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drops ISSN 2175-6716

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Leia o artigo de André Marques sobre sua visita às Bases de Apoio Comunitário (BACs) projetadas pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, em Ribeirão Preto

how to quote

MARQUES, André. BACS Ribeirão Preto. Obras do arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé. Drops, São Paulo, ano 11, n. 037.02, Vitruvius, out. 2010 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.037/3609>.



No ano de 2003, João Filgueiras Lima, o Lelé, fez diversos projetos para a cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, como o terminal de transportes coletivos, um viaduto e bases de apoio à comunidade. Como fonte de informações sobre esses projetos, somente havia um artigo na edição numero 266 da revista Projeto Design, de abril de 2002, e uma pequena imagem no livro O que é ser arquiteto, Memórias profissionais de Lelé, de João Filgueiras Lima, onde é possível constatar que foram realmente construídos.

Pouco se sabia sobre o que foi construído. Em pesquisa feita na internet descobrimos duas bases de apoio à comunidade. Soubemos através de relatos antigos e pouco informativos em um blog que estudantes de arquitetura realizaram visitas a essas obras e à fábrica de equipamentos comunitários.

Resolvemos fazer nossa visita às obras de Lelé. Ao chegar em Ribeirão Preto, em junho de 2010, a primeira providência foi comprar um mapa da cidade, solução antiga e primária para era do GPS. Já conhecíamos um pouco da cidade por viagens anteriores e por uma antecipada pesquisa das fotos aéreas, com nome de ruas e bairros.

O primeiro local visitado foi o BAC (Base de Apoio Comunitário) Branca Salles, na Avenida Patriarca, 4125, no bairro Jardim Branca Salles. Essa obra, dentre as visitadas, é a com maior área construída e maior expressão arquitetônica. Contempla um amplo programa com creche, posto de saúde, biblioteca, serviço de assistência social e sala de informática com acesso a internet (sala de inclusão digital), além de contar com um divertido parque infantil. Nessa obra, Lelé utiliza as mesmas características de seu repertório construtivo e formal que aparecem nos hospitais da rede Sarah: coberturas curvas em aço providas de iluminação e ventilação natural através de sheds, painéis pré-fabricados em argamassa armada e a elegante parceria com o artista Athos Bulcão na elaboração dos coloridos painéis decorativos.

Para a nossa surpresa a creche estava aberta, era festa Junina e seus alunos estavam em plena ciranda. Ver o espaço ocupado tornou a visita mais rica. Pudemos ver como os diferentes níveis criados no paisagismo para o recreio são criativamente usados pelas crianças. Vimos como o espaço é rico de surpresas e multifuncional. Painéis basculantes pintados com formas abstratas coloridas projetadas por Athos permitem a permeabilidade entre os espaços internos e externos sem nenhum confronto. A parte externa é delimitada por uma cerca de argamassa armada, modulada e com desenhos que sugerem bandeirinhas juninas, coincidentemente casando perfeitamente com a ocasião.

Apesar da utilização plena do espaço, a obra encontra- se em um mal estado de conservação. Alguns módulos da cerca estão seriamente prejudicados, provavelmente pela movimentação do solo provocado pelas raízes de uma grande árvore que faz sombra ao pátio das crianças. Internamente as paredes estão pintadas com cores esmaecidas: verde e rosa caiados, que não tem semelhança com as cores vivas propostas por Athos e Lelé. As belas marquises, uma vermelha e outra azul, nas entradas do edifício lembram muito algumas obras recentes do arquiteto Oscar Niemeyer como o teatro de Araras e o auditório do parque do Ibirapuera. Outro fato danoso ao conjunto arquitetônico é a violação das fachadas laterais com o acréscimo de pequenos aparelhos de ar condicionado de parede.

Pudemos visitar o posto de saúde que estava aberto devido à campanha contra a pólio. Não conseguimos visitar a pequena biblioteca e a sala de informática, pois estavam fechadas, apesar do site da prefeitura indicar como aberta nessa data. Após algum tempo olhando e fotografando, a diretora da creche, incomodada com a nossa visita inesperada, pediu que voltássemos durante a semana, pois não podíamos fotografar a escola sem a companhia dela, que estava ocupada com a barraca de doces. Sem mais nada a fazer fomos à procura de outra obra do arquiteto Lelé na cidade.

Fomos à Avenida Ivo Pareshi, 1270, no bairro Eugênio Mendes Lopes na BAC (Base de Apoio Comunitário) Eugenio Mendes. Lugar distante do centro de Ribeirão com baixa ocupação e muita terra vermelha. Encontramos a base fechada. Espaço pequeno, mas ainda com todas as características construtivas das obras do Lelé. Pudemos fotografar as partes externas do edifício e notar o belíssimo detalhe estrutural da marquise da entrada idêntica ao da BAC Branca Salles, visitada anteriormente: apoiada de forma surpreendente onde a própria força de giro que atua no balanço ajuda de forma solidária na sua fixação, detalhe magistral dessas pequenas obras que apesar de todas as cicatrizes ainda possuem carga latente.

bibliografia

EKERMAN, Sérgio Kopinski. Um quebra-cabeça chamado Lelé. Arquitextos, nº 64.03. Disponível em: [http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq064/arq064_03.asp. Acesso em: out. 2010]LIMA, João Filgueiras: MENEZES, Cynara. O que é ser arquiteto: memórias profissional de Lelé (João Filgueiras Lima) em depoimento a Cynara Menezes, Rio de Janeiro: Record, 2004.MELENDEZ, Adilson: Lelé em Ribeirão Preto ? João Filgueiras Lima promete renovar o centro da cidade paulista. Memória. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/memoria/lele-em-ribeirao-preto-joao-filgueiras-10-04-2002.html. Acesso em: out. 2010

sobre o autor

André Felipe R. Marques formou-se 2003 em arquitetura e urbanismo pela Universidade São Judas Tadeu. Em 2007 fez Pós Graduação em Conforto Ambiental pela FUPAM-FAU/USP. Desde 2003 trabalha como arquiteto autônomo e paralelamente trabalha como arquiteto industrial para Comparco. Atualmente inicia o curso de mestrado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

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