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drops ISSN 2175-6716

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Como pensamos um projeto? Como definimos o partido arquitetônico? Como a arquitetura pode se definir pela cor? Ou, como a cor pode definir a arquitetura?

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NACCACHE, Reynaldo. A cor e os materiais no projeto arquitetônico. Drops, São Paulo, ano 07, n. 016.07, Vitruvius, set. 2006 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/07.016/1698>.


Cor – projeto – materiais

Como pensamos um projeto? Como definimos o partido arquitetônico? Como a arquitetura pode se definir pela cor? Ou, como a cor pode definir a arquitetura?

É possível imaginarmos intervir no mundo ao nosso redor sem pensar em cores?

Sem dúvida a cor está presente em todas nossas atividades diárias e, portanto é impensável agir sobre nossos lugares de viver sem “usar” as cores de forma consciente ou inconsciente!

Cor e luz

“Arquitetura é o jogo .... dos volumes reunidos sob a luz" (Le Corbusier) A luz age de forma vital, sobre todas as ações do homem e permite que tenhamos percepção das cores através da sensibilização dos componentes de nossos olhos.

A cor é parte integrante da maioria dos materiais.

Pigmentos e corantes nos são familiares como as principais fontes de cor. Na realidade eles agem como agentes de absorção para determinados comprimentos de ondas da luz visível enquanto refletem os outros. Estes, sim, causadores da “sensação” de cor nos seres humanos.

Este fato não pode estar ausente no ato de projetar do Arquiteto!

Quando examinamos a superfície (acabamento) de um material, nossa atenção concentra-se na cor, textura, brilho, grau de transparência, e outras características similares. Essa atitude pode perfeitamente demonstrar como nossa análise é baseada na forma como nossos olhos percebem a interação do material com a luz!

Cor – forma - textura

Segundo o CESIA – Sistema de Signos Visuais – o qual “trata dos signos visuais produzidos pela transformação na quantidade e/ou distribuição espacial do fluxo luminoso que chega aos olhos após ser, tanto absorvido como re-emitido por um material” – há três variáveis de percepção (em seus vários níveis): absorção; permeabilidade; e difusão.

Esta proposta de classificação da aparência dos materiais, adotando-se determinados padrões, vem a se tornar um parâmetro importante a ser acrescido aos três normalmente considerados: cor; forma; e textura.

Alguns autores, como é o caso de Ralph M. Evans, adotam uma grande ramificação – modalidades de aparência; atributos da sensação da cor; e atributos das modalidades de aparência – na análise da percepção da cor, tais como: iluminação, superfície, volume, luminosidade, matiz, saturação, tamanho, forma, localização, “vibração”, cintilação, transparência, lustro, e “glitter”.

No entanto, mesmo que haja pertinência em alguns pontos levantados para tal classificação, outros são questionáveis por serem puramente percepções espaciais da cor ou somente variações temporárias na intensidade da luz sobre as cores, e não destas como uma percepção específica do espectro luminoso!

Projeto arquitetônico

Nas primeiras definições do partido a ser adotado para ordenar os espaços em função das necessidades apresentadas a um profissional, vão surgindo formas e volumes que já pressupõem determinados materiais, quando não, cores já definidas.

Estes elementos, estruturais ou de acabamento, trazem, por suas próprias características naturais, opções/limitações cromáticas que podem variar de uma única opção (pedra, metal) até milhares delas (tintas)!

O ato de escolher como a edificação irá atuar em seu entorno já traz consigo a eleição de materiais e/ou cores. De que forma, e em que grau queremos intervir, será definido na escolha do Partido Arquitetônico.

Este é o trabalho do Arquiteto: propor soluções, no tempo e no espaço, que interajam com o entorno (por que este com certeza estará interagindo com a arquitetura!), emocionando o homem, na medida definida pelo partido arquitetônico adotado. Nessas soluções, obrigatoriamente, as cores estarão presentes já nas primeiras visualizações do Arquiteto.

A partir desse raciocínio é válido dizer que na arquitetura podemos sentir a cor apenas como uma das muitas características de um determinado material, mas, na realidade, ela deve aparecer como a característica que a define e transmite sua intenção!

Cabe, aqui, lembrar o que dizia Léger: "A cor é, em si mesma, uma realidade plástica”. Mais especificamente: a "cor na arquitetura [...] tem [...] função dinâmica ou estática, decorativa ou destrutiva".

Arquitetura e cor – uma relação histórica

Nas primeiras construções primitivas a cor não era problema; aparecia naturalmente!

