Seu navegador está desatualizado.

Para experimentar uma navegação mais interessante, recomendamos que você o atualize clicando em um dos links ao lado.
Todos são gratuitos e fáceis de instalar.

 
  • em vitruvius
    • em revistas
    • em jornal
  • \/
  •  

pesquisa

revistas

projetos  


sinopses

como citar

VITRUVIUS, Portal. Concurso Bairro Novo. Projetos, São Paulo, ano 04, n. 044.02, Vitruvius, ago. 2004 <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.044/2398>.


Um bairro: Água Branca

Fazer um bairro novo para a cidade, uma parte de São Paulo que se integre em sua retícula urbana. Não uma outra cidade, não um condomínio.

São Paulo é uma cidade fascinante. Ela parece selvagem, com sua lógica fortemente paradoxal, e nasceu da associação de duas características opostas: a cidade horizontal e a cidade vertical. A cidade horizontal, narrativa, com suas casas e lojas, dita a vida infinitamente diversa dos indivíduos. Essa camada horizontal alinhada às ruas é atravessada pela trama irregular da cidade vertical, feita com torres que brotam como plantas. É nessa floresta urbana que podemos encontrar uma regra de liberdade, de densidade, de luz e de coesão. A quadra paulistana apresenta, assim, um caráter próprio e único, que cria a paisagem singular das ruas.

Entrar na malha da cidade, em suas ruas, observando seu ritmo e seu desenvolvimento para imaginar um bairro novo, é procurar um método que, a partir dos ensinamentos dessa quadra, se abra ao aleatório, ao desconhecido do amanhã, e que possa apresentar uma perspectiva no espaço e no tempo. É preciso evitar o plano de massas que não permita a evolução. Ao invés dele, nós propomos uma regra de jogo volumétrica para uma nova quadra aberta com forte dinâmica de alturas.

A quadra paulistana

"Vivemos no esquecimento de nossas metamorfoses"

A grande diversidade volumétrica de São Paulo nasceu do parcelamento do solo em ruas reticuladas, das regras numéricas das leis de zoneamento e do movimento aleatório das oportunidades imobiliárias, que geraram um crescimento da cidade lote a lote. Foi com essa evolução dinâmica e diversa, de associação entre o grande e o pequeno, que se produziu a densidade, a luminosidade e a vida urbana paulistana. A estratificação de edifícios justapostos parece acelerar a história, produzindo uma paisagem extremamente rápida e contrastada. Afirmar essa cultura existente de São Paulo como regra urbana não equivale, porém, a reabilitar quaisquer fórmulas do passado. Encontramos nesta cidade um exemplo vivo daquilo que todo o urbanismo moderno procura intensamente. Aqui estão as respostas aos anseios de nossa época:

  • a liberdade e a diversidade que permitem o aleatório;
  • a integração dos contrastes, que possibilitam a mistura programática;
  • a riqueza da vida que se passa nas ruas, como uma história que se conta;

Por isso é preciso inventar um método, uma nova forma de agir e pensar sobre a cidade, criando uma densidade que privilegie a luminosidade e as vistas.

A regra

"Com uma idéia cívica, quase moral da cidade, nós surpreendemos a máquina física, contábil que a produz, sempre controlada pela técnica do mercado."

A regra da quadra leva em conta a tipologia extremamente variada da cidade. Cada quadra é objeto de um parcelamento espacial, e deve integrar componentes tipológicos obrigatórios, jogando com eles de forma livre. A regra assegura ainda que a periferia da quadra seja constituída por 70% de fachada alinhada à rua e 30% de áreas abertas para o interior, reservando 50% do solo aos jardins. Nenhum plano rígido existe, pois infinitas configurações são possíveis.

Compreendemos a música feita do acaso e da regra. À simplicidade do desenho das ruas, da vida púbica, se opõe a diversidade das fachadas individuais, dos interiores das quadras privadas, dos programas diversos. As configurações resultantes são infinitas, a evolução progressiva, flexível e natural.

A área foco

Relacionar o bairro à cidade com as ruas e pontes, a marginal, a estação, o Tietê.

A água do Tietê apresenta-se como um tema paisagístico apropriado ao novo bairro. Apesar das construções ao longo do rio, não há em São Paulo um diálogo com a água. Este parque aquático, configurado como espaço público, identifica a paisagem do Bairro Novo. Ele proporciona uma grande luminosidade e um novo panorama, animado ainda por árvores plantadas em pequenas ilhas. Preferimos essa opção ao invés de um parque vegetal - sempre problemático em termos de segurança e manutenção -, e descartamos também a idéia de um parque residencial privado. As quadras se reúnem em conjuntos semelhantes a ilhas, unidas por um boulevard. A grande flexibilidade da configuração construtiva das quadras permite que a evolução do bairro se dê por unidades vivas, que podem variar ao longo do tempo.

ficha técnica

Autores
Arquitetos Christian de Portzamparc, Alexis Lorch, Ana Paula Gonçalves Pontes, Bárbara Bottel, Benoit Vlauviller, Burckhardt Schiller, Christophe Eschapasse, Clóvis Cunha, Michael Kaplan, Nanda Eskes e Rex Bombardelli

Estagiários
Anouar Elmoussaoui, Cyril e Wei Wang

Consultores
Engenheiros Francisco Salles e Henrique Aragão

fonte
Equipe premiada
Rio de Janeiro RJ Brasil

comentários

jornal


© 2000–2017 Vitruvius
Todos os direitos reservados

As informações são sempre responsabilidade da fonte citada