes, celulares, microcomputadores etc. O invento é utilizado pelos astronautas em voos orbitais; nas indústrias, em certas fases da produção com menor uso de combustíveis fósseis; nas aeronaves, em seus voos cada vez de maior alcance e com menor consumo de energia e iluminação mais durável. Logicamente, é incontestável o grande retorno dessas descobertas, mesmo porque em alguns anos, o automóvel do futuro será movido a eletricidade, armazenada em baterias de íons de lítio, que já estão sendo usadas nos carros híbridos, com a vantagem de não ter que ficar horas num posto para a recarga elétrica. Por enquanto, temos combustíveis fósseis. Mas, na falta deles, é alentador saber que a eletricidade autogerada moverá os veículos de todos os tamanhos sem causar a poluição atmosférica e aquecimento geral do planeta. Os biocombustíveis também estão em uso nos ônibus e transporte públicos, sendo menos poluentes e dispendiosos.

Na entrega do Prêmio Nobel de Física divulga-se que outro trio de cientistas realizaram descobertas que “avançam na compreensão do Cosmo” e podem “desvendar se há vida fora da Terra”, isto é, se há seres vivos nos exoplanetas. O planeta gasoso descoberto pelos astrofísicos premiados é do tamanho de Júpiter que, por sua vez, é mais de mil vezes maior que o planeta Terra. As descobertas poderão ser mais surpreendentes na próxima década com os dados do supertelescópio espacial James Webb, a ser lançado em 31 de outubro de 2021. Com isso, estaremos mais perto de saber se há vida em outras galáxias. Algo que fascina os cientistas e irá compensar os 10 bilhões de dólares investidos no projeto.

Na concessão do Prêmio Nobel de Economia, três cientistas foram contemplados por estudarem formas de combate à pobreza. Os premiados são: um indiano, uma franco-americana e um norte-americano. Os três advogam que a pobreza diminui com investimentos em saúde e educação. Aplicaram seus estudos na África e na América Latina para observarem como as políticas públicas, em educação e saúde, reduzem as desigualdades, sendo a pobreza problema econômico a ser resolvido. Pode-se antever que os investimentos em saúde e educação trarão milhares de brasileiros para o sistema de produção e, produzindo, poderão ter acesso a alimentos e progredir. As pesquisas indicarão o caminho a seguir e, por isso, necessitam de recursos do poder público e o apoio de investimentos privados.

Esses exemplos reforçam a necessidade de apoiar a educação, a saúde e ampliar as possibilidades dos pesquisadores em suas investigações científicas.

Na fase pandêmica, preservar vidas é essencial

Há oito meses, em razão da crise provocada pela Covid-19, temiam-se as mudanças estruturais no mundo e no Brasil. Em nosso país, sabe-se que ao menos em um setor da vida econômica haverá mudanças, que preocupam os trabalhadores, o setor privado e as instituições públicas. As pessoas receiam ser infectadas, perder o posto de trabalho ou morrer. As empresas, pela queda do faturamento, tentam sobreviver demitindo funcionários ou, mesmo, fechando as portas em razão da quarentena. O comércio pouco vende porque possíveis compradores se mantêm em distanciamento social, em casa. No país, superaram-se os cinco milhões de infectados ou 5.298.772, com 24.818 pessoas infectadas, ontem, de 21 outubro de 2020 e 154.403 mortes, sendo 501, ontem. No âmbito federal, houve má gestão da pandemia, com quadro da crise viral muito grave. A tendência da curva será continuar se elevando, apesar de ser sido considerada “gripezinha” pelo Presidente da República.

Parênteses para informar que os Estados Unidos da América lideram o número de infestados e mortos, com, respectivamente 8,2 milhões e 220 mil mortos, seguidos da Índia com 7,5 milhões de infectados e 116.616 mortos (abaixo do Brasil que atingiu 154 mil pessoas mortas).

Ponte Costa e Silva ligando o Lago Sul ao Plano Piloto, Brasília
Foto Aldo Paviani

Em Brasília, não foi diferente. A apressada abertura de shoppings e alguns ramos comerciais e de esportes aumentou a quantidade de infectados pela Covid-19 e não restou ao

Governo do Distrito Federal – GDF outra solução senão decretar estado de calamidade pública. Todavia, já se perderam, no total, 3.587 vidas, em 22 de outubro de 2020. Divulga-se que o DF havia sido a unidade da Federação com a maior taxa de doentes recuperados – 95% ou 197.140 mil pessoas. O total de infectados, na mesma data, atingiu 207.067 pessoas, prevê-se que poderá chegar a 250.000, no próximo meses. A razoável recuperação significa bom atendimento médico, hospitalar e a rapidez em que se iniciam os tratamentos. Com a redução de pessoas infectadas a utilização de UTIS está em declínio.

