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architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Leia o artigo de Roberto Rüsche, estudante de arquitetura da FAU-USP que conta sobre seu período de intercâmbio em Stuttgart, as experiências que teve na cidade e, uma partida de futebol no Gottlieb-Daimler Stadion

english
Read the article by Roberto Rüsche, a student of architecture at FAU-USP who tells us about his exchange in Stuttgart, his experiences in the city, and a football match at the Gottlieb-Daimler Stadion

español
Lea el artículo de Roberto Rüsche, estudiante de arquitectura de la FAU- USP que nos cuenta sobre su período de intercambio en Stuttgart, las experiencias que tuvo en la ciudad y un partido de fútbol en el Gottlieb-Daimler Stadion


how to quote

RÜSCHE, Roberto. Dois tricolores em meio colorado. Arquiteturismo, São Paulo, ano 02, n. 017.05, Vitruvius, mar. 2008 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/02.017/1441>.


O ingresso, que mais parecia um talão de cheques em papel duplex, custava a se acomodar no bolso da calça e teve de ir para a mochila.

Munido de cerveja, máquina fotográfica e cachecol finalmente iria encarar a geral do Gottlieb-Daimler Stadion em Stuttgart, palco da decisão do terceiro lugar na Copa de 2006 entre Alemanha e Portugal.

7 minutos de caminhada à estação de metrô mais próxima, embarquei no S-Bahn das 12:14hs. Pelas próximas 3 horas, meu destino estava traçado. Como companheiro de empreitada, o amigo engenheiro civil e gremista, admirador de pontes, apoios simples, chimarrão e bergamota.

Bernardo Etges e Roberto Rüsche no Gottlieb-Daimler Stadion
Foto divulgação


Num país onde quase tudo caminha de forma estritamente organizada, o futebol se apresenta como uma das alternativas à exatidão e ao preciosismo de segundos.

Stuttgart se inseriu em minha vida devido ao intercâmbio que realizei por seis meses em 2007/08 entre a Universidade de São Paulo e a Universität Stuttgart. Aluno do 5º ano de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP pude, não somente estudar na Alemanha, mas também compartilhar da cultura local, conhecer todo um território e praticar um olhar arquitetônico mais aguçado sob a premissa única de um turista-estudante-morador.

Localizada na região sudoeste da Alemanha próxima à Floresta Negra, Stuttgart é circundada por montanhas aos pés dos Alpes e conhecida pela produção de vinho branco, cujas uvas são cultivadas em grande parte das encostas que circundam a cidade. Apesar das vinícolas, a cerveja, a salsicha e o Maultaschen (espécies de ravióli) dominam os cardápios e a preferência do público alemão e estrangeiro. Além da calórica culinária, Stuttgart é a cidade do automóvel no país, sede da Mercedes-Benz e Porsche, configurando-se também como importante pólo de tecnologia pela presença da também local Bosch.

No caminho até o meu destino, naquele início de tarde de sábado, pude verificar mais uma vez a inusitada combinação do desenvolvimento tecnológico da cidade com um certo ambiente pacato e calmo que a envolve. Alvo de piada e do humor germânico, Stuttgart exibe o rótulo de Das grosste Dorf der Welt, algo próximo de a maior das cidadezinhas do mundo.

Felizmente, naquele início de tarde de sábado, o clima pacato ia sendo envolvido pelos contagiantes torcedores, que já na quarta parada do trem, lotavam o vagão. Apesar do orgulho de serem os atuais campeões da temporada, pelo título de 2006/07, a dúvida sobre uma nova derrota diante do competente Hertha Berlin pairava no ar.

O Stuttgart, não ia muito bem e ocupava posições intermediárias na tabela, oscilando entre alguns poucos bons e muitos maus resultados. Porém, os dois tricolores, eu, o paulista, e o outro gaúcho, queríamos somente ver um golzinho de Cacau, o brasileiro que brilhava por lá. Não dávamos a mínima a Mario Gomez, o artilheiro local alemão.

Muita música e cantos enquanto o vagão se tornava cada vez menor. Só encontrei policiamento quando enfim fomos cuspidos para fora do trem junto com uma torcida que em nada lembrava a seriedade e o formalismo costumeiros. A ansiedade de qualquer jogo com casa cheia. Ao contrário do que acontece na maioria dos jogos de nossos campeonatos estaduais ou nacionais, grande parte das partidas realizadas em Stuttgart apresentavam a lotação máxima, muito bem tratados pela polícia e organizadores do evento.

