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Angélica Benatti Alvim, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, homenageia o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

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ALVIM, Angélica Benatti. Paulo Mendes da Rocha: uma lição de amizade ao Brasil e à arquitetura. Drops, São Paulo, ano 21, n. 164.06, Vitruvius, maio 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/21.164/8093>.



“Perdemos o grande arquiteto, professor e amigo do Brasil e da arquitetura, Paulo Archias Mendes da Rocha” (1), segundo depoimento de Maria Isabel Villac, professora da FAU Mackenzie e coautora com Josep Maria Montaner do livro Mendes da Rocha, publicado pela editora Gustavo Gilli em 1996 e uma das primeiras obras publicadas no exterior que trata do percurso deste importante arquiteto brasileiro (2).

Paulo Mendes da Rocha pertenceu a primeira geração de arquitetos formados na Faculdade de Arquitetura Mackenzie (turma de 1954), que em 1947 foi a primeira no estado de São Paulo que se tornara independente das escolas de engenharia. Naquela época, predominava no Mackenzie o ensino da arquitetura acadêmica, particularmente dos estilos consagrados pela tradição Beaux-Arts, revisada pela Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, Estados Unidos, onde se formou o seu então diretor, Christiano Stockler da Neves, décadas antes. Na ocasião, um conjunto de estudantes, hoje uma geração de importantes arquitetos – Carlos Lemos, Fabio Penteado, Salvador Candia, Miguel Forte, Paulo Mendes da Rocha, Pedro Paulo de Melo Saraiva, Roberto Aflalo, Francisco Petracco, Carlos Bratke, Roberto Carvalho Franco, Décio Tozzi, Eduardo Longo, entre outros, contestava o método academicista do ensino, debatendo, estudando e praticando arquitetura moderna dentro e fora da escola. Tal processo foi fundamental para que houvesse a renovação do ensino da Faculdade de Arquitetura Mackenzie em sintonia com Movimento Moderno em plena ascensão (3).

Um dos principais representantes da arquitetura moderna paulista, Paulo Mendes é autor de inúmeros projetos que relacionam arquitetura e cidade, deixando marcas belas nas paisagens que transformou e com certeza iluminando o debate contemporâneo das relações entre arquitetura e cidade. Dentre os projetos destacam-se: o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Museu Brasileiro da Escultura, a marquise da Praça do Patriarca, a recuperação da Pinacoteca de São Paulo e do Sesc 24 de Maio, todos em São Paulo; o Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado – Parque Cecap ao lado de Vilanova Artigas e Fábio Penteado; a Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão; o Estádio Serra Dourada, em Goiânia; o Cais das Artes em Vitória (ES); o Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte; o Museu dos Coches em Lisboa (Portugal), entre tantos outros. Foi professor da FAU USP a partir de 1961, contribuindo para formar inúmeros profissionais. Em 2007, na ocasião dos sessenta anos da FAU Mackenzie, o professor recebeu o título de Doutor Honoris Causa.

Paulo Mendes da Rocha representou a arquitetura brasileira de uma maneira exemplar, contribuindo expressivamente para a sua internacionalização. Uma trajetória profissional de quase setenta anos dedicados à arquitetura, marcada por inúmeros prêmios – Prêmio pela Trajetória Profissional na I Bienal Ibero-Americana de Arquitetura – BIAU (Madri, 1998), Prêmio Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana pela Pinacoteca de São Paulo (Barcelona, 2000), Prêmio Pritzker (Istambul, 2006), Leão de Ouro da Bienal de Veneza (Itália, 2016), Prêmio Imperial do Japão (Tóquio, 2016) e a Medalha de Ouro do RIBA (Londres, 2017), Medalha de Ouro pela União Internacional de Arquitetos (2021), prêmio este recém anunciado, que coroou sua brilhante carreira e seria entregue em julho de 2021 no XXVII Congresso da UIA, com sede no Rio de Janeiro.