A argumentação para medidas restritivas tem apoio na lógica e na ética: a vida de seres humanos e a saúde pública são mais importantes do que os negócios, que sofreram e terão ainda perdas com a Covid-19 por falta de faturamento e até falências. Isso ocorrerá até que surja vacina eficaz ou a curva das infecções seja fortemente declinante para liberar o funcionamento de comércio e serviços em Brasília. Por seu lado, a população deverá ser mais disciplinada, não desobedecendo a determinação "fique em casa".

Pode-se imaginar que os efeitos da pandemia nos empregos no DF e no Brasil deverão ser preocupantes, passada a crise pandêmica. No balanço da situação atual, o mais desejável é que se preservem vidas com empenho total. Mas, como estão as demais morbidades? Por exemplo, acidentes de trânsito com mortes? O continuado atropelamento de ciclistas e motociclistas merece mais atenção do Detran e órgãos ligados à mobilidade urbana no DF.

As diversas Brasílias e a Covid-19

Em outubro de 2019 inclui em artigo publicado no Correio Brasiliense a seguinte pergunta “por que era importante investir em pesquisas científicas”? Em março deste ano, deveria ter insistido na indagação e procurado respondê-la, geografizando-a, isto é, mapeando os focos da doença, diante da ameaça iniciada com a disseminação mundial do Covid-19. Agora, a preocupação se volta para quando se atingirá o pico da pandemia, ao menos é o que médicos, em geral e virologistas, em particular, têm advertido.

As advertências dos responsáveis pela saúde pública, nada mais são do que apelos, em todas as mídias: “fiquem em casa” ou “o isolamento social é fundamental”. Apelos para poupar vidas e evitar a contaminação, em especial dos idosos e dos que possuem baixa imunidade, dos que gripam com frequência e, os chamados “grupos de risco”, mesmo sem a virose, demandavam a vacina anual, nesta época, a cada ano. Falta, agora, um trabalho de geógrafo para mapear como, em cada cidade das Regiões Administrativas – RAs do DF, e do meio rural, a população procura o benefício da vacina, que pode evitar males maiores, pneumonias e suas consequências, por vezes fatais. Há convicção de que, nos próximos meses, a vacinação ainda não estará disponível para, em primeiro ligar, atender as pessoas sujeitas a infecções de vários tipos. Todavia, a pandemia fez a população despertar para os cuidados com a saúde e toda a população do DF colaborou – ficando em casa – e/ou reduzindo as saídas à rua apenas em casos de necessidade e urgência. Com isto, as atividades econômicas baixaram sua pulsação. Essa redução tem custos de difícil recuperação, mas que todos entendem ser menos uma questão puramente econômica, mas de salvação quanto às infestações coletivas. Daí, surgiu a advertência “vidas humanas em primeiro lugar”.

Setor Sancário Sul
Foto Aldo Paviani

Voltando ao caso do DF, em algumas RAs, sobretudo o comércio ou em alguns serviços as atividades continuam como se o Covid-19 não estivesse fazendo alertas de baixas, por vezes aos milhares, como na Ásia, Europa, América do Norte e no Brasil. O DF chegou a ser a unidade da federação com maior obediência a essa lei da natureza, que pede isolamento social. Por consequência muitos temem o aumento dos casos de infecção. Em abril, segundo o Correio Braziliense, o DF passou de 56% de isolamento da população para 60%, o que parece indicar que a quarentena é consensual e se protegem vidas humanas. Caiu para quarto lugar, sendo o primeiro lugar ocupado pelo Piauí, com 63,4, seguido do Rio Grande do Sul, com 62,8% e pelo Amapá, com 62,7%. Nestes quatro Estados, o isolamento significa barrar os que desejam que as atividades econômicas voltem ao que foram no ano passado. Nos primeiros meses da Covid-19, ficou demonstrado que o confinamento e cautelas são necessárias, pois há riscos de os atingidos (e mortos) pela virose aumentarem e elevarem as estatísticas de casos fatais. Todavia, há ignorância até sobre o montante dos atingidos, pois há enorme subnotificação.