Os primeiros construtores usavam os materiais que sabiam resistentes e úteis, escolhidos diretamente da natureza. As paredes eram compostas por argila endurecida ou pedras. Acrescia-se a estes materiais galhos, palhas e folhas. O resultado era uma estrutura com as cores da natureza que, como o homem, era parte integrante da paisagem.

Ao traçarmos uma linha do tempo contendo as percepções de cores em várias civilizações teremos grandes variações. A cor na arquitetura deve, portanto, ter claras as sensações culturais que ela poderá provocar no local em que será utilizada.

Com a evolução constante de possibilidades tecnológicas a arquitetura foi, e vai se apropriando e incorporando novos materiais e seus respectivos significados como reais discursos da sociedade contemporânea enquanto produtora de novos comportamentos e, conseqüentemente, novas necessidades.

Essas novas necessidades, fruto de formas diferentes de viver e se relacionar com o meio ambiente, exigem soluções inovadoras para os espaços utilizados pelo homem. Soluções essas, que, muitas vezes, exigem materiais com novas formas e/ou tenham comportamento diferente frente às ações mecânicas, climáticas, e espaciais.

Para isso os profissionais estimulam a busca por novos materiais, ou se apropriam daqueles criados para outros usos, adaptando ou transformando o seu modo de utilização.

Exemplos interessantes são os tecidos usados nas coberturas tencionadas, papelão confeccionando mobiliário, plásticos desenvolvidos para utilização estrutural e mobiliário, tintas que alteram sua coloração através de comandos eletrônicos, etc. Todos trazendo suas texturas e cores para o cenário arquitetônico.

Mais ainda, a preocupação sócio-ambiental vem regulamentar a utilização de vários materiais, algumas vezes delimitando a forma de exploração e, muitas vezes, exigindo a criação de novos sistemas construtivos, social e ecologicamente, corretos.

Percepção da arquitetura pela cor

"Corretamente usada, a cor pode expressar o caráter de um edifício e o espírito que pretende transmitir" (Stenn Eiler Rasmussen)

 Em São Paulo, um dos exemplos de destaque na definição, aplicação e efeitos da cor na arquitetura é o MASP – Museu de Arte de São Paulo.

Projetado por Lina Bo Bardi na década de 60, foi inaugurado em 1968 com seu desafiador volume nas cores naturais dos materiais empregados: concreto e vidro!

Foi somente em 1990 que a estrutura em pórtico foi pintada na cor Vermelha já prevista no projeto original, mas não executada em função de motivos políticos (ditadura militar). Mais ainda, esta retomada da intenção original só aconteceu em função de graves problemas de infiltração no concreto, já então desgastado, para o qual foi desenvolvido um produto (tinta) específico.

Não há dúvidas que a “colorização” da edificação trouxe toda a força contida no projeto original e modificou a percepção do edíficio pelo publico!

Ainda Léger: "o volume externo de uma arquitetura, seu peso sensível, sua distância, podem ser diminuídos ou aumentados segundo as cores adotadas".

notas

[publicação: dezembro 2006]

bibliografia

BRILL, Thomas B. “Why objects appear as they do”. Journal of Chemical Education, v. 57, n. 4, apr. 1980, p. 259-263.

CAIVANO, José Luis. "Cesia: a system of visual signs complementing color". Color Research and Application, v. 16, n. 4, ago. 1991, p. 258-268.

COELHO NETTO, J. Teixeira. A construção do sentido na arquitetura. São Paulo, Perspectiva, 2002.

CORBUSIER, Le. Por uma arquitetura. São Paulo, Perspectiva, 1989.

EVANS, Ralph M. The perception of colour. New York, Wiley, 1974.

LÉGER, Fernand. Funções da pintura. São Paulo, Nobel, 1989.

RASMUSSEN, Stenn Eiler. Arquitetura vivenciada. São Paulo, Martins Fontes, 1988.

ROUSSEAU, Renèe Lucien. A linguagem das cores. São Paulo, Pensamento, 1980.

Reynaldo Naccache, São Paulo SP Brasil

Escola Panamericana de Arte, São Paulo, arquiteto Siegbert Zanettini
Foto do autor

Casa Cor 2006, São Paulo
Foto do autor

Edifício comercial, São Paulo
Foto do autor

Banco Santos, São Paulo
Foto do autor

Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, arquiteto Ruy Ohtake
Foto do autor

Hotel Unique, São Paulo, arquiteto Ruy Ohtake
Foto do autor

Obelisco, Santo André
Foto do autor

MASP Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, arquiteto Lina Bo Bardi, 1966 [Acervo do MASP]

MASP Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, arquiteto Lina Bo Bardi, 2004 [Acervo do MASP]

 

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