Valorizar a memória construir o futuro Testemunho de uma época em que a cidade de Itaqui se desenvolvia rapidamente e era ponte para grandes centros comerciais argentinos, uruguaios e europeus, o Mercado Público de Itaqui foi um importante ponto de acontecimentos culturais, sociais e econômicos.Exemplar da arquitetura do início do século XX, o edifício representa o apogeu de um ciclo econômico e é hoje uma importante referência histórica e simbólica desta comunidade.
A reabilitação do Mercado Público de Itaqui pretende valorizar o passado respondendo às necessidades do presente através do incentivo às atividades de lazer, cultura e comércio, imprimindo uma nova dinâmica na sua vida cotidiana.O projeto tem o desafio de unificar e responder três importantes aspectos: o respeito ao bem cultural, as necessidades contemporâneas da população e a adequação do imóvel ao uso pretendido.
Para estabelecer uma base segura que subsidia as intervenções foram consideradas as análises do edifício histórico e os princípios contidos nas cartas e documentos internacionais sobre patrimônio.
Princípios e critérios norteadores para o projeto
- Compatibilidade entre o novo e o antigo.
- Diferenciação entre as intervenções contemporâneas e a construção original.
- Legibilidade clara do espaço, evidenciando as características e valores do edifício histórico.
- Manutenção da autenticidade e integridade física dos elementos originais.
- Preservação das marcas do tempo.
- Reversibilidade das intervenções.
O projeto é estruturado em três unidades espaciais: o edifício histórico preservado, o novo edifício e uma faixa de interface constituída pela rua interna existente.
A opção de preservar ao máximo a configuração e materialidade do edifício histórico resulta na adaptação espacial das novas intervenções.
O desenho simples e coordenado para os novos componentes do espaço, evita interferências bruscas com a arquitetura existente.
Escolha dos materiais
- O metal, a madeira e o vidro para as intervenções no edifício histórico em função da imagem pretendida e da reversibilidade que esses materiais permitem (por estarem presentes no edifício antigo a diferença foi evidenciada através do desenho, forma, linhas do projeto).
- O concreto foi escolhido para o novo edifício e utilizado na fachada norte como elemento de transição por ser um material característico da arquitetura brasileira, simples, contemporâneo, e bastante adequado no seu aspecto plástico.
A composição do novo edifício utiliza proporções, alturas e linhas principais da fachada do antigo Mercado.A proposta desenvolvida e apresentada procurou responder da melhor forma às tantas questões envolvidas e espera contribuir para as discussões sobre patrimônio, preservação e restauração.
Que o Mercado possa renascer em novos usos e destinos e a arquitetura cumpra o seu papel como elemento indispensável às ações culturais que visem à renovação de nossas cidades.
ficha técnica
Arquiteto Marco Peres (RS).
Equipe
Arquitetos Julio Ramos Collares, Dalton Bernardes, Paulo Cesa, Maturino Luz, Patrícia Hoff, Letícia O. Vidor e os acadêmicos de Arquitetura Miriam C. M. Dall'Igna, Mara Eskinazi, Carolina Scheibe, Laura Davi, Ana Luiza Mahler e Camila Schmidt.