Novamente, surge a demanda por estudos mais aprofundados: em que pontos da cidade houve maior infestação? O doente recebeu atendimento em rede hospitalar publica ou privada com a urgência que o caso e o momento exigem? Já se escreveu que “Brasília não é uma cidade apenas, mas várias” e ainda espalhada no território do DF. Em razão da espacialização do povoamento, pode-se afirmar que, não sendo a capital cidade totalmente emendada ou conurbada, qual a diferença em haver mais infectados entre os lugares carentes e os de mais elevados status? A espacialização tem qual efeito sobre a pandemia?

As duas últimas questões não necessitam muito aparato técnico para avaliações sanitárias porque o Dieese/Codeplan/Setrab, categorizaram quatro grupos por renda auferida, em média, pela população do DF. É interessante avaliar se essa classificação, ajustada ao mundo do trabalho serviria para avaliar a pandemia em cada Região Administrativa – RA, pois essa regionalização permite o exame da desigualdade socioespacial e, por extensão, às condições de saúde pública da respectiva população. Sabe-se, por exemplo que os grupos três e quatro, de “média–baixa renda” e “baixa renda”, respectivamente, possuem considerável volume populacional 55,51% ou 1.613.651 habitantes, em 2018 (5), enquanto os grupos 1, de “alta renda”, e 2, de “média alta renda”, somam 1.292.923 habitantes, menos da metade da população do DF.

De posse destas estatísticas, pode-se avaliar se é hora de se abrir as atividades econômicas, as escolas, as repartições públicas etc. para funcionamento pleno. A prudência recomenda que se aguarde mais algum tempo para a tomada de decisão. Ao que parece a espera é a mais indicada, mesmo porque se lê e se escuta que, passado esse tsunami, “o mundo não será o mesmo”. A conferir.

Pós-pandemia, o mundo mudará?

A mídia noticia, diariamente, o que se passa no mundo. Sabe-se o que ocorre sobre tragédias, angústias, medos, êxitos e esperanças. O que mais se lê e escuta, repetidamente, é que o mundo não será mais o mesmo. A pandemia trará mudanças em todos os quadrantes geográficos por onde o vírus circulou. A Covid-19 provocará alterações nos comportamentos individuais e coletivos em razão de que o isolamento social propiciou reflexões profundas, em todos. As pessoas observaram que por onde grassou a pandemia, deixou rastros de luto, tristeza e temores. Daí a necessidade de quarentena e o encerramento das atividades comerciais, industriais e de serviços. As escolas fecharam e os estudantes passaram a ter aulas virtuais. O mundo encolheu.

Esse quadro indica posições em que a mortandade em ascensão impulsionou a quietude, silêncio nas ruas, raros automóveis circulando, os aviões não cruzam os céus e a navegação costeira ficou rarefeita – tudo para que os meios de transporte não fossem vetores da calamidade generalizada nunca acontecida no planeta.

Setor Hoteleiro Norte – terreno vago na Quadra 901 Norte, Brasília
Foto Aldo Paviani

Antes, os tempos eram tidos como “normais”, mas o ar era irrespirável em razão da poluição atmosférica. O uso de máscaras faciais nas ruas, por isso, era obrigatório para a proteção das pessoas. Com a pandemia, a máscara se tornou vital como anteparo ao vírus mortal. Com a calmaria, o mar apresenta água transparente, com vida marinha exuberante. As praias, convidativas, animou banhistas e mergulhadores à prática de esportes aquáticos – todavia, proibidos. O silêncio imperou nos estádios brasileiros; nada de bola rolando e torcedores em frenética torcida pelo seu time de preferência, mas nas respectivas residências.

Portanto, para se safar da enfermidade, o isolamento social apresentou a média de 40 ou 60% de quarentena (isolamento social) nos centros urbanos. Esse comportamento seria maior, não fossem serviços essenciais, como dos hospitais – que vivem sob pressão dos enfermos que chegam a toda hora. Atuam sem parar os serviços de limpeza urbana e a coleta de lixo, evitando maior risco à saúde pública. Com isto, os lixeiros passaram a ter maior importância, antes não evidente. As funerárias, os coveiros, os fabricantes de caixões, todos em atividade sem precedentes na história recente. Despontam para essas atividades lucros certos com a ocorrência da tragédia.

