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drops ISSN 2175-6716

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David Hernández destaca o papel de Steve Jobs na indústria informática através de sua perspectiva sobre o design, e cria leituras paralelas com a arquitetura

español
David Hernández destaca el rol de Steve Jobs en la industria informática a través de su mirada sobre el diseño, creando lecturas paralelas con la arquitectura

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HERNÁNDEZ, David. And another thing. Steve Jobs e a tecnologia agradável ao tato. Drops, São Paulo, ano 12, n. 049.02, Vitruvius, out. 2011 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.049/4070/pt_BR>.



Adianto ao leitor que estou redigindo estas linhas em um PC velho, uso um celular pouco ou nada inteligente e meu reprodutor de música predileto ainda é o rádio (sintonizado na frequência modulada local analogicamente). Entretanto, não posso deixar de sentir uma curiosa fascinação pelo trabalho do lamentavelmente falecido Steve Jobs (1955-2011). Fascinação e admiração por um projeto intelectual que merece ser revisto – inclusive- do ponto de vista da arquitetura contemporânea.

Não usarei sequer uma linha para fazer uma retrospectiva dos êxitos inegáveis para o setor da informática ou da indústria mundial do entretenimento. Elevado à categoria de gênio do século XXI, inúmeras reportagens e resenhas nos farão lembrar de sua figura durante algum tempo. O que é realmente interessante sobre o seu trabalho é a interpretação absolutamente original da relação que ele estabeleceu ao longo de sua carreira entre tecnologia e design (embora isso deva ser atribuído a toda a empresa, o seu papel de líder e visão de futuro não deixam sombra de dúvida).

Com um pensamento eminentemente pragmático, próprio do sentimento neoliberal dos grandes magnatas da indústria norteamericana (Design is not just what it looks like and feels like. Design is how it works), Jobs trabalhou durante toda a sua vida na formalização de grande parte dos artefatos tecnológicos que hoje nos acompanham diariamente. O aspecto dos mouses que usamos, a configuração formal dos monitores, a própria imagem que conhecemos de um computador pessoal devem muito a seu trabalho. É a forma de uma tecnologia que não tinha precedente.

Na formalização do primeiro computador pessoal não havia a possibilidade de usar os métodos ou materiais anteriores, circunstância que desde Auguste Choisy sabemos que sim ocorreu na arquitetura – como nos lembra Reyner Banham. Mais além do primeiro computador pessoal anedótico em madeira que Jobs construiu na garagem de sua casa com Steve Wozniak em 1976 – com aspecto de máquina de escrever do Gepeto – a evolução do trabalho de Jobs demonstra uma progressiva “desformalização” do computador pessoal. Para usar um exemplo, a estética da máquina de escrever – que até hoje podemos perceber nos teclados que reproduzem a falsa perspectiva das teclas originais – há muito tempo desapareceu dos produtos da marca da maçã, nos quais passaram de teclas a botões, e em seguida ao próprio monitor.

Não podemos dizer que se trata somente de um processo de evolução formal minimalista. Sobretudo se percebe a intenção de construir a imagem ex-novo de uma referência nova: a construção de um novo produto começa pela eliminação de qualquer referência figurativa aos produtos existentes. Estaríamos – se me permitir a ironia – diante do “movimento moderno” das tecnologias de informação e comunicação. Em um dos aforismos pelos quais será lembrado, Jobs dizia: A lot of times, people don’t know what they want untill you show it to them. Nas palavras do nosso Alejandro de la Sota, lebre por gato. (1)

Despojar a tecnologia contemporânea de forma tem sido um trabalho de resultados duvidosos para a arquitetura da última metade de século. A experimentação tecnológica esteve ligada habitualmente à exibição formal dos avanços. Desde Fuller (provavelmente o mais ascético) até os arquitetos high-tech, passando pela imaginação tecnófila de Archigram ou as experiências dos metabolistas japoneses, a tecnologia de vanguarda dificilmente atingiu a democratização do uso, contribuindo, por outro lado, com uma excessiva carga formal.

Até hoje, quando a arquitetura deve demonstrar ser capaz de contribuir com a conservação de recursos e ser exemplar no comportamento meio-ambiental, encontramos novas experiências que denotam uma atitude equivocadamente figurativa da tecnologia. Citarei dois exemplos nacionais de escritórios de maior interesse: o Boulevard Bioclimático em Vallecas, da equipe Ecosistema Urbano, ou o edifício Media-TIC no distrito 22@ em Barcelona, de Enric Ruiz-Geli. Em ambos casos, a capacidade da tecnologia usada não foram traduzidas de forma clara de forma a melhorar ostensivamente o conforto para o usuário. Ou, de todos modos, as melhorias não estão à altura da aposta formal. São exemplos pioneiros que expõem novos modos de fazer, porém seu exibicionismo morfológico eclipsa qualquer outra contribuição.

E uma outra coisa. Steve Jobs deu o primeiro passo para converter a tecnologia em alguma coisa agradável ao tato. Na arquitetura, as atitudes de maior carga fenomenológica foram sempre levadas a cabo com as propostas pragmáticas mais tecnológicas. Esperemos que a lição de Jobs permita que a tecnologia do futuro facilite uma arquitetura emocionante em e para todos os sentidos, e que não somente tente aparentar.

Sobre o autorDavid Hernández Falagán é arquiteto (ETSAB), mestre em  Teoria e História (ETSAB) e professor do Mestrado "Laboratorio de la Vivienda del siglo XXI".

Nota

1
NT: Alejandro de la Sota, arquiteto espanhol, dizia que o arquiteto debe sempre tentar dar lebre em lugar de gato, ou seja, apesar do cliente não desejar um projeto de excelência, buscar dar o melhor de si, de preferência sem que o cliente se dê conta. 

The Smithsonian Institute's Apple I, 1976

O primeiro Macintosh 128K, 1984

IMac, 2010

Apple Store, Fifth Avenue, New York

 

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