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drops ISSN 2175-6716

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Parte da programação da NonaBia – 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, a "Oficina de projetos Urbanização de favelas" contou com cinco equipes e uma série de atividades e debates, relatados pela autora

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PISANI, Maria Augusta Justi. Urbanização de favelas. Relato da oficina de projetos. Drops, São Paulo, ano 12, n. 053.02, Vitruvius, fev. 2012 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.053/4222>.



A oficina de projetos Urbanização de favelas (1) fez parte da programação da NonaBia – 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e deu a oportunidade para arquitetos e estudantes de arquitetura discutir uma questão tão manifesta na espacialização das cidades brasileiras.

A atividade teve o objetivo de evidenciar a demanda da habitação em áreas precárias na cidade de São Paulo e propiciar o desenvolvimento de propostas projetuais, idéias e soluções que possam melhorar a qualidade ambiental, social e cultural da Favela Nova Jaguaré, localizada na zona Oeste da cidade de São Paulo.

Os trabalhos foram iniciados com a mesa redonda que contou com a apresentação de renomados arquitetos que concretizam projetos de urbanização em favelas. Esta aconteceu dia 29 de novembro de 2011 e iniciou com a apresentação do Arquiteto Marcos Boldarini sobre os projetos do Conjunto Alexandre Mackenzie e Diogo Pires na Favela Nova Jaguaré, intervenções na favela Heliópolis e o projeto Cantinho do Céu. O arquiteto Héctor Vigliecca demonstrou os conceitos empregados em seus projetos na Favela Heliópolis, em São Paulo e proposições para o município de Osasco. A professora Angélica A.T.B. Alvim moderou os debates que incluíram a pertinência das políticas públicas para a habitação de interesse social e as facilidades e empecilhos dos projetos de arquitetura e urbanismo nessas áreas críticas.

No dia seguinte, 30 de novembro, as atividades da oficina iniciam com a apresentação da Profª Maria Augusta Justi Pisani sobre as condicionantes da estruturação espacial da Favela Nova Jaguaré. Esta é o resultado da ocupação da área verde cedida para a Prefeitura de São Paulo por Henrique Dumont Villares quando da implantação do Centro Industrial do Jaguaré. Após a apresentação os participantes da oficina foram munidos com informações necessárias para a compreensão do objeto: planta geral da área cedida para fins pedagógicos pela Secretaria Municipal da Habitação - Prefeitura Municipal de São Paulo, locação das construções, cortes, fotos, imagens aéreas e artigos acadêmicos (2).

Os grupos híbridos, com profissionais e estudantes de distintas regiões do Brasil e estrangeiros, foram se arranjando prontamente e principiaram seus trabalhos com uma dinâmica de apresentações, seguida do estudo da área e suas características. As atividades foram assessoradas pelos professores participantes de forma a gerar sinergia entre os diversos saberes e competências: clima; topografia; densidades; sistema viário; características socioeconômicas dos moradores; projetos de intervenções anteriores; referências projetuais e outros.

As ideias foram registradas em croquis, ora elaborados a mão, ora assistidos por computadores e os professores revezaram-se nas mesas de forma a interagir com todos os grupos. No final de oito horas de trabalho intenso as equipes registraram as imagens e textos das propostas e elaboraram a apresentação dos resultados, encerrando as atividades com debates. 

A seguir são apresentadas algumas imagens das ideias propostas:

Equipe 1
Participantes: André Yoshimoto, Beatriz Nachtergaele, Diana S. da C. Lemos, Hermes da Fonseca, Michelle Grein, Orion M. Campos e Renata Lima de Mello.

Tema: Vazios Urbanos Indutores

Conceitos: Qualificação e compactação pela criação de novas densidades e vazios urbanos que conectam e possibilitam a celebração da vida urbana. O projeto prevê o adensamento de habitações em área destacada nas figuras seguintes, e a realocação dos moradores retirados para a implantação de dois parques lineares.

Equipe 2

Participantes: Ana Paula Bastos, Fernanda Vargas Lima e Grisiele Almeida Guimarães

Tema: Conexões e aerações

Conceitos: Através da interpretação do viário existente foram criadas conexões híbridas interligando dois eixos que fazem interface com a cidade formal.

Foram criadas clareiras para que os assentamentos precários proporcionem nova interconexão de urbanidade, as habitações antes emaranhadas e sem acessos para uma nova estrutura urbana – a via – com funções de passagem e permanência. Nestas clareiras são implantados edifícios que pretendem vencer o relevo acidentado através de patamares que oferecem espaços de uso coletivo, lazer, equipamentos e áreas verdes.

Equipe 3

Participantes: Cláudia Lopes B. Yamada, Emelly Chaves, Joelly Bessa, Luciana Rodrigues, Mariana A. Fajnzylber e Monique Mendes.