A caminhada entre a estação de trem e o estádio demora cerca de 10 minutos. O estádio se localiza no centro de uma região verdejante de 55 hectares conhecida como Neckar Park. Tal região representa um dos mais significativos vetores de crescimento da cidade, onde se localizam novos empreendimentos e equipamentos destinados à população. Nessa área, se faz presente o novo museu da Mercedes-Benz, projeto do escritório holandês UN Studio, no qual, dentre outras atrações, é possível embarcar com Mika Hakkinen numa viagem sobre a história da marca alemã nas pistas de corrida. Acredito que a frieza do bicampeão mundial finlandês é contornada pelas ótimas cenas e tomadas das pistas.

Ainda sob o ponto de vista arquitetônico, a Estugarda, como diriam nossos colonizadores lusitanos, oferece bons roteiros e objetos de estudo. Cabe aqui um parêntese ao Weissenhof Siedlung. Em 1927, na região do atual Killesberg Park ocorreu uma exposição com o tema habitação, onde 17 arquitetos alemães, austríacos e suíços projetaram edifícios baseados em preceitos modernos de arquitetura e urbanismo, constituindo-se em um dos melhores exemplos da Novarquitetura na Alemanha. Walter Gropius, Mies Van der Rohe e Le Corbusier são alguns belos exemplos a serem visitados.

Através da atual arquitetura e do futebol é possível explicitar parte da busca da cidade por símbolos que solidifiquem sua condição de centro estratégico a uma grande região. Nesse sentido, o confronto que presenciei contra o time da capital nacional era de certa forma, uma prova da cidade de Stuttgart frente ao centro político da nação – Berlim. Como paralelo a essa questão, cabe salientar o ofuscamento provocado à Stuttgart por Munique, cidade com o mais elevado custo de vida da Alemanha, uma das favoritas do turismo, e sede do poderosíssimo Bayern München, campeão por diversas vezes da Bundesliga – a liga nacional alemã.

Pontualmente, foi dado o início à partida. Como recomendação de todos que nos aconselharam na compra dos ingressos, preferimos o setor das “organizadas”. Nesse setor do estádio, se pode ficar de pé, cantar, xingar, entre outras atividades comuns a uma digna partida de futebol. Nos outros setores e arquibancadas, os torcedores permanecem sentados quase que o jogo todo, com a quase única exceção do gol.

Logo de início, o idioma falado entre eu e meu amigo chamou a atenção. Romenos? Ah, brasileiros! A seqüência de chutões, mau tratos à bola e os consecutivos erros do VfB Stuttgart nos permitiram conversar com um fã mais exaltado, que achou mais interessante nos interrogar sobre Ronaldinho Gaúcho, praias, Europa e sobre a cerveja alemã, esta degustada em quantidade por todos os setores da arena. Não demorou muito e o Hertha Berlin abriu o placar, para desespero de nosso amigo alemão. Ouvimos xingamentos e até choro embriagados de alguns marmanjos. Porém, o time local tratou logo de empatar, reavivando as esperanças. Antes do final do primeiro tempo, o Hertha voltou a ficar na frente em mais um erro de marcação do VfB Stuttgart. Fim de primeiro tempo, derrota parcial.

No intervalo do jogo, tratamos de aprender os gritos locais, para empurrar a equipe da casa durante a etapa complementar. Mesmo com todo o incentivo de quase 60.000 pessoas (pois haviam torcedores do Hertha-Berlin) o Stuttgart terminaria derrotado. Mais uma vez, para a decepção dos torcedores locais, o sonho do bi-campeonato chegava até a se misturar com a possibilidade de rebaixamento, posteriormente afastada durante o transcorrer do campeonato.

Na saída do estádio, e decepção e a tristeza foram dando lugar à volta do bom humor e a certeza de que a vida é feita de maus e bons momentos. Radiantes, só mesmo os berlinenses que se destacavam com as cores azul e branco no meio da massa colorada.

Os dois brasileiros saíram satisfeitos. Voltei à rotina. Supermercado, cuidar do jantar, correspondências, trabalhos da faculdade. O sol ameno que se espreguiçava naquele fim de tarde de fevereiro já indicava que a primavera estaria por vir. Logo, tudo estaria novamente verde. Seria hora de torcer para o São Paulo no Paulistão.

sobre o autor

Roberto Rüsche é estudante de arquitetura na FAU-USP. Foi bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/ CNPq) na área de Planejamento da Paisagem, sob orientação do Prof. Dr. Euler Sandeville Jr. Na temporada de 2007-2008 participou de programa de intercâmbio entre a Universidade de São Paulo e a Universität Stuttgart (Alemanha). Atualmente trabalha no escritório Barbieri + Gorski Arquitetos Associados.

Roberto Rüsche em Freiburg, vizinha à Stuttgart, na região da Floresta Negra
Foto divulgação


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