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my city ISSN 1982-9922

abstracts

português
O artigo aborda o projeto de revitalização da praça Mokiti Okada, iniciado a partir de um processo colaborativo para transformação de uma área da cidade em um local inclusivo e que ofereça benefícios para os moradores do bairro.

english
The article presents the revitalization project of Mokiti Okada square, developed from a collaborative process to transform an area of the city into an inclusive place that offers benefits to the residents of the neighborhood.

español
El artículo analiza el proyecto de revitalización de la plaza Mokiti Okada, iniciado a partir de un proceso de colaboración para la transformación de un área de la ciudad en un lugar inclusivo que ofrezca beneficios a los residentes del barrio.

how to quote

GARCIA, Paula Helena da Costa. Revitalização da praça Mokiti Okada. Projeto colaborativo de intervenção no bairro Vila Clementino, São Paulo SP. Minha Cidade, São Paulo, ano 22, n. 257.05, Vitruvius, dez. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/22.257/8348>.



O projeto para revitalização da praça Mokiti Okada no bairro Vila Clementino, em São Paulo, surge de uma iniciativa colaborativa entre instituições, comunidade local, arquitetos e estudantes de arquitetura, com o objetivo de revitalizar uma área urbana inutilizada, tornando-a mais acessível, acolhedora e segura.

Vivemos em uma época de clareza e mudanças intensas, em que nada mais se pode esconder, com transformações em velocidade que nos faz lembrar um facho de luz. Nesta era do dia, grandes desconexões estruturais são visíveis. Como nos mostra Otto Scharmer (1), professor sênior do Massachussets Institute of Tecnology ― MIT e co-fundador do Presencing Institute, estamos em um momento marcado por três grandes rupturas: ecológica, social e espiritual. Muito está sendo destruído em paralelo ao surgimento de um futuro que emerge; um futuro em que se torna necessária a conexão com nossos níveis mais profundos de humanidade e onde devemos descobrir quem realmente somos e que tipo de sociedade queremos formar. O processo para chegar a este estado desejado passa pela transformação do enraizado pensamento ego-cêntrico do mundo contemporâneo para um novo sistema eco-cêntrico.

Neste novo modo ecossistêmico, estruturas focadas na conscientização e na atenção global irão decidir a trajetória futura de uma situação e, ainda segundo Scharmer (2), incluem modos de percepção relacionados à suspensão de ideias preconcebidas e ao exercício da escuta, da empatia e da cooperação como alguns dos instrumentos para se construir essa nova sociedade desejada.

No início do século 20, Mokiti Okada (3) já expunha a necessidade de criação de um mundo baseado em três princípios: verdade (harmonia com a natureza), bem (prática do altruísmo) e belo (elevação espiritual) como qualificações básicas para ultrapassar a fase de transição a que o mundo iria presenciar. A consonância e a universalidade das ideias expostas são claras assim como a aplicabilidade dos parâmetros citados independente da escala de atuação. Pequenos, médios ou grandes projetos urbanos construídos pela coletividade e pela conscientização eco-cêntrica poderão contribuir para o mais importante: a transformação do indivíduo, caminho para a transformação social que queremos ver.

A praça Mokiti Okada

A praça Mokiti Okada, situada na confluência entre o largo Senador Raul Cardoso e a rua Capitão Macedo é arborizada, possui vegetação rasteira, mas sem espaços convidativos ou de permanência. A intenção em formular um projeto de transformação local trazendo benefícios para o bairro e seus moradores de forma inclusiva e colaborativa, resultou em uma parceria entre a Igreja Messiânica, a Fundação Mokiti Okada, uma equipe profissional multidisciplinar e estudantes de arquitetura da Universidade Paulista.

Praça Mokiti Okada, São Paulo SP
Imagem 06 Foto Paula Helena Garcia

A abordagem inicial para a concepção projetual partiu de uma metodologia participativa e democrática constituída por uma dinâmica que reuniu moradores da região, apoiadores do processo e arquitetos, numa atuação empática de escuta dos anseios e necessidades dos moradores em relação à praça de intervenção para a posterior formulação do projeto.

Como resultado desta dinâmica alguns temas foram definidos pela comunidade para o programa da praça revitalizada: acessibilidade, cultura, ecologia, inclusão, memória e segurança.

  • Acessibilidade: pelo acesso facilitado das pessoas com necessidades especiais além da possibilidade de circulação das pessoas em geral, por toda a praça.
  • Cultura: com a criação de uma área para pequenas apresentações, possibilitando uma área de expressão da comunidade.
  • Ecologia: pela ênfase nos princípios da sustentabilidade, na escolha de materiais e no contato com a natureza para uma experiência sensorial com vegetação diversificada, com flores e colorida.
  • Inclusão: com espaços para crianças, área de exercícios para idosos, áreas de estar para permanência e convivência das pessoas.
  • Memória: pela presença referenciada de Mokiti Okada, como homenagem e com informações sobre sua biografia e trabalho realizado.
  • Segurança: pelo incentivo à utilização da praça com espaços diversificados e melhoria na iluminação do local.

