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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Carlos Martins, professor do IAU USP São Carlos, comenta a campanha que difunde a ideia que existem “super-salários” na sua universidade, quando na verdade os valores em questão são compatíveis com o que ganham cargos equivalentes do serviço público.

how to quote

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O cerco à USP. Parte 2 – Ingerência política e asfixia financeira. Drops, São Paulo, ano 20, n. 143.07, Vitruvius, ago. 2019 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.143/7461>.


Antonio Canova (1757-1822), “A Justiça”, 1792, Gallerie di Piazza Scala, Milão
Foto divulgação


O decreto de autonomia das universidades estaduais paulistas acaba de completar trinta anos. Mas é difícil comemorar quando elas nunca estiveram tão ameaçadas.

Em entrevista recente, Marcelo Knoebel, reitor da Unicamp e presidente do Conselho de Reitores, alertava para a incongruência da atual “política” educacional: desde o MEC bolsonarista até Dória, os governantes afirmam que as Universidades devem buscar financiamento privado. Mas quem vai investir em instituições continuamente atacadas, desqualificadas, submetidas a fake news, ingerência política e asfixia financeira?

USP, Unicamp e Unesp aparecem em todos os rankings internacionais entre as cinco ou seis melhores universidades do país. Mas seus professores e pesquisadores tem teto salarial muito abaixo dos seus colegas das universidades federais ou das estaduais do Paraná e da Bahia. Isso para não falar dos salários da iniciativa privada ou de instituições internacionais para formações e responsabilidades equivalentes.

Para entrar na universidade, um docente precisa ter graduação, mestrado e doutorado, mas receberá um salário que é menos da metade do salário inicial de um delegado da Polícia Federal, de um promotor ou um juiz, que precisam apenas ter a graduação em direito.

E depois de concursado, um docente da USP precisará trabalhar em dedicação exclusiva por mais de trinta anos para atingir o salário equivalente ao que um promotor público estadual ganha assim que ingressa na carreira.

Por que isso ocorre? Porque, das 27 unidades da federação, apenas o Estado de São Paulo e mais duas têm o teto salarial dos professores universitários limitados pelo subsídio do governador.

Num país tão desigual, pode parecer justo que um servidor estadual não deva ganhar mais do que o governador. Mas o governador não vive do seu subsídio. Ele não paga aluguel, nem as compras do supermercado, nem a gasolina de sua família.

Mas os professores têm, sim, que viver de seus salários e muitos deles não têm reajuste desde 2013.

sobre o autor

Carlos A. Ferreira Martins é professor titular do IAU USP São Carlos.

 

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