O dom de ensinar era inerente a sua personalidade; a cada conferência, encontro ou bate-papo, o mestre transmitia o valor da arquitetura e da vida em sociedade. Em março de 2017, na ocasião da abertura das comemorações dos cem anos do Curso de Arquitetura Mackenzie e setenta anos de criação da Faculdade, mais de mil pessoas estiveram presente no auditório Ruy Barbosa para ouvir o bate-papo entre Paulo Mendes, alunos e professores (4). Elegantemente, Paulo descreveu um banquete imaginário que reunia em uma mesa o anfitrião, o então diretor Stockler das Neves, um conjunto de professores, profissionais ilustres – Elisário Bahiana, Plinio Croce, Roberto Zuccolo, Serafim Orlandi, e alunos, seus amigos, responsáveis por inúmeros projetos que marcam hoje a paisagem de São Paulo – Fábio Penteado, Pedro Paulo de Melo Saraiva, Alfredo Serafino Paesani, Carlos Barjas Millan e Eurico Prado Lopes. Em seu banquete, simbolizando um momento de confraternização e, ao mesmo tempo, de reconciliação, todos brindavam o aniversário da escola que era responsável pela sua formação.

Na ocasião, o arquiteto reiterou seu compromisso com a cidade harmônica e inclusiva, onde arquitetura deveria contribuir para a ocupação inteligente do território. Segundo seu sonho, “a cidade serve para conversar” e o papel maior do arquiteto é sua materialização (5). Um trecho importante escrito por Abilio Guerra sobre o “banquete” idealizado por Mendes da Rocha se remete ao momento em ele se referiu a vida como parte de um processo breve:

“Para a plateia lotada, Paulo Mendes da Rocha falou sobre a morte. Disse que a passagem de cada um pela vida é muito breve, um quase nada diante dos milhões de anos da história coletiva dos homens. Em seu roteiro, certamente reservou para si uma cadeira ao lado de colegas e professores queridos para o banquete festivo dos que já se foram. Como demonstrou vigor e lucidez impressionantes, muitos de nós certamente sairemos de cena antes dele, mas sem a certeza que poderemos participar do banquete memorável” (6).

Um homem com uma visão humanística que aliava inconformismo e otimismo, tendo sempre se posicionado politicamente ao longo da vida em favor da justiça e da dignidade humana. Um arquiteto e amigo que, de certa maneira, nos deixa órfãos, pois com ele aprendemos muito sobre arquitetura, cultura e a própria vida. Um grande um defensor da vida citadina, das relações e das dinâmicas urbanas e da solidariedade com a qual a arquitetura poderia sempre contribuir.

Genialidade, integridade e generosidade são adjetivos indissociáveis que o qualificam. Em suas palavras, “a cidade é a maior obra da arquitetura e a grande escola da vida é a cidade” (7).

Em nome da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Universidade Presbiteriana Mackenzie, registramos nossa singela homenagem.

notas

1
VILLAC, Maria Isabel. Depoimento à direção da FAU Mackenzie na ocasião do falecimento de Paulo Mendes da Rocha. São Paulo, 23 mai. 2021.

2
VILLAC, Maria Isabel; MONTANER, Josep Maria. Mendes da Rocha. Barcelona, Gustavo Gilli, 1996.

3
ALVIM, Angélica Tanus Benatti; Abascal, Eunice Helena Sguizzardi; Abrunhosa, Eduardo Castedo (Org.). Arquitetura Mackenzie 100 anos FAU Mackenzie 70 anos: pionerismo e atualidade. São Paulo, Editora Mackenzie, 2017 <https://doi.org/10.7476/9788582937266>.

4
TV Mackenzie. Bate-Papo com o Arquiteto Paulo Mendes da Rocha, 15 mar. 2017 <https://www.youtube.com/watch?v=RbVhyHGyStc>.

5
GUERRA, Abílio. O banquete da FAU Mackenzie. The Oscar goes to Paulo Mendes da Rocha. Resenhas Online, São Paulo, ano 16, n. 183.04, Vitruvius, mar. 2017 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/17.183/6457>.

6
Idem, ibidem.

7
VILLAC, Maria Isabel. Depoimento à direção da FAU Mackenzie na ocasião do falecimento de Paulo Mendes da Rocha (op. cit.).

sobre a autora

Arquiteta e Urbanista, professora e atual diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

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