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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
No dia 28 de março de 2011, um incêndio de grandes proporções queimou a Capela São Pedro Alcântara no campus da Urca da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Phrygia Arruda, ligada afetivamente ao conjunto arquitetônico, presenciou o fato.

how to quote

ARRUDA, Phrygia. O incêndio da Capela São Pedro Alcântara na UFRJ. E como fica o patrimônio? Drops, São Paulo, ano 11, n. 043.03, Vitruvius, mar. 2011 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.043/3822>.



Ontem ao receber a notícia que a Capela da Reitoria, ou seja, a Capela São Pedro Alcântara, localizada na entrada da entrada do atual Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estava “pegando fogo” (1), minha primeira reação foi chorar, soluçar intensamente, como se tivesse perdido alguém muito querido. Depois me veio uma inquietação de que não poderia ficar olhando a agonia de ”alguém” tão querido parada olhando nas telas da televisão. Seria um desrespeito. Peguei minha bolsa, saí correndo e peguei um táxi – moro no bairro do Leme, que fica bem próximo a Universidade –, mesmo sabendo das condições adversas do trânsito. Diante do congestionamento, minha angústia não me deixou ficar parada, desci do táxi e atravessei quase sem respirar o Túnel Novo, cortei caminho pelo Shopping Rio Sul e só sosseguei quando entrei no Campus da Praia Vermelha. Sentia que eu devia esta atenção não só à Universidade do Brasil, à Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas à minha própria história de vida. Era como ela precisasse de mim – alguém se consumindo que precisava de uma mão amiga – e eu estava lá. Sei que não podia fazer nada além de chorar e fazer algum registro, do meu celular, que quase nem consigo passar para o computador, mas eu estava lá.

Ter assistido a Capela São Pedro Alcântara (Reitoria) pegar fogo foi uma experiência muito traumática. Desde que nasci estou ligada a UFRJ, pois meu pai já era na ocasião professor da universidade e havia estudado no prédio onde hoje fica o FCC quando era a Faculdade de Medicina, mais precisamente, da Psiquiatria no Brasil; e foi nesta capela que eu viria a casar. Ver tudo queimando por falta de preservação e de salvaguarda de um bem cultural tombado pelo Iphan torna tudo mais triste ainda. O prédio – que muitos que estudam e trabalham no Campus da Praia Vermelha nunca entraram, nem que seja por curiosidade – não estava preparado para um evento desta natureza, pois sequer havia água suficiente que alcançasse o topo da Capela. Foi necessário um carro dos bombeiros buscar água na piscina do Yatch Club, que fica logo à frente. Contudo, este fato me deu mais força para lutar para que todos nós, mesmos na Psicologia, voltemos nosso olhar para a importância da preservação dos nossos bens culturais, materiais ou imateriais, porque eles fazem parte da vida de todos nós.

Hoje, passado aquele primeiro impacto é preciso pensar, refletir sobre o acontecido e me perguntei: e o patrimônio? O que é isto? São somente as “coisas” que recebemos as bugigangas que guardamos? Isto eu não quero e nem quero deixar para ninguém. Não quero as coisas grandiosas, mas a verdadeiras, as que vieram antes de todos nós e que, apesar de tudo e de todos, lutam para se manterem firmes. Não quero discussões teóricas importantes, quero é indagar, parafraseando Aloísio Magalhães (1980), quando perguntou “e Triunfo?” – e a Capela São Pedro Alcântara da Universidade Federal do Rio de Janeiro?

nota

NE
Ver filme do incêndio no link www.youtube.com/watch?v=iXlutdOH3bU.

1
O incêndio ocorreu no dia 28 de março de 2011.

sobre a autora

Phrygia Arruda é Professor Associado I do Instituto de Psicologia da UFRJ. Doutora com a Tese O jeito carioca de ser – entre a tradição e a modernidade / O imaginário de um Brasil moderno (2002) e pós-doutora na áreas de Memória e Patrimônio com a pesquisa O jeito carioca de ser – um patrimônio cultural intangivel? (2009), pesquisa que utiliza metodologia de educação patrimonial para estudar a cidade do Rio de Janeiro.

 

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