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drops ISSN 2175-6716

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Giovanni Blanco Sarquis e Marcos Cereto homenageiam Jorge Derenji, arquiteto gaúcho radicado no Pará desde 1964, onde foi professor do curso de arquitetura da Universidade Federal do Pará e arquiteto militante do patrimônio histórico.

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SARQUIS, Giovanni Blanco; CERETO, Marcos. Jorge Derenji, um gaúcho na Amazônia. Drops, São Paulo, ano 21, n. 164.07, Vitruvius, maio 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/21.164/8100>.


Jorge Derenji, 1936-2011
Foto divulgação [CAU/PA]


Biografia

Adeus morena, meu amor vou te deixar,
Eu vou me embora, vou brincá noutro lugar” (1)

Na observação da arquitetura amazônica, como referência e paradigma para variadas discussões, constatamos profissionais imigrantes que se formam nessa realidade, apropriando-se dela, negando regionalismos simplificados. Profissionais que, imigrantes em sua gênese, são adotados pelo contexto amazônico e contribuem para o fortalecimento da arquitetura local. Nessa senda, rendemos singelo tributo ao arquiteto Jorge Derenji, nascido em Santa Rosa/RS em 1936, formado na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS em 1963, residente em Belém desde 1964 e falecido no último dia 25 de maio de 2021.

Sua vinda para Belém como professor contratado para o curso pioneiro de arquitetura na Universidade Federal do Pará – UFPA (1963) foi o primeiro importante campo de atuação em sua trajetória profissional, fazendo da docência ao longo de trinta anos uma obra de mérito, e do ensino da disciplina de Projeto uma contribuição ímpar para a história de uma profissão até então ocupada por engenheiros na cidade. Primou pelo detalhamento criterioso dos projetos, de maneira que o traço revelasse a ideia com precisão, e nunca deixou de pensar integralmente no projeto, no conjunto e no detalhe.

Cofundador do escritório DPJ Arquitetura e Engenharia em 1974, consolidou em seu exercício projetual aspectos da prática acadêmica: rigor nas decisões projetuais, criterioso na aplicação do modernismo e estudioso das especificidades contextuais. Nessa senda, idealizou edifícios com viés racionalistas, obras com apreço aos materiais tradicionais da Amazônia e assinou projetos explorando novos materiais e justaposições volumétricas, conforme os variados temas arquitetônicos (igrejas, hospitais, auditórios, residências, escolas...). Sendo um dos precursores no estudo de logística de canteiros de obra.

Assumiu papel ímpar na pesquisa e preservação do patrimônio histórico em Belém. Tornou-se um “guia”, juntamente com sua esposa Jussara, aos visitantes estudiosos do assunto. E quando o Iphan foi instalado na cidade em 1979, foi convidado a exercer o cargo de superintendente, ampliando as investigações sobre o tema e atuando em importantes restaurações de edifícios públicos. Durante a década de 1980, cursou no The International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property – ICCROM, na Itália, aprimorando habilidades nesse campo de conhecimento.

Uma trajetória pautada pela discrição na fala e pela força do projeto. Projeto enquanto ferramenta de ensino; projeto como instrumento para a realização de um intento. Na arquitetura amazônica se mantém seu legado moderno, regional. Deve ser permanente como memória, sendo importante estudá-lo, e inegável a preservação dos projetos singulares. Assim, guarda-se não o acervo como herança, mas como referência de vitoriosa trajetória de imigrante que tornou a Amazônia sua “casa” e nela fez de sua história importante aprendizado.

Legado

"Da terra nasceram gritos
Dos gritos brotaram cantos” (2)

A Amazônia permanece como pauta no noticiário internacional pela sua importância ambiental e social. Entretanto, há pouco interesse sobre a Arquitetura na Amazônia, especialmente a realizada do período posterior ao ciclo da borracha até a contemporaneidade. É preciso [re]conhecer e documentar essas arquiteturas na região Norte. O Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia – Nama (3) vem promovendo seminários, exposições e pesquisas que buscam posicionar a arquitetura na Amazônia como parte da arquitetura brasileira, não pela sua especificidade, mas pela sua semelhança.

Jorge Derenji é de uma geração de arquitetos brasileiros que migraram de seu local de formação para contribuírem com o conhecimento em novos pagos na difusão da arquitetura moderna brasileira. Foram fundamentais para a modernização do País e em especial da Amazônia. Mulheres e homens que atuaram na formação de novos profissionais, realizaram projetos de arquitetura, construíram obras icônicas em outras localidades e foram protagonistas na atuação social e política em outras querências. Assim foi Derenji na sua trajetória profissional junto com a sua companheira Jussara. Brasileiros que contribuíram com a cultura disciplinar na Amazônia, seja na primeira Faculdade de Arquitetura na Região Norte, nos trabalhos realizados com o escritório DPJ Arquitetura e Engenharia ou no protagonismo patrimonial no Iphan na Região Norte.

Seja no carimbó ou no vanerão, a semente plantada por Derenji permanecerá brotando nas arquiteturas na sua Amazônia escolhida. Ela é brasileira.

notas

1
“Adeus morena”, carimbó paraense de Mestre Lucindo e Canarinhos.

2
“Da terra nasceram gritos”, poema gaúcho de Jayme Caetano Brum.

3
O Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia – NAMA é um coletivo temático que reúne arquitetos, pesquisadores e artistas interessados na documentação e preservação da modernidade na Amazônia Legal, sediado na Universidade Federal do Amazonas – Ufam.

sobre os autores

Giovanni Blanco Sarquis, arquiteto do IPHAN/PA, é doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e integrante do Nama no Pará.

Marcos Cereto, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Tecnologia da Ufam, é doutor em Arquitetura pelo Propar UFRGS e integrante do Nama no Amazonas.

 

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164.07 homenagem
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