Há também serviços que nos mantém informados: dia e noite, sabe-se qual é o roteiro e os percursos geográficos da Covid-19. Com os eventos, a imprensa assume papel importantíssimo. Os jornalistas e repórteres vivem tempos agitados nas redações, todavia, muitos gerando noticiário captado pela internet, em casa. Constantemente, informam o gradual retorno às atividades econômicas por parte de alguns países em que a infecção e a mortalidade decaíram. As atividades econômicas, pressionam, indicando forte demanda dos consumidores. Consideram que desejam recuperar as perdas acumuladas por meses de paralisação. O comércio e a indústria pressionam para abertura total das atividades, pois desejam recuperar as perdas e chamar de volta os trabalhadores desmobilizados com a quarentena. Sem atividades, os trabalhadores, vivem pesadamente a crise financeira, chegando ao patamar da fome, na posição mais baixa da pirâmide social.

Portanto, trata-se de retorno. Todavia, será a volta ao que tínhamos previamente? À essa questão, se agrega: “o mundo mudará?” Haverá outra atitude, frente ao acontecido? As milhares de mortes ocorridas? Aprenderam-se as lições do isolamento social? As pessoas recuperarão o trabalho e os salários de antes da pandemia? Há esperanças?

São indagações difíceis de responder, mesmo porque não há bola de cristal para prever um futuro que ainda parece bastante nebuloso; incerto, também, porque o planejamento nunca foi o forte de certas economias. As mais liberais desejam ter os caminhos livres, sem amarras exigidas por metas e volumes de atividades traçados.

Na atualidade, só há incertezas. Não se fez balanço dos prejuízos humanos e financeiros. Portanto, o dia de amanhã é imprevisível. Será recomendável avaliar os acontecimentos, mesmo sabendo que não se tem ideia do que acontecerá no dia seguinte. A surpresa de ontem, virá em dose dupla, hoje, amanhã ou depois. E será assim porque a pandemia virou o mundo de cabeça para baixo. Importa que os políticos sejam capazes de olhar para o bem-estar da população, ou o tumulto se instalará. Há necessidade de políticas públicas para preservar a natureza, pois é nela que estarão todas as possibilidades de sobrevivência do planeta. A pandemia colocou o dedo na ferida. Que se aprenda com o sinal de alerta.

Emprego e desemprego na crise da pandemia

Fala-se e escreve-se sobre o “novo normal” que surge no horizonte das desesperanças ocasionadas pela Covid-19 em todo o planeta e, em especial, aos países que chegaram a pensar tratar-se de mera “gripezinha”. E não era. Surge essa virose igual ou pior das que assolaram, antes, a humanidade. Muitos ficaram atordoados com os efeitos catastróficos, exigindo que cidades ou metrópoles organizassem seus hospitais e a contratar pessoal capacitado para cuidar idosos e pessoas mais vulneráveis.

Prédios em construção no Setor de Autarquias Norte, Brasília
Foto Aldo Paviani

Apenas, não houve “hospital” para a economia, que entrou em quarentena, tanto ou quanto mais severa que a dos domicílios. Estes, a partir de março, se transformaram em pontos de proteção aos que imaginaram, acertadamente, que o momento seria de grandes restrições em relação à mobilidade e às relações grupais. Uso obrigatório de máscara e obediência às recomendações de especialistas: “fique em casa”, no isolamento social obrigatório.

Quem teve juízo, aceitou esse aviso; quem achou que ia perder dinheiro, pode amargar junto aos números dos contaminados, recuperados ou mortos em ascensão. Os gráficos são verticais, em Brasília, elevando-se a cada dia. Em 11 de agosto de 2020, os dados atingem 126.069 contaminados, dos quais 84% ou 106.419 se recuperaram. Todavia, o DF chegou à marca de 1.762 mortos. Já em 22 de outubro, os infectados eram 207.067, dos quais 95% ou 197.140 haviam se recuperado. Todavia, os mortos foram multiplicados por dois: 3.587 pessoas.

Os agentes transmissores não são os ventos que sopram e, sim, os infectados, mas pessoas passando para outras pessoas. Muitos empresários não querem perder capitais investidos e se arvoram no direito de manter lojas e fábricas em operação. Todavia, a surpresa: os compradores, sumiram – ficaram em casa e a economia retraiu-se de modo paulatino. Para atenuar os prejuízos, o comércio e a indústria que fecharam as portas, com a inevitável demissão dos funcionários, vendedores e operários. Alguns desses desempregos são emergenciais e voltarão ao estado anterior assim que a pandemia for cessando seus efeitos cruéis. Contudo, as empresas que faliram deixaram o rastro de lacunas de trabalho, como referido.