Tema: Reestruturação com nós articuladores

Conceitos: Reestruturação do sistema viário: reformulação das quadras, levando-se em consideração as curvas de nível. Criação de vias principais transversais e longitudinais na área, vias secundárias e terciárias, para conectar o interior do quarteirão. Desenvolvimento de nós de articulação com uso comercial e serviços, incentivando a dinâmica da área.

Valorização do conceito de espaço público como articulador: integração entre habitação e espaços de lazer. Inserção de vegetação em áreas de declive acentuado, com tratamentos especiais nos taludes para segurar os sistemas radiculares.

Equipe 4

Participantes: Thais Pala e Thalita Nayara

Tema: Permeabilidade e adensamento

Conceitos: Organizar o viário a partir das vias existentes, com novos caminhos locais para o acesso digno a todas as habitações. Adensamento das habitações removidas para edifícios de múltiplos andares, com acessos em pisos intermediários, respeitando a topografia local e atendendo os principais fluxos de pedestres e veículos dentro da comunidade e entorno.

Equipe 5

Participantes: Aline Ferreira, Lais Guerle Tonso, Tiago Águila Vigil, Mariana de Toledo Ignácio, Fernando Diaz Soler, Ricardo F. A. Couto e Julio De Luca. 

Tema: Esvaziar + adensar + conectar

Conceitos: Retirar os miolos congestionados das grandes “quadras” e adensar a população em torres de habitação. Estas ficarão conectadas aos espaços coletivos gerados pela remoção. As clareiras seriam grandes pontos de encontro e conexão com as partes mais horizontais que permaneceram.

Durante os debates originados em cada grupo, com o apoio dos professores assessores, surgiram questões sobre vários quesitos condicionadores das decisões de projeto de urbanismo e arquitetura em uma área de encosta com habitação precária, tais como: acessos e circulações verticais urbanas, materiais e técnicas construtivas, impactos da ocupação horizontal e vertical em áreas de grande declividade, políticas públicas e seus rebatimentos nos projetos de urbanização de favelas, participação popular, densidades urbanas, imposições da legislação edilícia e urbanística, entre outros. O processo foi de sinergia ímpar e aquém das expectativas de seus organizadores. Como proposta final ficou o desejo coletivo de continuar os estudos para aprofundar algumas questões e elaborar projetos mais desenvolvidos para a área. 


Para os professores da comissão organizadora ficou a percepção de que há muito a dinamizar nos ateliers acadêmicos de projetos, nas formas de ensino e nos recursos pedagógicos e temáticos. Esta oficina mostrou o quanto pode ser produtivo um trabalho de apenas oito horas em equipe, desde que motivada e com apoio dos referenciais teóricos e práticos. 

Diante da alegria dos resultados desta oficina torna-se indispensável parabenizar à organização da NonaBia a oportunidade de desenvolver uma atividade prazerosa e frutífera em um espaço arquitetônico admirável: a Oca.

notas

1
Oficina de projetos Urbanização de favelas . NonaBia – 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, São Paulo, 29 e 30 de novembro de 2011. Coordenação de Maria Augusta Justi Pisani, Professores participantes: Gilda Collet Bruna, Luiz Guilherme Rivera de Castro; Angélica A.T.B. Alvim (Mackenzie), Erica Lemos Gil (Universidade São Judas Tadeu), Erika Ciconelli De Figueiredo (Fundação Armando A. Penteado FAAP), Vanessa Padiá (Secretaria Municipal da Habitação da PMSP) e Viviane Manzione Rubio (Prefeitura de Osasco).

2
Como referências iniciais foram analisadas pelos participantes da oficina: a) artigo de Maria Augusta Justi Pisani, Indústria e favela no Jaguaré: o palimpsesto das políticas públicas de habitação social, disponível em: www.vitruvius.com.br; b) acervos fotográficos pessoais de Thais Pala e Maria Augusta Justi Pisani; c) projeto para a Urbanização da Nova Jaguaré (2003) do escritório Projeto Paulista Arquitetura , disponível em: www.projetopaulista.com.br; d) conceitos teóricos e projetos apresentados por Marcos Boldarini e Héctor Vigliecca na palestra do dia 29 de novembro de 2011 no auditório da Oca, Ibirapuera; f) plantas e cortes elaborados pelas professoras Erika Ciconelli de Figueiredo e Erica Lemos Gil a partir do material cedido pela Secretaria Municipal da Habitação da Prefeitura Municipal de São Paulo e g) dados da Prefeitura Municipal de São Paulo - HABISP. Disponível em: www.habisp.inf.br.

sobre a autora

Arquiteta e Urbanista pela Faculdade Farias Brito (1979), especialista em patrimônio histórico (1981) e em obras de restauro (1982) pela FAUUSP - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Mestre (1991) e Doutora (1998) em Engenharia Urbana pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Professora Adjunta da FAU Mackenzie desde 1997. Lidera o Grupo de Pesquisa: Arquitetura e Construção.

 

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