Projeto

A partir dessas premissas foi elaborado o projeto de intervenção da praça Mokiti Okada, com aval da subprefeitura Vila Mariana e com a participação de arquitetos, paisagistas, artistas e estudantes de arquitetura da Universidade Paulista.

Um percurso foi delineado por toda a praça, criando uma conexão entre as diversas áreas solicitadas. A declividade natural do terreno forma uma pequena arquibancada com área para apresentações, ladeando a área de convivência com bancos contínuos de madeira. O espaço para crianças possui piso drenante e ecológico, semelhante à área com aparelhos para exercícios voltados para a terceira idade. O playground é composto por brinquedos lúdicos e não convencionais, com algumas áreas propositadamente onduladas. Um jardim sensorial enfatiza a experiência junto à vegetação.

A presença de árvores na praça, torna a área bastante sombreada, reduzindo a possibilidade de plantio de espécies diversificadas de flores conforme pedido da comunidade, fato este solucionado com a proposição de folhagens coloridas adaptadas a poucas horas de sol. Blocos intertravados compõe o piso do percurso que possui pontos de iluminação para complementar a estrutura atual, trazendo maior valorização e segurança durante a noite.

Três rochas com indicação de QR code, dispostas nos três cantos da praça, homenageiam a presença de Mokiti Okada, com informações digitais sobre sua vida e obra, disponíveis pelo celular do usuário. Sutil, esta forma de representação vai ao encontro de formas simbólicas pertinentes ao pensamento e filosofia tradicionalmente orientais.

Intervenção na Praça Mokiti Okada, corte AA, São Paulo SP, 2019. Arquitetas Paula Helena da Costa Garcia, Maria Celina Peres Fernandes e equipe
Elaboração Thiago Luiz Salvadeo Santos, Marcela Rodrigues Santos, Samuel Nunes Lopes, Yuki

Construção

Não é preciso lembrar o quanto as áreas abertas, os parques e as praças nas cidades se tornaram ainda mais relevantes com o advento da pandemia provocada pela Covid-19, reforçando a importância da efetivação deste trabalho.

Para que o projeto seja efetivado, uma equipe também multidisciplinar lidera um programa de captação de recursos junto à sociedade. Intervenções pontuais podem sim gerar grandes transformações no entorno e a consciência coletiva parece se tornar mais clara. Presenciamos hoje populações muito mais alinhadas com os ideais de inclusão e sustentabilidade que as lideranças políticas.

Vivemos, portanto, em uma época em que o Estado não nos representa: é preciso buscar soluções e fornecer instrumentos para que a própria comunidade possa iniciar as transformações necessárias, sejam elas no âmbito público ou privado, num engajamento responsável, possível e sustentável.

notas

1
SCHARMER, Otto. Liderar a partir do futuro que emerge: a evolução do sistema econômico ego-cêntrico para o eco-cêntrico. Rio de Janeiro, Elsevier, 2014, p. 15.

2
SCHARMER, Otto. Teoria U: como liderar pela percepção e realização do futuro emergente. Rio de Janeiro, Elsevier, 2010, p. 312.

3
FUNDAÇÃO MOKITI OKADA. Mokiti Okada, introdução à sua filosofia. São Paulo, Fundação Mokiti Okada, 1981, p. 59.

ficha técnica

projeto
Revitalização da praça Mokiti Okada

local
Vila Clementino, São Paulo SP

ano
2019

arquitetura
Paula Helena da Costa Garcia e Maria Celina Peres Fernandes (autoras); Elias Muradi e Viviane de Andrade Sá (colaboradores); Thiago Luiz Salvadeo Santos, Marcela Rodrigues Santos, Samuel Nunes Lopes, Yukiane Patricia Ikeda Figueiredo, Gustavo Tozzetti, Raffaella Mendes, Natan Cardoso [desenhos], Mariane Sales, Gabriela Mattos, Guilherme Santana de Paula, Renan Yuri de Lana Barbalho, Thais Cruz Araújo [maquete] (estudantes)

levantamento topográfico
Luiz Carlos Bonini

sobre a autora

Paula Helena da Costa Garcia é arquiteta e urbanista, com graduação e mestrado pela FAU USP e professora de projetos na Universidade Paulista.

preâmbulo

O presente artigo faz parte de Preâmbulo, chamada aberta proposta pelo IABsp e portal Vitruvius como ação para alavancar a discussão em torno da 13ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, prevista para 2022. As colaborações para as revistas Arquitextos, Entrevista, Minha Cidade, Arquiteturismo, Resenhas Online e para a seção Rabiscos devem abordar o tema geral da bienal – a “Reconstrução” – e seus cinco eixos temáticos: democracia, corpos, memória, informação e ecologia. O conjunto de colaborações formará a Biblioteca Preâmbulo, a ser disponibilizada no portal Vitruvius. A equipe responsável pelo Preâmbulo é formada por Sabrina Fontenelle, Mariana Wilderom, Danilo Hideki e Karina Silva (IABsp); Abilio Guerra, Jennifer Cabral e Rafael Migliatti (portal Vitruvius).

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