Outra importante questão é o esforço de governos e laboratórios em descobrir a vacina que reduza a mortandade e esteja acessível em 2021. E o esforço é medido, não apenas nos testes adequados, mas em investimentos monetários – milhões de dólares, seja onde acontecerem os trabalhos para a descoberta da vacina ou em muitíssimos lugares, laboratórios e universidades.

Enquanto a vacina tarda, a economia se retrai e os empregos são eliminados, constantemente. Eles ocorrem de formas distintas: o emprego que está em compasso de espera e será reposto ao se ter menor tempo quarentena, ainda este ano ou no ano de 2021. Mas, tristemente, acontecem as “lacunas de trabalho”, frutos de emprego que não será mais retomado, como argumentado anteriormente. As falências, trazem lacunas de trabalho porque não repõe o posto eliminado e, pior ainda, não criará oportunidades novas na economia encolhida, no comércio e na indústria. A lacuna de trabalho é como se traduz a atividade sem retorno. É como uma estrela “engolida” por buraco negro – some totalmente. A lacuna de trabalho é de difícil descoberta, ao menos em números, tal como acontece ao desemprego que já acontece de forma estrutural. Esta é sempre um montante disponível nas Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED, patrocinada, no caso de Brasília, pelo Governo do Distrito Federal, por intermédio da Secretaria do Trabalho, da Codeplan e acionada pelo Sistema PED do Seade/Diesse, a cada mês, desde 1992.

Apenas como exemplo, analiso o que acontece na PED de agosto último. A População Economicamente Ativa – PEA total era de 1.534.000 pessoas. Os ocupados eram de 1.241.000. Isto quer dizer que 80,9% da PEA estava trabalhando. No caso inverso, 19,1% ou 293.000 trabalhadores encontravam-se desempregados. O setor de serviços ocupa 897 mil pessoas. Com carteira assinada, a PED encontrou 492 mil e sem carteira 81 mil, o que significa que grande parcela está ao abrigo da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, com direitos protegidos. Os autônomos eram 209 mil trabalhadores, que tem aumentado devido ao desemprego ocasionado pela pandemia. Dado curioso é que Brasília recebeu o título de cidade dos funcionários públicos. Todavia, a PED revela que não é bem assim, a estimativa indica que a Administração Pública, Defesa e Seguridade Social emprega 174 mil servidores, enquanto o setor privado emprega quase o triplo ou mais de 573 mil trabalhadores.

A PED metropolitana somente até 2018 é feita em quatro cidades: Porto Alegre (11,8% de desemprego); Salvador (25,7%), São Paulo (16,9%) e Brasília (18,9%), revelando 2,899 milhões de desempregados, nestas metrópoles. Os dados não se atualizam para percebermos os efeitos da convid-19 nas principais metrópoles brasileiras. Por este motivo, será interessante que os prefeitos das três capitais voltem a realizar as respectivas pesquisas (PEDs). Brasília é a única metrópole a manter a PED mensal, segundo publicação feita pelo Dieese em seu portal metropolitano, recentemente.

Congestionamento em Brasília
Foto Aldo Paviani

notas

NA – Este trabalho é o resultado do de atualização e ampliação de alguns artigos publicados mensalmente no diário Correio Braziliense, a partir de abril de 2020 sobre temas da Covid-19 e a pandemia resultante.

1
Em outubro de 2020, o desemprego no Brasil atingiu 14 milhões de pessoas. Em Brasília, quase 300 mil. A Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED no DF é feita mensalmente pelo GDF – Secretaria do Trabalho, Codeplan em associação, com o Dieese.

2
CODEPLAN/DIEESE. Mercado de Trabalho no Distrito Federal. Sistema PED, ano 30, n. 4, Brasília, ago. 2020 <https://bit.ly/38hmEy9>.

3
A data de 22 de outubro de 2020 é a da conclusão deste trabalho.

4
CODEPLAN/DIEESE. Op. cit.

5
Os dados de 2018, referem-se à última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD/2018), realizada pela Codeplan.

sobre o autor

Aldo Paviani é professor emérito da Universidade de Brasília, Pesquisador Associado ao Departamento de Geografia e do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais/CEAM/UnB e membro do Núcleo do Futuro do CEAM/UnB.

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